Opposites
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Dei uma rápida olhada no relógio, ele marcava sete e cinquenta e três da noite.
“Droga vou me atrasar!”
Pensei comigo mesmo enquanto caminhava em passos largos até a casa de Marshall, ele morava em uma casa que surpreendentemente ficava dentro de uma caverna.
Quando finalmente eu bati na porta dele o relógio no meu pulso marcava oito e vinte e cinco.
Esperei alguns minutos do lado de fora, só para notar que a porta estava aberta, a abri e adentrei na pequena casa, olhei tudo ao redor, era um lugar confortável, por outro lado Marshall parecia não se preocupar muito com a limpeza da casa.
–Marshall...
Murmurei olhando ao redor, estava na sala onde não tinha visão para outros cômodos, sentei no sofá vermelho desbotado e coloquei minha mochila em cima dele, esperando.
Passaram uns vinte minutos e eu já estava impaciente, já havia pronunciado o nome de Marshall algumas várias vezes e nada de ele vir até onde eu estava.
Levantei com a mochila nas costas e decidi procurá-lo, fui para o cozinha e como eu esperava era muito mais suja do que a sala, havia lixo espalhado por todos os cantos.
Suspirei e subi pequenas escadas em espiral, que se localizavam ao lado da cozinha, passei a mão pelo corrimão lilás da escada, tirei os dedos e os observei, cobertos de poeira.
–Como esperado né Marshall?
Sorri de lado e alcancei o final da escada, havia apenas uma porta no andar de cima, bati na porta de leve e vi que estava entreaberta, empurrei a mesma com a mão e olhei dentro do quarto indignado, pois Marshall se encontrava deitado tranquilamente em sua cama, com as mãos atrás da cabeça, pousadas sobre a nuca, usando calça e sem camisa.
–Mas que droga Marshall, eu estou te esperando lá em baixo a pelo menos meia hora!
Exclamei me encostando à porta aberta.
–Eu estava com preguiça e sabia que ia subir
Ele respondeu sentando na cama.
“O que quer dizer com isso?”
Pensei comigo mesmo e olhei para o lado oposto dele.
–Preguiça? Cara você pode voar
Ele não respondeu e vestiu um moletom negro que estava jogado em cima da cama.
Veio voando até mim, instantaneamente me afastei abrindo passagem para ele, Marshall “desceu” as escada e eu fui atrás dele sem dizer uma palavra.
Chegamos na sala e ele pegou um giz branco do bolso do moletom, fiquei o observando sem entender o que ele ia fazer com um giz, quando poderíamos estar indo para a Noitosfera, mas fiquei calado apenas observando.
Ele desenhou um rosto feliz na parede da sala, um pouco acima do sofá, depois flutuou até a cozinha, inclinei a cabeça tentando o enxergar, logo ele voltou com um frasco de leite de inseto e o jogou no desenho, depois se afastou.
–Maloso vobiscum et cum spiritum!
Ele pronunciou e o desenho na parede foi aberto em uma rachadura, podia ver dentro dela, tinha algo , me assustei e sem ação deixei a mochila cair ao meu lado, Marshall se virou para mim e apanhou minha mochila a jogando em suas costas, depois disso segurou meu pulso o que me fez sair do estado de transe e corar um pouco, me puxou para cima do sofá e pulou dentro da rachadura, arregalei os olhos ao ver que eu tinha ido junto com ele para dentro da parede.
–Espera!
Gritei tarde de mais e fechei os olhos esperando a hora da minha morte, senti meu corpo cair em uma superfície dura e apertei ainda mais os olhos me encolhendo deitado de lado.
“É agora! Eu vou morrer!”
Pensei imóvel, senti alguém segurar meus ombros e me virar de barriga para cima.
–Deus é você?
Perguntei sem abrir os olhos, Marshall gargalhou alto.
–Estou bem longe de ser isso
Respondeu me fazendo abrir os olhos e sentar tão rapidamente que fiquei tonto.
–Ué, eu não morri?
Perguntei estupidamente passando as mãos pelo corpo me certificando que estava inteiro.
Marshall riu ainda mais alto, ele estava de joelhos na minha frente.
–Idiota você está no inferno, mas isso não significa que morreu.
–Aqui é a noitosfera?
–Não! é o seu castelo cor de rosa
Disse ele ironicamente, se apoiando no pé direito e se levantando, estendeu a mão para mim ainda com minha mochila nas costas, olhei para a mão dele receoso em segurá-la
–Fala serio, qual é o seu problema rosado?
Ele resmungou puxando a gola do meu casaco e me colocando bruscamente de pé.
Tive finalmente tempo de olhar ao redor, meu coração quase parou ao ver aquele lugar terrível, o céu era vermelho-sangue, haviam “construções” que se assemelhavam a prédios por todos os lados eram em forma de pirâmide, tinham várias janelas e eram realmente macabros, havia também fogo incandescente por todos os lados, mas oque mais me assustou foi a quantidade absurda de demônios de várias formas, cores, tamanhos e deformidades.
Eu estava completamente assustado e arrependido de estar ali, meus olhos transbordavam em lágrimas ao ouvir gritos de terror ecoando em meus ouvidos, eu não me mexia, Marshall estava postado a minha frente, em seus olhos havia uma certa preocupação.
Os gritos eram cada vez mais altos, mais intensos e aterrorizados, as lágrimas rolaram pelo meu rosto e eu tapei os ouvidos dobrando os joelhos prestes a desabar com aquela tortura.
Marshall me envolveu com seus braços, impedindo que eu caísse, me trouxe para bem próximo de seu corpo me abraçando e com sua mão em meus cabelos pressionando minha cabeça contra seu peito, amenizando os sons torturantes, com a outra mão ele me segurava pela cintura, já que minhas pernas estavam sem forças para me por de pé.
Eu estava tão aterrorizado que nem me preocupei em estar tão próximo a Marshall, muito pelo contrario, aquela sensação era muito boa.
Marshall colocou os lábios próximos a minha orelha e disse:
–Gum... Eu te disse que estaria com você não é? Pois bem eu estou aqui, tente ignorar esses sons, eu estou aqui não se preocupe...
Ele disse aquilo com tanta compaixão que eu imaginei que não era ele, porque ele estava sendo tão gentil comigo? Porque ousou me abraçar? Porque estava tão preocupado com minha sanidade mental? Ele com certeza estava sendo forçado a fazer aquilo, para que eu não morresse antes de falar com sua mãe e com certeza depois disso voltaria a me tratar com indiferença.
Mas eu não ligava em ser tratado assim por ele, eu estava preocupado em estar sendo um fardo para Marshall, por esse motivo consegui recuperar as forças para colocar os pés no chão, me soltei do abraço dele com as mãos no seu peito o afastando de mim, isso iria deixar ele feliz em se livrar do fardo que eu estava sendo para ele.
–Obrigado, já estou bem
Disse tentando parecer firme, olhei para ele e me surpreendi ao vê-lo, os braços de Marshall estavam na mesma posição de quando estava me abraçando, e em seu rosto por mais que ele tentasse esconder, havia uma expressão de decepção, e suas bochechas estavam coradas, ele logo baixou os braços os enfiando dentro dos bolsos do moletom.
–Que bom, então vamos.
Ele voou alto ajeitando a alça da minha mochila nas costas dele.
–Eh... Marshall eu não sei voar
Sibilei correndo atrás dele.
–Ah é
Ele desceu até mim.
–Gumball temos duas opções para chegar na minha casa, primeira, podemos ir naquilo -Ele apontou para um demônio de pelo menos 10 metros de altura, com pernas longas e corpo em forma de caixa, ou melhor, metade de uma caixa, já que a criatura era cortada ao meio deixando a vista seus órgãos internos, e sentados neles haviam vários outros demônios menores, como um transporte coletivo.
Senti náuseas ao ver aquilo e esperei Marshall dizer a segunda opção.
–A segunda opção é irmos em mim
No começo a frase pareceu confusa, mas logo lembrei que Marshall podia se transformar em um morcego gigante.
–Acho que fico com a segunda opção...
Respondi, ele jogou a mochila na minha barriga e se afastou um pouco de mim, seus braços e pernas ficaram mais longos e esverdeados, nasceram duas gigantescas asas negras e deformadas em suas costas, seu corpo foi se transformando pouco a pouco em um morcego peludo, um focinho apareceu em seu rosto e suas orelhas e olhos ficaram grandes e pontudas, logo ele estava completamente transformado em um morcego de três metros de altura.
Eu já havia visto ele se transformar naquilo por isso não fiquei muito abalado e subi nas costas dele, Marshall levantou voo bruscamente me fazendo me agarrar em seu pelo, me inclinei para a frente ficando em uma posição parcialmente segura.
Ele voou rápido, fazendo curvas e espirais no ar, ele sabia que eu temia altura e estava fazendo aqueles movimentos de propósito.
“Imbecil”
Pensei com náuseas e cada vez mais agarrado ao pelo dele.
Voamos por alguns minutos e chegamos a outra construção macabra em forma de pirâmide, mas esta era muito maior e muito mais assustadora, rodeada por fogo e com uma grande fila de demônios na porta de entrada, Marshall pousou em cima da multidão aglomerada na porta da frente.
–Marshall! Você vai machucá-los
Exclamei enquanto ele voltava ao normal e quando seu corpo se tranformara de novo eu estava nas costas dele literalmente, ele tinha as mãos segurando minhas pernas que estavam envoltas de sua cintura, eu e ele ficamos meio constrangidos, mas ele não me soltou e voou por cima da multidão.
–Sou Marshall Lee Abadeer, me deixem entrar agora!
Ele gritou e percebi que pronunciou “Abadeer”, seu sobrenome, com evidencia para que os dois grandes demônios azulados e armados com lanças que guardavam a porta de entrada percebessem de quem ele era filho.
Imediatamente eles abriram passagem para que eu e Marshall pudéssemos entrar.
Assim que entramos as portas se fecharam e eu e ele pousamos no carpete vermelho que cobria a imensa sala de estar macabra que nos encontrávamos ele soltou minhas pernas me fazendo cair sentado no chão.
–Ai, doeu...
Disse passando a mão na lombar que batera no chão.
–Vamos levante-se rosinha
Ele resmumgou de braços cruzados e olhando constantemente ao redor provavelmente esperando que Hunssietta aparecesse.
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