Opostos Perfeitos
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Capitulo 5
Narrado por Rafa:
Aquele Enzo é um galinha mesmo. Me deu ódio ouvir a conversa dele com a Fer, ele está sempre se achando o tal. Que raiva! Em pensar que eu quase... quase beijei esse idiota! Voltei para a cozinha, ele me seguiu e agiu como se nada tivesse acontecido,
– Então, onde a gente parou? — Enzo me agarrou por trás.
– Na parte em que você descasca as cebolas. — apontei uma faca para ele fazendo ele se afastar.
– Nossa, que mudança de humor. — estranhou.
– Eu quero fazer logo o almoço, então ou você ajuda ou não atrapalha. — armei um sorriso irônico.
Enzo ficou quieto e me ajudou meio contrariado, ainda ficou reclamando do cheiro da cebola e eu ensinei ele como a tirar, mas esse foi nosso único contato depois do papo dele na sala. Que se foda esse garoto também.
Almoçamos e de tarde fomos para a praia. De noite eu fiquei em casa sozinha, a Jú saiu com o Leê.
Domingo estava um calor infernal, a maior parte da manhã eu dormi, de tarde a Jú convidou para ir para a praia de novo e eu fui. Fomos eu, ela, Leandro e Caio. Chegamos lá e ficamos tomando banho de sol eu e ela enquanto os meninos foram mergulhar.
– Ei, Rafa, não é o Enzo? — Jú chamou minha atenção e eu ergui a cabeça olhando na direção que ela olhava, para fora da praia.
– É, é ele. — falei.
– Será que a Fer veio também?
– Deve ter vindo.
A outra porta do carro abriu e lá de dentro saiu a Bianca. Desviei o olhar.
– O que foi? — Jú perguntou.
– Aquela garota, a Bianca, odeio ela.
– Odeia ela porque?
– Porque ela se acha nada mais nada menos que a rainha do mundo.
– Ela e o Enzo estão vindo nessa direção.
Virei os olhos e depois os fechei. Não estava afim de ver eles. Mas quando eles estavam se aproximando não pude deixar de dar atenção a vozinha irritante daquela garota, acabei abrindo os olhos bem na hora que eles estavam passando a uns dez passos à nossa frente. Enzo viu eu e a Jú e mau olhou para a gente, ele praticamente esnobou, por causa da Rainha Bianca. Fiquei com raiva dele. E a Jú deu a loca.
– Antigamente amigos diziam oi. — ela gritou de cara fechada para o Enzo. Enzo virou surpreso, a tal Bianca também e encarou a Jú de cima a baixo.
– Oi, meninas. — ele sorriu meio estranho.
Eu dei o sorriso mais falso e irônico que consegui, sem esconder toda a raiva que estava sentindo. Enzo olhou pra mim como se pedisse desculpas.
– Jú, ele tá muito ocupado agora. — falei para ela e depois voltei a fuzilar ele com os olhos.
– Quem são essas ai? — Bianca perguntou para o Enzo.
–Conhecidas. A Rafaella trabalha lá na empresa, como estagiária... -
Enzo respondeu, Bianca parou os olhos em mim, eu tinha ódio mortal do modo como ela me olhava.
– Hm... Não quis incomodar, Enzo – Júlia viu que ele tinha mudado só pelo fato de estar com a tal Bianca. — Só queria saber se a Fer veio também.
– Ela ainda não veio, mas vai vir com o Gui logo... — ele sorriu se sentindo melhor por ter mudado o assunto.
– Hum, obrigada.
– Nada.
Bianca encarou a Jú de novo e antes de sair andando deu mais uma olhada para mim, não sei o que aquela garota não gosta em mim, só sei que eu devo agradar tanto ela quanto ela me agrada. Nem um pouco.
Ele e a pirua – digo, Bianca – foram para longe. Eu e a Jú ficamos conversando.
– O Enzo foi um idiota agora. — ela reclamou.
– Idiota é pouco, ele é um esnobe ignorante. — falei com raiva.
– Nossa, essa raiva toda não pode ser só por causa disso que aconteceu agora. — ela me olhou de olho arregalado.
– Eu quero que o Enzo vá a merda, ele e essa vadia.
Conversamos mais um pouco e depois a Fer e o Gui chegaram ali. Passamos a tarde com eles, os meninos voltaram do mar depois e ficaram com a gente também. Mais tarde fui comprar uma água-de-coco. Me apoiei no balcão do quiosque.
– O que vai ser? — o cara atrás do balcão com um sorriso colgate perguntou.
– Uma água-de-coco. — sorri.
– Duas. — escutei a voz do Enzo atrás de mim.
O cara foi preparar, eu não estava disposta a olhar para trás, muito menos dar de cara com o Enzo ali, eu sentia que ele tinha parado bem perto de mim, mas queria mais é que ele se engasgasse com o coco que pediu.
– Ei, oi. — ele me cutucou e se apoiou do meu lado no balcão.
Não respondi, nem olhei para ele.
– Rafa? — ele tentou de novo.
– Olha, acho melhor você não falar comigo, antes que sua namoradinha apareça e você me ignore como se eu fosse uma completa desconhecida de novo. Ah, falando nisso, me faz um favor? Esquece que eu existo, eu não estou no seu nível e você não gosta de olhar para pessoas que estejam abaixo de você, então faça como antes, ignore a minha presença. — no final encarei ele com raiva.
Estava mandando tudo a merda, eu sabia que talvez chegasse na empresa amanha e ele me mandaria embora como vingança, mas estava pouco me lixando para o que aconteceria, a única coisa que eu não aceitaria era ser rebaixada por ele.
O cara voltou e me estendeu o coco, eu paguei e nem esperei por troco nenhum, saí dali e voltei pra praia.
– Que cara é essa, Rafa? — Jú perguntou quando me viu chegar pisando forte.
– Nada! To indo pra casa. — coloquei o coco ali no chão e juntei minha bolsa e as coisas dentro dela, saí dali.
O Enzo estava vindo nessa direção, ele me viu sair de perto do pessoal e ir para o outro lado, eu iria embora a pé para não deixar a Jú e os meninos na mão. Mas não ficava mais um minuto no mesmo lugar que ele.
Cheguei em casa quase uma hora depois de sair da praia, tomei um banho gelado e relaxante, quando saí do banheiro escutei a porta da frente, Jú devia ter chegado, me tranquei no meu quarto, não sabia se o Enzo tinha ou não vindo junto. Três batidas na minha porta.
– Rafa, tá ai? — Jú perguntou.
– To.
– Amiga, o que aconteceu na praia?
– Nada, Jú, esquece.
– Tudo bem, se precisar de mim to ali na sala com o Leê. — ela falou e saiu.
Deitei na cama de cabelo molhado mesmo. Em pouco tempo peguei no sono.
Segunda. Acordei com o despertador enlouquecido, desliguei com um tapa forte e me levantei meio sonolenta, a noite não tinha sido boa. Tomei um banho e me arrumei para o trabalho, comi uma maçã e escovei os dentes de novo, depois peguei as chaves do carro e saí. Cheguei na empresa no horário de sempre, quase meia hora antes, Augusto também costumava chegar essa hora. Sentei na minha mesa e fiquei organizando umas planilhas. Augusto chegou.
– Bom dia. — Sorri educada.
– Bom dia, Rafaella. Algum recado?
– Não senhor.
– Hum. Qualquer coisa, avise. Estou esperando uma ligação importante hoje. Do senhor Ruchell.
– Certo. — anotei o nome em um bloco para não esquecer.
Beth chegou logo depois e sentou no lugar dela. Dez horas Enzo entrou pela porta da empresa, os cabelos bagunçados como sempre, também parecia não ter dormido tão bem, vai ver a namoradinha dele deixou ele cansado de mais.
– Bom dia, Enzo. — ela sorriu.
– Bom dia. — ele disse e depois olhou para mim.
– Bom dia. — respondi sem olhá-lo.
– Bom dia, Rafa. — ele falou mais baixo ao passar por mim, notei que ele me olhava, mas eu não olhei para ele.
O dia foi passando rápido até. De tarde recebi a ligação do senhor Ruchell, como Augusto esperava e logo passei para ele. A voz era de um homem firme, bastante competente e severo, me pareceu. Depois disso Enzo me chamou até a sala dele com a desculpa de pegar algum coisa lá.
– Com licença. — falei depois de dar dois toques na porta aberta.
– Entra. — Enzo disse e se levantou da cadeira dele.
– Do que o senhor precisa? — perguntei indiferente.
– Queria falar sobre ontem. — ele respondeu.
– Se quer que eu peça desculpas, sinto muito, não farei. — encarei ele firme.
– Queria que você entendesse. Eu estava com a Bianca...
– Ah, claro, desculpa, você estava com a rainha da beleza e eu e a Júlia eramos apenas ''conhecidas'' sem importância nenhuma. Como se você não tivesse dormido na minha sala e usado da minha boa vontade e paciência. Como se fossemos apenas ''conhecidos'' de boate ou de um lugar qualquer não é? Como se eu fosse insignificante de mais para merecer a atenção do grande Enzo. — falei sem em momento algum tirar os meus olhos dos olhos dele. Eu era forte, mas o nó que estava se formando na minha garganta me sufocava.
– Quem você pensa que é? — ele me olhou incrédulo. Eu realmente falei coisas de mais para ele, agora teria que arcar com as consequências e perder meu emprego. Mas já que seria despedida mesmo, ele podia ouvir o resto que merecia. Enzo se aproximou e mim, quase chegou a tocar meu corpo de tão perto que estávamos.
– Eu sou alguém como qualquer outra pessoa, e mereço respeito. Desculpa se ninguém nunca teve coragem de jogar algumas coisas na sua cara, mas seu pai realmente tem razão. Você só pensa em si mesmo e só interage com quem está a sua altura. Diferente de você, eu me esforço aqui dentro, e se quiser me mandar embora e jogar toda a culpa em cima de mim, por causa dos seus erros, jogue. Não vai fazer diferença nenhuma. Eu sei o quanto me esforcei e sei que posso alcançar meus sonhos. Diferente de você, eu acredito em mim mesma. Eu sei das minhas responsabilidades.
Enzo ia falar mais alguma coisa, mas na mesma hora Augusto falou.
– O que está acontecendo aqui? — ele disse entrando na sala.
– Quero ela fora dessa empresa. — Enzo disse extremamente perto olhando em meus olhos, mas não parecia ter certeza do que pronunciava.
– Você está louco? — Augusto falou sério. — Quero saber o que está acontecendo aqui, agora!. — ele ordenou.
– A culpa é minha. Desculpe se falei verdades que seu filho precisava ouvir de alguém.
Augusto me encarou. Ok, acho que eu já estava sendo ousada de mais.
– Verdades? — Enzo riu como se eu fosse louca.
– Eu escutei o final da discussão. — Augusto falou. — E não discordo de você, – ele se referiu a mim — se hoje sou dono disto tudo, foi porque fui responsável e competente ao ponto de tornar isso uma realidade. Você não vai sair desta empresa, Rafaella. — Augusto olhou severo para Enzo.
– Pai... — ele protestou.
– Já chega, Enzo, estou cansado da sua infantilidade. — ele virou as costas e saiu.
Enzo me encarou.
– Satisfeita? — ele disse e por um segundo pensei ver uma expressão de dor em seu rosto. Saí da sala rápido e fui tomar uma água.
O resto da tarde passou, Enzo não saiu de sua sala. Eu me senti mal. No final do expediente fui para casa ainda me sentindo estranha, houve uma briga entre Enzo e Augusto e eu havia sido o motivo principal. Talvez o certo fosse deixar eu mesma a empresa, o rosto do Enzo não saía da minha cabeça.
Cheguei em casa e tomei um banho. Conversei com a Jú e ela me aconselhou a ficar lá, Enzo havia merecido ouvir aquelas coisas. Só porque ele tem mais dinheiro que outra pessoa não significa que seja melhor.
– E quer saber? Gostei. — Jú disse – Enzo mereceu mesmo ouvir as coisas que você disse.
– É, mas eu não queria ser o motivo de uma briga entre ele e o Augusto.
– Ah, esquece isso. — ela sorriu me confortando. — Logo passa.
Os dias foram passando e o clima não mudou na empresa, eu e Enzo não nos falávamos, a não ser que fosse necessariamente obrigado alguma troca de palavras. Na academia eu nem me aproximava da salinha onde ele e Gui treinavam box, evitava de todo jeito cruzar com ele, mas falava normalmente com o Gui, que tinha se tornado meu melhor amigo, ele era tão diferente do Enzo...
Um mês se passou nessa situação. Na quarta sexta-feira que eu tinha evitado tanto ele quanto o Gui na academia – porque falar com o Gui na academia significava falar com o Enzo também –foi inevitável não nos cruzarmos. Eu fui até o bebedor, que ficava do lado da sala onde eles estavam lutando box, para tomar água e quando virei para sair escorrei na água que estava ali no chão e caí. – Aí, droga. — falei botando a mão no meu tornozelo, porque caí sentada em cima dele. Agradeci por ser um pequeno corredor que ligava as duas salas, assim ninguém que fazia academia me viu caindo.
– Tudo bem? Se machucou? — Olhei pra cima ainda segurando o tornozelo e o Enzo estava me estendendo a mão.
– Não, tá tudo bem, eu só escorrei nessa água ai... — falei olhando o chão molhado. Enzo tinha vindo correndo do ringue de boxe percebi isso porque ele nem tinha tirado as luvas.
– Eu te ajudo... — ele falou tirando uma das luvas para poder me pegar melhor.
– Não, não precisa... — falei tentando me segurar no bebedouro para levantar.
Consegui ficar em pé, mas quando fui colocar o pé direito do chão gemi de dor outra vez, dei um pulinho me sustentando só na perna esquerda e Enzo me segurou para que eu não caísse de cara no chão.
– Segura em mim. — ele disse passando meu braço esquerdo por cima do seu ombro.
Gui chegou ali sem as luvas e me pegou pelo outro lado, apoiando meu braço direito em seus ombros.
– Machucou, Rafa? — Gui perguntou.
– Não sei, tá doendo bastante.
– Senta aqui. — Enzo disse me colando em uma cadeira. — Gui, pega um gelo lá no barzinho.
– Não, não precisa comprar gelo, já vai passar. — falei, não queria que ele gastasse nada comigo.
– Vai lá. — Enzo pediu para o Gui que saiu e deixou ali sozinhos.
Enzo se abaixou na minha frente sem me encarar, desamarrou o cadarço do meu tênis do pé direito e tirou o mesmo. Ainda bem que não tenho chulé, já estava completamente envergonhada com a ajuda dele, imagina se ele estivesse fazendo aquilo tendo que fechar o nariz... Enzo tirou minha meia e segurou meu pé com as duas mãos, com uma ele massageou um pouco acima do tornozelo, só então encarou me rosto.
– Dói quando aperto aqui? — perguntou.
– Um pouco. — fiz careta.
– Não acho que esteja torcido, só tá dolorido com o impacto... — ele disse.
– Hum... tomara. — fiz outra careta, tudo que eu menos precisava era um tornozelo torcido.
Ficamos em silêncio, Enzo ainda estava mexendo no meu pé, mas acho que fazia aquilo só para evitar meu olhar. Cinco minutos depois Gui voltou com um saco de gelo.
– Aqui, tive que buscar na esquina... — ele estendeu para o Enzo.
Enzo pegou e enrolou uma quantia de gelo em uma toalhinha. Depois com cuidado colocou meu pé apoiado nas pernas dele e pôs a compressa de gelo no meu tornozelo. Eu fiquei olhando ele fazer isso e me senti culpada com tudo o que havia dito a ele há um mês atrás.
– Pode deixar, eu seguro. — falei agradecendo com um sorriso. — É seu horário de treino...
– Tudo bem. — Enzo disse retirando meu pé do seu colo, puxou sua mochila preta e pôs meu pé em cima dela com cuidado, para ele ficar na mesma altura que estava antes.
Segurei a toalhinha com o gelo no mesmo lugar que ele tinha colocado. Enzo ficou em pé e olhou pro Gui.
– Quer treinar ainda? — O próprio Gui perguntou.
– Tanto faz. — ele deu de ombros.
– Rafa, quer ver eu dar uma surra nesse moleque ai? — Gui brincou.
– Eu acho que você vai é apanhar. — ri dando de ombros.
– Ah, não vai torcer pra mim? — ele fez bico.
– E adianta eu torcer pra você? — ri de novo, Gui mostrou a língua pra mim e Enzo deu uma risadinha também.
– Vamos. — Enzo jogou as luvas do Gui pra ele.
Os dois subiram no ringue e se prepararam. Em menos de meia hora Enzo já teria deixado o Gui inconsciente umas dez vezes. Ri com esses pensamentos. Eles desceram e vieram até mim de novo.
– Tá melhor? — Enzo perguntou me olhando nos olhos dessa vez.
– Tá sim. — sorri. — obrigada.
– Vai conseguir dirigir pra casa?
– Acho que sim. — fui me levantar mas assim que pisei no chão senti o pé latejar. — Ai, droga. — resmunguei sentando de novo. Enzo ajudou.
– Gui, leva o carro da Rafa pra casa que eu levo ela no meu, depois te pego lá... — Enzo disse ao Gui.
– Beleza. — ele concordou.
– Não, não precisa, sério, eu me viro... — falei.
– Sem drama dona Rafaella, me da sua chave ai, eu dirijo bem pra caramba. — Gui falou fingindo estar ofendido, eu ri.
– Aqui. — estendi ela pra ele.
– Já to indo, só vou passar em casa e tomar um banho rapidinho. — Gui disse e foi saindo.
– Se incomoda se eu tomar um banho rápido aqui na academia mesmo? — Enzo perguntou me olhando.
– Não, claro que não. Vai lá.
– Tá, espera aqui. — ele disse se abaixando e erguendo meu pé com cuidado pra pegar a mochila dele, tirou uma toalha, uma bermuda preta e uma cueca box branca. A mochila voltou para baixo do meu pé.
Enzo foi até o banheiro que tinha naquela sala e escutei o chuveiro ligado lá dentro. Não deu cinco minutos e ele saiu, só tinha passando uma água no corpo para tirar o suor mesmo. Veio em minha direção sem camisa, com o cabelo pingando e a toalha em volta do pescoço caída para frente. Fiquei sem reação vendo o corpo dele totalmente esculpido. O abdome definido, os braços musculosos e a água escorrendo maldosamente pelo peitoral dele.
– Esqueci a camisa. — ele sorriu de lado. Lindo.
Voltei do meu transe enquanto ele se abaixava e voltava a pegar a mochila. Enzo guardou as roupas que havia tirado lá dentro e depois puxou uma camiseta para fora, jogou sobre o ombro e enfiou meu tênis e a meia dentro da mochila dele também.
Colocou a camiseta e depois pôs a mochila no ombro.
– Agora vamos levar você para o carro. — ele disse colocando meu braço no seu ombro de novo e me ajudando a levantar.
– Obrigada. — agradeci.
Fomos até lá fora, Jess ficou meio preocupada quando me viu saindo com a ajuda do Enzo, mas eu disse que não tinha sido nada de mais. Logo chegamos ao estacionamento e ao carro dele. Enzo me levou ao lado do caroneiro, abriu a porta e me colocou no banco, até parecia que eu estava com todos os ossos do meu corpo fraturados e não só uma pequena dor no tornozelo.
Ele fez a volta e entrou do outro lado. Ligou o carro e dirigiu. O silêncio dominou lá dentro. No primeiro sinal vermelho ele ligou o rádio. Estava tocando Chasing Cars – Snow Patrol. Enzo sorriu com a música e acompanhou na parte que começava a tocar:
– Forget what we're told, before we get too old. — ele cantou e eu logo compreendi ''Esqueça do que foi dito, antes de ficarmos muito velhos''. Sorri olhando pelo vidro da janela.
– Show me a garden that's bursting into life. — cantei a parte que completava baixinho, ela dizia: ''Mostre-me um jardim que esteja ganhando vida''.
– Escuta Snow Patrol? — ele perguntou curioso.
– Escuto de tudo. — ri.
– Tem alguma música preferida?
– Eu tenho muitas músicas preferidas, gosto de um monte de bandas, ah gosto daquela uma do Dan Torres... Qual o nome mesmo? Ah, I can't without your love. Mas sei lá, tenho muitas músicas preferidas, essa é uma que acho bonita, assim, diferente do comum que eu escuto, acho que é por isso. — ri, eu estava tagarelando sem parar. – Nossa, não paro de falar.
– Temos tempo. — ele apontou com a cabeça para frente e eu vi o engarrafamento.
– Ah droga, não posso me atrasar... — olhei preocupada para frente.
– Vou ligar pra Beth, ela vai quebrar o galho. — Enzo pegou o celular. Logo começou a falar.
– Alô, Beth, é o Enzo.
…
– Preciso de um favorzinho.
…
– Eu estava na academia e a Rafaella também tem horário lá, ela acabou caindo e machucou o tornozelo, o Gui foi levar o carro dela para casa e eu estou levando ela, só que pegamos um engarrafamento aqui e acho que vai atrasar, quebra o galho ai, e se meu pai perguntar por ela diz que você pediu para ela buscar algum relatório ou sei lá... ok?
…
– É, você ama.– ele riu. — Valeu Beth. — Enzo desligou. — Pronto. Agora pode me falar das suas músicas preferidas com calma.
– Você é doido. — dei risada balançando a cabeça.
Ele sorriu.
– Ah, nacional gosto bastante do rock, as outras acho meio... fúteis. — dei de ombros. — E você, gosta de que?
– Escuto bastante Beatles, Led Zeppelin, hum não sei, várias bandas também... — ele ficou pensativo – e brasileiras, Detonautas, Raimundos... é por ai também. — ele deu de ombros.
– Hum.
– O que você mais gosta de fazer? — Enzo puxou mais assunto, eu estava gostando, era fácil falar com ele quando ambos queríamos.
– Gosto de ficar em casa tomando chocolate quente em dias de chuva. — falei a primeira coisa que me veio na cabeça, nem sei porque. — E você?
– Eu gosto de uma boa praia ou um ringue de boxe. Se bem que a ideia do chocolate quente até é boa, se tiver companhia. — ele deu de ombros sorrindo malicioso.
– Verdade. — ri.
– Acho que tinha dado algum acidente lá na frente... — Enzo comentou colocando o carro em movimento agora que o engarrafamento estava se desfazendo.
Concordei com a cabeça e o resto do caminho fomos falando sobre qualquer coisa. Não demorou muito e chegamos, Gui estava encostado no capô do meu carro. Enzo estacionou o carro, fez a volta e abriu a porta para mim.
– Acho melhor você ficar em casa hoje... eu falo com meu pai... — ele disse.
– Não, não, já tá melhor, já consigo andar direito. — falei colocando o pé pra fora do carro.
Quando pisei fiz uma careta e Enzo me pegou de novo me ajudando a descer. Ele insistiu em me levar até meu apartamento e como eu disse que iria trabalhar de qualquer jeito ele falou que me levaria, deu seu carro para o Gui e sentou na sala para me esperar. Tomei banho e depois passei remédio no tornozelo que já parecia bem melhor, doía só um pouco quando eu pisava firme. Terminei de me arrumar e fui pra sala.
– Pronto. — sorri pegando minha bolsa do sofá.
– Então vamos, senhorita Belmontt. — ele ficou em pé com um sorriso no rosto.
Descemos e fomos para o carro dele. Um mês depois da nossa discussão e das palavras trocadas, estávamos bem de novo. E isso me deixou incrivelmente feliz.
A dor no tornozelo passou e de tarde já andava normalmente, Augusto nem percebeu que eu tinha me atrasado, o que foi muito bom... De tarde ele mandou o Enzo fazer alguma coisa, então não o vi pelo resto do dia. Beth me mandou pegar um papel na sala do Enzo, fui lá, olhei em cima da mesa e peguei o que ela queria, vi também outra pasta, estava escrito que o Enzo deveria dar baixa nas notas até segunda de manhã.
– Aff, ele com certeza esqueceu disso aqui. — falei comigo mesma balançando a cabeça.
Peguei as notas e as levei para a minha mesa, entreguei o que a Beth tinha pedido e comecei a ajeitar aquela bagunça com as notas.
– O que você está fazendo? — ela disse curiosa vendo minha concentração.
– Ah, nada, só ajeitando umas coisas pra segunda... — dei de ombros. — O Enzo não volta mais hoje, ou volta?
– Hum... acho que não, ele já deve estar em casa se eu o conheço bem. — ela riu. — Porque?
– Nada não, é que vai que aquela... hum.. a namorada dele aparece aqui, ai eu sei onde dizer pra ela procurar ele. — dei de ombros.
– Ah, Bianca... Não sei o que tem com aquela menina, mas ela não é agradável.
– Concordo plenamente. — virei os olhos.
Levei duas horas para arrumar aquelas notas certo, depois que acabou meu horário, fui para casa. No final de semana quase não saí, choveu bastante e eu aproveitei para por meu sono em dia.
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