Operação: Youkai
2 Segundo
Notas iniciais
Enjoy!
A jovem de cabelos azulados estava sentada em uma sala vazia, encarava a geringonça a sua frente. — Como será que funciona esse tal de computador? — Indagara-se, a tela emitia uma luz forte em meio aquela sala com sua iluminação precária. Sendo tarde da noite teria o tempo mais do que necessário para entender aquele objeto, as tecnologias deixavam-na intrigada, gostaria de entendê-las.
Começaram a aparecer números pela tela de forma completamente aleatória. Os outros youkais aprenderam rapidamente como fazer uso de suas habilidades elementais, já ela não demonstrava traço algum dessas anomalias, na verdade não se importava.
- Será que é assim? — Fazia movimentos rotatórios com o mouse sobre a tela e esperava que algo acontecesse, mas a tela somente continuava a emitir sua luz incessante e apresentar imagens numéricas aleatórias. Do contrário dos outros que preferiam fazer uso de suas habilidades e inteirando-se aos em meio aos costumes humanos, aquilo tudo era desnecessário ela tinha certeza disso, afinal de contas a solitude sempre fizera-lhe muito bem.
Desistindo da peça que parecia não fazer diferença alguma no que estava pretendendo fazer, largou-o de qualquer maneira sobre a bancada e então começou a apertar os botões de qualquer maneira, um de cada vez, vendo se fazia diferença em um geral. Os 'beep's foram enchendo a sala aos poucos e, ela então notou que quanto mais os apertava, mais coisas apareciam ou desapareciam da tela. Surpreendeu-se quando ela ficou completamente preta e, só então, um logo apareceu, junto com uma barra de carregamento.
Encucada ficou analisando aquilo por um longo tempo, observando a máquina, como ela funcionava, o jeito qual ela 'lhe respondia'. Algo como uma sincronia. Como se... A chamasse. Ela balançou os curtos cabelos, para depois retirá-los de seus olhos e óculos, correndo os dedos gelados por sua tez pálida. Não era possível que aquilo lhe chamasse. Estava ficando louca.
Resolveu se erguer, dando-se por vencida. Não queria mais ficar ali, tinha algo muito errado consigo e ela não queria descobrir o que era. Quando já estava na metade do caminho para chegar a porta, parou outra vez, olhando para trás. A máquina piscava em uma tela azul, só dava para se ler 'Logon' e 'Password', mas não era nada daquilo. Era a mesma sensação de antes, um aperto no peito, uma mexida de alma.
Um chamado.
Retrocedeu os passos e ficou de frente com o monitor, tentando entendê-lo, quando estendeu sua mão para poder tocá-lo, o metal se dobrou ao seu toque, em um sutil movimento. Como uma dança fugitiva dos dedos pálidos. A ovelha se assustou, dando alguns passos para trás e encarando o metal retorcido do computador.
Aquilo... Era o que chamavam de dominar? Mas por que ela dominava aquela superfície fria e não qualquer elemento?
Mari não conseguia compreender ao todo o que a levava a dominar aquelas ligas metálicas. Não entendia assim como muitas coisas em sua cabeça estavam embaralhadas. A pequena youkai se isolava dos outros por puro e genuíno desconhecimento. Não lembrava seu passado — não antes de chegar às mãos de Lothus — e desconfiava que mais alguém soubesse. Muitas vezes também desconfiara se um dia iria ser capaz de dominar alguma coisa, mas... Dominar metal? Isso sim era uma grande surpresa.
Assustou-se novamente ao ouvir passos vindos do corredor, tratara de sair da sala cautelosamente para que ninguém a visse ali. Chegando a seu quarto, estava parada diante da porta, pensativa. Sendo tudo aquilo real, mesmo que sem entender certamente como, dominar tais ligas metálicas talvez fosse ligeiramente interessante.
- Mari o que você faz acordada a essa hora? — A porta havia sido aberta e ali estava Lire diante da garota de cabelos azulados.
- Aaah... É você? — Tomara um tremendo susto ao ver a loira surgir tão repentinamente diante de si, mesmo não demonstrando, estava nervosa com aquele encontro, não poderia ser descoberta assim tão facilmente. Sua mente começou a devagar planos de distrai-la rapidamente — Bom, eu fui tomar água. — Manteve a voz séria em seu tom baixo habitual.
- Foi tomar água vestida assim? — Fizera mensura à roupa da garota.
Ao invés de vestir uma camisola ou pijama como a loira, a ovelha ainda trajava suas vestes do dia e certamente a ave de rapina deveria ter reparado nas mãos sujas de poeira do computador velho. Fora pega no flagra e logo pela única youkai que possuía olhos dos quais nada escapava, teria de arrumar uma desculpa convincente para se livrar de sua colega de quarto.
- Quer saber, deixa pra lá, preciso ir ao banheiro — A loira saíra correndo, deixando-se sumir na escuridão do corredor em um piscar de olhos.
Suspirou aliviada, entrando agora no quarto calmamente. Dirigindo-se direto ao armário, abrindo-o tratou de pegar uma camisola azul bebê depositou-a sobre sua cama. Despiu-se sem pressa, depositou suas roupas em um cesto próximo ao armário. Ali no escuro ela vislumbrou sua própria imagem no espelho que ficava ao lado de sua cama, lá estava ela, nua, havia crescido muito dês de sua chegada naquele lugar, possuía dois pequenos chifres em sua testa, suas orelhas de ovelha pendiam quase completamente cobertas por seus cabelos azuis, acostumara-se tanto com a escuridão que não possuía muitos problemas em enxergar no escuro, passou uma das mãos por seus seios fartos.
- Eles cresceram não acha? — Falou a loira após adentrar o quarto, reparando o susto da ovelha riu divertida vendo-a vestir sua camisola desesperadamente.
- Como você tem esse dom de não fazer absolutamente nenhum barulho?! — Despejou as palavras após acalmar-se do susto, sua face ainda estava levemente corada.
- Não é pra tanto vai, é algo mais natural do que parece — Sorriu inocentemente — Só brinquei por ver você tão séria. — Vendo que a outra não fizera mais nenhum comentário adjacente, a loira tratou de deitar-se — Boa noite Mari — rapidamente voltara a dormir.
Cada quarto do dormitório possuíam duas garotas e a jovem tivera a sorte de dividir seu espaço com a loira, não causava muitos problemas, não era bagunceira, não fazia muitas perguntas, tinha suas manias supérfluas de colecionar animais de pelúcia, mas em geral ela era a colega de quarto perfeita. Arrepiou-se ao passar por sua mente como seria dividir o quarto com alguém como a raposa ruiva. Jogou-se sobre a cama, cansada.
Não demorou muito e rendeu-se ao sono, jogando seus óculos sobre a mesa ao lado da cama de qualquer maneira.
-
O dia mal havia raiado e já estava turbulento. Outro dia de treino com todos os guerreiros, os semelhantes treinariam juntos e os que ficassem sozinhos tinham uma grade de exercícios a cumprir. A primeira coisa que a jovem fez foi suspirar pesadamente, mexendo sua negra cauda de um lado ao outro. Observava atentamente a confusão que as raposas faziam, em um misto de brincadeira e briga, correndo e pulando pela sala fechada.
Diferente dos outros treinos que tiveram até agora, Lothus havia conseguido um campo grande e isolado, onde havia poucas árvores e muito espaço, assim como um longo areal, longe de coisas que pudessem queimar com a fúria dos dominadores de fogo. Mas por mais que isso fosse ótimo, porque além de tudo, continha um riacho tímido, que percorria toda a extensão do campo, isso também lhe dava um longo tempo sozinha com sua dupla.
A jovem de cabelos violetas e pequenas orelhas de gato negras olhos, disfarçadamente para o lado, encontrando o homem olhando sério para a discussão de Elesis e Sieghart.
Ele era alto, bondoso e nobre. E dominava a água como ela. Arme suspirou baixinho, fechando os olhos sem saber como agir. Era mais que óbvio que sentia algo como uma admiração nata pelo youkai dragão, enquanto ela tinha lá suas dificuldades em batalha, seu parceiro era exímio em combate corpo a corpo e a distância. A água parecia obedecê-lo como mágica... Um tanto diferente da jovem gata.
Outro suspiro. Em resposta, ouviu um riso baixinho, do fundo de garganta. — Por que de tantos suspiros hoje, Arme? — Os olhos azuis estavam cravados em sua imagem. A garota ficou encarando-o por alguns poucos segundos, Ronan era muito mais alto que ela, isso ajudava em seu porte de nobre. Assim como tinha longos cabelos azuis e, no lugar das orelhas humanas, despontavam compridas orelhas escamosas, mas que não o deixava menos atraente.
-Estou preocupada com a minha dominação. — Admitiu. O homem sorriu, passando os dedos pelos cabelos lilás dela, como em um conforto. Haviam adquirido várias manias humanas, convivendo com estes. — Não sei se vou conseguir.
-Não se preocupe. Cada um tem o seu tempo. — Ele sorriu, não foi um grande sorriso, na verdade. Estava mais para um pequeno sorriso de canto, mas aquela pequena ação encheu a garota com determinação, então ela sorriu de volta.
Do outro lado da sala, depois de tanto correr e se irritar, a ruiva sentou-se no chão, enrolando sua cauda nas pernas e cruzando os braços. O moreno parou ao seu lado, como um tolo que cutuca uma ferida. — Ruivinha... Está ficando velha, nem aguenta mais correr um pouquinho só.
-Velha? — Ela resmungou e girou os olhos. — O único fóssil aqui é você. — Ela rebateu, ainda sem descruzar os braços. O moreno literalmente cutucou-a.
-Então com muita falta de preparo físico. — Concluiu.
Ela pulou em cima dele, agarrando seu pescoço enquanto ele fechava os olhos por causa da dor do impacto das costas com o chão frio. — Você vai ver a falta de preparo físico quando eu chutar a sua bunda.
-Crianças não deveriam falar assim com os mais velhos. — Outra vez ele sorriu.
O som de um sonoro tapa foi ouvido, logo depois levando a coelhinha a suspirar. Aqueles dois não se entendiam de jeito maneira, na verdade, Amy chegou a conclusão que dentre treze pessoas, pelo menos cinco poderiam enforcar a raposa negra sem nem ficar com dó no coração. Ela olhou para o outro canto da sala, outra vez encontrando a pequena ovelha meio encolhida no canto. Além de quieta, hoje ela estava excepcionalmente diferente, a coelha concluiu. Então resolveu se aproximar.
- O que aconteceu com você hoje? — Sentando-se ao lado da garota de cabelos azulados, sorriu.
- Não houve nada, estou bem — Falara o mais breve possível, não queria iniciar uma conversa, muito menos naquela hora.
-Ah vai ovelhinha, eu sei que você não é muito de falar, mas o que houve? — Rodou os olhos, irritada pela falta de comunicação da outra — Hoje você esta meio... Diferente?!
-Diferente como...? — Perguntara, não tão interessada na resposta, mas perturbada com aquela palavra. — Como assim?
- Não sei ao certo, mas sinto que você esta diferente — Deu uma breve risada, alegre — Sendo uma youkai coelho, eu tenho um certo instinto para saber como estão as pessoas, não sei descrever, mas funciona simplesmente assim — Repentinamente balançara a cabeça da ovelha, tomando o cuidado para não machuca-la.
Deu um leve tapa na palma da mão de Amy — O que deu em você? Por acaso esta ficando louca? — Estava sentindo-se levemente perturbada.
- Não, só queria ver que tipo de reação você teria, às vezes tenho a impressão de que você é como uma máquina dos humanos — Seu sorriso fora se desmanchando aos poucos — Não fique assim, todos somos seus amigos, qualquer coisa que precisar, pode contar com agente — Ergueu uma de suas mãos fazendo um sinal de positivo com os dedos — Afinal, todos somos youkais.
A poucos metros de distancia o rapaz albino ouvia a conversa, oculto por suas técnicas de vento, não que quisesse escutar o que os outros falavam, mantinha-se escondido somente pelo bel prazer de não ser perturbado, encontrava sua paz em seu silêncio, por isso de certa forma acabara por interessar-se pela jovem de olhos bicolores.
Mari, por outro lado, manteve-se quieta. Estava levemente incomodada com a presença da coelhinha. Não, nunca haviam se dado muito bem, na verdade, além de Lire – que era sua colega de quarto – a ovelha não tinha vontade nenhuma de conversar com qualquer outro integrante youkai.
Amy suspirou e se afastou, a passos preguiçosamente lerdos, deixando a garota para trás, em um misto de incerteza com incompreensão da situação em que se encontrava. Sua orelha direita se moveu, junto com o barulho e a súbita movimentação ao seu lado, fazendo-a virar-se para encontrar o causador daquilo.
Antes mesmo que pudesse encontrar quem era, ouviu a voz baixa e grave do lobo. – Então. Conte-me o que houve. – Ela arregalou levemente seus olhos heterocromáticos, de todas as pessoas ali, a que ela menos ouvia falar era o albino. O elegante lobo cinzento que tinha simpáticas orelhas cinzentas e um rabo felpudo, completando a pele extremamente branca, os cabelos prateados e os olhos muito azuis.
-O que houve? – Ela virou o rosto, tentando manter-se com razão. Ajeitou os óculos, como era de seu costume. – Nada houve.
-Você está diferente.
-Impressão.
-Não, não é.
Ela manteve-se em silêncio por segundos. Depois soltou todo o ar de seus pulmões em uma só baforada. Depois virou-se para o homem ao seu lado. – Promete não contar?
-Você fere minha honra em só cogitar a possibilidade de que eu sairia explanando acontecimentos assim. – Ele resmungou. – Talvez esteja me confundindo com a coelha.
A garota ajeitou outra vez os óculos e sorriu, contida. De fato, o lobo era, sem dúvidas, seu melhor amigo. – Aconteceu algo estranho ontem...
-Estranho? – Ele falou tão baixo que ela se esforçou a ouvir. Certamente estaria prezando pela informação. – Estranho como?
-Já ouviu falar em dominação de metal? – Ele arregalou de leve os olhos azuis e antes mesmo que pudesse dar uma resposta, a porta da sala foi aberta, chamando a atenção de todos para a loira que entrava na sala.
-Bom dia, youkais. – Ela sorriu. Lothus pode reparar o quanto apreensivos estavam e entendeu que seria, finalmente, a primeira vez que treinariam ao ar livre. – O carro já foi arranjado e esta parado aí em frente à porta, para poder levar o grupo de pesquisa Grand Chase.
-Grupo de pesquisa? – A raposa perguntou. Elesis era alta, bem mais alta que as outras garotas – salvo por Lire, que também era de classe pura – e suas orelhas vermelhas estavam atentas, no topo de sua cabeça. – Que grupo de pesquisa?
O moreno não perdeu a oportunidade de puxar ambas as orelhas vermelhas, fazendo-a resmungar com dor. – Que outro grupo de pesquisa poderia ser?
Foi a vez do Youkai canguru perguntar. Jin era um garoto alto, de musculatura forte e seus brilhantes cabelos ruivos arrepiados escondiam, parcialmente, as orelhas de canguru. Atrás de seu corpo descia levemente curva na ponta, a sua viril cauda marrom. – Quer dizer que agora vamos atender por grupo de pesquisa?
Dio bateu em sua própria testa. – Você deveria ser um youkai mula, junto com a ruiva ali. – Ele girou os olhos. Sieghart teve que segurar a raposa pela cauda, para que não fosse lá espancar o lince. – Atenderemos por Grand Chase.
A coelha deu saltinhos, para depois agarrar-se ao braço do lutador. – Ah! Finalmente uma promoção! Não somos mais os espécimes, somos a Grand Chase! – Jin corou.
-Gostar do som dessas palavras. – Zero resmungou, do canto da sala, olhando fixamente para Lothus.
-Que bom que aceitaram tão bem a ideia, então todos para o carro, será o primeiro treino da Grand Chase em terreno aberto. – Ela bateu palmas, fazendo todos se moverem, para poderem sair da sala o quanto antes.
Os primeiros a deixarem o recinto foram as raposas, apostando corrida ou coisa parecida, depois a coelha, arrastando o canguru. Depois periodicamente foram todos se retirando.
O albino bateu a poeira da roupa, olhando uma última vez para sua amiga. – Eu vou descobrir tudo o que puder sobre isso.
Mari assentiu. – Obrigada.
Notas finais
Espero que tenham gostado o deixem reviews, por favor :)
Beijinhos pro'cês ~
Teffy
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