Operação: Youkai
1 Primeiro
Notas iniciais
A loira preparava os documentos depositados a pouco sobre sua mesa, tudo estaria correndo exatamente como o planejado, tomando toda a cautela necessária eles teriam êxito em seguir adiante com suas pesquisas. — Como cientistas, é nosso dever fazer isso... Não é? — Questionava-se a respeito de tudo aquilo, se realmente era ou não o certo. Teriam sérios problemas caso o governo descobrisse qualquer coisa a respeito, afinal de contas, foram estritamente proibidos todos os desenvolvimentos no ramo das pesquisas em relação aos youkais, pois esses eram vistos somente como cobaias, armas de poder bruto, mas a jovem pensava de forma diferente. — Eles podem não ser exatamente humanos, mas eu acredito que possam demonstrar raciocínio lógico e racionalidade, não é mesmo Sighfried? O que pensa sobre o projeto? — Perguntara a um dos poucos cientistas que se mantinham na sede do laboratório, somente aguardando a chegada dos grupos especialmente seletos de youkais.
- Senhorita Lothus, creio eu que sim, espero que de tudo certo, além do mais não é todo dia que conseguimos achar espécies tão distintas sem que o governo descubra. Analisá-los e humanizá-los pode não ser uma tarefa fácil, mas tenho certeza de que conseguiremos. — O homem sorriu de uma forma um tanto asquerosa devido ao seu porte físico não ser dos mais elegantes, mas ainda assim trouxe um certo conforto a jovem.
Depois do suspiro da jovem encher o recinto, o som de passadas foi ouvido e os outros cinco cientistas entraram na sala, carregando, cada qual, seu percentual de crianças. Eram as crianças mais distintas umas das outras, algumas mais velhas, outras ainda pequenos bebês.
Os mais velhos vinham dentro de uma espaçosa jaula, mantendo-os seguros e presos ali dentro, para que não tentassem atacar alguém ou coisa parecida. A aparência das crianças, por mais que tivessem real semelhança com humanos, eram distintas em algumas considerações, a mais chamativa, era justamente o fato de terem características animalescas.
A loira franziu o cenho. — Não há a necessidade de mantê-los aprisionados em jaulas... Como animais. — Ela respondeu possessa. — Você gostaria que eu prendesse seus filhos em gaiolas imundas? — Ela se aproximou, em passos decididos, e abaixou-se em frente às grades, aprumando-se para soltar o trinco dela. Um dos garotos da jaula tentou morder-lhe a mão.
Lothus reparou, então, as crianças mais velhas: A mais velha de todas era o garoto que tentou morder-lhe. Ela pode reconhecer como proteção o instinto que ele tivera. Era um garotinho que deveria ter por volta de seis anos humanos, tinha cabelos negros como a noite e dois grandes olhos prateados, assim como orelhas e cauda de uma raposa negra. Ao redor dele, tinham mais duas garotas — Uma delas com os cabelos peculiarmente azuis e olhos heterocromáticos. Ela estava encolhida em um canto, com suas orelhas brancas postas bem para trás e dois indícios de pequenos chifres lhe nascendo à testa, Lothus pode reparar que se tratava de uma pequena ovelha. Ao seu lado uma garota com um tanto mais de atitude, ela estava de pé e balançava freneticamente seu rabo fino, os cabelos caiam rosados, pelas costas e os olhos arroxeados estavam firmes em sua imagem, assim como as orelhas postas para cima, em atenção. Ela era um filhote de Lince Ibérico. — e outros dois garotos — Um que era extremamente semelhante à Lince, em cor de pele e olhos, assim como a raça, Lothus desconfiava que fossem irmãos, ele também tinha as características de um Lince e seus cabelos eram vinho. Ao seu lado, em posição de ataque, estava o garotinho de cabelos cinzentos, assim como pele extremamente alva e olhos estupidamente claros. Ele era um filhote de lobo cinzento.
-Não precisam ter medo, não lhes farei mal. — Ela falou em um tom de voz sutil. E não teve certeza se o olhar do filhote de raposa amainou por ele ter a entendido ou pelo seu tom amigável, encantando-os como, literalmente, os animais que eram.
Em seguida tratou de soltar o trinco da jaula, deixando-os “livres". — Qualquer coisa que precisarem, podem contar comigo — Falou a loira com a voz mais materna que pode, ainda não tendo certeza se eles podiam compreende-la plenamente. Por mais que agora as jaulas estivessem abertas, nenhuma das crianças youkais saíra, todos ainda a olhavam, uns mais com uma intensa curiosidade e outros com uma aguçada desconfiança. Em questão de segundos instalou-se na sala um silêncio desconfortante. — ... Bom, não há o que temer pequenos, podem sair. — Afastou-se poucos passos da jaula e fez sinal para que os outros cientistas fizessem o mesmo.
Estando todos os humanos a uma distancia razoável, o pequeno de cabelos negros fora o primeiro a sair, assumindo um posto de liderança entre os pequenos, que o seguiram aos poucos, com exceção da garotinha de cabelos azuis, esta que permaneceu encolhida dentro da jaula até que tirasse ela de lá. Logo, os bebês foram levados para uma sala um tanto isolada, para que pudessem obter os devidos cuidados.
Lothus se aproximou, devagar, do filhote de raposa, que estava em um misto de curiosidade e desconfiança. Assim que ele percebeu a aproximação da loira, emitiu um pequeno chiado e colocou as orelhas para trás, mostrando os dentes, em um nítido sinal de 'se afaste'. Ela suspirou e ajoelhou-se, para ficar da mesma altura que ele. Era quase como um instinto seu. Não tivera filhos... Nem poderia ter. Ver aquelas crianças, desamparadas, mexiam com seu lado materno.
-Você consegue me entender? — Ela perguntou, baixinho. O moreno fez que sim com a cabeça, meio incerto. — Você sabe me dizer seu nome?
O pequeno ergueu as orelhas e olhou para os lados, ainda meio que desconfiado. Procurava qualquer indício de algo que pudesse a vir fazer mal a ele. Vendo-se 'seguro', resmungou, em um fio de voz de criança. — Sieghart.
-Prazer, Sieghart. Eu sou Lothus. — Ela sorriu, sem mostrar os dentes. Era ainda muito cedo para ele entender que o sorriso não era uma ameaça. — Você sabe me dizer o nome dos outros?
Ele apontou primeiro o garoto de cabelos vinho, em sequência, a outra lince. — Dio. Rey. — Em seguida apontou para o outro lado da sala, onde o garoto albino tentava escalar a estante, tentando chegar até a janela. — Lass. — Depois procurou com os olhos e encontrou a ovelha de olhos heterocromáticos. — Mari. — Então ficou quieto, por vários momentos. — Você fazer mal?
Lothus estendeu a mão, ainda sem toca-lo. — Não quero, nem vou, machuca-los. Vocês estão seguros aqui.
O moreno analisou a mão da mulher a sua frente, não vendo significado em seu ato, apenas a ignorou e manteve-se a observar a sala em que estavam. Nunca se deparara com um local como aquele, somente habitara florestas e aquilo estava longe de ser ao menos semelhante com o mundo qual conhecia. Não havia muitas janelas na sala e nenhuma estava aberta, mas misteriosamente sentia uma brisa gelada percorrer por pequenas frestas prateadas nos extremos das paredes vermelhas, havia objetos de madeira não muito grandes de diversas formas pela sala. Por mais que tivesse apenas cerca de seis anos, possuía alguma noção das coisas, mas aquilo tudo era muito drástico para sua mente, saíra subitamente de seu transe com a voz da loira — Vocês devem estar com fome não é mesmo? — Espalhou-se um aroma estonteantemente agradável pelo ar e como em uma resposta a seus instintos, sua cauda abanara-se de um lado para o outro enquanto tentava farejar de onde vinha o cheiro maravilhoso. O garoto albino de cabelos prateados, junto com os demais, espalharam-se pela sala a procura do odor misterioso.
Lothus se ergueu e acenou para que trouxessem a comida. Ela era composta de carne, em sua maioria, vegetais e algumas verduras. Ir-se-iam ser criados como humanos, tinham que se alimentar como humanos também. Ela ajudou Mari a se levantar e, de mãos dadas, caminharam até a mesa, onde ela apontou as cadeiras. — Sente-se, eu irei ensiná-los a comer como a gente.
Eles pareceram entender a ordem, sentaram-se espalhados pelas cadeiras, quase todos em posições incorretas, mas a cientista chegou à conclusão que não valia a pena ser extrema neste momento. Assim que a comida foi posta, é que veio o problema.
Não ligando para boas maneiras ou educação — certamente porque não conheciam nenhum dos dois — todos os quatro youkais saudáveis atacaram as carnes, ignorando os outros componentes. Mari continuava plácida em seu lugar e, Lothus vendo que não adiantava nada brigar com eles, agachou-se próxima à garotinha e pegou um garfo, com delicadeza, começando a dar-lhe comida na boca.
A mais nova fazia movimentos excessivamente mecânicos, não olhava o que estava comendo e não ligava se mastigava o suficiente. Mas a ação de ver a loira abaixada dando comida para a azulada despertou a atenção de todos os outros.
-Eu querer também! — A outra garotinha chamou, pegando o prato, sem saber exatamente o que fazer, e correndo até a humana, estendendo o objeto. — Igual a ela! Querer.
Lothus sorriu. — Posso dar-lhe comida também. E posso te ensinar a como comer assim.
-Eu primeiro. — O moreno chamou, puxando o jaleco que ela vestia e apontando o prato. A garotinha encrespou o nariz.
-Eu pedir primeiro!
-Eu ser mais importante!
-Vocês ficar quietos! — O outro lince resmungou, tentando segurar um garfo como a cientista fazia, em sua pouca habilidade e muita curiosidade.
O albino nada falava ou fazia, apenas observava, com sua atenção cravada na mulher humana. O moreno fez bico, com raiva de o outro estar tentando mandar em si, já a garotinha largou o prato de qualquer jeito perto da cientista e, abanando seu rabo, sentou-se ao lado do outro lince, passando a cabeça pelo ombro dele, como se fosse um carinho.
-Irmão não precisar ficar bravo. — E sorriu. — Humana boa.
-Hnf. — E novamente seus dedos se embaralharam, tentando segurar o objeto de metal. Depois de alguns momentos, o atirou de qualquer maneira sobre a mesa.
Depois de Lothus acalmar o pequeno filhote de raposa, que quicava de um lado ao outro — e ela tinha medo que ele fosse até lá morder o filhote de lince — resolveu tentar ensinar ao Dio como comer com o garfo.
Depositou um pequeno pedaço de carne na boca do moreno, em seguida afagando-lhe os cabelos — Eu vou ajudar seus amiguinhos e já volto — Sorriu ao ver o mais novo corar levemente, parecendo encabulado.
- Poder ir, eu esperar — Desviara o olhar da loira, não era acostumado a caricias e muito menos a um tratamento tão hospitaleiro e certamente não sabia como lidar com aquilo.
Lothus agora se encontrava diante de um desafio, todas as demais crianças encaravam-na. Ela agachara-se perto dos irmãos linces, pegando o garfo sobre a mesa e fazendo movimentos lentos mostrou a eles todo o processo, dês de pegar um pequeno pedaço de carne com o garfo até levá-lo a boca e mastigá-lo calmamente, em seguida ergueu o garfo diante dos youkais linces — Sua vez Dio.
O rapaz pegara o garfo, mas por mais incessantes que fossem suas tentativas, não conseguira imitar o processo demonstrado pela humana, ele se descoordenava, sendo incapaz de acertar corretamente o garfo na boca. Em pouco tempo a garotinha tomara o talher das mãos do irmão e com não muita dificuldade imitara a humana, conseguindo comer a carne com facilidade. — Viu? Ser assim. — Vendo o sucesso da irmã, enrugara a testa e por pouco a cientista não teve de apartar uma briga.
A atenção de todos fora desviada para o pequeno youkai raposa que estava sobre a mesa, tentando chegar perto da humana. — Ensinar a mim também, sim? Ser minha vez!
-Eu vou ensinar a todos, fiquem calmos meus queridos. — Ela suspirou e voltou a pegar o talher, os cientistas, parados ao fundo da sala só conseguiam rir e fazer pequenas anotações da interação que estava acontecendo. Novamente ela pegou o garfo e mostrou o processo, assinalando o uso correto do polegar e onde o metal deveria apoiar-se.
Dio resmungava algo baixinho, tentando fazer como mostrado. Sieghart não demorou muito para conseguir imitá-la, saltitando feliz pela mesa, como se aquilo fosse um grande avanço. Lothus riu, baixinho.
A loira então se virou para o lince e segurou sua mão com delicadeza, fazendo o processo com a mão do felino, para que ele assim entendesse. Dio corou.
-Não precisar de ajuda! — Resmungou, soltando-se da mulher e voltando a fazer sozinho todo o processo. — Conseguir, viu? — Ele murmurou, sentindo-se superior e depois pegando um pedaço de carne no prato.
-Não falar assim com a humana, gato feder! — O moreno reclamou e pulou sobre o lince, tentando morder-lhe. O felino girou as ancas e empurrou-o no chão, pulando sobre ele e ambos começaram a rolar no chão, entre socos, pontapés e mordidas.
-Vocês dois, parem com isso! — Lothus se ergueu e, sem pensar duas vezes, puxou o lince pelo tórax, o afastando da raposa e o erguendo do chão. O lince, sem ver muito o que fazia, acabou arranhando a loira, em um corte um pouco profundo. Ela o soltou imediatamente, pressionando o machucado contra os lábios, em dor. — Ai!
-Viu o que fazer! — O moreno ralhou com o lince, tentando limpar a poeira de seus cabelos. O felino soltou um muxoxo e se aproximou devagar, mantendo as orelhas rentes a cabeça, meio que envergonhado.
-Me dar! — E estendeu as pequenas mãos para a Lothus, que, meio que sem entender, estendeu a mão de volta para o garotinho, que a segurou com delicadeza e, depois, mordeu seu próprio polegar, deixando uma gota de sangue escorrer pela pele dele e depois passá-la delicadamente sobre o machucado da mulher.
-Curar, viu? — Ele murmurou, baixinho. E uma dor aguda correu os músculos da mulher, para depois o ferimento se fechar, como se cicatrizasse muito rápido.
-Então é mesmo verdade que o sangue youkai tem propriedades curativas...
-Desculpar. — Ele murmurou baixinho.
Lothus sorriu, passando a mão pelos cabelos dele, fazendo um cafuné rápido. — Obrigada.
O silêncio seguiu-se na sala, até o moreno aproximar-se devagar, com a irmã lince atrás.
-Também querer. — E apontou envergonhado para a cabeça do lince, como que se referindo a carícia de há pouco.
-Eu também. — A felina apontou para si própria, e depois piscou seus dois grandes olhos pidões.
Lothus tivera sua atenção chamada pelo lobo albino no outro lado da mesa, este que erguera uma das mãos — Também querer — Falou quase como em um sussurro.
- Eu ser o primeiro! — O moreno anunciara.
- Você que achar, cão sarnento! — Dio encarava-o pronto para partir novamente para cima do rapaz.
- Acalmem-se todos vocês — Lothus falava enquanto fazia cafuné em ambos. Reparara que havia certa rixa entre as raças de youkais ali, como um tipo de briga entre gato e cachorro, mas nesse caso eram crianças um tanto diferentes. — Tem para todos, mas vamos deixar isso para depois, agora que tal um banho? — O odor dos pequenos estava-a incomodando, aquela seria uma boa oportunidade para analisá-los devidamente e ensiná-los higienes básicas.
Os irmãos linces fizeram ambos uma careta — Não querer isso...
- Eu querer! — O youkai raposa mais uma vez subira na mesa com uma velocidade invejável mesmo sendo apenas criança. — Vocês serem fedidos.
Os irmãos saltaram juntos contra o moreno, derrubando-o da mesa. Logo estavam os três rolando em meio a cotoveladas, pontapés e mordidas pelo chão.
Voltando a escalar a estante, tentando alcançar a janela, o albino derrubava livros e mais livros, fazendo bastante barulho em suas tentativas falhas.
Mari mantinha-se sentada ignorando tudo ao seu redor, comendo vagarosamente alguns pedaços restantes de carne e adjacentes que ainda restavam sobre a mesa bagunçada.
Observando a situação toda, apoiara o dedo indicador no queixo, refletindo, aquele seria um dia difícil, um de muitos, mas estaria disposta a isso por eles. A loira sorrindo riu divertida, fazendo com que todas as crianças parassem o que faziam para encara-la, sem entender ao certo o motivo, começaram a rir juntos com exceção da pequena de cabelos azulados que se mantinha isolada em seu mundo.
Toda aquela loucura duraria por mais muitos anos, ela presumia. E só de pensar nos outros pequenos que não estavam na sala lhe dava um pouco de desespero. Os dias que se seguiram foram de análises e aprendizado, por ambas as partes, e diante dos testes técnicos e psicológicos, Lothus pode perceber que não só cresciam em uma velocidade avassaladora — tanto que em um pouco menos de uma semana já tinham quase o tamanho de um pré-adolescente humano — e eram felizardos de uma inteligência excepcional.
Em pouco tempo também foi notável como eles dominavam as coisas mais inesperadas, o filhote — que já não era tão filhote assim — de raposa sempre era um dos que, de repente, colocava fogo em alguma coisa. O lobo tinha o péssimo hábito de sumir e os filhotes de lince sempre descarregavam baterias de qualquer coisa elétrica para poderem brincar com os raios.
Os bebês, que chegaram tão pequenos, já atingiam a faixa de seis ou sete anos, mas todos aprendiam muito rapidamente, inclusive a dialogar, quase sempre, corretamente. E, mesmo que a cientista não quisesse admitir, eram incrivelmente perigosos, apesar de incrivelmente carinhosos também.
Quem nomeou as crianças foram os próprios youkais mais velhos, aparentemente eles tinham uma iluminação grande para os nomes, ou simplesmente já sabiam de todos eles.
Passou-se então um ano. Durante o exame de rotina, Lothus pode reparar no filhote de raposa, que agora era um homem feito, mas com o mesmo jeito de quando chegara no laboratório. — Parece que finalmente vocês pararam de crescer, não?
O moreno sorriu, de canto. — Normal. Youkais crescem até seu tamanho adulto rapidamente, depois não envelhecem mais. Só depois de muitos anos.
-Idade adulta?
-Idade humana adulta. — Ele esclareceu. Lothus fez um ‘oh’ silencioso e o moreno sorriu. – Sim, eu já sabia disso desde o começo.
Ela soltou um muxoxo. – Poderia só ter... Quem sabe... Me esclarecido isso.
Ele riu. – E qual seria a surpresa que você teria? – Assim, levantou-se, vestindo sua blusa novamente. – Terminamos, né?
-Sim, suma da minha vista. – Ele acenou de leve e ela sorriu, abertamente. Então o moreno se retirou.
Lothus correu os olhos pela ficha que carregava, suspirando. Eram treze crianças – ou quase adultos, sua mente sinalizou – que ela teria que cuidar com muita atenção.
Eles eram compostos por mais quatro garotos e quatro garotas, além dos mais velhos, exatamente. Eram eles Elesis, uma garota meio explosiva – tal qual o elemento que ela dominava, Fogo – portadora de olhos e cabelos vermelhos e charmosas orelhinhas e cauda de uma raposa vermelha. A diferença entre ela e o filhote de raposa mais velho eram quase nulas, exceção que ela dominava o fogo vermelho e ele o negro.
Arme, uma pequena gata negra, que tinha cabelos violetas curtos e olhos roxos bem chamativos. Ela dominava com uma destreza invejável a Água, especializando-se em uma cura, completamente diferente de qualquer outra que Lothus já presenciara. Era sutil, rápida e eficiente. Tinha também a elegante Lire, um Milhafre-real – uma bela ave de rapina – que Lothus pode presenciar quando ela teve seu ‘primeiro voo’. Ela era loira, esbelta e de cativantes olhos verdes. Como era esperado, dominava o Ar, mas de uma maneira completamente diferente do silencioso Lobo Cinzento.
Amy era um pequeno coelho branco. Bondosa ao extremo, porém portadora de um ego muito maior que ela. Ela dominava uma mistura de Ar & Água, sendo extremamente ágil e de desenvoltura rápida, mas mantendo as propriedades curativas da água. E tinham, claro, Rey e Mari. A Lince era uma mistura de Ar & Fogo, por isso tanto ela, quanto seu irmão, eram capazes de dominar qualquer coisa que era composta de eletricidade.
A ultima garota permanecia um mistério. Ficava quieta em seu canto, nunca falava nada nem fazia movimentos desnecessários. Era a única qual o Lobo Cinzento aproximava-se, às vezes ficando horas sentado ao seu lado sem nunca nenhum dos dois soltar uma só palavra.
Quanto aos garotos, haviam as mais distintas criaturas. Uma delas era o Ronan, um nobre youkai Dragão, qual dominava a Água para batalha. Era capaz de não só dominar o líquido com uma destreza invejável como também congelá-la ao seu bel prazer. Tinha longos cabelos azuis, bem como olhos azuis frios, porém era uma criatura amável.
Além dele, havia o Lobo Cinzento, vulgo Lass, que dominava o Ar, era o mais ágil e imprevisível de todos, bem como tinha uma facilidade tamanha de desaparecer, ou afetar a visibilidade das coisas ao seu redor. Lothus descobriu depois, mas ele e Ryan se estranhavam. Ryan era um lobo vermelho, dominador de Ar & Terra, e sua espécie era uma cruza de Lobos Cinzentos com Coiotes. Alguma coisa dizia à cientista que aquilo era algo como uma rixa familiar. O lobo vermelho tinha os cabelos ruivos e chamativos olhos verdes, pra lá de decididos.
Havia também o sonoro lutador, um youkai canguru dominador da Terra, se havia alguém que ela não queria como inimigo era um dominador de Terra. Era forte, graças à dominação, e detinha um poder sobre o campo de batalha que faria qualquer inimigo se render, se quisesse. Ele era ruivo e tinha dois grandes orbes dourados, assim como sempre tinha um sorriso no rosto.
E além dos dois mais velhos – Sieghart e Dio – havia o urso polar, um misterioso garoto que tinha cabelos brancos, tal qual o Lass, e duas cativantes orelhas de urso no topo da cabeça. Ele era um dominador de Terra & Ar, uma das raças raras, e era capaz de expelir, assim como injetar ou vaporizar, do jeito que quisesse, um veneno forte, que sobre exposição um humano morreria em menos de uma hora. Era um veneno que afetava o sistema nervoso periférico. Era conhecido como Zero.
Lothus suspirou. – Eu amo todos eles... Mas que dão trabalho dão! – E riu, sozinha.
Notas finais
Bem, deixem reviews!
Beijos, crianças ~
Teffy
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