Ordem dos magos.
5 Capítulo 4 - recomeço
– 4 -
– Recomeço -
Passei boa parte do dia conversando com Antony, e depois voltei para o casarão. Fiquei no “meu” quarto lendo alguns dos livros.
Achei minhas roupas antigas na poltrona e peguei meu celular, liguei para minha amiga.
– Anna? – ela disse surpresa – Onde você está, sua louca? Como você some?
– Emely, relaxe, eu estou bem, depois se conseguir, passo em São Francisco e converso com você. – falei rindo.
– Onde você está? Não me diga que está com um cara...
– Não exatamente.
– Como assim?! Conte-me tudo. – ela ordenou.
– Eu estou em uma cidade, encontrei meu pai, ele não está morto. Bom, enfim, sim, estou quase com um cara, vou me casar. Não! – falei rindo – o casamento é arranjado. Você não irá entender. Mas isso é o que posso te falar.
– Não acredito Anna! E como ele é?
– Bonito. – falei a imagem de Nicholas se formou na minha cabeça. – ele é alto, charmoso, têm olhos dourados, ele é musculoso, e...
– Não acredito, Anna, como não me ligou antes? – Ela me interrompeu.
– Não tive tempo.
– Tudo bem. Mas como ele é com você?
– Às vezes ele é um sonho, é carinhoso, mas então ele muda, fica frio, e misterioso, como se fosse outra pessoa.
– E você gosta dele?
– Eu nem conheço ele, Emely, como vou gostar dele?
– Bom, pelo menos ele é bonito.
Escutei um barulho atrás de mim e me virei. Ele estava lá.
– Eu tenho que ir. – falei e desliguei o telefone. – há quanto tempo está ai?
– Desde ‘’bonito, alto, charmoso, olhos dourados, musculoso’’ – ele disse sorrindo e vindo até mim.
– Ah. – falei corando.
– Você está linda. – ele disse e me deu um beijo na bochecha e então se deitou na cama e tirou a camisa.
– Então, onde tinha ido?
– Ver meu irmão. O que você ficou fazendo enquanto seu noivo esteve fora?
– Conheci seu irmão.
– Espera, você conheceu Antony? E como está viva? – ele perguntou rindo.
– Ele não parece ser um monstro. – falei baixinho.
– Sei. – ele disse. – Vem cá.
Levantei-me e parei a sua frente na cama.
– Então onde estávamos quando sai? – Nicholas disse e me puxou para perto dele, e ficou a poucos centímetros de distancia, mas depois parou e riu de minha reação.
– Tudo bem. – ele disse e me soltou. – Agora é sério.
– O que? – perguntei saindo de baixo dele.
– Estou gostando de você. Tipo, de verdade mesmo.
– Uhum. – falei sem acreditar.
– O que preciso fazer?
– Nada. – falei. E olhei para ele. — Só me de um tempo.
– Tudo bem. – ele disse e se levantou. – Eu vou ficar no quarto ao lado, se quiser que eu venha daqui uns dias é só me chamar.
– OK. – Falei e ele me deu um beijo na testa. – Espere. Você está realmente falando sério?
– Sim.
– Me dê sua palavra.
– Eu prometo. – ele disse sem graça.
– Tudo bem. – falei e sorri.
Ele sorriu e me deixou sozinha.
Algumas horas se passaram, e desci com fome. Estava na cozinha, Klaus, sua filha, Caio, meu pai, Michael, Jonathan, as três mulheres, Antony, e Nicholas.
– Oi. – falei para todos.
– Olá, filha. – disse meu pai.
– Oi. – as três falaram juntas.
– Oi. – disse Klaus.
Caio ficou quieto e me olhou.
Nicholas e Antony balançaram as cabeças para mim.
Sentei-me no balcão e peguei um pão, passei manteiga de amendoim e peguei um copo de suco. Comi em silêncio.
– Oi, filha. – meu pai disse e me deu um beijo na testa. – Como você está?
– Bem, e você?
– Bem. Como foi o dia?
– Bom, conheci a cidade.
– E gostou?
– Sim, claro. – falei e sorri. Ainda não conseguia conversar direito com meu pai. Ele sorriu de volta e se sentou próximo a mim.
Quando terminei de comer, levei meu prato e copo até a pia, lavei, depois me despedi de todos e subi para meu quarto.
Tomei um banho, e percebi que não tinha roupas. Abri o armário e peguei uma camisa de Nicholas, ela ficava gigante no meu corpo. Bom, ele não irá se importar se eu pegar emprestado, pensei e coloquei a camisa.
Deitei-me peguei um livro que estava no criado mudo, e comecei a ler. Nem percebi quando peguei no sono.
Estava em um lugar estranho, úmido, quente, e feito de pedras. Ouvi passos atrás de mim e me escondi. Estava com uma roupa toda preta, como a de meu pai quando o vi pela primeira vez. Nas minhas costas havia um cajado, peguei o cajado e entoei algo, as pessoas que estavam vindo à minha direção pararam e voltaram por onde vieram.
Tentei sair do lugar, mas parecia que estava em um labirinto. Comecei a entrar em desespero, um homem apareceu na minha frente, ele tinha várias tatuagens no corpo e rosto, ele me segurou e me bateu. De repente estava amarrada a uma maca, outro homem apareceu do escuro e veio até mim com algo na mão.
– Estava à sua espera. – ele disse e rasgou minhas roupas, ele começou a cantarolar e depois pegou algo parecido com um estilete.
Ele aproximou a cabeça de minha barriga, ergueu o estilete, e cortou minha barriga, onde havia minha marca.
Acordei gritando e suando, no mesmo instante Nicholas abriu minha porta do quarto, ele estava com cara de sono, mas preocupado.
– Está tudo bem, — falei sem fôlego – volte a dormir.
– Tem certeza?
– Sim, obrigada.
– Qualquer coisa, é só gritar. – ele disse sorrindo.
– Obrigada. – falei rindo.
Nicholas saiu do quarto, e me deitei novamente. Dessa vez dormi tranquilamente. Quando acordei, o despertador estava tocando, já eram nove da manha. Fui até a poltrona e peguei meu shorts que estava lá, me vesti, e fui até a cozinha.
Encontrei com meu pai.
– Bom dia. – falei.
– Bom dia, querida. Ah, Anna, hoje começam os seus treinos, tudo bem?
– Sim. – falei – Que horas?
– As quatro, será perto do riacho, não é difícil de achar. O professor, é bastante... – ele pensou antes de falar – diferente.
– Tudo bem, então. Pai, as lojas aqui, tem como... Eu ir comprar umas roupas?
Ele olhou para minha camisa percebendo que era de Nicholas e riu.
– Sim, se quiser, posso ir com você.
– Eu iria adorar. – falei.
– Então, te vejo depois do almoço, filha?
– Pode ser. Obrigada. – falei sorrindo.
Passei a manhã sem fazer nada, não vi nenhum dos meninos, não vi Nicholas, nem Antony, nem mesmo o Jonathan. Passei a manhã totalmente sozinha, lendo, ouvindo música, pensando sobre meu casamento, sobre o que Nicholas havia me dito, ‘’Eu gosto de você, tipo de verdade’’, o que eu deveria pensar sobre aquilo? Como alguém que me conhecia à apenas dois dias poderia estar sentindo algo? Para mim, Nicholas era misterioso, não conseguia me abrir, muito menos confiar nele. Teria de esperar para ver se é realmente verdade o que ele diz.
Depois de almoçar também sozinha, encontrei meu pai na porta do casarão e fomos para a cidade.
Ele me levou a várias lojas, até encontrarmos uma que eu e ele gostássemos das roupas.
O gosto de meu pai era bastante parecido com o meu, entramos em acordo do que comprar fácil.
– Então, — começou meu pai – o que está achando do Nicholas?
– Ele é um cara legal, — falei – mas totalmente diferente do normal.
– Como assim?
– Ele é às vezes misterioso, não é muito de falar sobre ele, e consegue decifrar o que as pessoas sentem muito fácil. Eu não estou acostumada a isso.
– É, demorei a me acostumar com isso também. Mas o garoto, é bom. – ele disse.
– Uhum. – falei e peguei um par de botas. – O que você acha?
– Muito bonitas.
– Pai, você e minha mãe, foram casados assim também?
– Fomos. – ele disse como se lembrasse de uma coisa que aconteceu há quase cem anos. – Ela era muito parecida com você, até no jeito de ir contra, de achar estranho, mas ela no final acabou aceitando.
– Você acha que posso ser feliz com Nicholas?
– Acho, ele te faria muito feliz.
Depois de comprarmos tudo o que eu precisava, ele me deixou em casa e me arrumei para meu primeiro treino.
Fui para perto do riacho e procurei onde iria treinar. Depois de uns dez minutos andando achei uma arena, com duas casas pequenas, como aquelas de zeladores, e vários obstáculos, bonecos, lugares para fazer escaladas e várias outras atividades.
Entrei na arena e um homem com aparência de ferreiro veio até mim. Ele era baixo, careca e tinha uma barba grisalha, ele estava vestido com uma camisa escura, uma calça preta e botas, havia em suas costas um cajado, e em sua cintura havia uma espada.
Ele me examinou de cima a baixo, e riu.
– O que faz aqui? – sua voz era rouca.
– Meu pai, quer dizer. Vim treinar.
– Certo. – ele ainda ria de mim. — O que você sabe sobre magia?
– Nada.
– Venha cá. – ele disse e fui até ele. O homem era praticamente da minha altura, ele passou o braço por cima de meu ombro. – Meu nome é Cam Akira. E você provavelmente é Anna Stone. Certo? – respondi fazendo sinal que sim com a cabeça. – Tudo bem. Olha, preciso que você preste bastante atenção agora.
– Espere, Akira? Como minha mãe? Como Milene Akira?
– Isso mesmo, Anna. – ele sorriu. – Bom, acho que não iria demorar a você perceber, mas sim. Sou o pai de sua mãe.
Tentando processar a informação que seria treinada por meu avô, ele nos levou até uma sombra e se sentou no chão, me sentei também e então ele começou:
– Há muito tempo atrás, quase quatrocentos anos, um homem fez um amuleto, que dava poder a quem o tinha, dava poderes que o faziam indestrutível. Depois que esse homem abriu guerra contra tudo e todos, outro homem, do clã Stone, conseguiu derrota-lo, ele partiu o amuleto em cinco partes, e deu para cinco clãs protege-lo, os clãs Stone, Akira, Bahubali, Cavanni e Ali, cada um ficou com uma parte do amuleto. Hoje outro homem está na busca desse poder, Jaffer, ele praticamente dizimou o clã Ali para conseguir a primeira parte do amuleto. Você já deve ter percebido que no casarão vivem pessoas dos clãs. Na verdade essa cidade é composta por pessoas desses clãs. Todos aqui são parentes de certa forma. Mas lá no casarão, vivem os líderes, os que fazem parte da ordem. Você também já deve ter ouvido falar de uma profecia, correto? Bom, ela diz sobre alguém que seria descendente de Thomas Stone, o homem que salvou o mundo do amuleto. Essa tal pessoa seria de certa forma a escolhida, ela nasceria com a mesma marca que Thomas tinha na barriga, e aqui estamos nós. O resto da história você provavelmente deve saber. – ele se levantou esticou as costas, deu um longo suspiro e se virou para mim. Aquilo me fez imaginar quantos anos ele deveria ter. – Vamos agora começar seu treinamento.
Me levantei e o segui até uma das casas. Ele pegou várias caixas e colocou em cima de uma mesa, depois foi até os fundos e voltou trazendo uma arara, como aquelas de colocar roupas, só que em vez de roupas haviam espadas, e depois pegou alguns arcos e também os deixou em cima da mesa.
– Um mago deve ter armas. – ele disse. – Escolha.
Olhei para Cam e ele me encorajou com um sorriso.
Abri todas as caixas e nelas haviam cajados, eles deviam ter um metro e trinta de tamanho, as espadas eram um pouco menores, e os arcos maiores.
Escolhi um cajado com cor de osso, ele tinha em sua ponta um cristal negro, também escolhi uma espada ao invés de arco. A espada era bastante fina, e também muito leve, ela tinha detalhes dourados e o cabo marrom. Olhei para o homem e ele me olhava com bastante curiosidade.
– Eu acho que estou pronta.
– Tudo bem, vamos tentar uma coisa. – ele disse me puxou até o centro da arena. O sol me cegava, na minha frente, à uns cem ou duzentos metros de distancia havia um boneco. – acerte-o com um raio.
– O que?! – perguntei sem saber o que fazer.
– Mentalize um raio, mire e literalmente falando, atire. – ele disse e estendeu meu braço esquerdo, o que segurava o cajado e depois se afastou de mim.
Segui as instruções de Cam. Mentalizei um raio da melhor maneira que consegui, mirei no boneco e atirei. Fiz aquilo bem umas quinze vezes, antes de desistir, já estava suando quando me virei para falar com ele.
– Eu...
– Tente de novo, nada na vida vem sem tentativas. – ele disse me interrompendo
Bufei de frustação.
Tentei de novo, e de novo.
– Imagine uma tempestade de raios, você é o centro dela, encha seu pulmão de ar, e o esvazia lentamente, finja que seus braços estão cheios de raios, agora deixe-os sair do centro do seu pulmão até seu ombro, até seu cotovelo, até a ponta de seus dedos, até o cristal de seu cajado. Mire, e atire no boneco, Anna! E lembre-se, não deixe os raios passaram pelo seu coração. Isso pode ser fatal.
Aquilo não ajudou muito.
Me imaginei numa tempestade de raios. Respirei fundo, deixei o ar sair de meus pulmões. Depois me concentrei nos raios vindos de meu pulmão, não os deixei passar pelo meu coração, e sim pelo meu estomago, depois percorri o caminho com olhos fechados, imaginei meus músculos serem tomados por eletricidade, fui guiando isso até as pontas de meus dedos, abri os olhos mirei o boneco, e deixei o poder sair. Acertei o boneco.
Olhei para Cam procurando olhar de aprovação, mas não consegui ver.
– Faça de novo. – ele ordenou. – faça até sair com naturalidade.
Fiz aquilo umas trezentas vezes, não podia parar até Cam dizer que estava bom, ele mandava eu mudar de lugar, subir em coisas me esconder atrás de coisas.
Quando parei já eram sete da noite.
– Está bom por hoje, — ele disse – amanhã quero você aqui às seis da manhã, em ponto, não se atrase.
– Ok. – falei ofegante.
Fui para o casarão, corri para a cozinha e peguei um copo enorme de água. Antony estava na cozinha.
– Meu Deus, você está um caco. Onde você estava?
– Treinando com Cam. – falei me encostando no balcão. – E obrigada por me chamar de caco. — Ele riu. – Você viu o Nick?
– Ele deve estar no quarto dele.
– Obrigada. – falei e sai correndo da cozinha.
Bati na porta do quarto de Nicholas, ele não atendeu e então bati e chamei por ele.
Nicholas abriu a porta do quarto e colocou a cabeça de fora.
– Anna?
– Oi, — como homens conseguem chamar alguém para um jantar? — posso te chamar pra jantar comigo?
– É... – ele disse olhou para meu estado – Claro, mas onde você estava?
– Treinando com Cam. – falei.
– Ah sim, já passei por isso. – ele riu. – vá tomar um banho enquanto eu me arrumo, me encontre lá em baixo, ok?
– OK. – falei sorrindo, Nicholas sorriu de volta, e então fui para meu quarto.
Tomei um banho, coloquei uma calça jeans escura, as botas que havia comprado com meu pai, e uma camiseta de manga comprida branca, amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e desci.
Encontrei Nicholas e Antony na sala.
– Então, vamos? – perguntei para Nicholas.
– Vamos. – ele disse sorrindo.
Nicholas havia colocado uma camisa preta, uma calça jeans azul escura, e um tênis preto.
Nos despedimos de Antony e fomos para a cidade.
Fomos para uma pizzaria no centro da cidade. O lugar estava silencioso, tocava uma musica ao fundo, era Adele. Nós nos sentamos em uma mesa no fundo do restaurante e um garçom veio até nós.
– O que vão querer? – ele perguntou com um bloquinho na mão.
Nicholas olhou para mim esperando que eu decidisse.
– O que a dama preferir. – Nick falou sorrindo.
– Então ta, — falei – uma pizza de calabresa, e duas cervejas, por favor.
– OK. – o garçom falou e saiu.
– Então Nick, conte-me de você. – disse olhando para ele. Nicholas abaixou a cabeça e então pedi. – Por favor?
– Tudo bem. – ele disse. – Eu sou horrível em me descrever ok?
– OK.
– Bom, quando meus pais me tiveram viemos para cá. Depois quando cresci, meu irmão me ensinou boa parte do que eu sei de feitiços e de lutas, aprendi a gostar de ler com Cam, meu melhor mentor. Eu nunca me apaixonei de verdade, não esperava que eu fosse me casar. – ele parou e me olhou ele estava corando. – é acho que isso é o suficiente.
– Claro. – falei. Ele ficou me olhando por um longo momento. – O que foi?
– Você está diferente.
– Diferente como?
– Mais parecida com sua mãe.
– Você conheceu minha mãe?
– Sim. Ela era uma grande amiga da minha mãe.
– Parece que dividimos isso. – falei baixo.
– É, parece. – ele concordou.
Nosso pedido chegou e comemos deixando a conversa de lado.
Nicholas começou a fazer gracinha para mim, e então não conseguia mais comer de tanto rir.
– O que você está achando sobre o casamento? – ele me perguntou.
Demorei um pouco para responder a sua pergunta.
– Não sei ainda. Mas estou começando a gostar mais da ideia.
– E o que você acha de mim?
– Ainda preciso responder? – perguntei sem graça.
– Sim.
– Você é misterioso, Nicholas. Não consigo decifrar suas expressões a não ser que você queira ser decifrado. Você... – eu não conseguia descrever Nicholas. – as vezes você me faz me sentir totalmente a vontade, e as vezes me faz me sentir encolhida, como se eu fosse um presa. Às vezes você me faz sentir como se já fosse casada com você a minha vida inteira, e às vezes por questões de segundos depois, você me faz sentir uma estranha perto de você. – olhei para ele e vi que ele me examinava. – para com isso! – exclamei rindo.
– Com isso o que?
– Tentar me decifrar, você fica me examinando com esses olhos dourados.
– Desculpe. – ele disse rindo. – Depois que sairmos daqui, posso te mostrar um lugar?
– Claro.
Terminamos de comer, Nicholas não me deixou pagar a conta. E depois ele me levou à o tal lugar.
Ele tampou os meus olhos antes de viramos na esquina.
– Tudo bem, cuidado com o degrau. – ele disse me guiando devagar pelas ruas. – Isso agora vá um pouco para a esquerda, certo. Preparada?
– Sim. – respondi.
– Ok, — ele disse e tirou as mãos de meus olhos. – pode ver agora.
Nicholas me guiou até um lago, que estava iluminado pela luz da lua. Dava para ver peixes, tartarugas pretas, os grilos estavam cantando alto nessa noite, uma brisa seca soprou em nós e me fez arrepiar. Olhei para ele, e ele estava lá me analisando outra vez.
Nicholas segurava minha mão como uma criança segura a mão de uma mãe.
Ele procurava aprovação em meu olhar e então eu falei:
– É lindo. Como ainda não havia visto?
– É meio que, secreto. – ele disse olhando para o lugar.
Nós sentamos em um banco de pedra que havia na beira do lago, ele passou o braço por cima de meu ombro, e ficamos assim por um bom tempo.
– Você se importa de voltar para o seu quarto? – perguntei.
Ele olhou para mim e disse da forma mais doce e charmosa possível.
– Nem um pouco, anjo. – ele disse e me deu um beijo na testa.
Nicholas nos guiou de volta para o casarão por um caminho mais curto, subimos para o quarto, e nos deitamos juntos. Ele me abraçou, me deitei encostando minha cabeça em seu peito. A noite estava fria, mas seu corpo me esquentava o suficiente para eu não ter que ficar de baixo de cobertores. Dormimos ali, daquele jeito. Juntos.
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