Opposites
2 Capítulo 2
Capítulo 2
Acordei no meio da noite.
Eu estava suando, a camisa branca colada no corpo, tirei o lençol de cima de mim, usava apenas uma cueca box, e dobrei os joelhos e passei a mão nos cabelos da nuca.
Respirava ofegante, não sabia ao certo o que havia me acordado, sentei na cama olhando ao redor do quarto escuro, tive a súbita sensação de estar sendo observado, pude enxergar algo luminoso no escuro, como um par de olhos, vi um vulto correr cortando o ar no quarto e saindo pela janela.
Assustei-me com aquilo e corri até a janela procurando algo lá fora.
“Que merda é essa?! Tinha alguém me observando?!”
Pensei apoiando as mãos na janela e me inclinando o máximo que pude para procurar sinal de vida por lá.
– Droga...
Sai do quarto marchando com raiva subindo pelo meu corpo, nem percebi que não usava calças.
Fui até o lado de fora onde algo ou alguém fugiu, chegando lá procurei em todos os lugares, e de repente a mesma sensação de estar sendo observado veio até mim.
–Se continuar saindo assim não vou parar de te pertubar...
Ouvi de algum lugar, as palavras saíram da boca da pessoa como se tivesse cuspido elas, pude sentir o tom malicioso vindo da voz, e notei que estava sem calças, baixei a camisa até antes dos joelhos, com o rosto queimando, não pude distinguir a voz, estava completamente disfarçada e havia também a vantagem de estar escuro.
–Quem é?!
Gritei irritado, mas a minha resposta foi apenas uma risada maliciosa.
Por algum motivo senti uma tontura e meu equilíbrio corporal falhou, cai no chão e perdi os sentidos.
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–Acorde majestade!!
Alguém gritou.
Tenti abrir os olhos, mas eles já estavam abertos, alguém abria minhas pálpebras com os dedos e lançava uma luz branca e ofuscante neles.
Mexi a cabeça fazendo a pessoa soltar meus olhos, esfreguei os mesmos com a palma das mãos, eu estava na minha cama em meu quarto.
As lembranças do ocorrido na noite anterior estavam bem claras na minha mente.
Tentei me mover, mas estava com o corpo a partir da cintura imóvel, como se eu tivesse com as pernas amputadas.
Alguém me segurou e me ajudou a sentar, minha visão estava embaçada, vi alguém familiar postada a minha frente, tinha cabelos loiros, eu acho.
–Fionna?
Chutei reconhecendo sua voz, ela fechou meus olhos.
–Fique assim até sua visão voltar ao normal.
Mas aquela voz não era de Fionna, tinham duas pessoas ali, aquela voz era masculina, era grave e firme.
“Marshall?!”
Pensei abrindo os olhos, ainda com a visão ruim, pude reconhecer sua silhueta, cabelos negros, pele pálida provavelmente.
Ele fechou meus olhos novamente, porem desta vez bruscamente.
–Mandei ficar de olhos fechados, imbecil
Resmungou ele sem tirar a mão do meu rosto, eu não consegui retrucar e inutilmente o obedeci.
A palma da mão de Marshall pressionava meu rosto com força, queria perguntar se era realmente necessário.
Passado alguns minutos ele retirou a mão e resmungou algo.
Abri os olhos com a visão recuperada, e vi os rostos preocupados de Fionna, Marshall e Menta, olhei para o vampiro e me perguntei oque ele fazia ali.
“Ontem quis me surrar e hoje se preocupa se eu não fiquei cego? Qual o problema dele?”
–O que faz aqui?
Perguntei para ele sem pensar direito ao fazer tal pergunta, sua expressão ficou confusa e irritada ao mesmo tempo.
–O que eu faço aqui?! Eu...
–Ele te trouxe até aqui Gum
Fionna percebeu que ele ia se alterar e o interrompeu me deixando ainda mais surpreso.
“Marshall me trouxe aqui? Mas o que ele fazia até me encontrar desmaiado do lado de fora do castelo? espera ele me viu só de...”
Fiquei corado e me encolhi ao notar que estava do mesmo jeito que noite passada.
Fionna e Marshall notaram meu desconforto e instantaneamente coraram ao mesmo tempo, aquela situação estava muito constrangedora, eu nunca passei uma situação daquela, Fionna se levantou e pegou o braço de Marshall.
–Eh... Ah... Gum, eu e ele esperamos você lá fora, enquanto você se... veste, temos um assunto importante a tratar com você.
Eles saíram do quarto me deixando sozinho com meus pensamentos.
“O Marshall me carregou até aqui? Quem era que estava me observando ontem a noite?”
Enquanto pensava ia até o armário e vestia uma calça Jens clara e uma camisa preta com listras rosas nas mangas e na gola.
Não coloquei sapatos e fui até Marshall e Fionna de meias, eles devem ter notado meus pés pois Fionna deu uma risada abafada e Marshall sorriu de canto.
–É força do hábito...
Sorri e involuntariamente olhei para Marshall, queria checar se ele havia sorrido, e ele sorriu, mas logo sua expressão ficou séria.
–Gumball, digamos que você saiba oque é a Noitosfera
Falou Marshall, torcendo o cabelo entre os dedos.
–Sei sim, é uma dimensão governada por Hunssietta Abadeer, que no caso é sua mãe... Enfim, onde moram demônios.
Respondi lembrando algo que li em um livro sobre essa outra dimensão demoníaca.
–Isso... E a mam... Hunssietta, quer ter uma conversa com você, ou melhor, ela quer que você passe alguns dias lá, ela quer resolver assuntos políticos com você, ela acha que já está na hora de os governantes se encontrarem.
Senti um frio me subir a barriga, eu não queria ir aquele mundo cheio de demônios, mas como governante de Aaa eu tinha a obrigação de conhecer a governante da Noitosfera, já estava mais do que na hora.
–E-eu entendo, e concordo
Gaguejei passando a mão nos cabelos da nuca.
–Não se preocupe Gumball, eu não confio na minha mãe e sei que ela é capaz de tudo por poder, eu vou com você não vai sair da minha vista enquanto estiver lá.
Marshall falou olhando para mim com certa firmeza, senti um pouco de medo ao ouvir “ é capaz de tudo por poder”.
–Tudo bem Marshall
–Partiremos hoje a noite
–Hoje a noite?!
–É rosado, hoje a noite algum problema
Me calei e assenti com a cabeça, combinamos de nos encontrar na casa dele ás oito da noite.
Passei o dia arrumando as coisas para passar alguns dias no mundo dos demônios, e eu tenho que ser sincero, eu estava com medo, estava receoso e preocupado.
Mas eu estava sentindo algo bom nisso tudo, eu ia passar um bom tempo com o Marshall.
“Gumball! porque está feliz com isso?! Ele deve estar pensando que isso é um castigo! Merda! Qual é o meu problema?”
Só em pensar naquilo senti meu rosto queimar e ficar corado, balancei a cabeça com as mãos no rosto.
–Se controle Gumball...
Falei para mim mesmo e esperei pacientemente oito da noite chegar.
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