Opostos Perfeitos
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Capitulo 6 – Lugar secreto.
Narrado por Enzo:
Fiz as pazes com a Rafa graças a quase torção no tornozelo dela.No final de semana choveu muito e ficou ruim de sair de casa, não fiz muita coisa além de dormir e jogar videogame. Por sorte a Bianca me deixou em paz no final de semana e foi para a casa de alguma amiga mimada dela. Então tive um pouco de sossego. No domingo Gui apareceu lá em casa à tarde.
– E ai irmão, beleza? — ele disse entrando.
– De boa. — fizemos um toque de mão.
– A Fer tá ai?
– Lá em cima.
– Aff, chama ela lá.
– Vai tu ué. — ri.
– Aham. To lá já, vai ver eu subo e entro no quarto dela, agarro ela e depois o Augusto abre a porta e me pega pegando a tua irmã, e ai, o que eu faço?
– Ai tu corre. — rimos. — Tá, vou lá chamar ela.
Subi as escadas rapidinho e chamei a Fer.
– Desce lá que o Gui tá carente. — falei na porta do quarto dela.
– Ele tá ai? — ela girou na cadeira do pc com um sorriso enorme no rosto.
– Tá lá em baixo, maninha. — Sorri. Era legal ver meu melhor amigo e minha irmã juntos, exceto pelo fato de que eu mataria meu melhor amigo se ele magoasse minha irmã.
Passei a tarde com os dois na sala de jogos lá de casa, eu fiquei jogando play em um canto enquanto os dois matavam a saudade no sofá.
– Aff, vão pro quarto de uma vez. — reclamei.
– Aham, não quer que eu peça pro teu pai se não posso dormir aqui, no quarto da Fer, hoje, a talvez ele pudesse trazer uma cerveja e me servir uns sanduíches? — ele disse irônico.
– Já tá mais do que na hora de assumirem essa melação ai. — dei de ombros e ri do Gui.
– Se fecha ai, Enzo. — ela reclamou puxando o Gui e beijando.
Resultado: passei a tarde de vela e ainda por cima servindo de babá.
Segunda. Acordei com um susto do caralho por causa da porcaria do despertador que tocava feito louco. Joguei ele contra a parede como sempre fazia e virei para o outro lado, dormi de novo. Dez horas acordei, como de costume já, e vi que tinha acontecido o que sempre acontece... Eu quebro o despertador e chego atrasado na empresa. Levantei, tomei um banho, me arrumei, tomei café e saí. Cheguei na empresa e subi direto para o jardim no térreo. Eu tinha plantado um canteiro especial lá em cima — a um mês atrás — bem ao centro do jardim que minha mãe criou ali. Plantei margaridas. Todos os dias que chegava na empresa ia lá em cima regar elas. Fiz isso e depois desci para o escritório. Entrei e vi a Rafa na mesa dela, ela me olhou e sorriu de leve. Retribui o sorriso me perguntando o porque de ter evitado aquilo todas as manhãs por trinta dias.
– Bom dia, Enzo. — Beth falou.
– Bom dia, Beth. — sorri.
– Bom dia. — Rafa sorriu e balançou a cabeça provavelmente sentindo aquilo estranho, como eu.
– Bom dia, Rafa – retribui com um sorriso enorme, meio torto e fui pra minha sala.
Meu pai estava chegando ali e me parou.
– Enzo, deu baixa nas notas que eu pedi sexta-feira?
Puta merda, tinha esquecido completamente daquelas notas. Droga.
– É... — falei enrolando. Rafa chegou ali.
– Aqui, Enzo, coloquei as de sexta-feira na pasta azul que você pediu e as de quinta na vermelha. Eu conferi e só achei uma trocada de lugar... — ela me estendeu as duas pastas. Encarei a Rafa. Ela tinha dado baixa nas notas por mim e ainda estava me dando os créditos?
– Hm... Certo. — Sorri agradecido, voltei a virar pro meu pai. — Aqui. — estendi as pastas a ele.
– Foi ele mesmo quem deu baixa nas notas, Rafaella? — meu pai olhou para a Rafa curioso.
– Pelo que eu sei sim, ele me pediu as notas quando voltou, depois que o senhor entrou na ultima reunião do dia e depois ele me trouxe elas separadas e carimbadas e pediu que eu conferisse porque ele não tinha certeza. — ela deu de ombros. — Só achei uma fora do lugar.
Meu pai me encarou e pela primeira vez desde que botei os pés para trabalhar dentro daquela empresa, ele esboçou um sorriso para mim, que logo se contraiu no rosto sério dele de sempre, mesmo assim, eu vi um sorriso lá. Ele deu as costas e foi pra sua sala.
Peguei a Rafa pelo braço e puxei ela até a minha sala, acho que ela se assustou um pouco com a rapidez com que eu fiz aquilo, fechei a porta e encarei ela nos olhos com uma gratidão enorme dentro de mim. Segurei a mão dela e nem percebi que estava praticamente prensando ela contra a parede, o meu corpo quase no dela... aquele cheiro gostoso...
– Valeu, valeu mesmo, de verdade. — olhei fundo nos olhos dela.
– Não... não foi nada... — Rafa disse meio atordoada ainda.
– Foi, foi muito. — respirei. — Almoça comigo hoje?
– Sério, Enzo, não precisa fazer isso... Não foi nada, só quebrei um galho pra você, como você fez comigo na sexta...
– Não... não to te chamando pra almoçar por causa disso. — respondi balançando a cabeça. — Eu ia chamar de qualquer jeito, quero te mostrar uma coisa. — sorri.
– Mas...
– Por favor? — pedi sorrindo de lado.
– Certo. — ela riu vencida.
– Não sai antes de mim depois tá? Eu vou esperar todos saírem.
– Ok. — ela disse sem entender, mas concordou.
Rafa voltou para o lugar dela e eu fiquei feito bobo na minha sala. Muito agradecido por ela ter me dado aquela ajuda, especialmente por pelo menos uma vez, meu pai ter sentido um pouco de orgulho.
A manhã passou. Esperei o pessoal sair e depois fui até a Rafa, ela estava arrumando a bolsa.
– Oi. — falei baixo no ouvido dela que tomou um susto, estava de costas para mim, virou rápido.
– Que susto! — colocou a mão no peito. — Oi. — sorriu.
– Vem comigo.
Rafa me seguiu. Desci com ela para o refeitório da empresa, queria almoçar logo para levar ela no jardim que minha mãe criou antes de morrer, lá no térreo.
– Tudo bem se almoçarmos por aqui mesmo hoje? — perguntei.
– Claro, a comida é ótima. — ela riu.
– Você está almoçando por aqui todos os dias?
– Não, só quando a Beth tem alguma coisa para fazer, ai pra não ir sozinha em um restaurante eu almoço aqui mesmo. — ela deu de ombros.
O refeitório da empresa não tinha nenhum cozinheiro, era uma espécie de cozinha cheia de mantimentos e comidas rápidas, era a área de lanche da empresa, qualquer um podia ir ali e se sentir em casa.
– É bom de almoçar aqui, sempre tem pouca gente que fica e depois da para dormir praticamente duas horas se quiser. — ela riu.
– Ah, é? Então a senhorita almoça na empresa e depois tira um cochilo? — dei risada com a ideia.
– Eu não. — ela riu. — Mas os seguranças dormem. Eu almoço e normalmente fico sentada esperando o tempo passar ou lendo. — Rafa abriu a bolsa e me mostrou um exemplar de A Hospedeira.
– Você lê ficção cientifica? — fiz uma careta.
– Sempre. — ela riu. — Não gosta?
– Não gosto de ler livros. — dei de ombros, não era muito chegado a leitura mesmo.
– Então, vai querer comer o que no seu almoço, senhor Machiello? — ela perguntou me dando um empurrão de leve.
– Uau, senhorita Belmontt vai me dar a honra de cozinhar para mim? — sorri.
– Fazer o que né. Seu pai paga meu salário. — ela disse brincando.
– É, faz direitinho que eu digo pra ele te dar um bônus de gratificação.
Ela me encarou, acho que deduzindo que eu tinha falado aquilo com sentido ambíguo. Eu ri, ela virou os olhos.
– Então, algum pedido especial? — Rafa abriu a geladeira se abaixando um pouco.
Já tinha algumas pessoas ali, os seguranças, mulheres da limpeza e duas das recepcionistas também estavam por ali, percebi que eles ficaram olhando quando me viram entrar, logo todos tinham sentado de forma mais rígida.
– Se eu falar o que eu quero você me espanca. — falei baixo sem ela ouvir. — Qualquer coisa que não ocupe muito tempo. — dei de ombros disfarçando.
– Quer miojo então? — ela disse rindo.
– Pode ser mesmo. — disse.
– Sério? — ela me olhou, fiz que sim com a cabeça. — Tudo bem então. — deu de ombros.
Rafa preparou e em cinco minutos estávamos almoçando, ela ainda pegou um molho pronto e preparou ele rapidinho.
– Enzo, Enzo, que coisa feia, o que seu pessoal vai pensar quando ver que o futuro dono disso aqui tudo se baba todo comendo miojo com molho? — Rafa disse séria e depois caiu na risada.
– Hã? — olhei para ela sem entender.
– Olha isso aqui, — ela riu de novo e aproximou a mão de mim por cima da mesa. Tocou meu rosto de leve com o polegar. — Parece um bebê.
Por um segundo fiquei sem reação. Foi completamente estranho e diferente aquele toque dela em mim. Era estranho pensar desse jeito. Como ela era linda...
– Hm... — olhei para ela voltando ao normal, ela parecia não ter notado meu transe. — Olha quem fala né? — Sorri e foi minha vez de me aproximar do rosto dela.
Toquei no canto da boca dela olhando a mesma, quase pedindo para ser beijada de tão linda, depois ergui os olhos e encontrei o olhar dela me fitando, acho que ela perdeu a reação como eu tinha perdido antes. Abri a mão no rosto dela e acariciei de leve a bochecha sentindo a pele macia. Sorri, ela retribuiu o sorriso.
– Você... queria me levar para almoçar no refeitório do escritório? — ela sorriu mudando o clima que havia surgido.
– Ah, não... Não era aqui que eu queria te levar, quero te mostrar um lugar. Podemos ir?
– Aham. Já terminei. — ela ficou em pé. — Só vou ali no banheiro.
Rafa foi ao banheiro feminino e eu ao masculino, por sorte aquele lugar era parecido com uma pequena casa mesmo, deu até pra enxaguar a boca com pasta liquida. Saí do banheiro e esperei por ela que saiu logo depois.
– Pronto. — ela disse.
– Então vem comigo. — Sorri.
Rafa me seguiu e subimos pelo elevador até o térreo.
– O que a gente vai fazer lá em cima? — ela perguntou confusa.
– Vou te mostrar um lugar secreto dentro da empresa. — falei como se estivéssemos em um filme de suspense, ela riu.
Descemos no ultimo andar e ele dava em uma única porta, que era trancada.
– Nossa, que escuro aqui. — Ela falou porque realmente naquela parte não havia luz nenhuma, só o corredor de cinco metros que levava até a porta.
– Tá com medo? — perguntei pela reação dela, mas acho que cheguei perto demais da Rafa, pude sentir o cheiro do pescoço dela.
– Na... não... — ela disse baixo.
– Isso é bom. Algumas garotas ficariam apavoradas por estarem sozinhas com um homem em um corredor escuro longe de qualquer coisa e de qualquer outra pessoa que possa ouvir qualquer coisa. — falei prendendo o riso, queria ver a reação dela. Rafa parou de andar.
– Porque você me trouxe aqui? — perguntou com um pouco de receio.
– Rafa, eu to brincando, pelo amor de Cristo, não vou fazer nada. — ri do pânico dela.
– Aff. — ela murmurou, deveria ter virado os olhos.
Mais três passos e ela parou na frente da porta.
– Agora, feche os olhos. — falei baixo.
– Eu não to vendo nada de qualquer jeito. — ela falou.
– Belmontt, feche os olhos. — falei no ouvido dela.
Ela bufou. Depois deu um suspiro e fechou os olhos. Destranquei a porta e com a outra mão tapei os olhos da Rafa para que ela não visse nada antes da hora.
– Precisa disso? — ela falou inconformada. — Sua mão está suada, Enzo. — Rafa riu.
– To nervoso. — Ri. — nunca mostrei isso aqui pra ninguém, só quem conhece na empresa sou eu, a Fer, o Gui, Beth, o jardineiro e meu pai.
– Uau, quanta honra. Tudo isso só porque eu quebrei um galho pra você? — ela disse e percebi um sorriso em seu rosto.
– É, digamos que seja por isso. E a proposito, valeu, de novo. — agradeci.
– Tudo bem. Eu só acho que você devia ter mais respon... — cortei ela.
– Belmontt, você fala de mais. — suspirei.
Abri a porta e fiz ela dar um passo a frente, tirei minha mão dos seus olhos.
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