Orgulho e negação
4 Primeiras mensagens
Notas iniciais
#04/08/2015
~Dani~
Corri o máximo que podia com a mochila pesada nas costas e tentando equilibrar o caderno e o copo de café nas mãos. Não olhei a hora, mas provavelmente tinha no máximo dois minutos para chegar na sala ou só poderia entrar na segunda aula.
Já conseguia enxergar o final da última rampa onde só tinha que dobrar o corredor e... senti meus pés escorregarem e me apoiei na parede, infelizmente, só consegui agarrar o café, enquanto observava minhas folhas voarem enquanto meu caderno rolava como se dissesse “Você realmente achou que ia conseguir?”.
Depositei minhas coisas na parte plana do chão e corri para tentar pegar todos os papéis quando ouvi passos subindo a rampa e me deparei com o garoto estranho de ontem, Pedro. Ele parou por um segundo olhando aquela bagunça e simplesmente voltou a correr.
– Ei! Você não vai me ajudar? – gritei enquanto levantava os papéis em minha mão, como se ele não tivesse percebido aquela bagunça.
– Bom, ou eu te ajudo ou chego a tempo de assistir aula. Espero que você não ache que só porque sabe meu nome somos amigos ou que vou ser mais uma dessas pessoas que fazem tudo o que você pede.
Fiquei parada encarando suas costas enquanto ele correu para a sala. Qual o problema desse garoto???
~Pedro~
Estava ao lado de Mat e algumas outras pessoas de sua sala enquanto pensava na hora em que o sinal tocou e os alunos da segunda aula entraram e fui assassinado por belos olhos castanhos, assustadores, assustadores olhos castanhos.
– Lá vem a sua namorada. – segui os olhos de Mat até as duas garotas que se aproximavam – E ela tá sorrindo daquela forma assustadora, boa sorte cara.
– Peeeedro. Como você tá?- a mais alta perguntou sentando ao meu lado enquanto Dani permanecia de pé, braços cruzados e evitando meu olhar – O que a Dani te fez?
– O quê?
– Ah, Dani, nós duas sabemos que você é um pouco “difícil” às vezes. Quando eu perguntei como você tava hoje Pedrinho, ela me disse que você era um idiota. O que aconteceu?
– Primeiro, não me chama de Pedrinho, por favor. E, se sua amiga tem algum problema comigo, ela que deveria falar.
– Olha aqui. — Dani falou cerrando os olhos para mim – Eu só vim até aqui porque fui corrompida com uma barra de chocolate, mas pelo visto devia ter cobrado mais.
– Ninguém está te obrigando a falar comigo. – rebati
– Na verdade, tem alguém. E, Cami, se você quer acabar com todo seu futuro tendo qualquer tipo de relacionamento com esse idiota, boa sorte. Mas, me coloca fora dessa.
Ela saiu andando furiosa enquanto a garota ao meu lado começou a se desculpar e puxar assunto, ela até que era uma pessoa legal quando não estava agindo como uma stalker psicótica.
~Dani~
Passei o resto do intervalo conversando com Carlos enquanto evitava o “casal”. Agora, estávamos formando dupla na aula de matemática. Terminei minhas questões rapidamente e fiquei observando enquanto ele fazia as suas. Ele parecia bastante concentrado, Carlos foi um dos meus primeiros amigos de verdade quando entrei ali naquele ano.
Quando descobri que não ficaria na sala de Dani, confesso me senti um pouco assustada de passar todo o terceiro ano no meio de um bando de desconhecidos. Mas, o tempo foi passando e logo fui conversando com várias pessoas, até mesmo fui eleita líder de sala, Cami diz que tenho a capacidade de conquistar as pessoas como um ursinho de pelúcia super fofo, mas ela também diz que alface é sua comida favorita, então não levo o julgamento dela muito a sério. Apesar disso, Carlos era uma das poucas pessoas com quem me sentia realmente confortável para conversar, compartilhar histórias e confiar, não só mais uma pessoa que eu cumprimentava nos corredores.
– O que foi pipoca?
– Tem algo de errado no seu rosto, não espera, acho que é só sua cara mesmo.
– Engraçadinha. Para de ficar pensando em um jeito de exterminar a humanidade e me ajuda nessa última sua psicopata, quero passar a próxima aula livre.
Ajudei ele e terminamos junto com o toque que indicava o começo da quinta aula, como era de matemática também, os outros continuariam nas questões e quem tivesse terminado estava livre para mexer nos celulares, como se precisássemos da permissão do professor para isso. Catei meu celular na bolsa e assim que liguei a internet fui conferir as mensagens.
Enquanto respondia, notei que chegou uma mensagem de um número desconhecido:
Oi
Abri a foto do perfil, mas a internet do colégio era lenta então não carregou completamente, me deixando com um borrão irreconhecível. Conferi o status: “Os seres humanos me assombram.”. Não pude conter um sorriso ao reconhecer a frase de A menina que roubava livros, seja quem fosse tinha bom gosto para livros.
Oi – respondi
Tem um pedaço de papel no seu cabelo
Passei as mãos no cabelo e olhei ao redor, deviam ter umas 10 pessoas com o celular na mão, olhei para Carlos pensando que poderia ser uma brincadeira sua, mas ele tava com o celular de sempre e concentrado no Facebook.
Não tem um nome no seu número
Eu estranharia se tivesse, nunca te dei meu número
Já te dei o meu?
Não, e duvido que daria se eu pedisse
Passei os olhos novamente pela sala e, é claro. Era uma das poucas pessoas da sala que eu não possuía o número, estava tentando não me olhar, mas sorria como se soubesse estar sendo observado e era alguém para quem eu realmente não daria meu número.
O que você quer?
Vejo que já sabe quem eu sou
Claro, uma pessoa que precisa de tratamento. Como você conseguiu meu número?
Camila, e antes que você fique ainda mais convencida, eu não pedi, ela que colocou no meu celular e falou que podíamos ser amigos
Tadinha, tá mais doente do que eu pensava, primeiro te acha bonito e agora isso
Ela me acha bonito? Kkk
Eu sei, assustador, né? Kk
Você deveria emprestar seus óculos para sua amiga
Como você sabe que uso óculos?
Uma pessoa que usa lente sabe reconhecer a outra
Miopia, também?
E, dessa forma, conversamos por toda a quinta aula e, também pela sexta, enquanto o professor de física falava algo sobre movimento circular. Quando o sinal tocou, me despedi de Carlos e guardei todas as minhas coisas, devia tentar ser mais organizada. Quando me virei, vi Pedro parado com a mochila em um dos ombros e algo parecido com um sorriso.
– Oi, estranha.
Fale com o autor