Ordem dos magos.
4 Capítulo 3 - aceitação
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– Aceitação —
Acordei abraçada a Nicholas, estava com a cabeça deitada em seu peito, ele fazia carinho na minha cabeça e me abraçava, nossas pernas estavam entrelaçadas. Olhei para ele, ele parecia estar cochilando, tentei me levantar, quando ele sem abrir os olhos falou:
– Ei, ei, esta querendo ir aonde? Fica mais um pouco.
Ele disse de uma forma tão doce, que acabei ficando. Já estava dormindo de novo quando percebi que estava sozinha na cama, acordei e olhei em volta não vi ninguém.
O sol ainda estava nascendo quando me levantei. Encontrei Nicholas na varanda, ele estava sentado lendo algo quando entrei.
– Bom dia. – ele disse.
– Bom dia.
– Dormiu bem? – Nicholas se levantou e me puxou pela mão de volta para o quarto.
– Sim... E você?
– Ainda melhor com você me abraçando. – ele disse rindo.
Olhei séria para ele enquanto ele deitava novamente. Fui para a poltrona e fiquei o observando. Ele me encarava como um tigre, e eu era a presa. Mesmo tendo passado a noite com Nicholas, ainda não me sentia a vontade, ainda mais com aqueles olhos dourados me vigiando.
Passamos muito tempo desse jeito, sem dizer nenhuma palavra, apenas nos olhando. Ele estava com os braços sobre o peito nu, cabelo desarrumado, e olhar sério.
– Então, você é de acordar cedo, ler, e levar garotas para cama, e de olhar fixamente pessoas por um grande numero de tempo? O que mais eu preciso saber? – falei quebrando o silêncio.
– Acertou três de quatro. Você irá descobrir.
Me levantei, fui até uma estante de livros que tinha no final do quarto, e fui olhando cada um. A maioria era em latim ou coisa parecida, e feitiços. Entre os livros achei um pedaço de papel, ainda sentia os olhos de Nicholas sobre mim. Puxei o papel e vi um desenho de uma mulher, era bonito. Quando virei para falar com Nicholas, ele estava bem atrás de mim, à alguns centímetros de distância.
– É minha mãe. – ele disse.
– Então, você desenha?
– Só o que é importante. – ele disse pegando o desenho de minha mão e colocando de volta na estante.
Fui andando até a varanda para ver a cidade, e pegar um ar. Senti uma mão na minha cintura, Nicholas me virou e me puxou de encontro à seu corpo.
Ele era muito mais alto que eu, quase vinte centímetros, ele colocou a mão em meu queixo e senti meu rosto corar, ele sorriu ao ver minha reação, ele olhou nos meus olhos como quem queria dizer algo, mas em questão de milésimos de segundo ele mudou. Seu corpo ficou rígido, ele me afastou e ficou sério.
– O que aconteceu? – perguntei.
– Me desculpe, é que me lembrei de uma coisa, eu tenho que ir. – ele disse veio até mim, pegou minha mão e deu um beijo na palma. Depois correu para dentro do quarto, pegou uma camisa preta, colocou um tênis e saiu apressado. Antes de sair ele parou na porta e disse – Até mais tarde.
Fiquei tentando entender o que estava acontecendo. Nicholas estava me fazendo gostar dele, e então ele faz isso. Tudo bem, não sei o motivo, ele pode ter só se lembrado de algo que tinha que fazer.
Arrumei-me para sair, desci para o salão, peguei um pão que havia na mesa para o café da manhã e saí.
Passeei pela praça da cidade, estava bastante vazia, e incrivelmente limpa, depois de acontecer uma festa para toda a cidade, era quase impossível.
Pessoas trabalhavam nas lojas, havia todo tipo de loja na cidade, cafeterias, livraria, lojas de poções, mercearias, lojas de roupas, de cosméticos, e outras parecidas.
Fui para uma cafeteria e pedi um cappuccino, um bolinho e me sentei no balcão.
Se não soubesse que todos que estavam à minha volta eram magos, eu acharia aquele lugar completamente normal.
Esperei meu pedido chegar uns cinco minutos, e uma moça veio me entrega-lo.
Depois que comi, fui para a biblioteca, quando estava procurando algo sobre a história dos magos, esbarrei em um homem e sem querer derrubei seus livros.
– Me desculpe. – falei pegando os livros.
– Tudo bem, não se preocupe. – ele disse se ajoelhando para pegar os livros.
Olhei para ele, ele me olhava com curiosidade, o homem tinha olhos castanhos escuros, quase negros, cabelos também muito escuros, a pela bastante clara, ele era musculoso e alto. Nós nos levantamos e ele sorriu.
– Você é? – ele perguntou.
– Anna. – respondi. – e você?
– Antony, prazer. – ele disse e estendeu a mão.
– Prazer. – falei olhando para ele sem graça e apertei sua mão.
– Então, seria muito abuso meu ou coisa do tipo se chamasse você para tomar um café ou outra coisa?
Eu ri.
– Não. Tudo bem, eu iria.
– Hum... – ele riu – Então, pode ser tipo, agora?
– Agora? Sim.
Ele me levou até uma cafeteria parecida com a StarBucks, nos sentamos em uma mesa afastada, e Antony chamou uma garçonete.
– O que vão querer?
– Aquela torta de limão que só aqui tem. – ele disse sorrindo para a garçonete. – duas na verdade.
– Ok. – Ela disse e saiu.
– Então, o que te leva a sair com um estranho?
Pensei por um instante antes de responder e disse:
– Novas possibilidades.
Depois que eu disse ele ficou me olhando, de novo daquela forma curiosa, e falou:
– Você é nova aqui, certo? Anna... Stone?
– Sim. Eu mesma. Não te vi ontem no jantar... Você estava por lá?
– Não, cheguei hoje de manhã cedo, fiz meu irmão sair desesperado, nós quase batemos o carro. – ele disse rindo.
– Por quê? – perguntei
– Ele tinha que me dar uns papéis e alguns livros.
– Quem é seu irmão?
– Nick, conhece? Ele provavelmente estava ao seu lado no jantar.
– Espero um segundo. Nick? Nicholas? Meu... –demorei para conseguir falar a palavra – Noivo?
– É creio que sim. Se você não tiver desistido ainda.
– Sabe, estou quase indo nessa ideia. – falei rindo, e ele riu junto. – Ei, não fale isso para ele.
– Ok.
Nosso pedido chegou e ficamos quase sem conversar por cinco minutos. Depois ele me bombardeou com perguntas.
– De onde você é? – perguntou depois de um longo gole de café.
– Kansas. Mas atualmente, São Francisco. Você é de...?
– Nova Iorque. Mas me mudei para cá quando Nicholas nasceu. Você tem a mesma idade que ele?
– Creio que sim. Você não passou por isso de casamento arranjado né?
– Na verdade, não.
– Sorte sua. – falei e ele me olhou surpreso. – o que foi?
– Sempre pensei em me casar.
– Com casamento arranjado?
– Sim. – ele disse e ficou vermelho. Eu ri.
– Me desculpe, mas você só fala isso porque não teve que passar por isso ainda.
– Ainda vou passar. – ele disse baixinho. – Você já marcou o casamento?
– Ainda não. Por quê?
– Casamento do meu irmão... Lembra?
– Sim, é que vocês são tão diferentes.
– Eu sei. Sou mais bonito.
– Pensando bem, vocês se parecem sim. – quando ele ouviu ele sorriu e ficou me olhando do tipo ‘’Ainda vou descobrir todos os seus segredos, dure o tempo que for necessário’’.
Mesmo que os dois fossem tão diferentes, e parecidos no sentido de, ‘’vou descobrir seus segredos’’ e da forma de falar ‘’eu sei’’, me senti mais a vontade com Antony, ele era diferente, mais... Não sei, ele não era como Nicholas que te fazia ficar sem espaço às vezes, e que sempre estava com os olhos em você. Antony era, amigável, da forma mais fácil de descrevê-lo. Ele conversava com você, fazia você se sentir a vontade, Nicholas só me fez sentir assim uma vez.
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