Orenji Nandoku-ka
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2 – †O Apogeu Do Declínio† Parte I
“Uma única coisa é necessária; a solidão. Uma grande solidão interior. Ir dentro de si mesmo e não encontrar nada nem ninguém durante horas e mais horas, e é nisso que é preciso chegar. Porque no fundo a solidão é; envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, que tarda, mas acaba por uma hora chegar, só ai evoluímos verdadeiramente.”
Trovões rasgavam a noite auspiciosa com suas garras de luz enquanto furiosos despejavam seus rugidos roucos e firmes. Nuvens cinza e turbulentas se escondiam pelas frestas da noite ao anunciar a tempestade que estaria por vir enquanto propagavam assim um vento frio e ao mesmo tempo aconchegante, sutil e terno que com delicadeza tocava minha tez, cuja qual se encontrava no auge de seu frescor.
Um cheiro de terra molhada parecia se impregnar ao local. Uma noite densa e encoberta por um tecido fino e negro de escuridão quase absoluta, fora os relampejos que teimavam em cair ameaçando até mesmo minha integridade física estava difícil de enxergar a estrada barrenta aos meus pés.
Olhando para trás nada além de um abismo, olhando para frente à mesma coisa, as únicas cores que eram possíveis ser distinguidas além do negro era o tom amarronzado do chão e dos troncos, o laranja claro das folhas que existiam em abundância aos meus lados quase que me rodeando, e o branco da lua que pairava sobre os céus...
Um passo após o outro. Caminhando vagarosamente por entre essa estrada linear por horas com as mãos enterradas no bolso da calça, sentindo o sereno da noite enquanto ouvia o cantarolar defasado das cigarras junto ao zunido das folhas de árvores ao se chocalharem uma as outras, gerado por leves correntezas de ar que farfalhavam levemente minha capa, minha bainha e posteriormente meus cabelos, que por sinal ofuscavam ainda mais minha visão.
Bem, graças aos céus pela estrada ser retilínea, senão certamente teria dificuldades de atravessa-la a essa hora da madrugada e a esse profundo breu. Poderia acelerar meu passo, pulando pelas estribeiras dos troncos brutos e já gastos das árvores como ninjas normalmente fazem, afinal tinha uma vastidão de árvores em ambos os meus lados que acabavam deixando a estrada bem estreita e por vez linear, mas o titulo de Ninja não me enchia o peito de empáfia, contudo, eu queria aproveitar minha jornada ao extremo assim fazendo-a tardar ao máximo.
A ideia de voltar a Konoha, deveras ainda não entrou muito bem na minha cabeça, estava estressado só de imaginar colocar meus pés naquele território, isto é, retardando meus passos só tenho a ganhar...
Desenterrei minha mão direita do bolso da calça, e abruptamente a passei pelo meu rosto, em uma tentativa de me manter lúcido e acordado.
Sono... Não precisava de espelho para saber que olheiras deveriam habitar em minha face. Se dormisse o tempo passaria desenfreadamente, e isso não é minha intenção, entretanto, não estou de birra nem nada do tipo. Raciocinar uma estratégia para persuadir a grande causadora de minha dor de cabeça é de suma importância, até porque se ela me deixasse, com certeza poderia ficar mais anos e anos longe dessa vila, talvez até, nunca mais voltar...
Sonhar não custa nada...
Mas na pior das hipóteses, caso minha persuasão falhe e tudo dê errado... Mais uma vez... Compraria um lugar que pudesse passar o resto da minha vida pacata e miserável bem afastado e sozinho, de preferência na floresta da Morte, embora eu não ache que tenha uma casa por lá.
Suspirei com desanimo, prostrando uma expressão tediosa e cansada no rosto, com as pontas da boca inclinadas para baixo, um olhar meia lua, uma posição corcunda, andando a passos largos, era assim que gostava de caminhar, ela me dava um ar tão desleixado que fazia meus inimigos até me subestimarem, não vou dizer que ser subestimado é ruim, pois me encanto ao ver suas expressões surpresas, atônitas, aterrorizadas, claramente amedrontadas e frustradas. Era engraçado, mas não tão bom quanto perder um entardecer frio e turbulento enchendo a cara de café, chá ou sakê, sem fazer porra nenhuma.
Só de pensar que provavelmente poderei perder minha vagabundice... Por mais que o regime de Konoha tenha mudado ela é uma daquelas típicas vilas que aperta o botão do foda-se e explora seus ninjas até não sobrarem mais nada, com certeza mal vou chegar e já vou ser resignado para uma missão...
...
Bufei derrotado. Nunca tentei forjar minha própria morte, mas são em ocasiões como essa que fazem valer a pena o ditado – Pra tudo tem uma primeira vez – Retirei esses pensamentos infelizes da mente e involuntariamente prendi minha respiração, fechei os olhos e balancei minha cabeça com vigor de um lado ao outro chocalhando grosseiramente meus cabelos dourados em uma tentativa de mudar minha linha de pensamentos...
Maldição, Isso que dá ter convivência com filhotes, você acaba por pegar suas manias e hábitos desgraçadamente fofos e infantis... Por mais que eu claramente quisesse repudiar esses pensamentos eles conturbavam minha mente. Como uma casa mal assombrada... Minha mente é a casa, e os pensamentos indesejáveis às assombrações. Faz até sentido.
Sem mais delongas e divagações, foquei meu olhar monótono e desanimador a minha frente... A cada passo que dava era possível ver o tecido negro da noite se esvaindo em uma fraca coloração azul mesclada com branco, dentre elas pequenos pontilhados incandescentes espalhados pelas bordas da noite, que a cada passo, pareciam criar mais e mais vida.
Ainda com as mãos atadas no bolso, uma postura desleixada, articulando meu corpo de modo que continuasse a caminhar vagamente, ouvindo o som dos meus passos sobre o chão barrento com uma breve pausa do cantarolar zombeteiro das cigarras, o cheiro de terra molhada impregnado ao local e brevemente inalado pelas minhas narinas e pulmões, ergui meu pescoço e com os orbes fincados na mansidão do luar, parei a caminhada.
Contemplei a noite estrelada que caia sobre os céus, moldada em um escuro palpável, profundo e penetrante, pincelada gentilmente por um azul marinho abismático, terno e sutil, enfeitada por pequenos pedaços de luz que foram espalhados à risca dando um ar místico a madrugada carismática. Centrando minha visão mais além. Pude perceber a límpida lua brilhante me observando escondida por trás de numerosas montanhas firmes e pontiagudas. Ela parecia me gorar de algum jeito, enquanto estudava meus passos e movimentos, dando uma sensação fantasmagórica.
Ela de alguma forma deveria saber que voltarei a Konoha... Absorto nesses pensamentos. Não pude evitar um sorriso de canto de boca, embargado a escárnio é claro.
Logo, Dispus-me a bocejar, enquanto deixava meu pescoço e minha coluna ereta e preguiçosamente as envergava para trás estalando instantaneamente alguns ossos.
Aproveitei a luz da lua e virei minha cabeça para ambos os lados assim varrendo meus olhos pela área, exatamente igual, como antes. Duas árvores vítimas do outono aos meus lados, troncos amarronzados, galhos secos e franzinos, folhas alaranjadas e sem vida, olhei para baixo e pude me certificar, estava no cume de um penhasco, nem tão longo e nem tão curto, embora só pudesse enxergar um abismo sem fim prometendo nada além da morte para o descuidado que por ventura caísse.
Desafiador... Visei mais uma vez a lua que me observava pelas ameias das montanhas, e...
“Sete... Doze... Dezoito...” Murmurei ao vento, deveria demorar umas dezoito ou mais horas para se chegar lá.
Por trás daquelas montanhas existia o País da Neve, um lugar mergulhado na era glacial, onde o vento se transformava em neve, ventanias em tempestades, chuvas em granizos, granizos em nevascas, é sem dúvidas um ótimo lugar para se viver.
Bem, até lá, acho que posso ir me alimentando pelo que encontrar no caminho, sem contar que não preciso dormir apenas repousar algumas vezes para restabelecer energia e coragem para andar tudo isso... É isso vai ser cansativo.
Há um ano e meio ou há dois anos enquanto traçava regiões procurando alguma que me fosse útil e agradável, com uma terra fértil, um clima nem tão quente nem tão frio, pude perceber um pequeno vilarejo com poucas casas de madeiras gastas e velhas se erguendo por lá, hoje em dia deve estar bem maior...
“Bem... Não me importo desde que tenha pelo menos uma Taberna ou um lugar qualquer para beber...” Balbuciei entre bocejos enquanto fechava os olhos.
Resolvi me Agachar, tocando meus dedos ao chão frio e úmido tombei meu corpo para a esquerda inclinando meu joelho esquerdo e posteriormente estiquei minha perna direita ao máximo enquanto colocava o peso da minha mão canhota no joelho esquerdo, logo me alongando, por seguida inclinei meu joelho direito recostando minha mão destra no mesmo e tombei meu corpo para a destra repetindo o mesmo processo com a perna esquerda...
Depois de repetir esse processo numerosas vezes pressionei meus pés contra o chão e sem mais delongas, impulsionei meus pés, pernas e joelhos contra a terra, saltando da longitude do penhasco e mergulhando em um abismo aparentemente sem fim.
Toquei grosseiramente meus pés pelas encostas do penhasco deslizando com avidez e ferocidade, levantando poeira e causando um grunhido irritante...
“Nada melhor que um pouco de adrenalina e estardalhaço para me manter lúcido até chegar ao País da Neve” Comentara com uma expressão tediosa e sonolenta estampada no rosto.
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O vento glacial em junção a nevasca frenética obrigavam-me a estreitar os olhos. A neve era terrivelmente cálida e onde encostava me presenteava com uma marca esbranquiçada seguido de um entumecer nada gentil, um céu branco com diversas nuvens mais alvas que a própria neve bloqueando por completo os raios de sol.
A minha frente e aos meus lados nada além de uma forte coloração branca, resultado do grande vendaval que me assolava, por baixo dos meus pés metros e mais metros de dunas de neve desgraçadamente fofos e macios que por consequência atravancavam meus passos.
Com as presilhas da capa fechadas, ouvindo o zunido irritante do vento que parecia sussurrar ao meu ouvido, caminhava com ardor, forçando meus movimentos enquanto o vento firme, longínquo e duradouro farfalhava ferozmente meus cabelos e minha capa, que por seguida protegiam meu rosto e corpo da neve.
Frio e neve, não precisava pensar muito ou nem sequer pensar e pronto... Finalmente no País Da Neve, agora só falta encontrar o vilarejo e afogar-me em bebidas, sakê é claro, embora nesse frio um café ou chá fosse uma ótima opção... Então centrei minha visão mais a frente e dessa vez sem a desfocar nem por um segundo continuei a traçar meu caminho...
Depois de caminhar por horas e mais horas, atravessar uma tempestade de neve sem fim com um frio que congelava até meus ossos junto à neve que retardava meus passos e forçava-me a fazer um tremendo esforço físico... Cheguei.
Ou quase isso...
Encontrava-me parado de frente a uma enorme rocha de aparentemente seis metros coberta por um tecido alvo que em certos lugares deixavam transpor a cinza da rocha.
Bem, do cume dela provavelmente verei algo que não seja só neve e mais neve.
Com esses pensamentos em mente pressionei meus pés contra o chão, fixei meus olhos na rocha, movimentei meu fluxo de chakra, e logo desapareci e reapareci acima do pico rochoso como um borrão negro...
“Finalmente.” Suspirei cansado, e posteriormente franzindo o cenho, não me lembro de um vilarejo tão grande e rico que agora poderia ser chamado até de vila.
Contemplei com a visão embaçada pela nevasca, uma muralha de pedras colossais acinzentadas, da mesma altura da rocha, que rondavam uma cadeia de diversificadas casas feudais de madeira alinhadas vertical e horizontalmente em um conjunto de ruas, becos e vielas e entre elas se destacavam alguns edifícios na quais pareciam ser pontos de comércio, pousadas, barracas, bares, hospitais, tabernas... E no centro um enorme prédio.
Meu olhar parou na primeira Taberna que avistou... Mas se é apenas um vilarejo, por que tem muralhas tão grandes e firmes? É de livre acesso ou não? Ergui meu braço direito e com a mão destra cobri meus olhos em uma tentativa frustrada de enxergar melhor.
Essa dúvida estava me alfinetando, como poderia andar tudo isso à procura de algo e no final dá de cara com a porta? Ou melhor, Portão? É claro que eu poderia passar por essa muralha facilmente e nem ser percebido, mas isso daria trabalho, muito trabalho, ainda mais se aqui residir Shinobis...
E bem, logo me repudiei em pensamentos por não ter percebido um enorme portão escancarado bem a minha destra me encarando de longe quase como um adversário desprovido de emoção.
Contestei com a visão fincada no portão quase a minha frente, duas enormes portas de madeira bruta aparentemente de carvalho, com as pontas inclinadas em direções opostas, acima delas apenas as ameias pontiagudas da muralha acinzentada, por baixo um assoalho folgado de madeira rústica retalhada fielmente em blocos, parecendo até mesmo um piso das antigas casas feudais, entretanto emaranhado pela neve, e além do portão e do piso, pude comtemplar apenas a névoa cinzenta e nada mais...
Logo agora uma dúvida me incomodava, Café ou Sakê? Quero encher a cara, beber algo amargo e quente que queime minha garganta, mas nisso o café e o sakê são tão parecidos, embora o café não queime minha garganta e nem me deixe bêbado... Ah sim, tem o Chá também...
“Humm” balbuciei pensativo. Levantei minha cabeça e cerrei meus orbes azuis nas nuvens... É melhor decidir isso quando chegar lá... Mas por que não os três? Primeiro o café, depois o chá e por ultimo o sakê, ou, o sakê depois o chá e por seguida o café? Tenho tantas opções e combinações...
“Argh” Rosnei impassivelmente chocalhando minha cabeça a todos os lados, por que estou pensando nisso parado aqui? Nessa tempestade congelante? Enquanto meus ossos reclamam e meu corpo treme?
Enverguei minha coluna mais uma vez, estalando alguns ossos, em seguida sem delicadeza nenhuma fixei meus pés à rocha e pulei.
Encostei minhas costas à rocha e deslizei pela neve fria e inquieta que encobria a própria, parei meus pés no chão e com destreza estabilizei meu corpo.
“Chega de enrolar” Com um ar tedioso e postura desleixada murmurei a um tom inaudível.
Virando minha cabeça e meus olhos para a entrada da vila, recostei minhas mãos no bolso da calça, e com satisfação suspirei. Agora só me resta esticar um pouco mais as pernas até chegar lá...
“Humm...” Bocejei fechando brevemente os olhos lacrimejados seguido de uma careta. Agora parando para refletir, trilhei esse caminho apenas para beber sakê sem nem mesmo ter noção de como vou sair daqui e, aliás, nem poderia é como se eu estivesse em um deserto, depois de envolto pela areia infinita você perde completamente seu senso de direção, e a mesma lógica podia- se aplicar ao País Da Neve.
“... Como se eu fosse me importar, quanto mais tempo demorar melhor.” Resmunguei com um singelo sorriso, pelo menos agora, teria uma desculpa caso eu demorasse mais um ou dois meses é claro, afinal depois de sondado por uma terrível nevasca é normal que uma pessoa se perca e confunda o caminho não é mesmo? Sorri cinicamente só de pensar nas diversas desculpas que podia dar...
Fantasiava diversas coisas para fazer enquanto estivesse “perdido”, mas logo fui despertado do mundo onírico ao ouvir o som do piso de madeira se encontrando com meus pés. Olhei atenciosamente a minha frente e dessa vez pude enxergar com clareza, uma rua larga e extensa, no final uma ligação com duas outras ruas convergentes que se abriam pelas laterais um pouco mais atrás um gigantesco prédio que podia ser contornado pelos lados para dar ligação com outra rua que se encontrava na sua retaguarda, algumas casas luxuosas constituídas de madeiras refinadas e grossas, azulejos polidos e decorativos, janelas com vidros fumês reforçados e outras casas nem tão luxuosas feitas de madeiras velhas e rudes já consumidas pelo tempo, azulejos grossos e maltratados, e sequer possuíam janelas. A única coisa em comum que meus olhos puderam constatar fora a arquitetura feudal.
No fim, até em vilas grandes e ricas a desigualdade podia ser encarada, não precisava nem ter olhos de águia ou coisa do tipo para se notar isso...
Não tinha muito oque observar, Já tinha visto tudo na vila uma vez em que me encontrava em cima da rocha... Onde será mesmo que vi aquela Taberna?... Indignação.
– Depois de andar por tudo isso não resmungarei por ter que procurar o Bar ou Taberna ainda que desgraçadamente perca mais tempo e energia — Esses eram os pensamentos calmos e pacíficos que eu tentava adotar, mas tudo oque conseguia era. – Pu*a me*da se fu*er -
“Tsc” Trinquei a mandíbula, bufei e com uma feição de desagrado, fechei os olhos e adentrei na vila dando os meus primeiros passos.
“E-ei forasteiro identifique-se!” Disse uma voz fina, trêmula e claramente embargada a temor, mesmo que tentasse cativar um ar de autoridade.
Surpreendendo-me por completo, não pensei que tivesse alguém ali, afinal eu não tinha visto...
Para ter sido praticamente impercebível não é possível que ela seja uma Kunoichi, não, não é, é apenas uma civil. Ou a minha desatenção é tão grande a ponto de passar do lado de uma Kunoichi e nem perceber?... Seja lá oque for isso está ferindo o meu “pequeno” ego, todavia a resposta mais provável era a que eu estava tão entretido em meus pensamentos nada convencionais ou na estética da vila que deixei de lado tudo ao meu redor, ou quase tudo. Mas isso não é hora para divagar.
Congelei meus passos, abri meus olhos e por cima dos ombros olhei de relance a pessoa que me sondava.
E para outra surpresa, constatei com os olhos uma Bancada de puro metal da altura do meu umbigo, a minha esquerda, parada ao lado do portão, medianamente larga da mesma extensão do piso retalhado. Acima dele alguns papéis bagunçados e desordenados tingidos de tinta preta e ao lado uma xícara azul de porcelana com meio café, praticamente congelado.
Cada vez mais e mais frustrado, como poderia deixar passar tais detalhes despercebidos?
E logo atrás da bancada, uma mulher. Logo conduzi meu olhar pela sua pele clara e pálida que era assim como a neve, estatura mediana na qual batia no meu ombro, Cabelos lisos, curtos, dourados e repicados que chegavam às extremidades de sua nuca, olhos azuis brilhantes, vivos e cheios de vigor. Um rosto jovem com traços finos, fofos e felinos. Nariz arrebitado, queixo fino e pequeno, lábios carnudos e rosados, isso tudo junto a um olhar inocente.
Ela trajava um uniforme de guarda, azul claro, manga grossa e longa, alguns bolsos na altura de seus seios, uma saia um tanto provocadora que não passava de suas coxas. Tudo isso colado ao seu corpo oque só ressaltava seus seios fartos, suas curvas bem delineadas e perigosas, bunda empinada e volumosa. Sem contar as suas coxas e ah, por sinal que coxas heim? Coxas grossas, firmes, sedutoras e podia apostar que também eram macias...
Depois de um deslumbre da minha percebi que estava a colocando em uma posição um tanto quanto constrangedora, voltei meu olhar de volta a minha reta e antes de completar meus passos ela se pronunciou.
“Ei” Pigarreou alto com sua voz fina ao ser ignorada.
“Não tenho o interesse em me identificar” Despejei despreocupado fechando os olhos lentamente.
Oque deu em mim para ficar a secando aqui igual um alienado pervertido? Isso não combina comigo embora eu seja discípulo de quem sou.
“Se você não se...” Ela Tentou uma voz severa e grave, entretanto tudo oque conseguiu fora um ruído tímido e dócil, só pela sua aparência ela não fazia muito o tipo de; guarda durona, se ainda fosse contar com sua voz...
“Não é como se você fosse pudesse me prender só por entrar em uma vila civil sem me identificar não é? Se fosse uma vila Shinobi eu até poderia reconsiderar, mas aqui, não há necessidade... De qualquer maneira, desculpe minha rudez, mas estou com pressa...” Com uma voz serena a interrompi sem amenos me dignar a abrir os olhos.
“Ei... Nã-não é só porque aqui é uma vila civil e pacífica que vai virar bagunça!” Depois dessas palavras finas, tão finas e fofas, que o fato de ser uma “bronca” poderia até mesmo ser invalidado ou contestado, ouvi um pequeno estrondo de algo se chocando ao metal furiosamente, e dessa vez não pude deixar de abrir os olhos e olhar para trás...
Não... Isso definitivamente não combinava com ela.
Confesso que eu cogitava até mesmo a possibilidade de pega-la nos braços e leva-la para casa, ou melhor, para onde eu fosse. Certamente não podia chamar konoha de lar e já sentia meu estômago embrulhar...
Com os olhos ainda entreabertos pela surpresa, visualizei-a. Ela estava com o corpo inclinado para frente, braços esticados, mãos abertas e recostadas à bancada de metal enquanto estufava o peito com as bochechas rosadas ainda inchadas, como se prendesse a respiração para parecer brava, tentou um olhar severo tentando transpor descontentamento, e isso tudo só a deixou mais inofensiva aos meus olhos...
“Desculpe, não foi minha intenção insinuar isso” Disse forçando um tom de arrependimento e um olhar mais dócil, mas é claro, debochadamente. Oque a fez desviar o olhar instintivamente, por qual razão?... Não sei.
Percebi um filete de baba escorrendo pelo canto de sua boca, olhei para baixo e pronto, visualizei alguns papeis visivelmente úmidos e outros já molhados, ah sim, agora entendi o porquê de seu iminente susto, ela estava dormindo e foi despertada pelo barulho dos meus passos, certo? É provável.
Com o pé direito ainda erguido dei a meia volta e a encarei “Você é uma guarda certo? Poderia me dizer onde encontro um lugar para beber?” Disse pausadamente com uma voz mórbida sem desviar meu olhar dela.
“Humph, para isso eu sirvo né?” Com o olhar longe, murmurou emburrada cruzando os braços, oque só sobressaltava seus seios fartos.
Bem, não só para isso como para muitas outras coisas, caso você esteja interessada... Confesso que essas palavras ambíguas ficaram na ponta da minha língua, mas me controlei.
“Acho que terei que procurar sozinho” Suspirara entediado voltando o olhar para o meu trajeto.
“... No final da rua vire à direita, é o primeiro ponto de comércio” Escutei ela falar baixinho, mas não me dei ao trabalho de encará-la de novo.
“Obrigado... E a propósito, desculpe acordá-la com os meus passos escandalosos, certificar-me-ei de não cometer o mesmo erro duas vezes.” Com a minha voz rouca a agradeci e posteriormente comecei a caminhar, um passo após o outro. Desde que sai do meu conforto tudo oque tenho feito se resume a isso.
“Eu não estava...” Me distanciando calmamente a ouvi dizer, novamente com sua voz dócil e dessa vez envergonhada. Não consegui evitar uma breve risada após ouvir isso.
“Claro, claro, uma guarda nunca dorme em serviço não é mesmo?” Debochei pela última vez, e comecei a me distanciar com passos largos, queria logo beber...
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Exatamente como ela disse, após caminhar pelas dunas de neve, receber olhares tortos e de canto das raras pessoas que transitavam pela vila — nada qual eu já não esteja acostumado -, passar por incontáveis casas e alguns centros comerciais. Acabara de chegar ao que parecia o centro da vila, virando à direita e arrastando um pouco mais as pernas cá me encontro.
Rente a um estabelecimento gigante cercado pelas diversas casas de madeira que já tive a oportunidade de observar, com um telhado triangular composto por tijolos já corrompidos pela nevasca que no alto do céu se destacavam. Aparentemente dois andares e com a largura de umas seis dessas casas luxuosas.
O local em essência apresentava uma tonalidade amarronzada, também obtendo bem no centro um ilustre portão convidativo de madeira grossa, com um brasão de dois cavalos eretos em direções opostas, retalhados um a cada canto, como se estivessem se enfrentando, fora o contorno do portão que era feito de uma madeira mais clara e pura. Normalmente eu pensaria que precisaria de força e ardor para se abrir a própria, mas pelo fato de ter uma rachadura negra perfeita bem no meio já era denunciado que só bastaria a empurrar e ela abriria abruptamente.
Do lado do portão duas enormes janelas já assoladas pela neve e pouco abaixo do telhado os seguintes dizeres em marfim com uma caligrafia excepcional; — Taverna -. Que no caso é sinônimo de Taberna.
Tavernas são conhecidas por ser um ponto de negociação não só entre o cliente e o vendedor como entre clientes e clientes, geralmente frequentados por qualquer tipo de pessoa, interessado ou vendendo qualquer tipo de coisa, não só bebida e comida. Para simplificar, um lugar onde mocinhos e vilões bebem juntos, talvez até, de mãos dadas. Entretanto nunca tinha visto uma tão luxuosa quanto essa.
É claro, são bem melhores que bares, pois no caso é o típico lugar onde se encontra de tudo, podendo se esperar no mínimo bebidas de boa qualidade.
Enfim parei com as divagações momentâneas e antes de me aproximar fechei completamente a capa e pus-me em uma postura normal e ereta. Se soubessem que sou um ninja ou qualquer coisa do tipo sem dúvidas seria incomodado por algum infortuno.
Então me aproximei do portão, estiquei minhas mãos e em um rápido movimento de bifurcação empurrei porta à frente, provocando um rugido agudo irritante que de imediato me fez ser o centro das atenções.
Tudo oque antes para mim se resumia a marrom, azul e branco, agora tiveram uma brusca mudança. A minha frente um enorme salão com assoalho de madeira vernizado cor marfim que resplandecia toda a luminosidade do enorme lustre de cristal a minha cabeça, teto e paredes com colorações claras. A minha reta um enorme balcão negro que chegava a ocupar quase toda a largura do salão dando vagas apenas para duas portas amarronzadas que eu poderia jurar que eram banheiros — tinha placas – na frente do balcão várias cadeiras de três pés pouco mais baixas que o balcão, acima do mesmo apenas os braços do aparente dono do estabelecimento debruçado que tinha em seu rosto um olhar desinteressado em tudo a sua volta. Preciso fazer a observação de que atrás do garçom existiam prateleiras e prateleiras de bebidas?
Pelo salão diversas mesas e cadeiras espalhadas, nas quais eu poderia jurar que tinham mais de cem ali todas da mesma natureza do balcão, e oque eu tinha comentado antes? A diferença era notável de algumas pessoas para outras, cavalheiros e vagabundos, mas apesar disso eu podia ramificar a sala em duas facilmente, a minha direita, o canto iluminado da sala, se sentavam os ricos e a esquerda, o canto escuro da sala, os pobres, é claro isso não passa de uma dedução julgando pelas roupas dos mesmos, nada concreto.
Em suma a Taverna estava completamente cheia, nenhuma cadeira vazia, apenas os bancos tripés a frente do balcão. Homens e mulheres, alguns com casacos grossos e avantajados enquanto mantinham em sua mão bengalas de carvalho maciço e em seu colo mulheres formosas, outros com trapos e a esperança de ganhar pelo menos algumas moedas.
Logo a falação foi cessada e todos os olhares foram direcionados a mim, alguns indiferentes, outros com cara feia e alguns que pareciam me observar atentamente, tinha é claro os olhares cobiçosos, mas isso não vem ao caso.
Deve ser esse o fardo de um forasteiro. Ignorei.
Sem perder mais tempo começara a caminhar lentamente, enquanto a porta se fechava formei um olhar calmo e tedioso que pareceu provocar alguns, o zunido dos meus passos sobre o chão irritavam outros, e nesse trajeto um pequeno sorriso provocador se formou em meus lábios. Enterrei as mãos no bolso e enquanto caminhava olhei para o proprietário a minha frente.
Certos olhares pararam outros não, a conversa no local se iniciou novamente e logo tudo foi voltando ao seu normal.
O Homem a minha frente logo tirou sua expressão desinteressada dando lugar a uma amistosa, retirou os braços do balcão e fez-se em uma postura polida e elegante colocando o braço esquerdo nas costas e a mão direita fechada acima do peito.
Aproximei-me da cadeira do centro sondei-a pela lateral e com discrição me sentei, ficando a um metro e meio de distância do que parecia ser o proprietário.
Depois de um breve silêncio ele se pronunciou;
“Bem vindo Senhor. No que este humilde veterano do mercado negro pode-lhe ser útil?” Depois de se curvar brevemente uma voz grave e polida saltou de sua garganta. Parando para descrevê-lo, ele tinha seus curtos e lisos cabelos grisalhos alinhados de lado, olhos azuis, nariz fino, rugas na boca, traços rudes e já consumidas pelo tempo e queixo largo. Aparentava ter meia idade, trajava roupas pretas e elegantes e por mais que tentasse esconder era corcunda.
“Você em nada, mas talvez suas bebidas sejam...” Depois de minhas sinceras palavras roucas e mórbidas ele se permitiu sorrir.
“Claro, e oque deseja?” Com um sorriso gentil ele indagou calmamente.
“Pensando...” Respondi suspirando enquanto com o vento produzido levantei meus cabelos louros iminentemente, me permiti recostar minhas mãos nas laterais da cadeira, assim inclinando meu corpo para trás enquanto fitara o teto.
Ele parou e pareceu pensar sobre algo em quanto o tempo passava. Os segundos seguintes se passaram e um silêncio confortante entre nós se estabeleceu, estava começando a pensar que aquele lugar me transmitia paz, até o momento em que ele se pronunciou.
“Enquanto o senhor pensa. Permita-me lhe fazer uma proposta?” Disse lentamente, se debruçando novamente na mesa com o mesmo sorriso amigável no rosto, enquanto tampava a boca com uma das mãos, por sinal usava luvas brancas como osso.
“Humm?” Sem desviar meus olhos do teto murmurei pouco me importando.
“Não olhe agora, mas no final a sua direita tem um sujeito de cabelos brancos e um grande chapéu de palha, dado como Nukenin, ele é acusado de abandonar sua vila após matar ninjas aliados em uma missão e logo após sumir do mapa como se sua existência fosse apagada, nenhum outro ninja jamais o viu, nem mesmo os melhores caçadores de Nukenin’s. O preço dele é demasiadamente alto no mercado negro e até confesso tamanho espanto vendo ele aqui do nada, nem me lembrava dele foi vendo a ultima edição do Bing Book que o reconheci, devo até mesmo confessar que seus cabelos... Exóticos o denunciaram.” Tampando a boca com a mão ele se pronunciou dessa vez sua expressão mudou para séria.
“Por que está me dizendo isso?” Pareci o surpreender enquanto desviava meus olhos para ele.
“Oras o cavalheiro é um espadachim, certo? Pude ver o volume de sua Katana por baixo de sua capa” Disse ele arqueando as sobrancelhas. Deve ter sido na hora que me sentei.
“Se ele é mesmo tudo isso que disse, acha que eu daria conta?” Confesso ter feito um esforço para pisar no meu próprio ego enquanto direcionava um olhar mórbido para ele, mas sem amenos mexer meu pescoço.
“Seus olhos, são olhos de quem já viveu tempo o suficiente para presenciar de tudo. Ainda com uma Katana na cintura, nos tempos de hoje tem que ser corajoso para sair carregando uma. Juntando esses dois creio que você ou é realmente forte, ou é um menino tolo, estupido e prepotente...” Despejou enquanto fechava os olhos sutilmente sem me encarar, fiz um tremendo esforço para não deixar transpor um sorriso debochado, enquanto o encarava com os mesmo olhos. “Mas voltando ao assunto principal, aceita ou não? É claro que se aceitar lhe darei mais informações sobre o próprio, e é mais claro ainda que ei de ter certa comissão pelas informações, certo?” Por vez ele abriu os olhos, olhos que brilharam pela oportunidade de por as mãos nem que seja em uma parte da recompensa oferecida pelo homem.
“Dizem que quando um homem fala e não olha diretamente nos seus olhos, é porque ele está te provocando ou porque é um covarde... Então? Você acredita em tudo que dizem?” Dessa vez fixei meus olhos nele enquanto um sorriso debochado pulou rosto á fora. “De qualquer jeito não estou interessado nisso, se vim aqui, foi para beber e somente isso” posicionei-me corretamente na cadeira e o encarei novamente.
Ele sorriu se encontrando em pé na mesma postura polida de antes, me observando com um rosto amigável. “Desculpe importuná-lo senhor, então. Oque deseja?”
“Já decidi deixar o chá de lado, mas mesmo assim me encontro em um paralelo entre café e sakê, então, tem alguma indicação?” Perguntei varrendo meu olhar pelas prateleiras de bebidas, pouco me importando com sua opinião seja lá qual fosse.
“Humm, café” Falou pausadamente.
“Está certo então” Falei o fitando enquanto ele se permitia formar um sorriso satisfeito no rosto. “Dai-me sakê” Pronunciei olhando para o canto, entediado.
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Rocei repetidas vezes meus dedos impassíveis pelos meus cabelos dourados desalinhando-os ainda mais enquanto os deslizava para trás deixando dois ou três fiapos dourados se sobreporem a minha testa. Meus olhos ardiam como chamas parecendo até mesmo faiscar, a maioria de meus sentidos a essa altura já pediram descanso, pelo olfato não poderia diferenciar nem café de água e eu sei que água é inodora. Pelo paladar nada passaria de um amargor sem fim. E agora de tão bêbado eu estava tentando decifrar quantos proprietários existiam a minha frente.
Prestei mais atenção, cerrei meus olhos e de nove diminuiu-se para seis. Com bastante ardor e pesar cerrei mais ainda meus olhos quase os fechando e de seis diminuiu-se para três proprietários... Se eu estivesse em outras condições poderia jurar que estava realizando um jutsu de soltar fogos de artifício pelos olhos ou algo assim.
“E-ei, me dê mais um copo!” Murmurei com uma voz mais grave do que o normal, batendo o copo de sakê com força no balcão, oque sem duvidas despertou sua atenção de outros clientes.
Examinando os dezenove copos vazios a minha frente ele endireitou seu traje e contestou com a voz firme “Senhor, já bebeu demais. É melhor parar por aqui. Quê uma xícara de café para amenizar o efeito da bebida?” Sugeriu calmamente.
Fiz um tremendo esforço para conseguir falar de modo que pudesse entender “Se eu quisesse sua opi...” Antes de completar minha fala tudo a minha frente se esvaiu em negro brevemente e sem tempo nem para pensar bati minha cabeça a bancada fechando reflexivamente meus olhos.
...
Droga podia-se dizer que hoje eu estou bem mole, só bebi dezenove copos de sakê e quase adormeci, e agora, um dos efeitos da bebida. Não tinha forças nem para abrir completamente meus olhos e muito menos erguer meu pescoço. Involuntariamente comecei a despejar palavras desconexas enquanto sentia a força se esvair de meu corpo.
“Aguarde só um pouco e o café já estará pronto senhor.” Respondeu recolhendo os copos...
Fazia tempo desde que isso não acontecia comigo... Acho que agora eu poderia ser equiparado a aqueles bêbados néscios e vagabundos, afinal eu sou um.
Depois de alguns minutos já conseguia distinguir cheiros, e o primeiro que me veio, foi o bom e velho café, seguido de um empurrãozinho da parte do proprietário.
“Senhor, aqui está! Beba e veja se se senti melhor” Falou empurrando uma xícara branca de café na minha direção, me obrigando a erguer o tronco.
“Quanto devo?” Perguntei displicentemente, observando com os olhos inchados e embaçados um borrão branco, oque devia ser a xícara.
“Não se preocupe com isso agora, o senhor provavelmente não vai conseguir se levantar pelas próximas três horas...” Respondeu pegando um copo por trás do balcão e o esfregando com um pano branco.
Com um indescritível tremor nas mãos alcancei o café, senti minha mão queimar, mas não hesitei, e sem pensar duas vezes fechei os olhos e desci garganta abaixo tudo de uma vez.
Foi tão rápido quanto uma estocada de Katana e tão quente como lava, desceu rasgando minha garganta e a partir dai percebi uma coisa, esse cara... É um tremendo filho Da...
Minha linha de raciocínio foi completamente interrompida quando involuntariamente cuspi metade da golada de café na bancada e a outra metade saiu queimando meu interior.
Ainda com café pelas bordas da minha boca, rosnei “Por acaso esqueceu-se do açúcar ou fez isso de propósito?!” Irritado com os olhos entreabertos e provavelmente com uma cara de quem acabou de tomar algo amargo, muito amargo e não gostou...
“Para o efeito ser cortado completamente o sen...” O Interrompi, sabia muito bem onde ele queria chegar, mas seu rosto tentando esconder o riso o denunciou.
“Quando devo?” Limpando a boca com a manga da capa perguntei Secamente, me apoiando no balcão forcei meus pés e minhas pernas assim me levantando, cambaleando é claro, logo minha visão voltou ao que se resumiam borrões.
E foi como se segurassem meus cabelos e impulsionassem minha cabeça para baixo me obrigando a fitar o chão. Arfando, com os olhos arregalados, antes de cair apoiei-me mais uma vez no balcão e me concentrei em como não vomitar.
“Tem certeza senhor? Não posso deixa-lo sair nessas condições” Insistiu apreensivo, começando a limpar o balcão.
“Amenos que você queira que eu saia sem pag...” Antes de poder completar minha provocação movida à raiva, foi como se o tempo tivesse parado, uma cadeira se arrastou, moedas e notas jogadas sobre o balcão, passes firmes e pesados seguidos de uma enorme explosão de chakra. Tudo isso guiou meu olhar a minha direita. Olhando serenamente por trás de alguns fios dourados do meu cabelo observei-o; alto, postura ereta, cabisbaixo, um manto completamente negro com mangas que ultrapassavam até suas unhas, sandálias ninjas pretas, pele alva, cabelos cor prata com um rabo de cavalo que seguia até sua nuca e um enorme chapéu de palha que deixava passar apenas sua língua avermelhada que passeava pelo seu rosto em um gesto sádico e doentio. Assim que passei a o observar a força de seus passos diminuíram-se drasticamente, como se tentasse chamar a minha atenção ou até mesmo cativar uma angustia de minha parte. Cada passo até a saída da Taberna durou uma eternidade, até que finalmente ele saiu.
Depois de alguns segundos respirando com força, tanto pelo porre quanto a pressão de chakra, consegui assimilar tudo.
“Oque foi isso?!” Arfou tremulo o dono do estabelecimento, suando frio, e com os olhos escancarados e as mãos sobre a madeira rústica do balcão em um gesto de se apoiar, ele parecia segurar um enfarte.
Pondo a mão direita no bolso traseiro da calça retirei todo o meu dinheiro, não que fosse muito apenas tudo oque tenho, afinal faz tempo que não trabalho oque logo me da o título de vagabundo, mas divagações à parte.
“Apenas impressão sua, ou talvez seja a idade, já não está na hora de se aposentar?” Despejei ainda zonzo e jogando com dificuldade o dinheiro sobre o balcão.
Varri meus olhos pelo salão e aos poucos voltei a ouvir os murmúrios supérfluos de antes. Tendo a certeza de que essa era uma vila civil, caso contrário, se eles pudessem sentir chakra, estariam todos em estado de choque pela grande explosão ocorrida aqui bem debaixo de seus narizes...
Respirando fundo ele logo se recompôs, ajeitando o cabelo desgrenhado pareceu ignorar minha provocação, e endireitando a coluna ele varreu com os olhos o dinheiro sobre o balcão, mas logo o pegou com uma mão enquanto com a outra o contava.
Não foi preciso muito tempo e logo ele disse oque era óbvio, pelo menos para mim. “Senhor tem dinheiro demais aqui, o triplo do necessário que seria...” Logo o interrompi.
“Mesmo?” Tentei uma cara surpresa “Que bom, então que tal me vender seu Bing Book?” Fechei meus olhos, reuni o pouco de força que tinha e me deixei sentir meus ossos queimarem e minhas pernas endurecerem, assim me levantando.
“Hmm?” Pareceu pensar internamente “Por que este súbito interesse...” Arqueando as sobrancelhas mais uma vez ele Indagou.
“Não interessa, vai me vender ou não? E eu sei que com a metade do que estou te pagando posso comprar outro com as mesmas informações, então qual vai ser?” Interrompi rispidamente oque o deixou sem jeito.
“Ahhh” Cabisbaixo suspirou cansado. “Tudo bem.” Disse se conformado, retirando de uma das gavetas do balcão um pequeno, porém grosso, livro amarronzado escrito – Bing Book edição #946 – “Esse é o exemplar atualizado.” Murmurou baixo para provavelmente não chamar atenção de seus clientes.
“Bem, vou indo... Até nunca mais.” Falei antes de pegar o Bing Book e dar meia volta a passos lentos como de costume, que logo me fizeram ser o centro das atenções novamente.
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Antes eu pensava em ficar um ou dois dias nessa vila, mas pensando bem, é melhor ir o quanto antes, afinal se envolver em lutas é cansativo e pouco recompensador, diria até que nada, embora não seja tão ruim quanto retornar para aquela vila.
Como de habitual o frio e a sensação congelante fizeram presença no momento em que botei os pés para fora do estabelecimento... Dessa vez a neve densa junto com o vento que parecia até mesmo cortar uma rocha alarmava que em breve viria uma tempestade...
Ainda sim eu não sabia se comemorava ou repudiava por demorar tanto tempo aqui. Afinal parece que terei que arrumar um abrigo, oque pode ser motivo para um atraso de duas a quatro semanas amais, não? Embora caçar uma caverna, arranjar galhos secos para criar uma fogueira e ficar acordando a maior parte do tempo não seja um atrativo...
Suspirei e inesperadamente, pisei em falso na neve fazendo minhas pernas bambearem, meu rosto dar um salto a minha frente e minha cabeça chocalhar quase indo de encontro ao chão.
...
Maldita neve. Quanto mais tempo demorar aqui pior será para me abrigar e recuperar-me da ressaca. Então abri meus olhos com atenção e resolvi fixar somente no meu caminho. Depois do que se podia dizer ser uma cortina de neve, vislumbrei o portão da vila, algumas casas emaranhadas pela neve logo foram aparecendo na paisagem e até então nenhuma alma viva, apenas o zunido do vento cortante.
Com passos largos, um após o outro, logo fui encurtando a distância que havia e pronto. Um assoalho aos meus pés, o balcão a minha direita e...
Movi meu pescoço reflexivamente para a esquerda, mas graças à bebida não adiantou muito e ocorreu o inevitável. Eu poderia jurar que uma Katana passou rente aos meus dentes cortando boa parte da minha bochecha criando um enorme fio de sangue. Com os olhos vidrados Sem mesmo perceber minhas mãos já tinham alcançado minha bolsa traseira da calça e pego uma Kunai com tarjas explosivas esperando por apenas uma remota intenção voluntaria de atirá-las, e assim foi.
Tudo a minha frente foi tomado por uma explosão e logo após uma cortina de fumaça negra junto a um estrondo... Abri minha capa e coloquei meus braços acima dos meus olhos a fim de enxergar melhor.
“Incrível... Mesmo bêbado teve reflexos o suficiente para desviar da morte e ainda revidar, mesmo que não tenha nem me arranhado... Parece que as informações não eram totalmente falsas” Ouvi por trás da fumaça, uma voz grave e debochada.
Aos poucos a coloração clara do ambiente foi retomada e pude me certificar, era ele.
Alto, ereto, pele clara, sandálias negras, um longo quimono preto com a gola “V”, unhas negras, uma Katana com as pontas recheadas de sangue na mão direita, sobre o ombro esquerdo a guarda desmaiada, um enorme chapéu de palha cobrindo seu rosto e agora seus longos cabelos brancos soltos chegando a tocar no chão. E a capa que antes ele usava agora pegava fogo no chão até virar cinzas.
Corrigi minha postura e o olhei como desdém.
“Não vai nem perguntar quem sou?!” Riu jogando longe seu chapéu. E tornando visível seu rosto, queixo quadrado, nariz firme e olhos negros afiados em uma expressão calma.
“Não costumo perguntar nome de defuntos” Rosnei...
Continua...
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