Opostos Perfeitos
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capitulo 2 – Almoço a dois
Narrado por Enzo:
Dizem que os opostos se atraem. Vai ver isso é verdade. Aquela tal Rafaella é meu oposto perfeito e nossa, aquele corpo chama mesmo. Desde o dia na academia, fiquei pensando na garota, não sei porque, mas ria quando lembrava do jeito dela e da água escorrendo pelo meu corpo. Quase bati no Guilherme quando ele falou que encontrou ela na praia. Mas tudo isso passou quando vi ela na boate com um carinha. Hoje quando cheguei na empresa ela estava lá. Congelei naquela hora, não sei porque. Na hora do almoço, fui sair da empresa de carro e ela estava sentada no capo do seu. Olhei e vi um dos pneus murchos. Parecia destino. Desde o dia na academia parecia destino. Fui dirigindo devagar até lá, parei o carro ali mesmo e desci.
- É, parece que vai ter que aceitar meu convite para almoçar. — falei olhando para frente com um sorriso vitorioso no rosto.
- Eu hein. Quem disse que estou com fome?
- E não está? — perguntei a ela. Marrenta.
- Se estivesse eu iria a pé até alguma lanchonete.
- Para de drama, vem comigo. — sorri.
- Não, obrigada.
- Vai querer que eu te carregue?
- Nem pense nisso. — ela me encarou.
- Então venha por livre e espontânea vontade.
- Não estou a fim. Sério, obrigada.
- Tem uma reunião importante depois, não pode desmaiar no meio dela.
- Ok, tudo bem. Estou indo almoçar. — ela pegou a bolsa dentro do carro e depois saiu andando da empresa.
- Ei! — chamei, mas ela já estava andando para longe. — aff, coisa mais emburrada. — reclamei pra mim mesmo. — foi só um banho de água.
Entrei no carro e fui seguindo ela.
- Entra. — falei abrindo o vidro enquanto ela andava pela calçada.
- Você é insistente, não é? — ela virou os olhos.
- Quero chegar na hora ao menos uma vez.
- Aff, tá. — ela disse por fim. Parei o carro para ela entrar.
- Teimosa.
- Como é?
- Teimosa. — falei de novo.
- Aff! Seu idiota.
- Estressada...
- Cala boca. — ela xingou.
- Brabinha...
- Se fode!
- Desbocada...
- Vou descer desse carro. — ela disse.
- Vai pular dele em movimento? — ri olhando os oitenta por hora do velocímetro.
- Vai, tomar, no, seu... — cortei antes dela terminar.
- Depois eu sou o mau educado né?
- Aff. — ela cruzou os braços e ficou emburrada.
- Pensa pelo lado bom, você está almoçando com o filho do seu patrão...
- Ah, só me faltava essa, vai dizer que sou interesseira agora? Que fui eu que fiz o convite e entrei no carro te obrigando a me trazer? — ela pareceu ofendida.
- Ei, não, não quis dizer isso... — tentei consertar.
- Mas disse.
- Você entendeu errado.
Ela não disse nada.
- O que quer que eu faça pra me desculpar?
- Ah, quem sabe você me dê alguns presentes bem caros. — ela falou irônica.
- Quer alguma coisa? Posso te dar um presente como pedido de desculpas mesmo... não quis ofender.
- Pode me dar qualquer coisa, desde que não gaste um centavo com isso. — ela me encarou. — ai te desculpo. — sorriu.
Havíamos chegado a um restaurante.
- Temos que comer aqui?
- Porque?
- Por que só tem gente rica aqui.
- Eu pago, e você me desculpa ai?
- Achei ter dito que te desculpava se você não gastasse um centavo com isso.
- Ok. Alguma sugestão de onde comer então?
- Claro, vire a direita e ande duas quadras.
Fiz o que ela pediu e logo estávamos na frente de uma lanchonete. ''Lancheria do Jack'', li na frente.
- Vamos. — ela sorriu pulando para fora do carro.
- Vamos lá. — dei de ombros e sorri.
Entramos e por incrível que pareça aquele lugar simples parecia melhor que qualquer restaurante que eu já tivesse entrado.
- Vai comer o que? — perguntei sentado a frente dela na mesa.
- O prato da casa. Arroz, batata-frita, bolinho de chuva e carne. — ela tirou os olhos do cardápio e me encarou. — e você?
Eu apenas dei risada.
- Quero o mesmo.
- Rafa, tudo bem garota? — uma mulher abraçou ela.
- Ei, Jeni! Tudo e você?
- Ótima. O que vai ser?
- A moda do Jack. — ela sorriu para a mulher e eu vi como aquela garota era incrível.
- E você? — ela se dirigiu a mim.
- O mesmo. — sorri.
Vi a mulher dar um cutucão na Rafa e ela riu balançando a cabeça negativamente. A mulher saiu.
- Cuidado, ela acha que você é meu namorado. — Rafa virou os olhos.
- Ué, mas eu nem falei nada.
- Aff, fica quieto. — ela riu.
- Então, já me desculpou?
- Hum. Não.
Fiquei puxando uns assuntos com ela, volta e meia dávamos uma patada um no outro, mas eu estava adorando aquilo. O nosso pedido chegou.
- Ei, Jeni? — chamei quando ela se virou para sair dali.
- Pois não?
- Como eu faço para dar um presente a esta moça sem gastar um centavo? — perguntei educado.
- Beije ela ué. — a mulher deu de ombros e riu.
Boa sugestão.
- Jeni! — vi a Rafaella dar risada e depois dar um tapinha na moça.
- O que? Beijos são de graça, abraços e flores também.
- Jeni, quieta. — outras risadas.
A mulher nos deixou a sós e nós começamos a comer. Estava muito melhor que qualquer prato inglês do Yorken.
- Ei, — ela disse limpando a boca com o guardanapo. — você não tinha um almoço marcado?
Bianca.
- Ah... esqueci. — dei de ombros.
- Ela não é sua...
- Não. Quer dizer, ela acha que é, mas não temos nada de oficial.
- Hum.
- E o seu namorado, como vai?
- Que namorado? — ela disse confusa.
- O cara da boate...
- Caio? Ah, não somos namorados...
- Hum... — percebi que deixei o clima meio estranho, afinal porque diabos perguntei aquilo a ela?
- Acho melhor irmos, não quero deixar seu pai bravo. — ela sorriu.
Meu pai. Suspirei.
- Vamos então. — levantei e fui ao balcão para pagar a conta.
- Paga só o seu. — ela disse.
- Nem pensar. — dei risada tirando uma nota de cinquenta da carteira e segurando a bolsa dela para que ela não conseguisse pegar dinheiro. — ei, Jeni, me ajuda aqui, esta moça não quer me deixar pagar a conta! — ri.
- Que coisa feia, dona Rafaella. — Jeni sorriu sendo minha cúmplice. — deixe o moço pagar a conta.
- Aff, Jeni.
Paguei e saímos, voltamos ao meu carro e ela estava de cara fechada de novo.
- Ah, não. Devo dois presentes sem preço agora? — perguntei deitando a cabeça no banco.
- Isso mesmo.
- Tá, espera aqui.
Desci do carro e lembrei que Jeni havia falado em flores. Peguei duas margaridas ali no canteiro perto da porta de entrada e mostrei a Jeni que riu lá dentro e assentiu com a cabeça. Voltei ao carro.
- Pronto. — mostrei a ela. — me desculpa?
- Hum... vou pensar.
- Você é difícil, hein. — dei risada.
- Ué. — ela deu de ombros. — qual a graça de ter as coisas de mão beijada?
- Não precisar arrumar a casa, nem lavar louça e nem fazer a comida tem suas vantagens, sabia?
- Quais por exemplo?
- Dormir até tarde.
- Vejo mais vantagem em cozinhar. — ela sorriu sem me olhar.
- Opa, temos uma chefe aqui?
- Oui mousieur. — disse ''sim senhor'', em francês.
- Ei, não me xinga não. — falei fingindo não entender, mas essa era fácil de deduzir...
Ela começou a rir.
-Fica quieto garoto, não xinguei você.
- ''Garoto'', essa é boa. — falei.
- Ah, sim, desculpa ''grande homem''.
- Melhorou.
Dirigi até a empresa e logo chegamos.
- Ah, droga, estamos atrasados, já é cinco pras duas! — ela falou se apressando em sair do carro.
- Calma, só começamos as duas...
- Mas seu pai pediu que chegássemos dez minutos antes.
Subimos rápido, entramos na sala do Augusto as duas em ponto, ele nos olhou por cima dos óculos.
- Pensei que tivesse dito dez para as duas. — Meu pai falou com aquele tom que eu detestava, como se sempre fizesse tudo errado.
- Desculpe. Não vai acontecer de novo. — Rafa falou.
- Não vai mesmo. — meu pai disse sério.
- Pai, a culpa foi minha. — Falei tentando amenizar as coisas.
- Enzo, não posso aceitar esse tipo de coisa aqui na empresa.
- Não chegamos atrasados. — defendi, de fato, estávamos dentro da empresa antes das duas horas.
- Bom, vamos, temos uma reunião agora, vou precisar de você, Rafaella. — ele disse.
- Ok. — ela concordou.
Percebi que a Rafaella ficou um pouco assustada com o jeito do meu pai, mas ele é assim com todos.
Meu pai saiu na nossa frente e nós fomos seguindo ele.
- Tudo bem? — perguntei vendo a expressão dela.
- Quase acabo de ser despedida no meu primeiro dia de trabalho e você pergunta se está tudo bem? — ela disse baixo para mim.
- Posso te dar mais uma flor?
- Engraçadinho. — ela riu com sarcasmo.
Entramos na sala da reunião, os caras falavam umas coisas lá que eu me senti totalmente perdido, em francês. Quando a Rafaella começou a traduzir as coisas que eles falavam e depois explicar as coisas em francês para os caras, fiquei observando. Tinha um chinês junto, que eu reparei que ficou olhando para ela, ou melhor para o corpo dela. Reparei mais uma vez em como ela era bonita, Deus do céu.
- Então é isso. Diga que aceitamos. — meu pai pediu a Rafa.
- D'accord. — ela disse.
Os caras começaram a se apertar as mãos e vi o chinês se demorar um pouco segurando a mão da Rafaella. Cheguei perto deles e estendi a minha para que ele solta-se a dela, deu certo.
Mais de uma hora já tinha se passado ali, os caras saíram e ficamos só nós três na sala.
- Ótimo trabalho! — meu pai apertou a mão da Rafaella.
- Obrigada. — ela agradeceu com um sorriso.
Eu não sei porque meu pai me levava nessas reuniões se a única coisa que eu fazia era ouvir tudo calado.
- Enzo, da próxima vez pareça um pouco mais interessado. — ele me dirigiu um olhar sério.
Me deu raiva naquele momento. Nunca está nada certo ou bom para ele. Saí da sala e deixei os dois lá. Entrei na minha e fiquei olhando a cidade pela enorme vidraça. A porta se abriu um tempo depois atrás de mim.
- Tudo bem? — Rafa perguntou da porta.
- Uhum. — murmurei. Vi que ela fechou a porta e veio até mim, aquilo me surpreendeu.
- Seu pai só está um pouco estressado... foi um negócio difícil.
- Então é assim difícil todos os dias. — falei baixo.
- Não é pra tanto também.
A garota mal chega e já acha que sabe de tudo? Agora ela acha que eu estou de drama?
- Você não entenderia.
- Ele só quer que você siga os passos dele.
- Você não tem mais nada pra fazer, não? — perguntei sendo grosso.
Ela me encarou.
- Desculpa, eu só... desculpa. — virou e saiu da minha sala antes que eu falasse mais alguma coisa.
Notas finais
Espero que estejam gostando, não deixem de comentar ><
Beeijos ;*
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