Orphan Circus
1 Capítulo 1 - O Orfanato Bee's House
Rino morava em um orfanato especial próximo ao Canadá, chamado “Bee’s House” em um lago cristalino que congelava no inverno e esbanjava beleza no verão. Tinha 16 anos, fazia 8 que tinha perdido seus pais em meio á um conflito que exigia maior salário para trabalhadores de serviços públicos, os policias foram violentos, descendo com força os cassetetes em seus corpos e lhes causando profundos hematomas da morte. Rino nunca esqueceria aquela cena, de seus queridos pai e mãe caindo sobre o asfalto totalmente apagados, logo sendo levado por estranhos e acordando de repente naquele lugar, que mais parecia uma antiga igreja.
O garoto acordou em sua cama, no quarto branco e semi-decorado com vasos de flores e quadros aleatórios. Não podia mais se levantar, correr pelas escadas , dizer “Bom dia, papai e mamãe!”. Já não havia mais “papai “, muito menos “mamãe”, apenas lhe restou um quarto branco. Bocejou. Andou até a janela. Avistou vários patinhos nadando no lago azul, calmamente. Viu que os menores seguiam seus responsáveis e desviou o olhar. Detestava essa imagem de família. Se virou. O espelho. A porcaria do espelho. Ele mostrava seu corpo inteiro que tanto detestava, era um corpo gordo demais, grande. Uma situação engraçada em sua vida é que quando pesava-se na balança, marcava “45kg”, e quando se olhava no espelho via um obeso mórbido que atacaria a primeira comida que avistasse. Ergueu a camisa de lã azul, parou por alguns segundos admirando a bela pança caída, deu tapas e a abaixou.
–Hm... – Foi para porta. — ...Sono...
Era seu outro problema: Não dormia. Passava noites em claro lendo ou encarando a janela de mosaicos coloridos sem fazer absolutamente nada e obviamente sem comer. “Geralmente as pessoas comem quando não tem nada para fazer... Por isso estão tão gordas.”, pensava. Abriu a porta barulhenta e foi de cara para o corredor, era um corredor extenso repleto de entradas para quartos ,banheiros ou qualquer outro tipo de sala estranha que não tinha conhecimento de sua existência. Olhou para os lados e foi para o lado direito que levava até o saguão, queria falar com Ellie, uma garota que tinha estranhas visões absurdas que ninguém mais além dela podia ver. Era uma garota bonita, porém dificilmente se comunicava pois desconfiava de todos por ter esse transtorno. Encontrou-a por lá, sentada em uma cadeira, imóvel. Ellie tinha cabelos loiros cacheados e olhos azuis, usava um vestido longo e folgado roxo com sapatilhas bege, avistou Rino porém nada fez além de ficar parada.
–Olá, Ellie! – Disse o garoto de maneira simpática.
–O-oi. – Ela olhou rapidamente antes de voltar a observar o vazio.
–O que faz aqui no saguão tão cedo? – Sentou-se ao seu lado.
– Só estou obedecendo a senhora Rogers, ela me pediu para que ficasse aqui pois irá chegar um novo membro de nosso orfanato.
–Oh. – Disse em resposta.
Rino ficou mais próximo da menina, que logo desconfiou. Se afastou um pouco sem fazer nenhum escândalo ou reclamação. O garoto respeitou seu espaço.
–Você já tomou seu café? – Ela perguntou, alisando o vestido amassado.
–Sabe que eu não tomo café.
–E nem almoça.
–Nem janto.
–O que você come, afinal?
–Bom...-Hesitou por um instante. – Eu tenho biscoitos, mas só como 2 por dia, acho que vou reduzir e só comer meio biscoito.
–Vai acabar caindo duro no chão.
–Claro que não! – Disse irritado.
–Vai sim, com certeza. – Retrucou com um sorrisinho.
–Não vou!
–Claro que sim. – Ellie olhou para ele sorrindo estranhamente. Rino ficou assustado.
–Se eu morrer, você me enterra, então!
–Trato feito.
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