Orgulho e negação

5 (Happy?) New Year


Notas iniciais
Sei que to demorando a postar e que o cap tá incompleto, mas é porque ando com alguns problemas e não sei quando vou poder voltar a postar, obrigada a tds que acompanharam até aqui, espero poder voltar um dia :)

# 31/12/2015

~Dani~

Secava o cabelo com uma mão enquanto procurava os brincos com a outra, eu prometo que serei mais organizada próximo ano. Ouvi os gritos de Daniel aumentarem enquanto ele subia as escadas até a porta do meu quarto.

– Daaani! Dani! Dani, a mamãe está mandando você descer, já é 2016 e você nesse quarto.

– Olha o exagero pirralho, só estou um pouquinho atrasada.

– Você sempre tá atrasada. Mas, hoje, está mais atrasada do que o atraso de todos os seus atrasos. – ele começou a bater na porta

– Calma aí Anna, eu não quero brincar na neve. Ok, talvez eu queira, mas aqui não tem neve.

Abri a porta e vi um lindo vulto de cabelos pretos e olhos cor de mel passar pela porta e começar a mexer tudo. Qual o problema dos irmãos mais novos com privacidade?

– Eca, isso é desenho de menina!

– Como é? Você ama esse desenho. E, o que eu já te ensinei sobre isso de “coisas de menino ou de menina”?

– O Fabinho que me disse que só menininhas bobas e idiotas assistem esse desenho.

– Que maduro isso vindo de alguém que ainda faz xixi na cama. O que você fez quando ele disse isso? Não me diga que ficou calado ou eu te dou uma surra moleque.

– Daniela, o que nós conversamos sobre você incentivar esse tipo de atrevimento ao seu irmão?

Mamãe perguntou enquanto entrava no meu quarto e já ia me ajudando com o fecho do colar. Pela imagem no espelho pude ver como ela estava encantadora, seus lindos cabelos pretos e enormes olhos cor de mel como os de Daniel se destacavam perfeitamente em sua pele branca. Essa noite, seu cabelo estava em um coque perfeito, usava um vestido preto que marcava seu corpo de forma sexy sem ser vulgar com uma parte inferior de renda e os lábios perfeitamente desenhados com um batom vermelho. Não me cansava de notar como ela era linda e, de como ficaria ainda mais bonita se não fossem seus olhos tristes e uma constante expressão de cansaço, até o modo como sorria quase sempre parecia falso, exceto quando o assunto era Daniel, mas não tinha como não sorrir perto desse monstrinho adorável.

– Não é atrevimento, é pura defesa pessoal.

Passei o batom vermelho, paixão que compartilhava com mamãe e dei uma voltinha para que ela pudesse verificar como eu estava.

– Você está maravilhosa minha menina. Pegue o que for levar que eu vou fechar a casa com o seu irmão, venha meu amor.

Sorri para eles enquanto saíam do quarto e verifiquei minha imagem no espelho uma última vez antes de pegar a bolsa para sair. Eu estava usando um short vermelho de um tecido muito macio que não sabia o nome, uma blusa estampada com as mangas decidas e chinelos. Não estava nem aos pés de mamãe, mas até me atreveria a dizer que realmente estava bonita com os cabelos meio bagunçados e a maquiagem que havia feito.

Todo ano, nós íamos para uma casa de praia perto de onde minha tia morava (mamãe dizia que se ficássemos na mesma casa que ela nos mataríamos antes da meia-noite e, olha que minha mãe é uma pessoa calma) e passávamos a virada do ano na praia, o que eu simplesmente amava. Quando chegamos, tivemos que lidar com os olhares espantados das outras pessoas, principalmente para o vestido preto da minha mãe e iríamos para a discussão mais velha do que a piada do pavê ou pacumê do Natal.

– Adriana, o que é isso? Preto? Você quer atrair mortes e azar para a família? Você nunca aprende? Se algo de ruim acontecer esse ano já sabemos de quem é a culpa.

Mamãe sorriu para tia Clara enquanto explicava pacientemente.

– Clara, não é a roupa que define nosso ano, somos nós.

– Quanta besteira, é isso que você ensina para essas crianças? Por isso elas precisam de um pai.

Revirei os olhos, nem conseguia mais ter raiva desses comentários da tia Clara, mas, como eu não herdara a paciência de mamãe, peguei o celular para tentar não ouvir mais nada do que ela falasse. Ao ver que tinham novas mensagens meu coração deu um pulo, mas eram apenas de alguns grupos e amigos. Abri logo a mensagem de Mat: “Amor, estão me dando vodka, eles precisam parar antes que eu vire hétero, me salva”. Ri atraindo a atenção de tia Clara, droga.

– Quem é? É aquele seu namoradinho, o Pedro? Ou você puxou a sua mãe em não conseguir segurar um homem e já afastou o garoto?

Congelei no lugar com aquele comentário enquanto uma vontade enorme de socar aqueles dentes brancos clareados fervia dentro de mim.

Notas finais
Até algum dia, beijocas ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.