Orphan Circus
3 Capítulo 3 - Síndrome do Pânico
O banheiro estava mais silencioso que o normal, porém Rino insistiu em sua pergunta, feito isso ouviu mais um gemido desesperado e então decidiu abrir as portas dos toiletes para ver onde tinha se enfiado. Queria conversar, queria entender o problema do novato, não gostava de ver alguém sofrendo sozinho daquela forma, o garoto alto e loiro na qual não se via o rosto parecia ter segredos guardados.
–Por que se esconde? — abriu uma porta, vazia.
–M-me deixe em paz... por favor... — Estava suando feito um porco em uma sauna, seus olhos olhavam para todos os lados, procurando algum lugar para correr dali.
–Mas... Não devia ficar assustado desse jeito, eu só quero conversar! — Falou de forma carinhosa, sua voz parecia uma pluma. Abriu a segunda porta que também estava vazia.
Merlin esfregou a mão no rosto e pegou a máscara, colocando-a. Em um movimento violento e desesperado ele chutou sua porta, arrombando a tranca seguidamente de um pulo para fora. Viu a saída, correndo até ela. Antes de sumir feito louco, Rino agarrou seu pulso da mesma forma que Ellie tinha segurando naquela hora. O loiro arrepiou-se do topo da cabeça para baixo, virou-se bruscamente novamente para o moreno, que sorria da melhor maneira que podia pois não queria deixá-lo mais desesperado, Merlin ficou parado igual uma estátua e sua cabeça se abaixou, a máscara pingava lágrimas(ou era suor?). Havia algo nele que lhe chamava atenção, não por que era engraçado de ver mas sim por que queria entender seu problema, queria ajudá-lo... Aquele rapaz em específico clamava por socorro apenas observando o seu jeito de se expressar. Rino segurou com mais firmeza seu pulso, assustando ele e fazendo com que chutasse o magrelo direto na barriga, derrubando-o.
–Meu Deus! — levou as mãos até a boca da máscara. — N-não...
Merlin saiu correndo levando a mala consigo, sem dizer mais uma palavra, enquanto que ele, caído no chão, procurasse entender o que havia acontecido. Se levantou trêmulo e gemendo de dor, o chute havia sido bem agressivo. "Fortinho ele...", pensou. Foi até o espelho para raciocinar um pouco, ignorou completamente o fato de ter acabado de levar uma porrada no estômago, além disso ter perdido-o de vista novamente.
– Espera... — olhou o relógio que carregava no pulso esquerdo. Marcava "6:30". — O orfanato não abriu ainda... Por que o garoto chegou agora? A senhora Rogers nunca trouxe alguém aqui fora do horário de funcionamento. — Se olhou no espelho, como se estivesse interrogando alguma pessoa. — Hoje é exatamente sexta-feira, dia de apresentação do circo, e... Ah! — Exclamou, lembrando de algo que o fez voar para a saída e procurar a senhora Rogers.
Ellie viu o menino correr por todos os cantos, ainda sentada na cadeira do saguão em silêncio.
–O que está fazendo? — gritou.
–Estou atrás da senhora Rogers! Sabe onde ela está? — Respondeu enquanto abria a porta da direita.
–Ela foi falar com o menino novo! — Disse coçando o cocuruto. Pode me trazer uma gelatina depois?
–Claro que sim! Obrigado! — Acenou indo para o fim do corredor feito uma flecha.
Ellie sorriu, gostava do amigo e do seu jeito espontâneo. Os dois se conheceram no mesmo dia que chegaram pela primeira vez no orfanato, brigavam bastante por causa dos brinquedos. Ela lhe dava doces, várias comidas diferentes mas não entendia por que ele não os aceitava, passava horas sem comer absolutamente nada e isso a preocupava. Já Rino insistia em querer ver as criaturas que dizia ter, vigiando-a em todos os momentos, menos quando a freira Rogers(muito mais bonita na época) lhe dava balinhas para dormir. Elas tinham gosto horrível, porém as criaturas paravam de incomodá-la. Certo dia ela acordou com uma barulheira dentro do orfanato, foi ver o que era e descobriu que seu amigo tinha desmaiado, ninguém falava o por que mas sabia que era culpa dela por não ter socado seus docinhos na sua garganta, tinha raiva dele por isso, dela mesma também. A velha mulher lhe disse que Rino estava com uma coisa chamada "anemia", ela explicou que quando uma pessoa não come nada por vários dias sua pele ficava branca e seu corpinho cansado, daí o cérebro delas dormem para recuperar as energias. Ellie entendeu perfeitamente, horas depois foi ver o amigo na cama da enfermaria, com os olhos cansados, assim como o resto. "Você devia ter comido meus brigadeiros!", dizia com raiva.
Anos ela descobriu que os brigadeiros não eram o problema, e sim o próprio Rino, que se alimentava mal, emagrecia, desmaiava... mas pouco se importava com a situação. Isso deixava a menina com mais ódio ainda.
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