Orpheus
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A noite na academia estava tranquila. Pelos comentários nada de anormal tinha acontecido nos primeiros dias de aula, a não ser pela pequena discussão na oficina de música. Mas nada a se alamar, diziam alguns alunos. Porque Ren não se machucou, falavam outras alunas.
Somente não compreendiam como tudo aquilo tinha começado, e também não repararam que Ren tinha saído daquilo.
Quando Masato, enfim, chegou ao seu quarto no meio da noite esperava que Ren não estivesse por lá ou estivesse dormindo. Quando entrou no quarto, tudo estava escuro e em silencio, fechou silenciosamente a porta e ao ligar a luz levou um susto.
O rapaz de cabelos dourados tinha surgido do meio da penumbra e o jogado contra a parede, cada mão ao lado de sua cabeça e o olhava sem expressão e diretamente nos olhos.
– Sem fugas, Masato! – Ren avisou.
Hijirikawa se assustou bastante, não por ser Jinguji, mas pela ação deste, desde mais cedo ele estava irritado. Qual era o problema dele afinal? Mas pela expressão. Ele estava muito sério, com a cara de quem não estava com um pingo de paciência. Estava tão fora de si que estava dando medo.
Nunca sentiu medo de Jinguji, aquela era a primeira vez.
– Jin-Jinguji, se acalma! Eu não estou entendendo toda esta raiva. — disse com um tom baixo. Dava para ouvir os batimentos de Ren, estavam rápidos. – Me dá um espaço! – pediu.
– Não estou com raiva... Muito pelo contrário. – Ren continuou sério, apesar do sorriso de lado que deu ao roubar a chave do quarto das mãos de Masato, pois tinha visto este trancar a porta. – Quero satisfações.
O loiro parecia ansioso, apesar de querer manter a sua postura enigmática. O sorriso malandro e sedutor estava lá, os olhos azuis brilhavam, mas tinha algo diferente. O nervosismo e a necessidade de resposta. Mesmo quando ele pegou o pulso de Masato, a ansiedade estava lá.
Ele olhou para o pulso, atento e em silencio. Não machucou, ele acariciou o pulso com o polegar transmitindo nostalgia e voltou a levantar o olhar. Agora olhos com dor. Depois desse complexo de sentimentos naqueles olhos azuis, ele puxou Masato em direção à mesa ao lado do quarto que pertencia ao rapaz de cabelo azul e o fez sentar na cadeira. Assim como ele se sentou na sua maneira habitual relaxada e jogando a cabeça para trás.
Ele estava tentando camuflar a ansiedade.
– Onde esteve até o momento? – ele sorriu perguntando. – Você não está conseguindo disfarçar que está fugindo de mim.
Masato ficou olhando para o loiro e o analisou para ter certeza que ele não faria nada violento. Ajeitou-se melhor tentando não demonstrar seu nervosismo em relação a tudo que estava acontecendo. Foi tudo tão rápido, o beijo, as confissões de Ren sobre o querer, não era algo tão simples. Mas achou que nunca ouviria aquilo de Ren.
Fez algumas respirações tentando se acalmar. Jinguji rodava as chaves que havia roubado.
– Bem, primeiro quero te pedir para não me tocar sempre que tiver vontade, principalmente em publico. Sabe que não gosto disso. – disse tomando coragem de encarar jinguji – Eu não estou fugindo de você só estou evitando ficar próximo para que minha pretendente não pense que prefiro você a ela. — disse justificando seus atos, mas viu o sorriso de Ren mudar e aquilo o incomodou. — Jinguji... Eu sei o que aconteceu, mas não posso deixar que isso se prolongue. Não é certo! — disse vendo o sorriso de Jinguji se apagando aos poucos. Não aguentaria muito tempo. — Que tipo de explicação quer de mim? — perguntou pondo as duas mãos na mesa. Era tão ruim falar sobre aquilo.
– Você é engraçado... Antigamente você nunca reclamava dos meus toques. – Ren virou o rosto, os cabelos dourados cobrindo o semblante, o sorriso triste permanecendo lá. Algo que não combinava com ele. Ele tinha até parado de girar a chave e a apertava em sua mão. – Esta é o que? A terceira ou quarta vez que me rejeita? – voltou olhar Masato, o sorriso aumentando ao aprofundar o olhar. – Então ela é sua pretendente? – falou irônico, com algo cortante na voz. – Seria interessante ela saber sobre o que aconteceu no jardim!
Masato arregalou os olhos.
– Vai me ameaçar agora? — perguntou se alterando um pouco fazendo pressão com a palma da mão na mesa. Aquilo não era do feitio de Ren. — Jinguji... Ela... É mais uma das minhas pretendentes... Mais uma. – disse voltando a sua posição anterior. – Põe uma coisas na sua cabeça eu não posso mais continuar com a ideia de um dia podermos ficar juntos. — falou ficando cada vez mais preocupado com o sorriso de Ren — Meu pai quer que eu me case logo após terminar o ensino médio. — abaixou o olhar. – Lamento, não tenho escolha.
– “Não posso mais continuar com a ideia” é isso? – Ren repetiu as palavras de Masato e também colocou as mãos sobre a mesa encarando o outro com um sorriso enorme. – Então quer dizer que já pensou sobre isso. Que interessante, para alguém que não deu valor a minha existência. – o loiro fechou o rosto. – O que me impede de te roubar para mim e impedir que você se case?
Masato olhou Ren com uma feição um pouco assustada. Ele o roubaria. Impossível. Como poderia negar a existência de Jinguji? Outra coisa impossível.
– Não poderia fazer isso, eu não posso abandonar Mai. – Masato percebeu que havia falado demais, tinha dado ao loiro a ideia que ele queria isso. – Eu a amo demais. Foi a segunda melhor parte da minha vida, entenda eu não posso. – falou ficando levemente ruborizado – Eu terei que me casar!
– Roubo os dois então! – Ren virou o rosto e mordeu a língua. Merda, merda, merda. Ele estava falando coisas sem sentido algum. Ele tinha ouvido falar de Mai, não tinha a visto nascer, mas sabia da gestação da mãe, porém seu único contato era com Masato. Tinha visto noticias, e mesmo assim, nelas não tinha aparecido o Masato. E já seria loucura sequestrar uma menina para ficar com Masato. Valia tanto a pena assim? Quando voltou a olhar para o outro, seu coração parou. Mas que droga, ele queria muito Hijirikawa. Uma perda já foi o suficiente. Hijirikawa valia muito a pena. – Você em algum dia se importou comigo? – ele estreitou os olhos. Ele não queria ser o único naquilo.
Naquele sentimento que rasgava o seu peito e o deixava fora de si. Fora dele mesmo e do que costuma ser. Ele estava ficando insano.
Masato estava surpreso, Jinguji estava enlouquecendo de vez. Como poderia sequestrar os dois? Seu pai ficaria louco, colocarias pessoas atrás, aquilo iria prejudicar Jinguji, mas como poderia pensar em se casar? Talvez pudesse fugir do destino cruel que o pai decidira, mesmo assim seria doloroso se como castigo nunca mais pudesse ver Mai. Aquilo não era certo, porque sua vida era tão definida? Teria um fim. Masato olhou para Ren não acreditando em como ele havia se tornado tão perfeito.
– Jinguji, quer saber o motivo do porque eu nunca mais te vi? — perguntou olhando o loiro. Talvez este seria o melhor caminho.
– Por favor... – Ren voltou a ficar calmo e a se sentar com tranquilidade. Respirar fundo era a única opção de se manter estável. Não queria ficar desse jeito, em loucura e sem razão. Esse desejo o consumindo. – Por que não respondia minhas cartas? Por que não me atendia e inventava mentiras que não estava!?
Atender? Do que diabos ele estava falando? Masato estava confuso. Ele sempre perguntava para Jii se Ren o tinha procurado e ele sempre respondia que não. Talvez as circunstâncias não deixassem.
Masato o fitou por alguns segundos, era tão diferente ver Jinguji tão vulnerável daquele jeito. Talvez até ele tivesse sido antes, mas a separação o fez esquecer. Menos os melhores momentos, ou seja, todos. Talvez só não quisesse lembrar o quanto adorava ver todas as expressões de Jinguji. Em pensar que ele havia sofrido tanto.
– Ren, eu não sabia que tinha ido me procurar, porém, mesmo que eu soubesse não poderia te ver. Fui proibido de te ver! — disse Masato com a voz um pouco falha, suas mãos passaram a tremer. — Jamais quis deixar de te ver! — falou pondo a mão tremula no rosto, sentia que seu coração disparava. — Me perdoe!
– Ele te proibiu? – o loiro ficou surpreso e pensativo. Naquele período, dois anos que ficaram juntos, ele mal via o pai de Masato. Quando o senhor Hijirikawa chegava, Jii avisava e Masato ficava tenso e ele em silencio. Eles eram herdeiros de grupos rivais, ele tinha sempre esse conhecimento, mas não se importou. Era bem melhor ficar tocando nas mexas de cabelo de Masato do que ficar preocupado sobre isso. Contudo, o pai de Hijirikawa que tinha esse problema. – Por que não me contou? Avisasse rapidamente quando te ligasse, ou me enviasse alguma carta... – ele olhou para a mesa. – Eu teria dado algum jeito.
– Ligasse? Como? Nunca recebi nenhuma ligação sua! – disse se levantando, bruscamente, estava tão confuso, nunca recebeu ligação, nem uma carta. — Jinguji nunca recebi carta alguma e não teria dado certo, éramos duas crianças de dez anos. Jinguji, eu nunca desobedeci meu chichiue¹, como estou fazendo agora. Não era para estar aqui! — falou tremulo.
Hijirikawa estava se sentindo fraco um pouco tonto talvez, não sabia exatamente o que estava sentindo.
– Acho que é melhor nós pararmos por aqui. – dizia baixo – Eu não posso ficar com você. – olhava para o chão.
– A questão aqui não é se vamos ou não ficarmos juntos. Eu quero você e você me quer e é isso o que importa, não é? – Ren também se levantou, e estava atento a Masato. – E não me venha com essa, eu te ligava todos os dias... Escrevia cartas todos os dias, todas as horas... Até criar calos em minhas mãos. – ele abriu as mãos, estendendo-as, um pouco nervoso como se elas mostrassem hoje as marcas do passado. – Eu fui à sua casa, te gritei! Quando te ligava, me falavam que você tinha viajado... Todos os malditos dias viajando.
– Nem tudo o que está envolvido importa. – Hijirikawa falou sentindo-se cada vez mais fraco, aquilo não estava sendo saudável. – Como eu te disse, nunca me chamaram para te atender, passei todos estes anos preso em minha casa e a única pessoa que ia me ver era Kurosaki ou minhas pretendentes. — falou sentindo que seus joelhos cederiam. Olhar as mãos de Jinguji lhe machucava, só mostrou o quanto havia feito alguém sofrer.
– E as cartas? – Ren deu a volta na mesa e o olhou seriamente. – E quando eu ia para lá te gritar? – ele parou próximo ao Masato e segurou os seus ombros, olhando bem nas profundezas dos olhos. – Você era indiferente a isso?
Hijirikawa fechou os olhos. Medo talvez.
Masato tentava manter-se em pé, mas já que Ren estava lá se segurou nele e após alguns segundos levantou o olhar para ficar olho a olho com o loiro.
– Jinguji, após ser proibido de te ver tudo o que eu conhecia de mundo se acabou, eu te disse que fiquei trancafiado. – falava com uma voz baixa. — Não é querendo me gabar, mas viu o tamanho da minha casa? Eu nunca soube que você foi lá. Não fui eu que não quis te ver, eu não podia! Será que não entende? Eu até tentei fugir umas vezes, mas sempre fui castigado severamente, e depois que Mai nasceu eu parei, tinha que cuidar dela. — falou sentindo-se um pouco mais aliviado por dizer o que angustiava.
O silencio de Ren era angustiante, ele olhou para Masato percebendo como estava fraco. Desceu as mãos pelos ombros, parando levemente nos braços e depois voltou a subir. Em poucos segundo ele tinha abraçado o outro, passando as mãos por suas costas e o puxou para se sentar no chão, na verdade ele, puxando Masato para o seu colo. As mãos, grandes indo até as madeixas azuis, acariciando.
Quando Ren pode olhá-lo, Masato viu um sorriso de lado no loiro.
– Nós podemos ficar escondidos... — foi a sugestão de Jinguji.
– Não! Seria horrível se meu chichiue descobrisse. – falou Masato fechando os olhos, tentando se manter emocionalmente. – Jinguji, eu não vou ficar com você, é muito arriscado! — disse se soltando de Ren e tateando no chão até o futon, após o arrumar se deitou. — Me perdoe, mas não vou mudar minha opinião sobre isso.
Hijirikawa fechou os olhos não deixando que suas lágrimas fossem vistas. Jinguji o queria, assim como ele o estava querendo, ainda assim não podiam ficar juntos. Doía demais ver Jinguji sofrendo, mas não poderia abandonar Mai.
– Você acha mesmo que irei desistir? — a voz veio ao longe, mansa, calma e tranquila. — Logo agora que eu sei que você também me quer? — agora a voz parecia mais próxima, até o calor o invadir. Mãos tocando em seu cabelo, os dedos habilidosos descendo por seu rosto, o carinho vindo. O polegar passando pelo canto de seus olhos. — Você novamente não está se cuidando.
Tão atencioso, porque o destino fora tão cruel com eles?
– Jinguji, estou te pedindo que fique longe de mim. Preciso me desprender de qualquer coisa que lembre você, por isso sábado vou sair com Kajima-san. — avisou dando as costas para o loiro. Não queria sentir o loiro o tocando, não poderia se acostumar com tal coisa. – E eu esqueci de tomar, mas não se preocupe, eu mesmo irei me cuidar. Não é sua obrigação! Agradeço sua preocupação. — disse se sentando e pegando as vitaminas na gaveta. Em seguida a água e as tomando.
Sentir as carícias de Jinguji era tão bom, assim como a essência que emanava do loiro.
– Não vai com ela... — Masato sentiu um arrepio vindo, porque a voz estava bem próxima de seu ouvido, os braços que ele tanto conhecia circulou a sua cintura, abraçando-o por trás. Novamente Ren o colocou sentado sobre o seu colo, mas dessa vez, ele não poderia olhar o loiro nos olhos. Ou foi o que achou, pois os dedos foram até o seu queixo e o fez virar de leve. O sorriso sedutor estava lá, os olhos estreitos também o encarando. — Sábado é meu dia com você, não se lembra? Eu tenho um dia o qual você fará tudo o que eu quiser, porque eu tive que sair desse quarto por algum motivo que você não quis me dizer. — os lábios se aproximaram e as pontas dos dedos se mantinham em seu queixo. — Eu não vou deixar que ela te toque.
– Jinguji... — droga ele havia se esquecido desta parte. – Eu não acredito que usara logo este sábado. – falava indignado, porém havia dado sua palavra e não poderia voltar atrás. – Muito bem, como quiser! Mas deixe-me em paz. Não é para me tocar até lá! — disse voltando a sair do colo de Ren desta vez com dificuldade. — E pare de falar próximo ao meu ouvido!
Apesar de mostrar confiança estava com medo do que Ren iria lhe pedir.
– Tudo bem... — Ren segurou o seu braço e voltou a puxá-lo forçando um pouco Masato a se deitar. Seu sorriso não diminuiu, na verdade ele segurou de leve o queixo do outro e voltou a beijá-lo. — Pra matar a vontade até lá. — piscou um olho e soltou, deixando-o deitado. — Descanse. — pediu seguindo para o seu lado, mas em direção ao jogo de dados. Ele parecia bem mais animado, e transmitia uma calma sem igual, comparado ao que estava antes. Ele estava com os pensamentos positivos.
Masato respirou fundo, ainda tinha que aguentar abusos de Jinguji, mas não pode pensar muito mais nisso, acabou apagando.
– UTA -
Otoya vinha correndo pelo corredor, passava raspando em algumas pessoas. Eufórico, ele queria encontrar Tokiya e contar o que tinha visto junto com o seu senpai. Ele tinha visto Hayto. Uma cópia fiel ao seu colega! Bem, uma cópia com um sorriso. Era um sorriso tão feliz.
E uma voz que nunca tinha escutado antes.
Correu mais um pouco e entrou no quarto batendo a porta.
– Tokiya! — chamou feliz e não encontrou o colega. Ele não desistiu, procurou no quarto, incluindo o banheiro e retornou de cabeça baixa. Tokiya provavelmente ainda não tinha voltado do seu emprego de meio período. Interessante, alguém tão rico precisar trabalhar. Ou será que ele era bolsista? Perguntaria isso depois. — Acho que... — ele olhou para todos os lados, tendo muito que fazer e ao mesmo tempo nada a fazer. — Ahhh, Tokiya não está aqui para a gente conversar... — reclamou e voltou a olhar para o banheiro, sorriu e seguiu até lá. Nada como um banho para relaxar.
Tokiya andava pelos corredores um pouco mais silenciosos agora, os alunos provavelmente já estariam dormindo. Ou pelo menos a maioria adentrou em seu dormitório e em seguida fechou a porta, olhou para os lados, e ouviu uma cantoria no banheiro, uma voz bonita. Será que era? Apesar de que era uma musica de Hayato. Seguiu ate o banheiro e viu a porta encostada então entrou, ficou estático ao ver Otoya tomando banho.
– Desculpe! Pensei que estava se penteando ou algo do tipo. — disse dando um passo para sair.
– Tokiya!? — Otoya ficou surpreso, mas sua voz não demonstrava nervosismo em ser encontrado no banho. Apesar de que foi sua culpa ter deixado o vidro do box aberto. Ele tinha se virado, descuidado jogando um pouco de água e sorriu para Tokiya, antes que este pudesse ter a oportunidade de sair. Agia como se fosse natural estar nu na frente de alguém que acabara de conhecer. — Oi Tokiya... — limpou a espuma que tinha descido em seu olho, e ainda esfregando o olho ele voltou a olhar o colega de quarto. — Eu tenho novidades, comi Mochi do senpai. Ele cozinha muito bem! E vi Hayato-sama hoje! — o sorriso aumentou ao murmurar a musica que tinha escutado.
Não era para Otoya estar prestando atenção nisso, em Hayato. Só pedia para que ele o achasse um comediante como Ren achou. Parou olhando o ruivo por um momento. Nunca reparou em outros homens, mas algo era diferente em Otoya. Ah! Sim, as pernas. Seu colega tinha pernas muito esculpidas para um homem. Esquisito.
– Bom pra você. – disse antes de sair do banheiro, colocando a bolsa com suas coisas na escrivaninha e se sentando na cama. – Não deveria estar estudando? — comentou olhando para sua “pequena coleção de livros”.
O chuveiro foi desligado e dois minutos depois Otoya saiu com uma toalha enrolada na cintura, e outra na cabeça, secando os cabelos. Ele parou e se sentou ao lado de Tokiya, porém caiu deitado na cama dele esticando os braços e sorrindo ao olhar para o teto.
– Não consigo estudar sozinho, e o senpai é um ano à frente então seria chato fazê-lo me ensinar algo que ele não vê mais. – ele olhou para Tokiya e puxou a toalha da cabeça. – Tokiya-kun, você já escutou Hayato-sama cantar?
– Deveria tentar estudar! É algo que até você é capaz. Mas sobre Hayato... — falou olhando o ruivo com um olhar um pouco irritado por este estar em sua cama. – Eu não perco meu tempo ouvindo pessoas desnecessárias. – se pôs de pé. – Saia da minha cama, está molhando os lençóis. — disse Ichinose um pouco impaciente, puxando Otoya pelo braço e o pondo de pé.
O ruivo o olhou assustado e olhou para o seu braço que estava sendo segurado. Ele nunca viu Ichinose assim. Na verdade, eles se conheceram basicamente e bem pouco tempo. Porém, pelo o que percebeu, Tokiya não era nada receptivo a toques, mesmo assim o estava segurando firme. Ele nem tinha reparado que Tokiya era realmente forte quando queria. E tudo devido que ele se deitou em sua cama molhado?
Ele não queria desagradar ninguém.
Somente estava animado que viu Hayato, viu aquele que todo mundo falava. E gostou, ele realmente gostou da voz dele, só faltava alguma coisa em sua música, mas a técnica na voz era surpreendente. Agora tinha deixado Ichinose furioso porque molhou a sua cama. Ele olhou para o lençol e se sentiu muito culpado pelo o que fez.
– Me desculpe, Tokiya-kun. – piscou algumas vezes e voltou a olhar para o seu colega. – Eu não pretendia... – ele abriu um sorriso ao pensar uma coisa. – Eu posso trocá-los já que baguncei sua cama.
– Não precisa fazer nada. — disse soltando o ar aos poucos. – Não faça tudo que vem a cabeça, acabará deixando alguém irritado. – disse soltando Otoya e balançando a cabeça. – Vou tomar banho. — avisou se afastando e entrando no banheiro precisava relaxar um pouco.
Nem ele estava acreditando que havia segurado o ruivo com tanta força, talvez foi pelo assunto Hayato. É, foi isso. Se despiu e entrou na água. Aquilo seria ótimo, quando saísse desejava que Ittoki estivesse dormindo.
Depois de um banho que foi relaxante, secou-se bem antes de sair do banheiro de toalha. Ao olhar para a sua cama, ficou surpreso ao encontrá-la pronta, arrumada e limpa. Suas coisas também estavam arrumadas. Ao olhar direito, ele viu Otoya de frente para a janela e de costas para ele, com roupa de dormir. Uma bermuda e camiseta. O vermelho de seu cabelo refletia a luz do luar e criava uma tonalidade diferente.
Quando o ruivo sentiu ser olhado, ele olhou para trás um pouco assustado segurando algo em sua mão. Ele se virou e colocou as mãos atrás das costas e sorriu nervosamente, olhando para os lados. Tokiya tinha a impressão que Otoya segurava uma luva e uma carta quando se virou.
– Arrumei a cama para você. – ele falou, mas gaguejava. Era muito difícil Otoya gaguejar. E esconder algo, manter-se assim, na dele.
Na verdade Otoya estava sem reação. Ele esteve arrumando as coisas de Tokiya como um pedido de desculpas, mas não achou que encontraria algo na escrivaninha de Tokiya que chamasse sua atenção. As luvas de Hayato. Não exatamente de Hayato, mas era muito parecia da com a que tinha visto no show.
Mas eram luvas simples, qualquer um poderia comprar. E se Hayato era um ídolo famoso, logicamente teriam copias e mais copias dessas luvas por aí. Foi olhando para elas que tinha esbarrado na bolsa e aquela carta caiu.
Aquela carta... Ele estava assustado com ela. Era uma declaração de um cara desconhecido para Tokiya. Que o pedia em namoro. Em pensar nisso ficava vermelho. Já estava lidando com pessoas com relacionamentos diferentes. Ringo-sensei, seus novos amigos, Natsuki e Syo. Mas nunca imaginou Tokiya. Ichinose era o cara que toda menina iria querer, na verdade elas já olhavam.
Ele era bem chamativo, charmoso, quando Reiji comparou ele com Hayato. Talvez ele somente perdia para Ren na hora de chamar atenção. Na verdade Ren chamava atenção e banhava-se com ela enquanto Tokiya queria evitar chamar atenções desnecessárias. Então o cara que mandou essa carta gostava do jeito restrito de Tokiya.
Mas hoje Tokiya não estava mostrando tanto assim essa restrição, depois que o segurou daquele jeito. Agora ele percebeu que talvez não tivesse sido muito inteligente da sua parte ter mexido nas coisas de Tokiya.
Tokiya olhou para o ruivo, Otoya não era do tipo de ficar em jeito assim tão fácil era bem alegre. Viu que ele escondia algo, olhou para cama e depois para a bolsa que estava um pouco aberta.
Voltou a olhar para Otoya.
– Eu te disse que não era para arrumar. –se aproximou de Otoya calmamente. – Mesmo assim obrigado, mas me diga o que esta escondendo? – perguntou.
– Não é nada! – Otoya deu alguns passos para trás até que suas costas bateram no vidro da janela e ele olhou para trás. Seus olhos ficaram mais abertos ao encontrar a noite e a luz do luar. Ele não tinha saída. Quando ele se virou para Tokiya ele abaixou a cabeça, não acreditando na enrascada que se meteu. – Vamos dormir, Tokiya-kun! – pediu querendo que o assunto mudasse.
– Dormir? Eu costumo dormir mais tarde. — disse estranhando ainda mais o comportamento do outro. — Já chega, me dê isso! – disse segurando o pulso de Otoya. havia visto uma parte do que ele escondia, quando puxou as mãos de Otoya para ver o que tinha. – Por que mexeu nas minhas coisas? Não pensei que fosse deste tipo. – falou em tom decepcionado. Estava nervoso, mas não queria mostrar isso. — Eu fico com isso! – disse pegando as coisas e dando as costas para Otoya. — Nunca mais mexa nas minhas coisas.
– Desculpa, Tokiya! – Otoya ficou desesperado. Tokiya estava bravo com ele, muito nervoso até. – Foi sem querer... – ele foi atrás do maior. – Juro, juro, juro que não foi a intenção. – segurou o braço de Tokiya, fazendo um rosto pidão. – Perdão!
– Eu estava realmente penando em ser seu amigo, agora só peço que fique longe de mim. — disse guardando a luva e a carta. Achava-se muito descuidado por deixar suas coisas tão a vista, se desvencilhou de Ittoki e foi até o armário se vestir.
– Tokiya... Neah! – Otoya não desistiu de se aproximar. Ele não gostava de perder um amigo, ainda mais um que realmente estava querendo se aproximar. Poxa, ele tinha gostado mesmo daquela amizade, Tokiya era bem preocupado e sério, mas era atencioso e atento. – Desculpa, eu não queria. Tokiya... Neah! – ficou pulando atrás do maior. – Neah, Tokiya, me perdoa... Me perdoa... Desculpa, Tokiya!!
Ichinose soltou um suspiro e ignorou o ruivo.
– Não! – disse seco terminando de se vestir e não se importando muito em deixar Otoya vê-lo. Em seguida foi para a cama e se deitou, mas sentiu uma pequena falta de ar quando pularam sobre ele.
Otoya jogou-se por completo sobre o outro e pulava sobre ele e ficou pulando e esperneando sobre Tokiya, e rolou para o lado da cama quando se desequilibrou, mas ele retornou a ficar por cima e a pedir perdão ao ficar pulando sobre Tokya. Ele falava manhoso, e não parava de falar e pular.
– Desculpa, desculpa, desculpa Tokiya! – ele continuou manhoso.
Ichinose sentiu uma veia saltar, estava morrendo de dor de cabeça, havia tido muitos problemas e só queria descansar. Empurrou Otoya para o chão e o olhou sério.
– Vá para seu lado e não me perturbe mais! — pediu com um tom frio. Não estava afim de continuar com aquela palhaçada, já não bastava ser pedido em namoro. — Vá dormir!
– Neah... Tokiya... – Otoya se sentou no chão o colocou a cabeça na cama de Tokiya, o olhando ferido e falando baixo. – Só não queria perder sua amizade. – olhou-o nos olhos, e dessa vez seus olhos vermelhos brilhava. – Desculpa... – sussurrou, e diferente das outras vezes o perdão foi baixo. Ele se levantou do chão e seguiu para a própria cama. – Boa noite. – sussurrou de costas e se deitou na cama, de costas para Tokiya, puxando o cobertor e se cobrindo completamente até sumir de vista.
Ichinose se sentiu mal por algum motivo o que ele não sabia, era melhor se acalmar, talvez e só talvez conversasse com o ruivo depois.
– UTA -
Naquela mesma noite, o silencio era o vencedor do local. O vento batia nas arvores, fazendo um som que provocava um barulho assustador. Nos céus via-se poucas estrelas, mesmo assim estava lindo de se ver. A menina estava parada próxima a janela, olhando o tempo com o lápis na mão. Ela sorriu meio nostálgica e olhou para a parede, vendo o seu pôster de Hayato e sorriu ainda mais vermelha.
– Sonhando acordada, Haruka? – Tomochika falou se deitando e olhando para a amiga. – Venha, vamos dormir... Você pode terminar a tarefa amanhã!
– Hai... – Haruka sorriu e olhou para o pôster mais uma vez. – Você já notou que Tokiya é muito parecido com Hayato-sama?
– Gostou dele, não é? – a garotas de longos cabelos se sentou e sorriu mais ainda ao ver Haruka totalmente vermelha. – Por que não se aproxima dele?
– Não. – Nanami se levantou da cadeira mais vermelha e balançando freneticamente a cabeça ao seguir para a cama e se deitar, puxando o cobertor e olhando para o teto mais vermelha. – Ele não gosta de mim.
– Como sabe? – TomochiKa riu e se levantou da cama e foi até a cama de Haruka e entrou também debaixo do cobertor, abraçando a amiga. – As vezes é bom pensar positivo. E outra... – sorriu ainda mais. – Acho que Otoya se interessou por você.
– Ele é somente meu amigo... – a de cabelos curtos ficou vermelha e sorria timidamente. Não queria pensar em estragar uma boa amizade com Otoya pensando nessas coisas. Mas Tokiya fazia seu coração dar pequenos avanços.
– UTA –
Na semana seguinte, Masato dormia encolhido devido ao frio que estava fazendo, porém dormia tranquilo. Mas um calor o cobriu, primeiro em seu rosto, como uma caricia. Essa caria quente descia e uma sensação de beijo veio até a sua testa. Foi assim que sentiu alguém se deitar ao seu lado e o abraçar, levando o seu corpo para aquele calor e o cercando, respirando profundamente.
Como Hijirikawa tinha um sono leve acabou despertando, sentiu braços circulando sua cintura. E ao virar quase beijou Jinguji. O que fez ele recuar um pouco. O que Ren estava fazendo ali deitado com ele?
– Jinguji? – disse em um tom meio sonolento, ele estava um pouco dopado pelas vitaminas.
O loiro estava nu agarrado a si, o que ele pensava que estava pensando?
– Vim dormir com você. – o sorriso de lado do loiro era enorme e anormal. Ele parecia muito a vontade em puxá-lo, apertando-o contra o corpo que estava quente. Ren sempre teve a temperatura quente, o que combinava com o corpo dourado. – Já são os primeiros minutos de sabado... Quero dormir agarradinho. – o sorriso não diminuía quando os rostos ficaram bem próximos e um beijo foi depositado em seus lábios.
Agarradinho? Do que ele estava falando? Ah isso meia noite. Sábado. Palavra. Certo teria que se controlar, pois teria que deixar Ren fazer o que quisesse, nem tudo. Não estava nada a vontade de dormir daquele jeito.
– Certo Jinguji, mas ponha roupa ao menos, não quero sentir isso ai! – disse apontando para o órgão genital do loiro, que por sinal era bem, enfim não era hora de pensar nisso. – Vá, ponha uma roupa!
– Por quê? – Ren sorriu mais uma vez e seguiu com o corpo sobre o de Masato, abraçando-o mais e sua virilha esfregando de leve sobre a de Masato. – Me sinto a vontade assim. Somente durmo sem roupa... – sussurrou, deitando a cabeça e olhando para o rosto de Masato com atenção. – Você que dorme com roupa demais.
– Mas eu não... Jinguji! – disse Masato um pouco arfante. Não podia fazer muito, seu corpo estava muito mole. Por que motivo Jinguji tinha que ser daquele jeito? Até pareciam casados. – Sou decente ao contrario de você, por favor não durma assim! – disse com a voz firme, porém sonolenta.
O loiro ficou o olhando, talvez minutos se passaram com ele o olhando. Na verdade Ren estava pensativo, pensava o quando deveria estar deixando Masato nada a vontade. O que ele queria era o contrário. Mas analisando os fatos, Hijirikawa sempre foi na dele. Calado, tímido, racional e tradicional. O que sempre fascinou Ren.
Eles sempre foram opostos. Pareciam até combinar. Enquanto um queria se esconder da multidão, o outro era o centro.
Como ele não queria que Masato fugisse e que ficasse mais livre na sua frente ele respeitou. Assim como respeitou o primeiro beijo. Tudo a seu tempo, queria se concentrar e muito para não aproveitara fazer algum tipo de besteira.
Pois os dois ficavam muito bem assim juntos na cama.
O corpo deles ficava muito bem juntos.
Ele se levantou, sem vergonha alguma em mostrar-se. O corpo dourado, com os músculos firmes e sem exagero, as pernas bem torneadas quando ele se levantou e seguiu para o seu lado do quarto. As costas largas, prontas para serem seguradas, assim como o seu bumbum.
Ren abriu uma gaveta e pegou uma bermuda e se vestiu, sem colocar uma peça intima e retornou para a cama de Masato, voltando a sorrir e o abraçar.
– Isso é o máximo que poderei colocar. – sussurrou, dessa vez ficando atrás de Masato para dormirem de conchinha.
– Está ótimo, obrigado. – disse Hijirikawa baixinho, fechando os olhos. Sempre gostou muito do calor que Ren emanava. Era tão protetor, preferia assim. – Oyasuminasai Jinguji! – disse bem baixinho automaticamente se aconchegando no loiro.
Ao amanhecer, o clima já era bem mais agradável. A grama sendo molhada e o Sol batendo deixava a paisagem linda. O brilho, o arco-íris se formando. Alguns alunos acordaram cedo para poderem sair. Aos finais de semana era permitida a saída dos alunos para visitarem os familiares, assim como era permitida a visita dos mesmos.
Apesar que os serviços da academia começaram há pouco tempo, a maioria dos alunos preferiam se retirar. Alguns simplesmente ficaram por lá para descansarem. Por exemplo, Otoya. Ele sim, queria dormir muito. Pois não conseguiu dormir com a culpa que sentiu. Quando conseguiu pegar no sono, não foi muito bom.
Agora que estava dormindo ele não conseguiu se manter com um som vindo da janela. Ele escutava um bicar que chegava a incomodar. Ele estava totalmente jogado, costumava se mover muito quando dormia, o cobertor enrolado em um dos seus pés, a camisa levantada e levemente babando.
Quando abriu os olhos, com a luz leve o cegando ele bocejou e se virou coçando a cabeça. Deixaria o passarinho em paz, ele estava somente bicando, era o trabalho dele. Mas ao olhar para a cama ao lado, ele se sentou mesmo sonolento. Tokiya estava dormindo, ele não costumava dormir até esse horário, ele era madrugador. Talvez ele estivesse muito cansado com o trabalho, por isso nem escutou o barulho que o pássaro estava fazendo.
Como ele não queria incomodar Tokiya, ele se levantou, mas voltou a cair sobre a cama. Ele precisava criar coragem, mesmo que estivesse triste com o mal que causou, queria fazer aquele som parar para não incomodar Tokiya. Era sua obrigação pelas ajudas que tinha recebido e pelo o mal que fez.
Com muito esforço e força de vontade ele se levantou e seguiu para a janela, abrindo e olhando para um pica-pau. Ele pediu silencio baixinho e espantou a pássaro o olhando voar. Ele sorriu vendo os movimentos das asas e se espreguiçou recebendo o calor do sol.
Voltou a olhar para trás e ficou triste novamente. Perdeu o seu mais novo amigo com tanta facilidade que nem poderia acreditar. O melhor seria sair e não incomodar Tokiya. Pegou as suas coisas e sua escova e foi ao banheiro. Escovaria os dentes, tomaria um belo banho, sairia do quarto, deixaria Tokiya descansar e ficar em paz sem ele, tomaria café e... Bem, só tinha planejado até aí. Depois ele pensaria o que mais faria.
Talvez jogar bola.
– UTA -
Syo estava sentindo-se um pouco abafado, não era pela temperatura, pois até então era inverno no Japão. Talvez fosse por seu namorado que havia pedido para dormir com ele, após ter um pesadelo. Mas não iria reclamar afinal estava quentinho. Olhou para o relógio de sapinho que Natsuki havia dado, estava tarde era hora de irem fazer algo.
Pegou o óculos da escrivaninha e pôs no loiro, havia desligado o despertador, já que era final de semana. Em seguida tocou no ombro do loiro para despertá-lo.
– Na-chan, vamos acorde! – disse passando a mão entre os fios do loiro.
– Hum... – Natsuki se moveu na cama, fazendo um som sonolento e abraçou a cintura do loiro menor. Apertava-o ainda com os olhos fechados, mas em seu sono não controlava a força que aplicava sobre Syo. – Syo...
Aquilo realmente começou a machucar e já estava um pouco dolorido devido a noite. Natsuki realmente não sabia sobre sua força. Inutilmente segurou os braços de Natsuki e tentou afastá-los.
– Oi NATSUKI, ACORDE AGORA! TA MACHUCANDO. – disse Kurusu dando alguns cascudos também, para ver se agilizava o processo.
Natsuki se afastou acordando sonolento e se afastando com a mão na cabeça. Ele piscou e olhou para Syo, um pouco confuso no começo e depois sorriu. Ele lentamente engatinhou e caiu em cima de Syo, o abraçando.
– Bom dia! – e mesmo descabelado e ainda sonolento ele beijou Syo, trazendo o corpo do menor para mais perto. Dessa vez o abraço era muito mais forte e o beijo estava aumentando a intensidade. Mas por algum motivo ele parou e se afastou, olhando o menor um pouco assustado. Ele abaixou o olhar para as suas mãos e depois voltou a olhar para Syo. – Syo-chan... Tem algo diferente comigo!
Syo já ia gritar, mas parou ao ver o jeito que o loiro estava.
– Diferente como, Natsuki? — perguntou arrumando os próprios fios que Natsuki havia bagunçado.
– Quero Syo-chan! – o maior falou tão natural apesar do duplo sentido que poderia ser interpretada a frase. – E quero beijar muito você, mais e mais... – ele sorriu, voltando a abraçar Syo e a beijá-lo várias vezes. – Quero beijar Syo-chan cada vez mais e tê-lo só pra mim, mas meu corpo está tão estranho quando fico perto de você!
Beijar? Mas era o que ele estava fazendo, será que ele não tinha ideia do que ele fazia? Era tão confuso aquilo.
– Natsuki... — Kurusu pôs as mãos nos ombros do loiro. – Nós já nos beijamos, eu não estou entendendo o que esta dizendo. — corpo? Ele... Será que ele estava com alguma doença e estava escondendo? – Shinomiya, ser for doença é bom me dizer!
– Fico tão quente! – Natsuki sorriu, e se espreguiçou. Deitou-se e pousou a cabeça no colo de Syo e ainda o segurava. – Quando seguro Syo, fico mais quente, querendo o calor de Syo mais perto. Mas abraçar você não faz passar esse calor.
Kurusu estava começando a ficar confuso com aquela estória. Ficou fitando o loiro tentando entender a situação.
– Não fale coisas assim. – Syo falava ficando vermelho. – É só uma febre. Acho melhor falar com Reiji-senpai talvez ele te ajude... Vamos logo comer estou faminto!
– Tudo bem... – ele levantou a cabeça e sorriu. – Só irei tomar banho e irei ver Reiji-senpai... – ele parou e ficou um pouco pensativo. – Por que tenho que ver Reiji-senpai?
– Ele é ajudante do medico da enfermaria, talvez ele ajude. — disse Syo olhando o loiro começar a se despir.
Kurusu olhou o outro se despir e ir para o banheiro e acabou virando o rosto vermelho. Natsuki tinha um corpo digamos que bem bonito ao contrario do dele que era pequeno e sem forma. Talvez fosse por isso que Shinomiya gostava dele.
– UTA -
Hijirikawa sentia-se estranhamente acolhido por braços dourados. Já havia acordado há muito tempo, mas havia permanecido deitado para não acordar o outro. Tinha que confessar que estava muito feliz por estar daquele jeito ao menos que por pouco tempo. Já que tinha certeza que o fim dele seria atrás de uma mesa no escritório.
Contudo, aquele pensamento estava se dissipando com o cheiro do loiro, até havia fechado os olhos para sentir melhor.
– Hummm... – a voz de Ren atingiu os seus ouvidos, o que fez abrir os olhos. Sentiu os braços o soltar e o loiro se sentar na cama. – Por que está tão claro? – o loiro resmungou jogando o cabelo. Aparentemente ele não acordava com um humor muito receptivo, mas ao olhar para a pessoa ao seu lado, o sorriso surgiu apesar da cara de sono. – Bom dia, Masato. – ele soou tão nostálgico, há muito tempo não falava uma frase daquela.
– Bom dia Jinguji. – disse Masato se sentando também ajeitando o cabelo. – Irei tomar café. – disse se levantando e seguindo para o banheiro, iria tomar um banho antes.
Seguiu para o banheiro levando uma toalha bordada que Mai havia lhe dado de natal, mas sentiu alguém o seguindo e ao olhar para trás encontrou Ren o olhando e coçando a cabeça. O loiro sorriu ao perceber o olhar e colocou as mãos na cintura.
– Também vou tomar banho! – Ren sorriu aproximando dele.
Hijirikawa franziu as sobrancelhas, Jinguji estava muito atrevido.
– Certo, então vá na frente. – disse Masato soltando um muxoxo.
– Juntos, Masato. – Ren riu jogando a cabeça para trás e segurou a mão de Masato, o puxando para o banheiro e fechando a porta. – E me chame de Ren.
– Eu não acredito no que esta fazendo! — disse segurando a abertura do Kimono. – Jinguji, não tomarei banho com você! Eu nunca fiquei nu na frente de ninguém. — disse se encostando na porta.
– Isso me soa tão maravilhoso... – o loiro não disfarçou o olhar sedento que lançou. Os olhos descendo e depois subindo, o sorriso nunca morrendo. Puro, Masato era totalmente puro para ele. E saber que era o único que tinha tocado e agora veria. – Eu serei paciente, não irei te machucar. – colocou uma mão ao lado da cabeça do outro. – Não tenha vergonha, aposto que você é lindo.
Hijirikawa o fitou por alguns segundos e então desviou o olhar no mesmo instante que seu rosto havia pegado a pigmentação vermelha, não tinha outra saída. Sentiu o corpo tremer, estava com tanto medo e vergonha. Seu coração estava acelerado ainda mais com Jinguji o olhando daquele jeito e o chamando de lindo. Sua mão que até então estava na abertura do Kimono desceu para a fita que prendia a peça, a puxou lentamente demonstrando um tanto de insegurança.
Engoliu em seco antes de partir para o outro passo que era retirar a maior parte, então colocou as mão nos ombros e foi abaixando lentamente, mostrando seus ombros, descendo para o tronco, mas ao chegar na parte mediana do corpo hesitou por um momento. Ele estava com medo de ser rejeitado, ele não era do biótipo perfeito, ao contrario de Ren. Ele possuía pele pálida com uma única marca roxa no pescoço que foi causada por Ren, ele possuía poucas definições, assim como parecia frágil para um homem.
Mais algum tempo sendo vigiado pelo olhar do loiro e então desceu até que a maior parte caísse ao chão fazendo um ruído baixo. Seu corpo estava completamente nu, sentia cada mínima correnteza de ar.
– A-ande l-ogo com isso. – pediu Hijirikawa quase implorando para não demorar muito.
Estranhamente ele recebeu o silencio em resposta. Ren o encarava seriamente, olhos nos olhos. O azul que tanto conhecia estava mais intenso. As pupilas dilatadas. Ele estava respirando lenta e profundamente, e teve uma hora que chegou a morder o lábio inferior.
Ele estava suprimindo o desejo.
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