Notas iniciais
Fala galera!

Bem, este é um novo projeto meu no qual tenho dedicado muito tempo, então espero que gostem e comentem...

Para quem quiser saber a tradução do título é: Um Laranja Ofuscado... É engraçado eu sei ¬¬...

Então boa leitura e comentem galera.. Eu tenho uma meta de 50 reviews por capítulo, então se não quiserem que essa fic pare, comentem e façam valer meu tempo e litros de café gastos na minha mais nova fic, porque não foi pouco, nem que seja para dizer só que esta boa ou ruim, mas comentem... (Sim eu faço chantagens mesmo ¬¬)

Recomendo a vocês na hora do Flashback ouvirem as musicas tema dessa fic enquanto leem... Só colocar no youtube Creio eu que se vocês ouvirem vocês vão captar mais, o que eu quero passar, então se não for pedir muito...

Chega de alugar vocês meus leitores ^^, boa leitura e comentem,pois assim eu sei que tem gente lendo e gostando, ou odiando ^^'...

Capitulo 1 – †Epílogo†


“Os grandes homens são muitas das vezes solitários. Mas essa solidão, é parte da sua capacidade de criar o caráter, que assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro.”



Tão natural e clichê quanto ao entardecer de um dia cinzento de outono junto as suas rajadas de vento se movimentando de lá a cá enquanto farfalhavam as folhas alaranjadas e sem vida jazidas no chão, assim arregaçando as folhas presas aos troncos das árvores ali presentes, em conjunto a nuvens negras carregadas que desabavam um mundo de chuva. De dentro do casebre já era audível o som das primeiras gotas d’ água se contraindo a madeira bruta da casa fora o atrito entre o vento e a madeira que pareciam travar uma intensa batalha resultando em um assobiar frenético e fantasmagórico, que arruinava meu ouvido.

Alastrava-se pelo ar um cheiro de terra molhada junto a um vento frio e pálido que soprava e passeava tranquilamente pela casa, pelas diversas aberturas da casa o vento entrou facilmente, se apoderando do casebre enquanto tocara minha tez que se encontrava quente e soada me presenteando com um entumecer afável, senti uma sensação cálida percorrer toda minha espinha e uma sutil tremedeira no corpo.

Se tivesse uma sensação que eu presava e ansiava era o, calafrio uma ótima sensação que me deixava em harmonia com a natureza mesmo que por alguns segundos, chegava a ser revigorante.

Eu me encontrava decúbito no chão com apenas uma calça fina e negra, minhas costas se encontravam em contraste a madeira bruta e congelante que elevava o meu entumecer ao apogeu, meu abdômen bastante suado virado para cima, fora todo meu corpo exausto eu deveras estava bêbado ou algo parecido a isso, me preocupei com meu corpo estirado ao chão, Meus dois braços esticados um para cada lado, meu abdômen para cima enquanto eu encarava o teto rústico com fervor e minhas pernas arreganhadas pelo que devia ser meu quarto, tentei-me levantar, mas não consegui nem desgrudar minha coluna do chão, como eu odiava aquilo, mas era clara e iminente meu estado de pura debilidade depois de beber tanto, eu não conseguira nem me desgrudar do chão afinal...

Tentava procurar algo que fosse inusitado e ao mesmo tempo aprazível para que pudesse devanear e assim esquecer minha debilidade, mas pelo simples fato de tentar esquecer a fraqueza que o sakê me trouxe, eu já pensava na fraqueza, logo vi que tentar tal proeza não seria muito produtivo.

O alcoolismo tinha seus pontos fortes e fracos, e entre eles o que mais me atraia era poder adormecer facilmente sem nem precisar relutar para esquecer os fantasmas do passado, mas oque me indignava era o seu preço, ela cobrava meu reflexo, estabilidade, percepção, força entre outras coisas, em suma me deixava bastante vulnerável, e como ainda era dia, eu só poderia usufruir das suas desvantagens, mas fazer oque sou apenas um viciado não é... Ri internamente só de pensar naqueles Shinobis bêbados e néscios que rondavam os bares e adormeciam nas calçadas... Não, Também Não preciso exagerar, não sou tão viciado assim...

Então o único jeito era encher a cara mais ainda, para ver se assim esquecia-me de tudo... Com muita força de vontade e posteriormente de beber passei repentinamente minha mão direita por um meio copo de sakê meio leve por sinal, devia estar com uns dois dedos de sakê ainda...

Fechei meus dedos e ainda decúbito o peguei, assim o erguendo, durante este curto período eu entre abri minha boca e antes demais nada em um impulso minha mão se virou... Isso não seria um problema se o copo estivesse perto a minha boca... Mas não era o caso, Acabei derrubando o restante do sakê em cima de meu peito nu, eu já começava a me sentir tonto e ao mesmo tempo irado com esses meus impulsos involuntários que me afligiam às vezes, Podia se dizer que eu estava puto por minha mão ter desperdiçado o restante do sakê... Sem nem pensar acabei jogando com raiva o copo para trás.

Eu podia tomar galões de sakê e ainda sim me mantinha sóbrio, ou pelo menos quase isso, afinal eu tinha resistência ao álcool, comecei a beber há uns quatro anos, desde então quase todos os dias eu bebo, oque me faz hoje já ter certa resistência... Porém era sempre um porre tentar se mexer enquanto estava bêbado, de fato já tinha me acostumado com isso, tinha até criado “etapas” mentalmente só para me levantar...

Afastei esses meus pensamentos levianos e tentei me reergue, Balancei meus braços flexionando meus cotovelos e tocando as palmas das minhas mãos ao chão, ergui meu pescoço agitando meus cabelos dourados com mechas ruivas que batiam na minha nuca, levantei meu abdômen e assim fiquei sentado ao chão, primeira “etapa” concluída, mexi minhas pernas de um lado ao outro deixando elas retas, depois levantei meus joelhos e ergui minhas coxas bem trabalhadas, com muito custo pisei no chão, segunda “etapa” concluída, Toquei minhas mãos ao chão novamente e impulsionei tanto meus pés como minhas mãos e com muito ardor e custo, me levantei, assim ficando de pé, já cambaleante quase voltei ao chão, mas logo coloquei meu pé direito atrás para me dar estabilidade, e como uma desgraça irônica, acabei trombando no meu copo de sakê que eu tinha jogado para trás, meu pé direito escorregou como manteiga enquanto sai cambaleando pelo que dizia ser meu quarto até dar de cara com a parede e ouvir o estalo do osso de meu nariz, me escorei na parede e bem, dei graças a deus de não ter caído, seria um ultraje ter que passar pelas aquelas “etapas” novamente, afinal eu estava sem estabilidade, força e reflexo, mas também praguejei a parede me choquei com tamanha força a ela que quase quebrei meu nariz que agora começava a sangrar.

Dei um longo suspiro de cansaço e dessa vez me dispus a ficar de pé com firmeza, observei o cômodo e vi que deveras era meu quarto, ele era pouco espaçoso sem nenhum móvel, e ponto de claridade ao chegar à noite ou coisa do tipo, sendo todo de madeira e em suma apenas um quadrado emergido no escuro com uma saída para a sala que se encontrava a minha destra, Como vivera sozinho não me preocupei de sair andando quase nu pela casa, comecei a andar em direção à porta enquanto meus passos ecoavam pela aquela madeira bruta me trazendo um clima de melancolia bem aprazível e tranquilo por sinal... Como é bom morar sozinho... Cheguei à sala e olhei outro cômodo sem nada, e pouco espaçoso, só tinha três portas, a da minha esquerda era a que me levava para fora, a da direita era a cozinha e a da minha frente o banheiro, fora o meio que é onde teoricamente se encontra a sala.

Preocupei-me de ir ao banheiro para limpar o sangue do meu nariz, tampei o nariz com a mão direita e andei passando pelo vazio que preenchia a sala até chegar ao banheiro, calmamente para não acabar tropeçando... Seria ultrajante mesmo bêbado tropeçar em algo novamente... Passei pela estreita porta do banheiro e me virei dando de cara com a pia e um espelho, tirei minha mão do nariz e as apoiei na pia me escorando a própria enquanto meu sangue escorria, fiquei encarando a pia por um tempo, ela era marrom e bem básica tinha apenas uma torneira que abria água natural, ou seja, gelada. Abri a torneira e lavei minhas mãos, a água logo entrou em contraste com a minha pele me presenteando com uma sensação cálida enquanto livrava o sangue das minhas mãos, logo comecei a limpar meu nariz que agora sangrava sem parar.

Puta merda como isso arde... Depois de lavar meu nariz que ardia imensuravelmente, agora eu me olhei ao espelho que era claro e medianamente grande.

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Vi meu reflexo transparecer com clareza enquanto sentira uma pequena claridade que via da sala refletir-se no espelho, como o cômodo era bem escuro aquilo me pareceu arder bastante, coloquei meu braço acima dos meus olhos para agonizar um pouco dessa sensação, só consegui ver minha cintura para cima, e o meu cordão de prata, Aquilo foste um presente que o Sapo Chefe Gamabunta me deu por ter concluído tal treinamento lá no Monte Myoboku ha uns dois anos... Quando sai de Konoha, depois daquilo... Um dos primeiros lugares que fui foi ao Monte Myoboku treinar, senão o primeiro.

Quase sempre acabava devaneando sobre Konoha e os meus sentimentos não só pela vila como os moradores, Senseis e alguns dos meus antigos companheiros de vila, Na verdade ainda somos né, pelo menos na teoria... Fantasmas do passado eram difíceis de esquecer e às vezes até impossíveis...

Enquanto pensava nisso, peguei meu cordão e vi retalhado em Kanjis negras 三人(Sannin)” Essas kanjis eram as mesmas que se encontravam na parte traseira de minha capa, que eu também ganhei depois de concluir o treinamento no Monte Myoboku, Apesar de ter bastante tempo ainda não me acostumei a ter tal título, eu acho que depois do título de Hokage esse é o melhor, ou devo dizer mais cobiçado. Nunca almejei tal título com intensidade, mas no final Fiquei-me orgulhoso por carregar o título que era do meu mestre Jiraya, apesar de ser um baita pervertido, encho-me o peito de empáfia para dizer que ele foi e sempre será meu sensei...

Sou um Sannin nomeado por Konoha e também Pelo Monte Myoboku, fui aprovado pelo grande Gama Dai Sennin, assim como meu Mestre já falecido, Diferente de antes que eu só sabia usar o Mode Eremita e ainda incompleto, Agora eu sei a verdadeira arte Eremita, suas vantagens e desvantagens, fora o seu Kenjutsu que depois de aprender, comecei a apreciar a arte da espada como um todo...

Dispersei mais uma vez esses pensamentos sacudindo minha cabeça, enquanto me espreguiçava, alonguei-me meus braços os esticando para o alto e enverguei minha coluna para frente, só ouvi os estalos dos meus ossos, o efeito do alcoolismo já cessava, enquanto minha visão se esclarecia e como as primeiras consequências senti uma dor de cabeça desproporcional e um tremendo cheiro de álcool passeando pelas minhas narinas, a inhaca de bebida via do meu peito e parecia exalar a cada poro meu, feito chakra.

“Acho que exagerei dessa vez” Murmurei baixinho, ouvindo minha própria voz sair rouca e grossa... Desde que sai daquela vila não só minha voz como meu corpo, minhas filosofias e praticamente tudo progrediram do zero para oque é hoje, aquela vila parecia limitar a minha visão sobre o Mundo Shinobi e as pessoa que o rondam, Mas a culpa era só minha e isso não posso negar, eu só pensava em proteger a vila, os habitantes, ganhar respeito e admiração, trazer o Sasuke de volta e cumprir minha promessa para aquela Sakura, fora meu sonho abestalhado de me tornar Hokage daquele povo, em suma eu era um abestalhado mimado que me achava especial e que não sabia oque realmente era sofrer, e precisei levar uma Bordoada da vida para me tocar...

Despi-me retirando minha calça e cueca enquanto começara a Andar em direção ao fundo do banheiro me aprofundando a tal ponto naquele breu sem fim que eu não consegui ao menos descrever onde me encontrava, eu só movimentava meus pés, caminhando até me sentir perto da parede, levantei minha mão esquerda e vi que não estava nem um palmo a parede do meu rosto. Passei minhas mãos pela parede tentando encontrar algo como uma torneira, até me deparar com um pequeno e refinado pedaço de metal, o apertei sentindo a solidez do metal e abri de uma vez a virando para esquerda... Queria logo tirar essa inhaca do meu corpo...

Antes que a água pudesse se contrair a mim ergui meu pescoço para trás levantando minha testa, e não consegui descrever minha sensação sem pensar em algo menor que perfeição, sentira as primeiras gotas d’ água me presentear com um grande choque térmico, era como se uma corrente elétrica passeasse por mim, aquilo poderia ser interpretado como uma péssima sensação pela maioria, mas eu adorava choques térmicos, depois senti um frio refrescante que a água gélida me proporcionou ao tocar minha testa quente, com gentileza às gotas d’ água passearam pelos meus cabelos, rosto e corpo, senti a água me rodear e me cercar como um todo enquanto ela agonizava meu calor, era como se ela se fundisse ao meu corpo, aquela sensação era bem parecida como ficar inerte numa cachoeira, foi perfeito, Aquela água cálida se apoderando do meu corpo e me presenteando com vários calafrios, logo meu queixo começou a se mexer sozinho no mesmo tempo que eu comecei a sentir tremedeiras no meu corpo, me arrepiei todo, aquela transição de temperatura era esplêndida, senti um turbilhão de sensações ao mesmo tempo desde o frio congelante ao calor escaldante a até o choque eletrizante.

Meu corpo que antes era quente agora é frio, estava quase que completamente azul, as gotas eram gélidas e onde batiam deixavam uma marca azulada, aquilo normalmente me agrediria, mas não foi o caso já que eu necessitava de algo bem gelado, logo as gotas d’ água caíram como cascata sobre mim, me ocupei a ficar mais meia hora assim sentindo a água se chocar ao meu corpo e depois transitar lenta e minuciosamente por ele.

Fiquei um bom tempo sentindo a água se apoderar de minha tez e quando me dei por mim o fedor de álcool e a dor de cabeça desproporcional tinham se esvaído completamente, dei-me por satisfeito com isso, mesmo que eu não quisesse sair da água tinha coisas a fazer, dessa vez levantei meu braço direito e toquei lentamente a parede com bastante calma até achar novamente aquele pequeno, refinado e sólido pedaço de metal, o apertei com força... Aquilo iria doer tanto que eu me preparei para cessar o chuveiro, e como em mais um impulso involuntário eu virei à torneira para o lado direito fechando-a... Dessa vez eu tive que agradecer aos meus impulsos involuntários, afinal se não fosse por eles eu iria ficar ali o dia inteiro.

Dei um longo suspiro de cansaço e comecei a movimentar meus pés para andar-me, andei novamente naquele breu de escuridão, não só meus passos como também o barulho das gotas d’ água que escorriam de meu corpo e se atritavam aquele chão bruto ecoavam pela casa, meu corpo estava encharcado e à medida que eu andava a casa também ficava, sai do escuro e fiquei de frente para o espelho, em milésimos de segundos, lágrimas tomaram conta dos meus olhos ao enxergar aquele clarão vindo do espelho, enquanto eu sentia uma enorme queimação nos próprios, dei alguns passos para trás e em instantes quase trombei nos meus próprios pés, estabilizei-me e encarei o chão com os olhos lacrimejantes e possivelmente vermelhos, até me acostumar, fiquei tanto tempo no chuveiro que tinha me acostumado ao breu... Essas coisas só acontecem comigo porra...

“Maldição!” Resmunguei enquanto coçava meus olhos, provavelmente bem avermelhados agora, parei de coçar e olhei a minha volta, minha visão era turva enquanto mais águas brotavam de meus orbes. Até que finalmente parei de me importar com isso peguei e vesti minhas roupas e virei-me.

Sai do banheiro sem nem me secar... Gostava de me sentir úmido e molhado e ainda mais de espirrar... Eu sou estranho, eu sei... Olhei a frente e vi a mesma coisa, a porta da saída à direita, a da esquerda a cozinha e a da frente o quarto. Senti minha barriga roncar, e um incômodo no estômago, era a fome se apoderando de mim.

Deixei apenas o estômago me guiar enquanto começava a andar na direção da cozinha já com a mão recostada no estômago e quando dei por mim já me encontrava de frente para a própria. A cozinha era o maior cômodo da casa, ela tinha uma avantajada largura nos lados, uma janela bem de frente a minha cara que clareava a cozinha e uma parte da sala, e uma porta a direita que levava aos fundos da casa, e a minha frente encontrava-se uma mesa mediana de madeira bruta, em cima dela tinha várias caixas de arroz, eu costumava fazer logo um estoque quando ia para o pequeno vilarejo aqui perto, geralmente caçava algo para comer junto, Mas como eu ocupei meu dia Treinando e enchendo a cara, irei fazer arroz puro mesmo...

Caçar e cozinhar você mesmo é bem gratificante além de ser mais saudável, com esses pensamentos em mente eu me perguntava como conseguia comer aquela porcaria de lamém em vez de comer algo natural ou caçar afinal era muito mais saudável e saboroso... Dependendo do que e como você fizesse... Encontrava-me cheio de ressaca, preguiça e sono então apressei-me.

Andei a mesa já com a mão direita erguida e senti uma caixa entre os dedos, Olhei a esquerda e observei uma baixela, andei calmamente até lá e entre vários eu peguei uma panela meio prateada e dois hashis, enquanto virava para a porta que me levaria aos fundos.

Parei na frente à porta enquanto colocava a caixa de arroz na panela, e assim a mão direita ficou livre, para poder abrir a porta.

Ergui o braço direito tocando meus dedos naquela maçaneta rústica e a abrindo, Assim que abri a porta pude ver com clareza...

Um céu cinza com suas diversificadas nuvens negras que agora paravam de relampejar e de derramar água, O cheiro de terra molhada que as correntes gélidas de ar me traziam pairava sobre o local, desci meus olhares e pude ver uma grande área cercada por florestas destruídas com marcas de sangue ou de kunais, algumas queimadas outras retalhadas, em suma eram poucas as árvores que se mantinham em pé ali, afinal era onde eu treinava, observei o chão com terra molhada a um tom marrom, entre ele várias crateras e poças de sangue misturadas com água eram claramente visíveis. Direcionei minha visão para frente e vi uma trilha na qual sua maior parte era coberta por neblina resultado do “belo” dia de hoje, ela era tão densa que me parecia até uma parede, mas no final dela se encontrava uma cachoeira bem confortante.

Despertei-me dos devaneios pelos ventos gélidos que entravam à tona pelo meu pulmão, era uma sensação rara para mim, mas acabara de ficar encolhido com o vento frio que me rondava, mas já estava um bocado acostumado com isso, então caminhei à frente e logo fechei a porta, olhei para a direita avistando um amontoado de gravetos envolta de duas árvores.

Caminhei até lá, senti meu pé se afundar a terra molhada, enquanto meus passos se afundavam mais e mais, se eu não acabar pegando uma pneumonia desse jeito... Até que eu finalmente cheguei à frente do amontoado e me sentei, pousei com calma o utensílio no chão e comecei a procurar pedras, não achei nenhuma por perto então puxei dois gravetos de madeira, um com a mão esquerda e outro com a direita.

Coloquei o da esquerda em pé bem no centro dos outros gravetos e com o segundo eu posicionei na vertical do primeiro e comecei a roda-lo assim roçando-os, observei calmamente a fricção se formar nos gravetos gerando calor e criando combustão, assim que criei a combustão apenas larguei os gravetos rapidamente em cima dos outros e só tive o trabalho de observar o fogo emergir.

O Fogo chegou a aquecer até minha alma, como aquilo era bom, era igualável a sensação de se estar em meio a uma nevasca congelante que aos poucos começara a produzir uma fonte de calor aconchegante... Logo já era uma fogueira mediana, tratei de procurar mais quatro gravetos os colocando de pé um a cada lado rodeando a fogueira, peguei a panela e a coloquei em cima deles para que a própria não se derretesse no calor. Mas não sem antes pegar os hashis.

Ouvi uns estalos da panela ao se encontrar com o fogo, enquanto eu me preocupava em pegar a caixa de arroz, logo peguei e a rasguei usando os hashis, e a virei de cabeça para baixo na panela, observei o arroz cair como cascata, e um cheiro agradável invadir minha narina...

Ergui-me e como tinha visto antes fitei duas árvores, uma a direita e outra a esquerda, como a esquerda era a mais próxima da fogueira, fui até ela e logo dei as costas a própria, enverguei minha coluna me espreguiçando e deixei-me cair sentado recostando minha coluna e cabeça na árvore. Levantei meus braços e encostei os a minha nuca, enquanto cruzava minhas pernas, e deixava o calor da fogueira me aquecer, dei um longo suspiro enquanto começara a relaxar.

Às vezes eu queria saber onde estava o Sensei ou oque ele fazia se deveras existia vida além da morte, se ele estava bem, se ele sabe de tudo oque aconteceu... Mas só de pensar nisso... Não era bom cutucar meu passado, então tratei de parar minha linha de pensamentos...

Sem nada a fazer Fitei diretamente as folhas verdes e vivas da árvore a minha frente... Enquanto eu fitava o seu brilho esverdeado logo me bateu estranhamente um aperto no coração que parecia o esmagar internamente, Franzi o cenho ao observar aquela pequena folha ser arrastada pelas correntes de ar até mim, até parar em minha testa.

Sem me importar a folha que ainda permanecera a minha testa. Varri meu olhar pela árvore a minha frente e... Meu coração apertou inesperadamente, minha respiração cessou por um breve período de tempo enquanto meus olhos arregalados, minha palidez e suor que escorria da minha face não deixaram despercebido minha aflição, nervosismo e incredibilidade, minhas mãos tremeram em forma de contesto ao meu quase enfarto fulminante...

Não poderás ser verdade, eu estava fitando uma árvore com quarenta e oito cortes? Não, isso deve ser efeito do alcoolismo que ainda não se esvaiu completamente, passei rápida e grosseiramente minhas mãos pelos meus orbes os coçando, tentando enxergar com mais clareza, Mas mesmo assim...

Quarenta e oito cortes finos e polidos da cortante lâmina da minha Katana, quarenta e oito meses, quatro anos marcados minuciosamente naquela árvore para me dar noção do tempo... Sempre marcados com seriedade independente do tempo que eu passasse longe do recinto...

Eu ainda permanecia incrédulo e atônito com o coração descompassado a passos fortes... Não era possível...

Quatro anos não passam tão rápido assim... Logo a ira, insatisfação e inconformismo me preencheram obrigando-me a descontar em algo ou alguém, e para infelicidade do solo... Desaconcheguei-me da árvore e possesso acertei um soco ao chão descontando minha raiva, mas de nada adiantou, fora absorvido pela terra molhada e sua “maciez”...

“Tsc” Rosnei impassivelmente, voltar à vila? Quatro anos se passaram para o meu treinamento... Não é possível, maldito seja o dia em que me foi concebido apenas quatro anos, tinha que ter substituído pelo resto de minha mísera vida...

Ah, Mas eu sou um Sannin, não tenho que me preocupar com isso, afinal meu sensei ficava o tempo que queria fora da vila...

Mas... Mas que merda, porque eu tinha consciência? Algo me importunava a dizer que mesmo assim, eu tinha falado na época que iria voltar, então era uma obrigação, no caso uma missão, e eu teria que voltar ao menos para relatar meu treino...

Ou passar minha vida dado como um Nukenin, oque não era uma má, e na verdade ótima ideia, mas perder meu sossego, ser caçado pelos importunos Anbus por muito e muito tempo?

Certamente não seria dificuldade dar cabo deles, mas onde fica a paz o sossego, e o mais importante, onde ficava a vagabundagem nisso?

Eu teria que voltar pelo menos para informar o relatório, isso estava claro para mim, Mas eu tinha a necessidade de ir hoje? Certamente poderia enrolar mais, mas se for para ir ao inferno, que eu vá logo, afinal melhor resolver isso do que ficar matutando isso na minha mente... Tomara que a Tsunade não foda com a minha ideia de partir de lá o mais rápido.

Depois desses pensamentos primitivos e desesperados, mas justificados pela lembrança atordoante, meu coração ainda batia a ritmo acelerado a relutância e sensação de estar em um terrível pesadelo não me largavam, Todos esses pensamentos vieram de uma forma tão rápida, há um minuto eu estava tomando banho feliz da vida e agora... Incredibilidade...

Indignação, Voltar para lá, depois de tudo, só de pensar naqueles habitantes falsos, hipócritas, mentirosos, nojentos, asquerosos meu coração já se transbordou de puro ódio... Atônito recostei-me novamente minha nuca ao tronco e dei outro suspiro para tentar apaziguar meu coração, afinal calma acima de tudo... Só de pensar nisso os fantasmas do passado depois de longos três anos e meio tentado os esquecer, e logo depois ter um sucesso proporcional, voltaram à tona, invadindo minha mente...

FLASHBACK LIGADO:

Era noite, uma noite tão fria e densa, que parecia ter-se derramado um balde de tinta preta naquele breu e ter se pincelado majestosamente, dando um aspecto fantasmagórico e marasmático.

Eu não enxergava as nuvens que pareciam ter se misturado ao breu sem fim, de longe só escutava o barulho ensurdecedor dos trovões e sentira um pé d’ água cair sobre mim...

Eu já caminhava por horas e horas por dentre aqueles destroços, resultado das intensas batalhas ali ocorridas, nas quais tiveram resultados tão catastróficos que eu ainda não tinha saído nem da cratera na qual me encontrava quando acordei do desmaio...

Eu me arrastava pelas crateras todo ferido e agora encharcado, a cada centímetro que eu me mexia as minhas feridas pareciam se abrir mais e mais, eu me encontrava com minha calça laranja gritante toda rasgada e por entre seus rasgos havia cortes profundos e sangue, já tinha retirado minha blusa e jaqueta há um tempo por estarem um trapo, minha barriga com um buraco enorme aberto, podia-se ver minhas tripas, veias e até mesmo o meu intestino, Minhas mãos feridas cheias de sangue, a cada movimento que eu dava elas doíam mais e mais, ainda mais pelo fato deu engatinhar e as usar mesmo assim para me locomover, meu olho direito inchado, meu nariz quase que entre aberto cheio de sangue pisado e minha boca inchada com vários filetes de sangue... Meus cabelos antes dourados agora pareciam um misto de vermelho a amarelo, eles tinham ficados emergidos no meu próprio sangue por um bom tempo...

Mas mesmo nesse meu estado deprimente e caótico eu me preocupava com a aliança, será que aquela enorme explosão os atingiu? Caso contrário eles já teriam vindo me ajudar ou coisa do tipo...

Mas pelo menos... Pelo menos eu trouxe meu irmão de volta ao caminho da luz, depois de muita conversa justificativas, argumentos, e provas eu consegui o fazer ficar do nosso lado e lutar junto a mim...

Nós lado a lado. Chegara até a ser nostálgico, ele empunhando sua famosa Kusanagi e ativando o seu cobiçado Doujutsu, enquanto eu em forma do chakra da Kyuubi encarava o Uchiha Madara e a intimidadora Juubi...

Aquela batalha prestes a ser travada fugia completamente da sanidade de qualquer ser, mas mesmo assim estávamos lá... Defendendo o Mundo, defendendo a nossa e a futura geração, defendendo nossos sonhos, nossos amigos, nossas promessas... E ele Uchiha Madara defendendo o seu sonho bastante ambicioso de resumidamente dominar o mundo, enquanto a Aliança lutara contra o Zetsu e o Obito...

O ar rarefeito fazia presença naquele local, apenas pela intenção assassina do Juubi pedras se reerguiam do chão e se distorciam no ar, junto aos chakras emanados pela Kyuubi, Madara o Sasuke e eu... Surreal

As palavras do Sasuke ainda ecoavam na minha mente... “Naruto, Vamos os separar, não temos chance de lutar contra os dois juntos” disse pausadamente encarando o Madara com rancor.

“Tenho a admitir o filhote Uchiha tens razão... Dessa vez...” Confirmou a Kyuubi em minha mente...

“Quem lutará contra quem?” Fiz a pergunta mais óbvia a ser feita.

“Eu lutarei contra o Madara e você e a Kyuubi contra a Juubi, caso contrário eu não teria chance contra a Juubi” Disse o Sasuke...

Essas foram as ultimas palavras que nos ouvimos um do outro, depois disso nos ocupamos a ficarmos umas três horas só para tentar separá-los até que o Madara em sua plena arrogância convicto de que mesmo assim nos não chegaríamos nem perto de vencê-los, fez o nosso jogo...

Ele saiu de cima da Juubi e sumiu junto ao Sasuke para bem longe, mas mesmo assim eu pude os sentir travando sua batalha bem distante dali... Agora eu fitava a terrível Juubi enquanto ela balançava suas dez caudas perigosamente destruindo tudo ao seu caminho. Devo admitir de que se não fosse à presença da Kyuubi ali meus joelhos estariam bambos...

Seu chakra fora tão denso que parecia se misturar ao ar, aquela massa de chakra negro que embaçava minha visão, seu único olho envolvido ao vermelho sangue, sua pelagem que parecia ser banhada na mais obscura escuridão... Amedrontador

Sem nem dar chances ao azar troquei de lugar com a Kyuubi... Ela era incrivelmente poderosa, balançava suas nove caldas majestosamente, seu chakra aconchegante dava-me uma sensação de segurança, mas mesmo assim não se igualava à poderosa Juubi... Lutamos, Lutamos e lutamos, não tive noção do tempo e o clima não ajudara o breu não desgrudava dando a sensação de que a noite não cessava, mas parecíamos ter passado horas e horas ali, só levando a pior a cada ataque...

Ela nos acertava com suas caldas ligeiras, lançava suas enormes Bijus damas que iam tão longe que sumiam do nosso campo de visão, só víamos depois a explosão que parecia acertar países, continentes, e até mesmo o outro lado do Mundo... Nem a Kyuubi lançava ataques assim...

Fora quando exaustos eu tive a ideia de atacar a Juubi enquanto ela formava uma Biju Dama, atritar as Bijus Damas enquanto ela ainda se formara na boca da Juubi era nossa melhor chance e a mais provável de se dar certo, e assim fizemos...

Fomos levianos, não calculamos nada, nem a força do ataque da Juubi quanto mais ele e o da Kyuubi juntos... Se apenas o da Juubi chegava a acertar o outro lado do Mundo e mesmo assim ouvíamos o barulho cortante e víamos o clarão, imagine os dois juntos, e a nossa distância também seriamos gravemente feridos...

Movidos pelo calor da batalha, cegados pela possível vitória, apaziguados pela batalha finalmente encontrar seu fim, e como um garoto eufórico que finalmente encontra uma luz no fim do túnel... Atacamos sem pensar...

Um enorme clarão tomou conta do lugar e foi aí que demos conta da burrada que fizemos...

“Pirralho se cuide...” Disse a Kyuubi, mas sem nem pensar já fez algo controverso ou eu pelo menos entendera dessa forma, ela tomou sua forma completa me envolvendo no seu chakra quente e poderoso me protegendo como em um casulo, foi como se em um segundo ela se transformasse na Kyuubi No Yoko que atacou Konoha há dezesseis anos... Depois de tal feito desmaiei sentindo muita dor apesar da proteção da Kyuubi era como se estivessem tentando puxar meu intestino para fora da barriga, uma dor imensurável... Acordei depois de muito tempo no estado em que me encontro... Essas lembranças perturbam minha mente...

E o Sasuke onde ele está? Venceu? Estava em estado tão lamentável que meu controle de chakra nesse momento se encontrava igual à de um recém-nascido, sem chances de entrar no Mode eremita e procurar o chakra dele...

E a Kyuubi? Oque será que ela esta fazendo? Onde está? Por que seu chakra não me cura?

Essas lembranças e duvidas, sem nem perceber já fizeram lágrimas brotar de meus orbes e passearem pela minha face inexplicavelmente, será que o pior aconteceu e eu estou pressentindo? Não... Não, Sasuke é forte e tem os olhos do seu irmão deve ter vencido, A Kyuubi é uma raposa mística lendária, deve esta é tirando um cochilo e de pirraça não me doa seu chakra para me curar... Raposa rabugenta... Por incrível que pareça esses pensamentos desesperado me apaziguaram... Ao menos um pouco...

A Kyuubi depois de um tempo, tem sido para mim oque humanos não conseguem ser a toda minha vida, ou não querem, sua existência é tão mais importante para mim do que a de qualquer outro, até mesmo a Sakura-Chan e o Sasuke... A única que me entende me decifra em piscar de olhos me acalma nos dias mais turbulentos, mesmo que seja com rabugice, eu percebia que ela nunca dará o braço a torcer, oque? A temida e poderosa Kyuubi No Yoko ajudando e se importando com um misero saco de carne imprestável? Jamais... Mas mesmo assim, sabia que por trás daquela mascara, existia algo além, algo que me fazia nutrir um apego por ela, inexplicável...

A Chuva começara a apertar, logo meu sangue começou a se misturar a água enquanto varria aquela área... Estava em um inferno todo fudido me arrastando de lá para cá, enquanto meu sangue limpava aquele local...

Depois de demoradas horas e mais horas enxerguei com minha visão embaçada uma montanha que parecia arranhar os céus... De lá eu pelo menos vou ver o QI da aliança e saber a que direção ir... Mas só depois de subir essa porra toda... Só consegui imaginar diversificados palavrões para definir meus pensamentos... Mas essa é a única maneira não? Tratei de dar um longo suspiro e involuntariamente acabei olhando para trás, vi uma trilha de sangue... Assim eu morro por perda de sangue antes mesmo de chegar lá...

E como um bebê que só sabia engatinhar, continuei sem me importar com a dor que parecia me rasgar por dentro, cada vez mais e mais exausto continuei meu caminho...

Demorei muito tempo, suportei dores, perdi oque pareciam litros de sangue, e finalmente cheguei ou quase isso, eu me encontrava no pico, mas ainda faltava um tanto para ter a visão ampla...

Ergui meu braço direito cambaleante, minha visão turva e embaçada só enxergava um horizonte emergido nas trevas e meu braço cheio de cortes e sangramentos, toquei minha mão direita ao que parecia ser o pico, e arrastando minha barriga com as tripas, veias e até mesmo meu intestino praticamente para fora enquanto cuspira sangue pela dor, avancei...

Levantei o máximo que pude meu pescoço e forcei minha visão... Em meio a aqueles ventos cheios de poeiras atordoantes e ao que parecia um deserto sem fim, eu pude enxergar o QI da aliança no meio de crateras, sangues e corpos inertes pelas redondezas, corpos dos Zetsu e Shinobis da aliança, eu enxerguei uma muralha negra com uma cobertura também negra acima, e a minha frente um imenso portão encostado, de longe eu pude ver uma brecha que indicava que a própria estava aberta... Ainda bem, pelo menos não terei que gritar...

Utilizei toda minha força puxando para fora todo o restante de chakra que me restara, senti uma pequena movimentação de chakra passear pelos meus tekenjutsus, com muita concentração consegui os usar para me dar estamina e força, ao menos o suficiente para me colocar de pé...

Reergui-me enquanto começara a caminhar cambaleando de um lado para o outro, todo ferido, arrebentado, estagnado, mas mesmo assim minha vontade de viver acendia cada vez mais, Não morrerei aqui, não sem antes embirrar com Kyuubi e protestar o cochilo dela e a sua pirraça para não me doar seu chakra... Começara a ficar puto com ela...

Recostei com cuidado minha mão a minha barriga toda fudida e a Cada passo que eu dava podia ouvir gritos e mais gritos vindos do centro do QI era como saudações ou coisa do tipo, mas certamente não eram para mim afinal meu chakra estava tão escasso que eles não poderiam nem me sentir e nem me ver, estavam todos dentro daquela fortaleza como poderiam me ver?

Igual a um velho capenga caminhei mancando, cambaleando e vira e mexi tossindo sangue até lá e finalmente... Cheguei a agradecer aos céus, as nuvens e até mesmo ao chão, cheguei à frente daquele imenso portão, afinal depois de ter subido e descido toda aquela montanha cheguei ao meu ápice, não me aguentara ficar de pé nem por mais um segundo, acabei me recostando na muralha enquanto ofegante puxava o máximo de ar que podia para meus pulmões, agora os gritos eram ensurdecedores, gritarias que dilaceravam o meu pobre ouvido...

Respirando pausadamente andei lentamente ao portão estendi minhas duas mãos e em um movimento rápido de Bifurcar um grande portão, o abri, um clarão cegou a minha visão que pareceu até invadir minha mente, ergui meu cotovelo e braço esquerdo acima de meus orbes e depois do Climax clichê pude não só enxergar como ouvir tudo com muita mais clareza...

Olhei um amontoado de Shinobis da aliança saudando o Sasuke o jogando para as alturas, e o exaltando... Senti-me aliviado ele estava bem... Mas aqueles gritos? Logo me incomodaram.

“Nosso herói, sabíamos que você iria voltar. O verdadeiro herói de Konoha e do Mundo. Saúdam o Uchiha Sasuke...” Gritos de pura euforia e satisfação dos Shinobis ecoavam como um zunido...

“O Shinobi que derrotou o Uchiha Madara e a terrível Juubi sozinho!” Gritou a Sakura levando o restante a loucura “É verdade eu senti seu chakra fraco e o encontrara todo ferido desmaiado e logo a sua destra o Madara emergido em poças de sangue com uma espada encravada na cabeça, enquanto eu nem vi os restos mortais da Juubi...” Gritava Sakura levando o nome do Sasuke ao Apogeu “Sabia que uma hora ou outra ele voltaria para o nosso lado...” Não parava de falar a Sakura em frente ao amontoado como se tivesse dando uma palestra, enquanto o Sasuke fazia uma cara de confuso com suas mãos na cabeça como se quisesse se lembrar de algo enquanto fora exaltado, mas nem se pronunciou...

Então ela o buscou e nem se importou a me procurar? Como ela sabia que ele voltaria? Ha momentos atrás eles estavam dizendo que se fosse preciso eliminariam esse Uchiha maldito da face da terra. Como assim Derrotou o Madara e a Juubi sozinhos e eu e a Kyuubi? Porque ele não fala a verdade logo? Nosso verdadeiro Herói? Então eu era oque? Uma falsificação que assim que chegasse o Verdadeiro eu seria descartado e substituído? O até então Nukenin que chegou agora é mais importante do que o Shinobi que passou sua vida toda para protegê-los, para lutar lado a eles, para se tornar Hokage?

Meus olhos e ouvidos não acreditaram ou não queriam acreditar no que enxergavam e ouviam logo meus orbes se estreitaram deixando transparecer toda minha ira, ódio, inconformismo, incredibilidade, raiva, possessão, Como era possível tal cinismo, mentira, hipocrisia da parte de todos? Meu coração deu um aperto que parecia me sufocar... Era como mil apunhaladas pelas costas, minhas mãos tremeram levemente, meu sangue ferveu, quase cai de cara ao chão mediante ao meu estado deplorável, com os joelhos bambos comecei a caminhar ao centro daquilo tudo... Eles nem ainda sequer me notaram...

Movimentei-me a passos firmes, com a mão ainda recostada no estômago, com a respiração ofegante enquanto ficara levemente corcunda por causa da força que fazia ao andar.

Avistei de costas um Ninja com o colete da pedra que pulava para lá e para cá exaltando o nome do Sasuke, me concentrei nele para não acabar indo de encontro ao chão, mas com as atenções nele acabei tropeçando em um Ninja da Folha que estava logo a sua frente.

“Hei olha por onde andas!” Disse o Shinobi com colete da folha se virando para trás, cabelos curtos e castanhos, um rosto com traços firmes dando a ele um aspecto de uns quarenta anos, olhos opacos e um pouco mais alto que a mim e o Hitayate da folha posicionado a testa. Ele logo me fitou como se quisesse me reconhecer e fez uma cara de ódio em seguida “Você... Garoto Raposa! Saia daqui seu monstro!” Disse ele se aproveitando do meu estado enquanto acertara um soco na minha cara me jogando ao chão... Com aquela gritaria ninguém pareceu notar...

Por instantes fiquei decúbito ao chão, quase que me entregando as más condições e ao golpe, até que com muita força eu ergui meu pescoço o fitando com incredibilidade...

“Do que esta falando? Não fui chamado de monstro quando salvei a vila contra o...” Fui interrompido por um forte chute na mandíbula jogando-me para trás que fez me vomitar sangue e ouvir meu próprio osso estalar...

“Você foi usado por nós, apenas em um momento de desespero você foi nosso “herói”, mas mesmo assim apenas um descartável para que quando chegasse o verdadeiro herói o Uchiha Sasuke, você fosse substituído, todos pensamos assim... Nunca será herói de coisa alguma sua raposa, seu bastardo de nove caldas, Você é apenas um monstro imprestável, Agora saia daqui que o Ninja que derrotou o Uchiha Madara e a Juubi sozinho precisa ser exaltado” essas palavras me vieram como mil facadas no coração, congelei mediante a tais palavras enquanto algo úmido começara a passear pelas minhas bochechas, então eu era isso? Só servia para isso? Era um monstro? Um ser descartável? Balancei minha cabeça desesperado tentando tirar essas palavras da mente enquanto as lagrimas teimavam em cair, isso não pode ser verdade... Por que isso comigo? Não, não depois de tanto tempo, depois de tudo oque eu já fiz, meu coração palpitava...

Essas Foram as ultimas coisas que eu ouvi daquele ser Hediondo antes de sentir uma pancada na nuca e cair inconsciente.

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Eu já fitava aquele teto esbranquiçado de hospital há algum tempo, o brilho que a lâmpada me proporcionava chegava a queimar meus olhos os fazendo lacrimejar... Mesmo doendo horrores eu não tinha ânimo para virar meu pescoço ou até mesmo fechar meus olhos... Desde que acordei não cheguei a mover nem um dedo, não por dor ou por não conseguir... E sim por estar inerte nos meus pensamentos melancólicos e deprimentes...

Será que aquilo realmente aconteceu? Não, foi só um pesadelo... Só isso... Ou era possível? Só de pensar naquilo, me fazia questionar se meus olhos ardiam pela claridade ou pelas minhas tristes lembranças... Desde que acordei não consegui pensar em outra coisa, aquele inferno que antes eu vivia, voltara?

Parecia um buraco negro em meu peito essas lembranças e dúvidas me perturbavam... Fechei meus olhos úmidos em uma tentativa desesperada de esquecer tudo e me levantar com um sorriso maior que a cara como eu sempre fazia, mas dessa vez não funcionou, não adiantou, eu tentei esquecer essas palavras e ofensas e tudo, como eu sempre fizera, os perdoando, mas aquilo feriu meu orgulho de tal maneira... Aquelas palavras ainda estavam enraizadas na minha cabeça... “Monstro imprestável”, “Descartável”, “Garoto Raposa”, “Todos nós pensamos assim”... Tudo oque eu passei na infância pareceu-me voltar à tona aproveitando o embalo... Todo aquele atormento de novo? Todas aquelas surras? Todos os xingamentos e humilhações? Todo aquele desprezo? Toda Solidão e vazio de novo? Não... Não... Por que isso agora? Eu nunca fiz nada que pudesse desencadear tamanho ódio e desprezo...

E na minha primeira tentativa de movimentar meu pescoço para sacudi-lo e assim tentar esquecer-me desses pensamentos... Senti uma dor alucinante no pescoço me obrigando a urrar de dor que logo em seguida desencadeou um estalo na minha barriga e depois disso só pude tossir sangue pisado no chão, tamanhas tosses e urros de dor que me deixaram até sem fôlego...

Encontrava-me decúbito de lado, com o pescoço virado para o lado direito, enquanto minha respiração oscilava, pudera ver uma parede com um branco tão forte que parecia me cegar, junto a vários equipamentos médicos... Deveras estava no hospital...

Então aquilo realmente aconteceu... Devaneava ainda com os orbes marejados... As lagrimas não cessavam e teimavam em passear pelo meu rosto...

“Tsc” Grunhi a um tom choroso enquanto fechava meus olhos desesperadamente em uma tentativa de acordar de um pesadelo...

“Acordou?” E ainda naquela tentativa tola ouvi uma voz doce, gentil e calma me despertar a atenção, abri meus olhos ainda marejados calmamente e revirei meu pescoço sentindo uma dor desconcertante que me fez gemer de dor, e assim fitei o teto e aquela claridade novamente. E antes de tentar reerguer minha coluna... “Você está ferido! Não se mova!” Ouvi novamente aquela voz e dessa vez um pouco nervosa chegando até a demonstrar certa preocupação...

“Quem está ai?” Perguntei receoso com temor na voz, enquanto ficara cegado novamente pela claridade daquela maldita lâmpada, tentei levantar meu braço direito a fim de agonizar esse clarão para enxergar a dona de tal voz, mas de nada adiantou...

“Não reconhece nem minha voz mais?” A ouvi dizer a um tom recheado de deboche, e logo em seguida consegui enxergar sua silhueta cheia de curvas, junto aos seus longos cabelos loiros, olhos cor de mel, uma face com traços finos, gentis e delicados transparecendo sua elegância e certa ternura no olhar... Tsunade... A olhei melhor e pude a ver com um jaleco branco com certo volume por causa de seus enormes seios...

Observei ela se aproximar a passos lentos com aquela ternura no olhar que chegava a me apaziguar, ele chegou a minha esquerda enquanto segurara meu peito me reerguendo com a maior facilidade... “Você não consegue ficar quieto não é?” ela resmungava...

Encostei minha coluna à cama a deixando ereta enquanto fitara meus braços e um lençol branco que cobrira minha cintura pra baixo, pude perceber todos meus braços, mãos e dedos e meu abdômen enfaixados e devo dizer que isso confirmou tudo, aquilo tudo realmente aconteceu... Tratei de enxugar meus olhos com as mãos enfaixadas afinal não queria demonstrar minha tristeza pra ninguém, apesar de mão controla-la e ainda estar em choque...

Tentei pensar em outra coisa, imaginar algo, devanear, mas no fundo eu só queria esquecer-me de tudo, ou quem sabe eu fora pego em um terrível genjutsu do Madara? Por mais absurda que essa ideia fosse ela me animava mesmo assim, seria bem melhor não? Pelo menos para mim... Olhei a esquerda e encarei a Tsunade sentada em uma cadeira enquanto observava seriamente uma prancheta, olhei mais a fundo e vi um grande espelho e ao seu lado mais equipamentos médicos...

Não cheguei nem a esboçar minha surpresa ao ver meu reflexo no espelho... Vi da minha mandíbula para baixo tudo enfaixado, meus cabelos dourados maiores que o normal batendo a minha nuca e arrepiados chegando a tampar parte de minha testa, minha boca ainda inchada e meus olhos... Essa fora a maior mudança que eu notei, diferente de antes que eles transpareciam o azul brilhante dos mares, os meus sonhos e esperanças, agora eles pareciam um azul morto, sem vida, sem brilho, pareciam até opacos, apenas transpareciam minha tristeza... Nunca fora assim, mas não posso os culpar...

Notei meus orbes normais oque deveras estranhei, pelo que eu me recorde meu olho direito estava bem inchado, já tivera machucados assim e posso dizer que demoravam muito para se normalizarem... Sem precisar de nem mais um segundo já tinha entendido minha situação...

“Onde estou?” Murmurei baixo, sem ânimo algum demonstrando minha tristeza, mesmo fitando minhas mãos pudera perceber ela me olhando com um olhar triste e calmo como se tivesse fitando o vazio ou tentando se recordar de algo...

“Konoha...” Falou Tsunade em um tom tão baixo que me pareceu murmurar, sua tristeza era clara e visível pelo seu olhar, talvez fosse por isso que ela sem demora os desviou novamente para a prancheta como se quisesse fugir das minhas perguntas...

“Por que estou no Hospital? Como parei aqui? Oque aconteceu? E estou quanto tempo desacordado?” A bombardeei de perguntas pausadamente... Minha voz saiu rouca e seca dessa vez, mesmo sabendo de algumas respostas eu queria ouvir da boca dela...

Parei de fitar meus braços e encostara minha cabeça na cama enquanto encarava o teto, a ouvi dar um suspiro de cansaço e largar a prancheta de lado... “Depois que o Sasuke derrotou a Juubi e o Uchiha Madara assim dando um término a guerra, te encontrei do... Lado de fora do QI desmaiado Com... Vários ossos... Quebrados...” Disse ela parando constantemente enquanto suas primeiras lágrimas começavam a pingar no chão. “Depois disso todos voltaram para suas respectivas vilas... E você está aqui ha três meses” Terminou de falar enquanto enxugara sutilmente seus orbes.

Então até a Tsunade não sabe da verdade, o Sasuke fez a cabeça de todos? Não posso sequer imaginar isso, ele nunca faria isso... Ele nunca se aproveitaria disso, de uma mentira tão baixa... Ou seria? Já não sabia mais de nada, a não ser de uma coisa, Preciso falar a sós com ele...

O quê? Só agora percebi... Três meses? Então fora por isso que meu olho... Só de pensar nos Shinobis de Konoha me espancando enquanto estivera desmaiado, indefeso, exausto e todo ferido e isso tudo para proteger a pele deles... E oque me dói mais é saber que são apenas os Shinobis de Konoha... Nenhum outro chegou a me destratar... Até outras nações, outros países, me tratam bem e Konoha...

Fechei meus olhos e mordi meu lábio inferior deixando um grunhido baixo passar enquanto apertava fortes meus punhos e o lençol, esses seres hediondos...

“Naruto, tenho uma coisa a te dizer...” Falou a Tsunade se preparando bastante, como uma criança que vai confessar um pecado, e eu estranhava isso dela, afinal ela é a Tsunade porra! Mas ela provavelmente iria me contar oque eu já sei...

“Oque tem de errado? Eu sei quem fez isso comigo... Shinobis de Konoha, aldeões, moradores... Sempre eles...” falei rispidamente deixando minha raiva clara e iminente, o clima começava a pesar...

“Naruto, não fique assim...” Foi à gota d’ água ouvir isso dela... Não fique assim?... Como ela queria que eu ficasse? A cada segundo matutando essas lembranças o velho Naruto perecia, mais e mais e ela queria que eu ficasse Feliz?...

“Já posso ir?” Perguntei cortando ela. Sem esperar a resposta virei todo meu corpo para o lado esquerdo assim tocando o chão com meus pés, a vi, com os olhos fechado cabisbaixa e com as duas mãos a sua testa, respirando pesado...

“Ha três meses aqui descordado quase todas as suas feridas estão curadas, menos sua barriga, seu pescoço e sua boca inchada... seu estômago é grave... Tem uma coisa que eu quero te falar, mas agora você está de cabeça quente pelo jeito... Mesmo se eu falasse para você não ir, você iria, Então pode ir, Mas fique em casa de repouso, amanhã eu vou lá para ver como você esta... Juízo, você não é mais uma criança, Naruto” Disse séria e relutante, parecia que queria me contar algo, mas sem cabeça para isso agora...

“Eu sei” Falei enquanto jogara o lençol para longe de mim descobrindo meu corpo, da cintura para baixo a mesma coisa, tudo enfaixado, toquei de vez meus pés ao chão, e pelo que pensei até que foi fácil ficar de pé... Apenas meu estômago e pescoço doíam, mas o resto, completamente dormente...

“Suas roupas e o Hitayate estão aqui!” Disse calmamente parecendo ler meus pensamentos, ela apontou para uma pequena estante a sua destra, enquanto tocava as mãos as suas coxas bem torneadas por sinal, e se levantara andando em direção à porta.

Logo avistei aquele laranja gritante, já estava farto dessas roupas de palhaço, logo que chegara em casa as trocarei...

“Naruto, por favor, não fique magoado ou...” A ouvi dizer de costas pra mim, enquanto abrira a porta...

“Por que diz isso? Como sempre não irei fazer nada, mas não me peça para não ficar magoado, porque por mais que eu tente...” Falei seca e rispidamente oque realmente se passava dentro de mim...

“Ele está diferente... Como que eu vou contar a ele?” Murmurou triste Tsunade, chegara a ser tão baixo que só ela escutou sua própria voz soar inaudível, enquanto saíra do quarto relutante...

Apenas ouvi o barulho da porta ao se fechar, fitei minhas roupas e o Hitayate de Konoha... Retirei as faixas do meu corpo deixando apenas a do estômago e a do pescoço, e vi que estava de cueca Box, sem mais delongas me vesti, usando aquela roupa ridícula...

Pela primeira vez não senti a necessidade de deixar estampado literalmente na minha testa que eu fazia parte de Konoha, coloquei o Hitayate da folha no bolso, e comecei a andar lentamente em direção à porta...

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Já Perambulava por Konoha há um tempo, minhas feridas não me permitiam andar rápido ou sequer normalmente, porque senão eu já estaria em casa... Andava lentamente pelas vielas e ruas da vila, por onde quer que eu andares aqueles olhares, aqueles múrmuros, pessoas apontando dedos para mim, nem se preocupavam se eu escutava ou não a conversa deles... Pois eu escutava... Garoto Raposa, Monstro, Lixo, Peste, é eles realmente me usaram... Nunca sequer pensei que existisse tal cinismo no mundo...

Era de tarde, um dia nublado e fresco, aquele ar puro passando pelos meus pulmões eram revigorantes, nuvens cinza indicavam um temporal, pelo chão meio marrom pude perceber várias folhas estiradas, junto as correntes de ar que jogavam algumas na minha cara...

Estava um pouco cinza e frio o dia, tendo momentos que eu tinha até mesmo calafrios... Depois de caminhar um bocado e ainda com aqueles olhares sobre mim que pareciam pesar toneladas nas minhas costas, vi três caminhos a percorrer, o da direita levava-me ao prédio do Fogo, a minha frente à saída da vila que por sinal me atraia bastante... E a esquerda onde tinha várias casas e prédios, e fora para lá que eu tratei de caminhar...

A cada passo que eu dava o dia se fechava e escurecia mais e mais, caminhei por mais meia hora naquele trajeto, passando por comércios que só deu olhar já eram fechados instantaneamente o mesmo ocorria com as casas, crianças que eram puxadas a força pelos pais para dentro de casa... Essa voltara a ser minha rotina...

“Cheguei” Disse desanimado enquanto suspirava um tanto triste... Estava de frente para um beco, cujo no final tinha uma escada de madeira a direita que levara ao meu apartamento...

Não pude deixar de notar, tinha uma dúzia de homens no lado esquerdo do beco murmurando algo sobre Monstro e demônio. Logo percebi que era sobre mim. Eles me olhavam com um olhar de pura maldade, um sorriso de escárnio brotando em seus lábios, junto a risadinhas que me causavam náuseas, enquanto tramavam algo... Depois eu que sou o demônio...

Tomei meu rumo entrando no beco e me aprofundando ao breu, passei lado a eles, Virei à direita e subi as escadas sem me importar com seus olhares, no final estava lá meu apartamento, a porta era rústica e tinha o número “301” retalhado nela... Agachei-me e levantei o tapete, depois puxei as chaves que lá se encontravam, só tive o trabalho de abrir a porta e adentrar no recinto... Impulsionei a porta para frente e pude ver logo de cara a sala vazia com apenas um sofá, passei por entre a porta e a fechei em seguida trancando...

Andei apenas ouvindo o som dos meus passos que ecoavam pela madeira rústica da casa, a minha esquerda tinha a entrada da cozinha, a da direita ao banheiro e a frente meu quarto, o único que tinha uma porta fora a entrada era meu quarto...

Estava morto, exausto e ofegante. Essa caminhada havia custado toda minha energia. Caminhei à frente para meu quarto até dar de cara a porta ergui minha mão destra e virei à maçaneta, abri a porta avistando um colchão a uns passos a minha frente, acima dele uma janela fechada por sinal, à destra do colchão um criado mudo com algumas tralhas minhas... Sem me importar peguei o Hitayate da folha e a joguei sem cuidado nenhum ao criado mudo... Ela caíra ao chão causando um barulho irritante, só de ver ela estagnada e jogada lá no chão, não pude deixar de sorrir com isso...

Foi como uma alfinetada no meu estômago todo dolorido... Não consegui resistir àquela inesperada dor, em instantes cai de joelhos ao chão com a mão na barriga e a testa em contraste ao chão enquanto urrava de dor, Era como se estivessem socando, esfaqueando, pisando no meu intestino que agora era provavelmente carne viva, cheguei a tossir litros de sangue enquanto suava frio e me contorcia agora deitado naquele chão frio... Era alucinante cheguei por segundos até delirar de dor, recostei minhas mãos na barriga e a senti toda mole, oque me deu um tremendo nervoso... Meu corpo amoleceu todo, com dificuldades para respirar eu só consegui tossir sangue após sangue...

Encontrava-me estirado ao chão com a respiração falha, uma pequena poça de sangue logo a frente da minha boca... Oque foi isso do nada? Será que foi minha exaustão? Essa dor era a mesma que eu sentia após a derrota da Juubi, quando estivera com o estômago todo aberto... Será que ele ainda está assim?...

Perguntava-me mentalmente enquanto sentira a dor passar... Com dificuldade levantei minha cabeça e coluna ficando de joelhos, toquei meus braços ao chão e o impulsionei enquanto levantava minhas pernas. Depois me opus a ficar de pé...

“Todo suado” Falei enquanto tirara minha jaqueta e blusa lentamente, ficando com apenas as bandagens no peito e a calça... Retirei minhas sandálias enquanto caminhara em direção ao colchão... Estava exausto, dolorido e cheio de atormentações, o melhor a se fazer era dormir mesmo que todo suado... Com cuidado me deitei encostando minha coluna e cabeça no colchão enquanto fitava o teto com um olhar vazio...

Assoprei meus cabelos que tampavam minha visão e pela janela eu já percebia a Noite caindo sobre os céus, e um zunido no meu ouvido resultado do atrito das rajadas de vento ao se chocar a janela... O cheiro de poeira acumulada do apartamento invadia à tona meu nariz me fazendo espirrar... Aos poucos eu deixei o cansaço me dominar, enquanto minhas pálpebras pareciam lutar brutalmente para se fechar, até que aos poucos começara a adormecer...

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Tudo era um breu sem fim, mas em meio à escuridão várias coisas poderiam ser vistas, detalhes que mesmo na luz não saltariam a minha visão como é agora... Eu caminhava no breu a ponto de não enxergar nem um palmo a minha frente, os únicos sons audíveis eram os meus passos que ecoavam naquele piso, fora quando eu pisava em uma poça e a própria parecia urrar de dor, parecia um esgoto... Naquela imensidão sem fim eu começava a observar olhos que apareciam e desapareciam. Olhos rasgados em fendas no meio ao breu, como se monstros de outra dimensão cravassem suas garras na própria escuridão, e espiassem por entre elas, Era tudo muito assustador e por isso eu corri, e por correr eu perdi tanto, tudo o que estava escrito, a letras desconhecidas e invisíveis na escuridão, toda a história delas... Eu não sabia se me apavorava pelos monstros de outras dimensões ou pelas letras perdidas e as histórias que elas tinham a me contar, meu fôlego diminuía a medida da corrida sem fim, e meu medo só aumentava pelos monstros que me seguiam... Eu não sabia se eles me seguiam ou não, mas pareciam tão silenciosos e sagazes que eu nem olhava, só corria, até um clarão se apoderar de minha visão...

E de repente... Nada, como um clímax que não aconteceu, ou como brochar na hora do orgasmo, eu estava no meu colchão. Não estava suado, nem sujo, nem respirando alto, minhas pálpebras piscavam involuntariamente... Chegavam a ser atordoantes o tanto que elas piscavam, até elas se fecharem de vez, e eu me ver de novo em meio a escuridão, não era uma escuridão palpável e viva como a do meu sonho, era a escuridão da noite, fraca e suave, como um tecido fino de tinha negra, cobrindo os olhos e enfraquecida pela luz dos postes, não havia clichês naquilo, só a mansidão de alguém que acorda de um sonho sem se lembrar dele, mas no meu caso, eu me lembrava. Lembrava-me de tudo...

Eu estava no que parecia uma rua, mas de nada enxergava, a não ser as luzes dos postes...

Pensei ser mais um sonho até eu me apertar beliscar e usar todos os métodos já conhecidos para se acordar de um terrível pesadelo, mas de nada funcionou, um cheiro de terra molhada exalava daquele local, minhas atenções eram toda dos postes, até eu perceber algo muito maior sobre minha cabeça, a Lua, ela parecia rezar por mim como uma mãe reza por um filho, eu fiquei hipnotizado por ela e quando desviei minha atenção eu estava no alto de um penhasco pronto para ser dilacerado pela imensidão do escuro que dessa vez predominava, sentira até o barulho de uma pequena pedrinha se bater ao meu pé e quando olhei, vi ela se perdendo ao vazio daquele breu.

Só que diferente da ultima vista que eu tinha dado, eu estava enxergando aqueles mesmos olhos rasgados em fendas, olhos ferozes que queriam me dilacerar, ouvi um rugido ensurdecedor enquanto garras prateadas eram cravadas no escuro, aqueles olhos pareciam atrair, eu tentei correr novamente, mas diferente da ultima vez eu não sai do lugar...

Aquilo me atraia, me puxava e sem chances para fugir, acabei me entregando aquela força esmagadora, caíra do penhasco... Aqueles olhos em forma de fendas me aterrorizavam e a centímetros de distância, tudo se apagou...

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Dessa vez foi como um bom e velho clichê. Acordei todo suado, respirando pesado com o coração a passos fortes, olhos arregalados e minhas mãos tremendo, o suor chegara a ser tanto que brotava e escorria pelos meus poros e pingava do meu nariz... Coloquei minha mão destra no peito e senti meu coração palpitar... Oque foi aquilo? Um pesadelo? Não, um terrível pesadelo... Aquilo me assustou tanto...

Os raios de sol tão fortes e límpidos ultrapassavam minha janela e deixavam estampado que já era dia, estava tão abafado dentro do meu quarto... Talvez isso ajudasse meu suor a chegar ao apogeu e me deixar ofegante, ou talvez fosse só o pesadelo mesmo...

Tudo foi estranho, esquisito e ao mesmo tempo tão enigmático, as letras, os olhos... Ah aqueles olhos, me eram tão familiares, eram os mesmos da Kyuu... No ápice dos meus devaneios Fui interrompido por batidas na porta...

Ainda todo suado ergui minha coluna a deixando ereta e sem maiores dificuldades me levantei, senti minha barriga latejar, logo recostei minha mão direita com gentileza no estômago enquanto começara a caminhar.

As batidas na porta começaram a ficar mais fortes e constantes, pareciam querer derrubar a bendita porta.

“Já vou!” falei tentando acalmar provavelmente a Tsunade, já que ela falou que viria... Meus cabelos pareciam se aproveitar do meu suor enquanto grudavam na minha testa... Passei minha mão esquerda pela testa, desgrudando meus cabelos e tentando me livrar dessa sensação desconfortável...

Logo cheguei à porta, toquei a maçaneta e respirei fundo enquanto abrira a própria dando de cara com a loira...

Observei seus longos cabelos dourados, seus olhos castanhos, seu rosto com traços finos e polidos, uma cintura fina cheia de curvas avantajadas, e é claro não pude deixar de notar seus enormes seios que pareciam saltar para fora de sua roupa, que a propósito era a de costume...

“Você está todo suado! Sentiu algo, estas bem?” Disse mudando seu olhar que até então era nervoso para um que transbordava preocupação... “Sua barriga doí?” Perguntou enquanto entrara, pousando gentilmente suas mãos no meu estômago...

“Foi apenas um pesadelo, estou bem!” Respondi, escondendo a dor que sentira ontem de noite, enquanto caminhava de volta ao quarto...

Sem demora escutei um suspiro de cansaço da parte dela... “Sente-se no sofá eu tenho que ver como está seu ferimento...” Falou como de costume, ou seja, mandando.

Bem, como meu ferimento ontem me deixou em maus bocados é melhor ela ver... Sentei-me no sofá enquanto ouvi o rangido da porta ao se fechar...

Ela caminhou até mim e se ajoelhou a minha frente entre abrindo minhas pernas, senti seus enormes seios macios e suaves tocar meu membro afavelmente, devo comentar que esse movimento deixou meu membro completamente ereto só de imaginar diversas possibilidades, enquanto um rubor se formava em minha face... Mas ficaram somente na imaginação mesmo...

“Tudo bem?” Perguntou sem prestar muita atenção enquanto começava a retirar as faixas da minha barriga...

Encostei minhas costas ao sofá enquanto bocejava... “Oque aconteceu com Obito e Zetsu?” Perguntei mudando de assunto... Não precisava ser nenhum gênio para saber como eu estava.

Fitei o rosto dela, foi claro seu olhar de desapontada... “Zetsu foi derrotado pela Aliança ele e todos seus corpos, Mas Obito conseguiu fugir...” Falou desapontada...

Oque? Obito fugiu? Livre por aí?... Embora estivesse preocupado, atônito e nervoso com essa notícia... Tratei de usar uma máscara para disfarçar... Maldição, não demora muito e depois teremos outra guerra...

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

“Tem pistas de onde ele pode estar?” Disse calmo provavelmente a surpreendendo, pelo seu olhar claramente surpreso, acho que ela esperava alguns berrões oque eu provavelmente faria no passado...

“As cinco nações estão unidas para achá-lo o mais breve, sabemos que outra guerra seria suicídio, e no caso é só questão de tempo para que ele nos traga mais problemas... Ainda estamos nervosos e aflitos, embora todos estejam depositando plenamente suas esperanças no Sasuke...” Disse desanimada enquanto terminava de retirar o bolo de bandagens da minha barriga...

Oh, Normal afinal temos o grande Sasuke do nosso lado não? É um uchiha porra, sinônimo de foda pra caralho não?... Devaneei com um misto sorriso de deboche e escárnio...

“É importante que você saiba a gravidade de seu ferimento... E muito crítico tanto que nunca tire a ultima fita, caso contrário você pode pegar uma infecção, seu estômago está entre aberto... nunca viste um caso assim...” Disse mudando completamente de assunto enquanto deixara apenas uma bandagem claramente ensanguentada... Ela recostou suas duas mãos nele enquanto saíra uma espécie de chakra verde, ou seja, ninjutsu médico... Não senti nenhuma mudança, mas isso provavelmente fosse apenas para cicatrizar...

“Por que o chakra da Kyuubi não me curou?” Perguntei um tanto confuso... Afinal nunca mais conversei com a Kyuubi... Estranho... Raposa Rabugenta... Precisava conversar com ela, ela com certeza iria me apaziguar, mandando-me matar todos, mas iria...

Sem mais nem menos ela parou seu ninjutsu médico e se levantou, com a respiração claramente descompassada... “Tenho uma pilha de papéis com assuntos importantes a tratar, tinha-me esquecido... Então já vou indo já que você está bem... Vá amanhã ao escritório, preciso lhe contar uma coisa, mas agora não tenho tempo” Disse calmamente enquanto se encaminhava a porta, mas algo me alfinetava, parecia que ela estava a esconder algo de mim, além de não responder minha pergunta...

“Esta bem...” Falei sem me importar, até que não estava sendo difícil mascarar meus sentimentos... Talvez eu já não fosse o mesmo Naruto...

“Saia do apartamento um pouco, respire um ar puro, vá ao Ichiraku como você gosta, encontre seus amigos...” Ela disse como uma mãe diz para um filho solitário...

“Amigos... Oh sim, Grandes amigos. Tenho-me a certeza que nenhum dos meus amigos visitou-me no hospital não? Três meses lá mesmo desacordado e nada... Isso também não importa mais, e essas coisas não me atraem mais como antigamente...” Disse secamente e pela primeira vez descontando minha raiva nas palavras, ela pareceu relutar para me contradizer, mas sabia que eu tinha razão...

“Naruto, você está diferente... não vejo mais aquele brilho nos seus olhos...” falou ainda de costas para mim, percebi certo desapontamento em sua voz, enquanto a própria saíra do apartamento...

Cheio de sono e cansado. Fiz que nem ouvi e voltei para meu colchão, mas não sem antes abrir a janela... Acordar todo suado novamente seria triste... Antes que pudesse me deitar percebi que meu pescoço já não doía mais... Menos mal...

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Já me encontrava por debaixo da água a um tempo, sentindo apenas a gélida água enquanto relaxava meus músculos ainda dormentes... Era tarde, uma tarde tão fria e monótona quanto à de ontem, oque de fato me alegrava. Prefiro a brisa cálida e o vento sutilmente frio que é bem mais aprazível que o calor escaldante dos dias de sol...

Acordei faz meia hora e mesmo querendo ficar na minha cama quente e agradável resolvi-me fazer oque a Tsunade havia falado, apenas a parte “respire um ar puro” e pelo clima que hoje me agrada que por sinal é raro, senão fosse por ele... Tratei de terminar meu banho logo...

Estava todo molhado, encharcado, e principalmente com cheirinho de bebê, dei-me por satisfeito, desliguei a torneira que estava as minhas costas, que por sinal era de plástico, enquanto começara a caminhar molhando todo o banheiro ouvindo o som emitido das gotas d’ água ao se chocar ao chão...

Dei de cara com a pia, onde se encontrava minha toalha... Sequei-me todo, até mesmo a bandagem que agora estava ensopada... Ah, a bandagem com toda a certeza tinha-me até esquecido dela...

Suspirei desanimado só de pensar na bronca que certamente levaria, enquanto enrolava a toalha a minha cintura e virava-me à esquerda... Caminhei visando meu quarto e quando dei por mim já me encontrava nele, olhei a esquerda enxergando um armário mediano, o abri, peguei uma calça ninja preta, uma blusa completamente negra, junto a um casaco azul marinho, fora as sandálias ninjas...

Antes de me vestir sequei as faixas ensanguentadas e molhadas... Acabei tocando grosseiramente minhas mãos por entre as feridas, Me arrependi amargamente depois de tossir litros sangue ao sentir várias agulhadas perfurarem a carne viva do meu intestino...

“Maldição...” resmunguei tomando fôlego para me vestir... Assim que me vesti, tratei de enxugar meu cabelo direito o deixando arrepiado... Sem mais delongas joguei e toalha para qualquer canto do quarto e saíra de casa...

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Exatamente como eu pensara, a tarde estava perfeita o vento frio batia a minha face arrepiando-me enquanto farfalhavam meus cabelos dourados de um lado ao outro... As nuvens cinzentas e nebulosas fora a umidade dor ar alarmavam que hoje teria chuva e uma demasiada gélida, as correntes de ar pareciam guiar as folhas soltas a uma dança.

Andava sem rumo por Konoha, apenas sentindo o ar puro passear por meus pulmões, era um dia tranquilo, mas uma coisa me incomodava, os mesmos olhares que parecem grudar em mim. Como um caçador que não desgruda seus olhos da presa, aquilo via desde a criança a até idosos... Pessoas cochichando e outras até mesmo gritando para mim, “Monstro”, ”Praga”, “Peste” “Vá embora de Konoha”, confesso que estava começando a considerar essa ultima que escutei... Já não aguentava mais...

Talvez fosse melhor pedir a Tsunade para que troque essas bandagens que eu acabei por encharcar quando me banhei... Mas só de pensar no que ela falaria...

Caminhava lentamente com as mãos enterradas no bolso do casaco, só escutava o barulho dos raios que começavam a parti os céus, e enxergara as nuvens se fechando lentamente... O ar começava a ficar mais úmido e denso temporal viria por aí...

Continuei seguindo meu caminho, andando pela rua que me levaria ao prédio do Fogo consequentemente a Sala da Godaime, De fato eu estava começando a me sentir um demônio, digo isso porque por onde quer que eu passares portas se fechavam, janelas se fechavam, ruas se esvaziavam... Era até engraçando os verem resmungando, ou me excomungando...

Sem me importar, passei por becos, ruas e vielas, até parar e observar dois caminhos a se traçar, o da minha esquerda que levava a praça e a minha frente que me levava ao prédio do fogo, As nuvens começaram a se acinzentar os raios a partirem os céus com mais frequência e o dia a se escurecer...

“Humm...” Pensei alto, nada melhor do que se sentar em um banco da praça e sentir a água cair sobre si, pensando nas más lembranças, tristezas e temores e por mais que isso derramasse lágrimas e mais lágrimas, eu gostava... Escolhi a esquerda sem pestanejar...

As ruas completamente cinzas, e vazias, junto aos raios que caiam desesperadamente davam um aspecto sombrio a Konoha... Comecei a observar as casas gastas, os habitantes hediondos, os lixos jogados na rua e devo dizer que até combinava.

Depois de caminhar tanto e passar por tantas ruas e inúmeras vielas e becos finalmente cheguei à praça, assim observando o término da rua que por sinal era um muro enorme, era como um beco sem saída, só que com uma praça no meio, uma área redonda com seus diversos bancos, brinquedos, árvores de Sakura fora algumas casas e comércios, mas nada me retraiu mais a atenção do que certa árvore, na verdade no que se encontrava debaixo dela...

As folhas de Sakura pareceram me rodear. Meu coração mais uma vez se apertou obrigando minha respiração a oscilar enquanto minhas mãos tremeram sutilmente, a raiva, indignação e ódio fizeram presença em mim, mas muita raiva e inconformismo mesmo. Afinal eles estavam lá, Sasuke e Sakura se beijando ferozmente debaixo da árvore, Sempre soube que a Sakura o amava, mas, mas, eu sempre estive...

Poupei-me desses pensamentos ridículos, melancólicos e deprimentes de corno, afinal ela não era nada minha e agora... Nada pra mim.

Isso de fato não é novidade, sempre soube que no exato momento que o Sasuke botasse os pés em Konoha ela correria para seus braços com o rabo entre as pernas, embora eu achasse que ela teria um pingo de amor a si próprio e iria se valorizar, como sempre estava errado em relação às pessoas...

E ele se fingindo de herói, omitindo a verdade de todos... Que saber Todos eles se merecem, o Uchiha traidor, aproveitador e “herói” da vila, A vadia mentirosa masoquista, sem amor a si próprio e os habitantes falsos, hipócritas, aproveitadores e donos de tamanho cinismo...

Inerte nesses pensamentos, eu me pergunto, será que eu realmente faço parte dessa vila? Ah claro afinal só faltaria um demônio para completar, e esse por acaso sou eu... Não pude deixar de rir debochadamente.

Dei-me a meia volta imediatamente, perdi a vontade de perambular pela vila e ir à sala da Godaime. Sem deixar eles amenos me notarem tomei meu rumo de volta ao apartamento, junto a mais desprezo não só pelos dois, como por essa maldita vila.

Caminhei a passos firmes mesmo sentindo pontadas na minha ferida diversas vezes, eu queria sumir das ruas, não pude deixar de notar as nuvens completamente cinza, logo vi um raio que cortou o céu trazendo consigo um barulho ensurdecedor e as primeiras gotas d’ água que tocaram minha tez... A cada passo que eu dava os céus chorava e se escureciam mais e mais, já me encontrava todo molhado e encharcado...

Já caminhava por minutos, minutos que pareciam horas, horas longas e torturantes junto à paisagem fantasmagórica que Konoha adotava comecei a me sentir acuado, de longe chegava a escutar os grunhidos que eram emitidos de becos obscuros e emergidos na escuridão da noite... E mesmo neles eu poderia jurar que tinham olhares sobre mim, olhares que pareciam me torturar, olhares que junto aquela rua vazia, junto à escuridão que a noite proporcionava, junto ao clima fantasmagórico, se tornavam olhares assustadores que transbordavam maldade...

E por tudo ser tão assustador já comecei a apertar meus passos, a chuva caia ferozmente, o dia já se tornara uma cálida e sombria noite e por ela eu já escutava Vozes que pareciam ser da própria noite “Monstro”, “Praga”, “Sem serventia”, “Demônio”, “Morra”... Depois dessas vozes que pareciam nascer das sombras e ecoar pela noite, percebera o que se tratava...

Logo enxerguei meu apartamento mais adiante, cheguei a louvar mentalmente, enquanto continuava a andar, mas atordoado pelo brilho sombrio da noite, atormentado pelas vozes e olhares e cegado pelo medo que teimava em rondar-me, sequer prestei atenção no beco pelo qual passava, e sem mais nem menos uma corrente surgiu no escuro do beco se enroscando no meu braço esquerdo, sem ter tempo nem para pensar fui puxado com tamanha brutalidade que pareciam é querer arrancar meu braço... Enquanto aprofundava-me no beco logo fui cegado pela mansidão da noite, só sentira uma cotovelada na boca do meu estômago... Meus urros ensurdecedores de dor dominaram a noite que até então pertenciam ao barulho das cigarras, urros que só foram interrompidos pelo sangue pisado que eu cuspia pausadamente.

Meu coração quase saltou pela boca, senti meu intestino se revirar de dentro da minha barriga, ofegante com falta de ar, fui jogado a um canto qualquer me chocando a uma parede...

“Maldição, Quem está ai?” Perguntei com a voz embargada de medo e ofegante enquanto me contorcia de dor naquele chão sujo e gélido, estava tudo tão escuro... Não enxergava nada...

“Uzumaki Naruto, Não acha que a sua vida está um lixo? Uma merda, uma droga? Sempre foi não é mesmo? Nós viemos aqui fazer um favor a você, dar fim a sua triste vida...” Ouvi uma voz grossa e rude, uma voz carregada de ódio, deboche, escárnio. Amedrontadora... Portador de tal voz estava claramente bêbado.

Sem demora uma claridade se formou naquele beco, era uma fogueira... A partir dai pude me ver em um beco sem saída, rodeado por doze homens... Espera os mesmos de ontem?... Em cada um deles um sorriso de deboche, de maldade, de pura satisfação... E o mais perto a mim estava com uma corrente a mesma que me puxara, o beco era grande e sujo...

“Oque vocês querem?!” Perguntei oque qualquer um em sua mais pura inocência perguntaria, é claro que eles queriam me matar...

“Não é obvio? viemos aqui fazer oque já deveríamos ter feito há muito tempo...” falou o que segurava a corrente arrancando gargalhos dos outros...

Oque? Eles realmente vão me matar? Esses... Passei-me a vida tentando os protege, ficando forte para um dia me tornar Hokage, defendi essa vila contra o Nagato... Protegi contra a Juubi, tudo isso para que um dia eles pudessem me aceitar de verdade... Para que um dia as pessoas me enxergassem com outros olhos... E no fundo, como se já não bastasse saber que eles me usaram como um brinquedo, e agora querem acabar com minha vida? Com que DIREITO?

Depois desses pensamentos clichês a raiva tomou conta de mim, como era possível? Esses seres néscios, hediondos, ridículos, nojentos, asquerosos, patéticos quererem me matar? Seus... Seus... E no auge a minha ira, ódio e fúria recebi um chute que chegou a afundar minha cara enquanto a empurrava a parede mais uma vez... Senti meu nariz se contorcer e quebrar enquanto meu pescoço regrediu aquelas dores torturantes e infernais de dias atrás... Atordoei-me por segundos enquanto cuspia sangue ao chão com a respiração descompassada e a visão embaçada...

“Soubemos, que estas com um grave ferimento no estômago não? Que tal brincarmos de médico?” Zombou o segundo ironicamente arrastando uma barra de metal pelo chão até apontar ela a minha barriga, ele tinha um sorriso medonho em seus lábios, arrancando gritos de pura excitação dos demais...

Meus olhos já não me permitiam enxergar com muita clareza, com meu corpo estagnado naquele beco frio e sujo eu me perguntava se iria morrer ali, para seres assim depois de tudo que passei dos obstáculos que superei, dos inimigos que abati e no final... Morreria pra isso? Para seres que não merecem o chão que pisam para pessoas nojentas que mereciam da mais dolorosa a traumatizante morte?... Meus pais, fora pra isso que eles me deram a vida? Para morrer embargado a ódio, desprezo e nojo?

“Diga adeus à vida monstro descartável...” Gargalhou o ser que usava as correntes...

O que me alfinetava era como que eles sabiam do meu estômago? Se ele atravessar meu intestino com essa barra de aço, certamente morrerei na hora... Tudo que eu aprendi no final não me acrescentaria em nada em momentos como esses? Todos os jutsus, todos os treinos e nada?

Observei o ser nojento a minha frente empunhar o metal e o desferir brutalmente visando minha barriga... Depois desses devaneios, realmente eu era um idiota, sem hesitar levantei minhas mãos fazendo um sinal... Antes que eu sussurrasse “Shunshin No Jutsu” senti o metal tocar minhas bandagens, e logo em seguida sumi em uma explosão de fumaças...

Pelo meu fluxo de chakra descontrolado, pela má utilização, pelo desespero, acabei caindo de cara ao chão rústico da sala do meu apartamento, criando um grande baque enquanto mais uma vez urrava de dor, mas dessa vez era diferente eu urrava de dor, ódio, raiva, indignação, eu estava furioso, minhas mãos tremiam de puro ódio, tamanha raiva que não me dava nem o luxo de me contorcer de dor pelos golpes que levei...

Só de pensar que eles iriam acabar com minha vida...

“Aaaaaargh” Gritei... Tamanho ódio não podia ser controlado por nenhum ser humano, gritava de ódio de puro ódio enquanto socava o chão com toda minha força e ira sem parar enquanto lágrimas começavam a passear pelo meu rosto e pingar ao chão, lágrimas não de tristeza ou de alegria, mas lágrimas de ódio de puro ódio... Um ódio que nasceu desde a minha infância, um ódio criado pelas surras, maltrato e pelo desprezo, nutrido pelo vazio, solidão e abandono, e forjado pela raiva... Oque mais eu poderia dizer? Aquilo era oque me controlava, estava estampada na minha face junto a um sorriso psicótico, ela estava no seu auge...

Continuei socando aquele chão, enquanto urrava de ódio, era isso ou sair para matar aqueles seres... Perdi noção do tempo e com toda certeza se alguém batesse naquela porta reclamando do barulho... Eu mataria... Sem pestanejar...

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Já era dia, e apesar de ser de manhã, o sol ainda não se revelou completamente, até então ele era apenas raios alaranjados que saltavam das nuvens e invadiam predominando Konoha dando um tom marasmático, as nuvens estavam cinza como se estivessem de ressaca do temporal de ontem... Os ventos eram aconchegantes capazes de aquecer até minha alma...

Depois do ódio esmagador que invadiu minha mente ontem, agora eu já refletia tudo oque tinha me acontecido ontem com mais racionalidade por assim dizer, estava com uma calça ninja preta junto a uma blusa pertencente a mesma cor e sandálias ninjas negras também. Enquanto fitava o gigante pergaminho, por sinal a minha frente... Nele se encontrava tudo, tudo que me pertencia, desde as minhas roupas a armas, não muita coisa apenas tudo que eu tinha...

Já tinha passado pela “rebeldia”, que me atacou logo após o ódio, e nele negligenciei por completo as ordens da Tsunade de não tirar a ultima faixa... Sim eu tirei aquela bandagem encharcada e úmida que pinicava-me e troquei por outra nova... E devo dizer que depois da “rebeldia” veio-me à tona a racionalidade...

Foi nela que eu encontrei Três respostas diferentes, por sinal, a primeira seria ignorar tudo oque veio-me acontecendo “A opção que com certeza o antigo Naruto escolheria” e sem duvida esperar um momento em que nada me ajudaria e sem artifícios para me defender acabaria morrendo pateticamente uma hora ou outra, a segunda seria simplesmente matar... Matar, matar e matar todos os que me afligem e me atormentam “Com toda certeza seria essa que o ódio me revelaria, e apenas essa” e por último seria abandonar Konoha “A que a minha humilde inteligência me faria escolher” seria a que meu sensei escolheria. Passar um bom tempo longe de Konoha, talvez até nem voltar, me afastar colocar a cabeça no lugar e refletir... E foi essa que eu escolhi...

Depois de tomar meu banho, vestir minha roupa e juntar tudo naquele pergaminho, coloquei o Hitayate no braço esquerdo e o pergaminho nas costas, enquanto começara a sair do apartamento, sequer me dei o trabalho de pegar ou guardar a chave de “casa”, era óbvio que iriam tacar fogo não apartamento, apedrejar e tudo mais...

E é claro que antes de sair de Konoha teria que falar com a Tsunade, mas estava confiante que ela não iria me barrar, sou um Sannin tenho esse direito...

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Andava rumo ao prédio do Fogo com o mesmo vento aprazível me rodeando e farfalhando meus cabelos, enquanto os mesmos olhares, mas era notável o olhar de decepção de alguns, e esses olhares embalados a múrmuros “Eles não conseguiram”, “Ouvi dizer que ele fugiu usando um Shunshin”, davam-me a certeza de que foi tudo combinado...

Dei um suspiro de cansaço, não tinha mais paciência nem para me irritar, Fitei com um olhar vazio a minha frente, onde se encontrava a entrada do prédio guardada por dois Shinobis que me encaravam com um mau olhado...

Passei rente a eles sem esboçar nada além do meu olhar vazio... Passei por entre inúmeras portas, e corredores, subi escadas e finalmente estava eu lá no ultimo andar e de frente a porta da Godaime... Observei tudo a minha volta era um corredor espaçoso e sem fim, e no meio dele a porta, tudo a uma cor esverdeada e avermelhada... Dei uma ultima olhada em tudo a minha volta enquanto dera três batidas naquela porta de madeira rústica...

“Entre” a ouvi dizer desanimada... Sem delongas abri a porta encarando a Tsunade sentada logo atrás a sua mesa, Shizune segurando seu porquinho ao seu lado esquerdo, atrás delas uma grande janela na qual se dava para ver amplamente Konoha... A sala era bem grande, e por ela tinha cadeiras e um sofá...

“Naruto-Kun” a ouvi dizer Shizune claramente surpresa, ela estava como sempre com sua roupa negra, suas várias curvas que formavam seu belo corpo e seus cabelos negros que batiam as sua nuca, ela era bela...

As duas me fitavam com um olhar de surpresa, ainda mais por verem o pergaminho as minhas costas...

“Não pensei que você viria tão cedo.” Falou a Loira apoiando suas mãos na mesa e me fitando fixamente.

“Na verdade vim por outro motivo. Quero sair de Konoha” Fui direto ao ponto e indaguei as surpreendendo por completo...

“Como assim?” Disse Tsunade quase como no automático com um olhar confuso.

“Como Você disse, não sou mais criança, estou farto dessa vila que me despreza, fora que o sentimento é reciproco, Sou um Sannin e assim como meu Mestre tenho esse direito, quero ir embora, me afastar, viver minha vida bem longe daqui e desses habitantes... E isso ou começo a revidar, ou seja, mato esses pedaços de lixo...” Falei rispidamente observando o olhar da Tsunade que caia sobre mim, ela me olhava seriamente...

“Entendo que você esteja magoado ou com raiva, mas as coisas não funcionam assim, Naruto” A disse tentando reverter à situação.

“Raiva ou Magoa, qualquer um dos dois seria muita bondade da minha parte ter por essas pessoas... Eu tenho é ódio. Sei que as coisas não são fáceis, mas para Shinobis comuns, eu já disse, tenho esse direito e vou sair... Não vim aqui pedir permissão.” Falei perdendo minha paciência, se ela ficasse na minha frente iria sobrar para ela também, não importe os meios que eu usaria, mas iria descontar minha raiva nela também, por mais que não quisesse...

A Loira fechou os olhos e se levantou da mesa me encarando seriamente enquanto dava um suspiro de cansaço, enquanto Shizune parecia mais uma garota assustada com a possível reação de sua Mestra...

“Você assim como seu Mestre tem sim o direito de sair de Konoha, seja para viajar ou treinar, Mas não é assim de querer sumir, ou viver longe de sua vila... Você pode sair em missão de treino ou para conhecer outras nações, mas tudo com um tempo estipulado... Não posso te prender aqui, mas posso saber por que isso logo agora?” Perguntou calmamente cortando toda a tensão no ar. Ela parecia até outra pessoa desde que acordei do desmaio...

“Já não me sinto bem aqui, os habitantes me desprezam e repudiam-me e o sentimento é recíproco como já disse, quero ir embora basicamente por isso, Se esse é o caso eu vou fazer os dois, treinar e viajar...” Disse calmamente a fitando com meu mais novo olhar vazio e desprovido de emoção...

“Mas e o seu ferimento? Ele é grave!” Indagou aflita.

“Não sou mais uma criança, sei me cuidar” Revidei fechando meus olhos e cruzando meus braços.

“Tudo bem, você não é mais uma criança... O tempo máximo é de quatro anos, quando esse tempo se expirar trate de voltar ou será considerado um Nukenin.” Disse respirando pesado e se sentando a mesa novamente enquanto arqueava as sobrancelhas...

“Antes deu partir, diga-me oque queria me contar” Falei calmamente enquanto mentalmente contava os segundos para sair de Konoha...

Percebi de imediato sua mudança facial... Agora ela estava com uma face tristonha enquanto encarava o chão e suspirava desanimada...

“Não sei como te falar isso então pegue esta carta e a leia depois, foi o único jeito que consegui para lhe contar” Disse me surpreendendo enquanto pegara uma carta debaixo de sua mesa e me entregava. Oque poderia ser tão difícil de me contar que fez a Tsunade escrever uma carta para isso? Não sei, mas para falar a verdade a essa altura pronto para sair de Konoha, estava pouco me fudendo para isso, afinal oque poderia ser tão ruim que piorasse ainda mais minha vida? Sem demora peguei a carta e a guardei no bolso da calça...

“Adeus Tsunade-Sama e Shizune-San” Disse me virando...

“Adeus Naruto-Kun” falou a Morena tristonha...

“Até quatro anos Baka, se cuide e vê se não faz nenhuma besteira...” Disse a loira desanimada com a voz um tanto embargada, podia jurar que lágrimas passeavam pela sua face...

E essas foram as ultimas palavras que se pronunciaram naquele local antes deu sumir em uma nuvem de fumaças...

Apareci em frente ao portão de Konoha e sem pestanejar, sem hesitar, sem nem olhar para trás não dei nem tempo direito para meus pés tocarem o chão, sem rumo, sem lugar para onde pudera ir, sem expectativas, sem nada... Sai correndo adentrando na floresta que me aguardava e a minha visão tudo não passava de borrões... Foi parecido a uma criança que acabara de ganhar um presente e sem tempo nem de respirar direito voa em cima dele... Sai daquela vila miserável... Até senti umas pequenas pontadas de alegria bem no fundo, mas fora no fundo mesmo...

CONTINUA...

FLASHBACK DESLIGADO:

A Noite já caia impiedosamente sobre os céus, era uma noite cálida e silenciosa sem aqueles trovões e raios ensurdecedores, os únicos sons audíveis eram os das cigarras que cantarolavam pelas sombras da noite, os ventos eram sutis e afáveis, a Lua caia forte e brilhantemente sobre a floresta...

Encontrava-me com a toalha entrelaçada a minha cintura enquanto caminhava ao meu quarto sentindo a água escorrer pelo meu corpo...

Aquelas lembranças tristes voaram sem dó nem piedade sobre mim, mas felizmente cessaram antes que chegasse ao apogeu no qual eu fugi completamente da sanidade, embora de qualquer maneira uma hora ou outra ela viria à tona...

Todo molhado com apenas a toalha na cintura e o cordão no pescoço, posicionei-me exatamente no centro do meu quarto enquanto me secava...

Depois de passar a toalha lenta e grosseiramente pelo meu corpo assim me secando, joguei a toalha a um canto qualquer... Olhei para o chão e vi que deveras estava no cento do quarto, sem delongas acertei um pisão de modo que levantasse o fundo falso à altura da minha cabeça, e sem sutileza nenhuma acertei um soco naquela porra a jogando longe, Pensar em voltar a Konoha tirava completamente a minha calma e paciência...

Olhei para o fundo falso do lado do meu pé direito e vi uma cueca Box, uma calça ninja preta, e uma blusa negra com manga longa, lado as minhas roupas tinha um pequeno pergaminho e um rolo de faixas...

Sem presa sentei-me no chão e peguei as faixas as passando por entre meus calcanhares, braços, mãos e dedos... Gostava de usá-las, pois dava um ar de... Fodão... Não pude deixar de rir comigo mesmo...

Depois de passar as faixas, me vesti completamente. Guardei o rolo de bandagens no bolso da minha calça ninja e peguei o pequeno pergaminho o erguendo a minha frente...

Joguei-o para o alto e no mesmo instante sussurrei “KAI” em seguida uma pequena explosão de fumaças pairou sobre o ar enquanto caia minha Katana em sua Bainha, minha capa de Sannin e um par de sandálias ninjas negras...

Sem demora segurei minha Katana para que não caísse e a pousei gentilmente no chão enquanto calcava as sandálias negras...

Fitei minha Capa, ela era grande e praticamente idêntica ao que meu pai usava... As únicas diferenças eram as kanjis, na sua parte traseira estava escrita 三人(Sannin)”... E em ambas as mangas シュレッダー (Retalhador)”... Por entre suas bordas chamas vermelhas... Fiquei um bom tempo admirando a capa até que resolvi a vestir...

Prendi suas presilhas que por sinal eram verdes, e me levantei com a Katana e sua Bainha na mão direita...

Prendi-a na minha cintura do lado esquerdo e puxei a Katana pelo seu cabo... Ela era linda sua lâmina era polida, cortante, fina e muito eficaz, ela em si pesava cinquenta quilos, quando a peguei pela primeira vez não conseguia nem a desgrudar do chão... Seu cabo era revestido por couro, um couro raro que só era fabricado pelos artesões de Uzugakure No Sato, que já foram extintos... Tinha a escrita “Uzumaki” bordada em seu cabo... Em suma ela era a lendária Katana do clã Uzumaki, passada de geração em geração, o ultimo a usa-la foi meu avô... A Lâmina foi concedida ao clã pelo próprio Shinigami-Sama... Além de ser linda e poderosa ainda contém uma grande filosofia por trás... Encontrei depois de ganhar meu fascínio por Katanas na perdida Uzugakure No Sato, na qual não é mais perdida, embora eu mantenha em sigilo absoluto sua localização... Afinal um dia ainda voltarei lá, e não quero Shinobis gananciosos e intrometidos por lá... Sua Bainha também fora criada pelo couro de Uzugakure...

Sem mais demoras coloquei a “Perdição” em sua Bainha e tratei de caminhar lentamente em direção à saída... Tinha passado tanto tempo nessa casa aproveitando o sossego de morar sozinho, afastado de tudo e a todos... Que tinha até me apegado ao casebre...

Andei-me em direção à porta da saída, passando pela sala e antes observando a cozinha e o banheiro... Encarei a porta e toquei sua maçaneta, sem mais delongas a abri enquanto saíra de casa... Visualizei a mais pura mansidão da noite, o chão a um tom marrom e ainda úmido pelas pancadas de chuva fora a floresta fantasmagórica que me aguardava. Era como uma trilha a minha frente, sem desvios e diferentes caminhos a se traçar, apenas uma reta a minha frente...

Caminhei dando uns passos à frente e parei... Enverguei minha coluna para frente e levantei meus braços assim me espreguiçando enquanto bocejava...

Tinha passado tanto tempo, me acostumado e me habituado à vidinha pacata... Dei um suspiro de cansaço e olhei para trás Como uma mãe que tem seu coração partido ao deixar seu filhote na creche...

“Konoha... Puta merda” Essas foram às únicas palavras proferidas por mim antes de começar a traçar o meu destino sem olhar mais para trás...

Continua...



Notas finais
Hummm. Eae oque acharam? Boa? Ruim? Interessante? Péssima? Horrível? Maravilhosa? kkk comentem,creio que se todos que leram comentarem eu ultrapasso fácil 30 reviews por capítulo, e não venha com essa de que um a mais ou um a menos não faz diferença porque faz sim! já pensou se todos pensassem assim? nenhuma fic teria reviews e mesmo se essa ultrapassar os 30 comentem mesmo assim, pois isso me animará muito ^^, bem se esta boa ou ruim comentem... postarei o proximo capítulo assim que puder... e Recomendem se vocês realmente gostaram xD, agradeço recomendações desde já XD, e n venha que só esta com um cap, pois ele é bem grande viu ¬¬...
Oq acham que está no bilhete?xP

Comentem" nem qeu seja um "+" ou "-" Pois isso anima a continuar!!!

Bom, para meus leitores que acompanham minhas outras fics... Ficam sussa vou atualizar elas assim que puder... E que eu estive ocupado com essa xD