Orphan Circus

2 Capítulo 2 - O novato


Notas iniciais
Espero que esteja gostando da história! Qualquer crítica ou sugestão, estou aberta para isso. :)

A senhora Rogers apareceu na porta do saguão vestindo uma roupa de freira, os cabelos brancos apareciam um pouco em sua testa manchada , cheia de rugas por conta de velhice. Rogers era uma mulher boa porém se Rino não comesse a sopa de macarrão que fazia com tanto carinho, ficava sem seus preciosos biscoitos de manteiga saturada, que tinha mais gosto de aveia estragada. Rino não gostava dela por conta disto, mas sabia que ela era guerreira, por tomar conta de 200 crianças problemáticas e irritantes. Certas coisas ele reconhecia. Ellie coçou o topo da cabeça sem falar nada enquanto o garoto observava a movimentação no saguão de pessoas que mal vira por ali, apertou um pouco mais a visão e viu alguém entrando. A senhora foi até o casal e ficou de joelhos, ambos não entenderam nada mas não chegaram a perguntar qualquer coisa, apenas ouviram e ouviram, enfim acenando querendo voltar a ver o novo membro. Ele permaneceu parado na porta por um bom tempo sem fazer nenhum movimento brusco, apenas virando a cabeça para esquerda e direita, como se procurasse algo. Parecia trêmulo também pois a mala não parava de balançar. Rino resolveu se levantar e ir cumprimentar o novato, porém Ellie segurou seu pulso , encarando-o com raiva. O garoto ergueu uma sobrancelha.

–Não quero que faça mais amizades além de mim. – falou quase sussurrando.

–Por que?

–Eu preciso de você. – Disse com um olhar frio. – É o único que fala comigo, não quero que me deixe de lado.

–Eu não vou te deixar de lado. Se sentiria mal caso entrasse em um lugar completamente novo e diferente, certo?

Ela nada falou, soltou seu pulso e deixou-o ir. Rino passou a mão sobre seus cabelos dando um sorriso de conforto, começando a andar até o novato. “Quem será esse cara?”, “Que tipo de problema possui?”, “Quero descobrir”, pensava enquanto caminhava calmamente. Chegou até ele que parecia distante da realidade.

–Olá! –Cutucou seu ombro. Percebeu que ele usava uma máscara esquisita de um gato chinês, porém ignorou com um sorriso bem simpático. Ele se virou bruscamente e gritou muito alto dando um pulo, começando a chorar.

–D-desculpa...M-me desculpa... – Disse o rapaz colocando as mãos sobre a cabeça.

–Está tudo bem, sério! Fique mais calmo.

–Por favor, fique longe. – Ele falava tão baixo que era quase impossível de se ouvir.

Rino fez o contrário e chegou mais perto ainda. O garoto entrou em desespero, gemendo de medo. Suas mãos tremiam tanto que a mala mal se sustentava entre seus dedos, a alça estava encharcada de suor assim como seu rosto, que na verdade estava coberto por aquele troço estranho.

–Eu sou Rino! Rino Heavenwood! Qual seu nome? – Tentou manter o jeito agradável.

–Sou...S-sou... – Ele correu até o banheiro de repente, deixando-o sozinho no saguão com Ellie. Ambos se entreolharam assustados. A garota riu de deboche.

Enquanto isso, no lugar em que ele tinha se enfiado, Merlin procurava respirar ao mesmo tempo que controlava seus batimentos cardíacos que estava explodindo. Ele morria de medo de conversar, de olhar para pessoas e falar perto delas. Tinha medo delas o machucarem. Tirou a máscara de gato e jogou água no rosto suado, aos poucos se acalmando.

–Não...vou...sobreviver aqui...-Disse para si mesmo enquanto ofegava.

A porta do banheiro abriu com um leve rangido fino e irritante, chamando a atenção de Merlin que viu quem tinha entrado, logo botou a máscara, correndo para um toilet. Rino olhou em volta e nada viu, quando bateu o olho na pia avistou uma mala que era do garoto toda suada e manchada de óleo. Fez uma careta de nojo, quando ouviu alguém gemer.

–Alguém aqui?