Operação Roleta Russa
7 Enigma
Notas iniciais
O Sol já havia sumido no horizonte, e os tons de amarelo, laranja, roxo e azul se misturavam no céu, no limiar que indicava o fim do dia e o início da noite. Bucky Barnes estacionou o sedan preto na propriedade dos Domenichelli e saiu do carro segundos depois de Roxanne.
O vento frio, típico do horário, soprou no rosto dele trazendo o aroma de maresia e o perfume dos cravos que cresciam bem ali na entrada do labirinto, de alguma forma aquilo trazia uma certa sensação de solidão, que só ficava ainda mais evidente por conta do silêncio absoluto que Roxanne Domenichelli deixou imperar entre eles durante todo o caminho de volta.
Ela — a Donna da Máfia Italiana, — se aproximou da porta, notando que estava trancada, e foi só nesse momento, enquanto ela destravava a fechadura eletrônica, que Barnes percebeu que havia todo um sistema de segurança no lugar.
Seria útil saber onde ficavam as câmeras.
Felizmente, quando Roxanne deu um passo para dentro da mansão vazia, parando no hall, onde, bem perto da porta, havia um pequeno painel eletrônico com visor tátil, Bucky descobriu tudo que precisava, já que a própria italiana foi tocando na tela e a imagem das câmeras de segurança foi passando uma após a outra. Certamente ela estava checando o ambiente.
Foi assim que ele soube que haviam um total de onze câmeras na propriedade: cinco delas no entorno da mansão em pontos estratégicos do exterior; mais duas na parte da frente, que cobriam o terreno; duas na parte de trás com o mesmo propósito; e duas unidades extra, uma apontada para um ponto estratégico da praia privativa, como se visasse antecipar qualquer aproximação via mar; e a outra apontada para o labirinto, que pegava o superior do local, mas não era capaz de ver cada esquina dentro dele.
No interior da casa não haviam câmeras, provavelmente para a própria privacidade dos moradores e dos negócios tratados ali.
Barnes guardou todas essas informações na mente, talvez pudessem ser úteis em momentos vindouros. Enquanto isso, Roxanne se afastou do painel, tirando os sapatos ali mesmo no hall e focando em um pequeno bilhete escrito a mão, que estava apoiado no móvel ao lado da porta.
Por cima dos ombros de Roxanne, Bucky quase não foi capaz de decifrar a caligrafia das palavras escritas em italiano, mas o que foi capaz de enxergar dizia que o bilhete era de Benedetta, que estaria de volta apenas na manhã do dia seguinte.
Barnes recordou que a governanta havia ganhado o restante do dia de folga e isso certamente explicava a mansão vazia.
A percepção de que ficaria uma noite inteira sozinho com Roxanne Domenichelli dentro daquela mansão estupidamente grande, atingiu Bucky de um jeito estranho, um misto de sensações dúbias que ele tentou a todo custo afastar de si.
Ficou parado onde estava, enquanto a italiana caminhava em direção a sala de estar, já descalça, tirando seu blazer e o jogando no sofá, exibindo apenas a aquele tipo de corpete de renda que usava por baixo.
Agora que Bucky podia ver a peça com mais clareza, notou que parecia muito com uma lingerie e isso o fez engolir em seco, se remexendo desconfortável e desviando o olhar, bem no instante em que Roxanne se virava na direção dele, como se tivesse acabado de lembrar de alguma coisa.
— Como está seu braço? — Ela questionou e só naquele instante Barnes lembrou que havia levado um tiro de raspão.
— Bem. — Respondeu simples, sabia que um ferimento daquele tipo seria apenas uma linha fina totalmente cicatrizada em um ou dois dias.
Era a mágica do super soro em seu sangue.
— Posso vê-lo? — Roxanne questionou, apontando o local onde o terno havia rasgado.
Bucky se aproximou dela em passos lentos, quis se negar, porque afinal o ferimento estava acima de seu cotovelo direito e não haveria uma forma de mostrá-lo apropriadamente para a italianinha sem tirar as peças de roupa que o cobriam. Mas não podia dizer “não”.
Tirou o terno então, para logo depois puxar a gravata, as duas peças indo para o encosto do sofá, enquanto Roxanne o analisava de forma curiosa, quase como se duvidasse que ele realmente seguiria suas ordens.
Barnes abriu o primeiro botão de sua camisa, seu estômago gelado e seu corpo quente, tudo ao mesmo tempo, colocou os dedos sobre o segundo botão, prestes a abri-lo também, quando Roxanne ergueu o indicador em riste.
— Isso não é necessário. — Ela decretou, fazendo com que ele parasse.
Se aproximou alguns passos, perto o bastante para que Bucky se afogasse naquele perfume enigmático ao mesmo tempo em que via pequenos respingos de sangue no rosto feminino.
Por um instante, quando Roxanne se moveu para alcançar a mão direita do Soldado, ele chegou a achar que ela mesma passaria a abrir os botões de sua camisa, o que causou nele um arrepio quente e repentino que culminou em um local nada apropriado de seu corpo. Porém, a italiana apenas puxou a mão de Barnes a torcendo um pouco para o lado, assim tinha visão melhor do pequeno rasgo no tecido acima do cotovelo dele, que mostrava e escondia o corte na mesma proporção.
A malicia estava inteiramente em sua mente pelo visto, e não em qualquer gesto de Roxanne...
Ela segurou a as pontas do tecido aberto, puxando de uma vez, rasgando a manga da camisa fora a partir daquela altura. Enquanto a morena seguia dobrando o que restou da manga um pouco mais pra cima, os olhos analíticos já no sangue seco na pele do Soldado, ele por sua vez não conseguia evitar o pequeno choque que cortava seu corpo cada vez que os dedos femininos roçavam sua pele, mesmo que aquilo claramente não fosse de propósito, apenas movimentos profissionais de alguém que estava mais preocupada em ver a região do corte.
Não queria estar tão afetado com tudo aquilo, não queria que seu corpo correspondesse daquela forma e que sua mente colocasse malícia onde claramente havia apenas a atitude profissional de uma estudante de medicina. Mas, merda, Roxanne cheirava a mulher bonita — ela era uma mulher bonita — e fazia muito tempo que Bucky não ficava tão perto assim de uma.
Não era proposital, não era de caso pensado, sequer era interesse de verdade, tudo se baseava apenas em instintos, e por isso era inevitável, ainda mais quando tinha um decote tão perfeito chamando seu olhar a todo o instante.
Em um pequeno lapso idiota de pensamento, Bucky chegou a se perguntar se aqueles seios seriam tão macios ao toque quanto pareciam.
Mas que inferno.
Ele tentou voltar a ser senhor de si, enquanto Roxanne estava alheia a tudo aquilo, analisando o ferimento, que naquele ponto já estava seco e formando casquinha.
— Eu disse que estava bem. — O Soldado declarou em voz alta, apenas para que sua voz dissipasse seus próprios pensamentos intrusos.
— Você disse. — Roxanne respondeu, erguendo seu olhar na direção de Barnes. — Pelo visto o super soro no seu organismo é muito útil. — Ela deu um passo para trás. — E sua mão?
Bucky se limitou a mostrar a palma direita para ela, o curativo estava sujo, mas não havia nenhum problema com os pontos.
Mesmo assim Roxanne desfez o curativo e examinou o ferimento rapidamente, era como se aqueles pontos estivessem ali há pelo menos dois dias e não há penas algumas horas. Por ter sido uma perfuração, demoraria um pouco mais do que o tiro de raspão acima do cotovelo, mas Bucky sabia que logo restaria apenas outra cicatriz, não estava preocupado com isso.
E esse era exatamente o motivo pelo qual lhe chocava tanto que a Donna estivesse.
— Ótimo. — Ela assentiu satisfeita, e seus olhos tinham um quê de surpresa, talvez por constatar o quão rápido o Soldado cicatrizava. Se afastou dele então, metros longe agora. — Você deve estar com fome, mas acho melhor tomarmos um banho primeiro, não é educado sentar à mesa com as mãos sujas de sangue.
Novamente Barnes maliciou uma frase que claramente não tinha nada de malícia quando foi dita. Sua mente lhe sabotava, era um inferno, mas ao mesmo tempo lhe dava imagens muito tentadoras...
— Como desejar, senhorita. — Ele disse apenas, torcendo novamente para que o som de sua voz fosse suficiente para sobrepujar seus pensamentos rebeldes.
Roxanne já estava de costas naquele momento, a mão estendida em direção ao próprio terno, talvez se preparando para seguir em direção as escadas, no entanto ela deu meia volta.
— É assim que vai ser? — Questionou direta, os olhos em Barnes. — Pra tudo que eu desejar você vai simplesmente dizer “amém”?
Ele não conseguiu decifrar o motivo real da pergunta, mesmo assim, sendo o Soldado Invernal só havia uma resposta certa:
— Sim. Eu estou aqui para seguir suas ordens.
Roxanne desistiu de pegar a peça de roupa, cruzando os braços e encarando os olhos gélidos por um momento.
— Mas tem uma brecha, não tem? Um limite? — As especulações dela tinham um tom que Bucky não soube decifrar. — Alguma ordem que você não vai obedecer. Algum momento em que você vai me dizer “não”...
Aquilo era um teste?
— Minha única utilidade é obedecer às ordens dos meus superiores. Qualquer ordem. — Ele respondeu firme, seguro de que aquele era mesmo o propósito do Soldado Invernal. — É pra isso que eu existo. Se você puxa o gatilho a arma dispara, simples assim. O “não” é inexistente nesse processo.
Roxanne ainda tinha a cabeça erguida, negros e azuis se encarando, Barnes se manteve firme, gelado, convicto, precisava ser apenas o Soldado Invernal naquele instante. Foi a própria italiana quem hesitou, seu olhar oscilando, seu maxilar tenso tremendo um pouco como se ela estivesse se agarrando a algo que se esvaia rapidamente. Ela engoliu em seco, como se um tipo de entendimento macabro tivesse se apossado dela...
— Eu não acredito em você. É impossível apagar o cérebro de alguém assim. — Rebateu irritada, quase como se aquilo fosse pessoal. — Tem que existir alguma coisa. Algo só seu. Algo que você queira ou goste. Uma comida, uma cor, uma música. Qualquer coisa. Ou algo que você não goste, algo que se negue a comer ou fazer porque te causa desconforto.
Bucky começou a ficar confuso, se era um teste ela estava sendo uma atriz louvável, porque parecia que o desespero crescia em suas palavras conforme elas eram ditas. Por que aquilo era tão importante para a Donna da máfia?
— Eu sou uma arma, esse tipo de coisa é irrelevante pra mim. — O Soldado respondeu sem comoção alguma na voz. — Nada me causa desconforto.
— Causa sim... Eles só te tiraram a capacidade de expressar. — Roxanne declarou e ela estava brutalmente correta e talvez se o Soldado não estivesse tão surpreso, teria visto o quão mortificada a italiana se encontrava. — Não é apenas a obrigação de dizer “sim” que tira seu poder de consentimento, é mais que isso, você também é incapaz de dizer “não”.
Barnes nunca pensou que alguém veria aquele pormenor da situação, porque nunca pareceu compreensível para ninguém mais a sua volta, ele mesmo não saberia expressar. Porque quando dito em palavras parecia simplesmente a mesma coisa. Mas não era.
Quando estava sob o controle da Hydra ele não era apenas obrigado a seguir cada ordem, ele era incapaz de lutar contra isso... Era isso que haviam tirado dele. Ele não podia se debater e gritar por ajuda, não podia tramar planos de fuga, não podia se rebelar por usarem seu corpo.
Por décadas e décadas foi um dos homens mais fortes do planeta e ainda assim nunca esteve mais fraco, preso dentro de si.
Poucas pessoas entendem a importância de um “não” e era muito estranho que justo a Donna da máfia fosse uma delas.
Seus olhos gélidos focaram em Roxanne, mas ela não estava mais com a atenção no Soldado, apenas escarava o nada, como se sua mente trabalhasse rápido demais em busca de algo que a impediria de cair em desespero completo. As íris negras nunca pareceram tão perdidas e... desoladas (?) quanto naquele momento.
Não fazia sentido...
— Mas e as suas memórias? Alguma coisa tem que resistir ao... — Ela disse finalmente, mas não terminou a frase, como se fazer isso fosse doloroso demais, era impossível que estivesse fingindo aquelas reações. — Você deve ter fragmentos de lembranças do seu passado.
Ela desviou o rosto tão rápido que Bucky não soube dizer se estava imaginando, ou se realmente haviam lágrimas presas nos olhos negros.
— Eu não tenho um passado, eu tenho apenas essa missão. — Ele respondeu outra vez e pôde jurar que viu o corpo de Roxanne tremer.
O que diabos estava acontecendo ali?
— E quanto a Steve Rogers? — Ela se virou na direção dele novamente, avançando cinco passos, cortando qualquer distância entre eles, um tipo de esperança desesperada escapulindo por entre suas palavras.
Bucky reuniu todo seu autocontrole para não titubear ali. Não era capaz de entender o sentido daquela maldita conversa, mas sabia que tinha que permanecer firme.
— Quem é esse? — Devolveu neutro e agora, ali de perto, era muito claro que os olhos negros estavam marejados.
Quando pensava que havia entendido Roxanne Domenichelli ela se tornava um enigma ainda maior.
— Ele deveria ser a coisa mais próxima de um irmão pra você... — A voz feminina saiu entrecortada. Havia algo no olhar dela, algo que parecia implorar por uma resposta.
— Eu não faço ideia de quem ele é... — O Soldado respondeu, como se Roxanne falasse um idioma que ele simplesmente era incapaz de entender.
Teve um déjà vu desconfortável, um que lhe lembrou o dia que havia confrontado Steve pela primeira vez. Agora, porém, era como se os papeis estivessem trocados, ele era o homem frio olhando de cima e dizendo mentiras e Roxanne era o que o próprio Soldado Invernal tinha sido um dia, perdida, confusa e devastada, buscando desesperada uma resposta que ninguém daria.
Barnes desconfiou que não podia ser sobre ele, aquilo era pessoal para Roxanne, talvez fosse até íntimo. Mas por quê?
O que ela estava tentando descobrir ali?
Seja o que fosse, Bucky não teria respostas, Roxanne se afastou, claramente irritada, a postura mudando enquanto ela respirava fundo e dava as costas.
— Isso é besteira. Eles não podem ter apagado alguém assim da sua cabeça com meia dúzia de palavras idiotas. — Seu tom era amargo e negacionista. Ela parecia estar se agarrando a convicções pessoais, como se precisasse delas para sobreviver. — Tem que ter um gatilho, qualquer coisa. Você não pode ficar simplesmente seguindo todas as ordens cegamente, não é só sobre matar pessoas, é sobre ferir a si mesmo, não ter nenhum tipo de vontade ou desejo, nenhum instinto de autopreservação a ponto de furar a própria mão ou tirar suas roupas na frente de uma estranha, como se isso fosse nada.
Ela estava revoltada de verdade, não podia ser sobre o Soldado Invernal... os dois sequer se conheciam.
— Tudo que importa é a missão que eu tenho que completar. Meu corpo só existe como uma ferramenta pra isso. Nada mais. — Bucky declarou com o que de fato era ideia da Hydra sobre o Soldado Invernal. — Eu sou uma arma, e como tal, qualquer concepção humana de vergonha, medo, desejo, autopreservação ou laços familiares não se aplica.
Roxanne estava de costas naquele momento, perto de uma pequena mesa de canto onde alguns enfeites de cristal estavam dispostos.
— Isso é besteira! — Ela gritou, jogando uma das peças contra a parede, o vidro espatifando em mil pedaços por todo o lado.
Aquele descontrole era uma surpresa, afinal Roxanne havia lidado com um interrogatório e com uma equipe de homens escrotos naquele dia, e nada disso tinha sido capaz de tirar qualquer reação dela. Mas aquela conversa estranha sim.
Por quê?
O silêncio sepulcral se espalhou na mansão, Roxanne encarou os cacos por alguns segundos antes de respirar fundo e arrumar a postura.
— Me desculpa. — Disse, alinhando os fios de cabelo que haviam saído do lugar em seu rompante. — Essa conversa é inútil. Vem, eu vou te mostrar seu quarto.
E simples assim ela saiu na frente, em direção as escadas. Bucky a seguiu, sem ter em mente qualquer teoria que explicasse aqueles últimos minutos.
Teve que adicionar mais uma Roxanne a sua lista, uma emocional, dada a descontroles, qual seria o motivo por trás disso? Porque tinha que haver um, certo? Não podia ser sobre o Soldado Invernal apenas, afinal não faria sentido algum que fosse...
Atravessaram o longo corredor em direção ao quarto da italiana, porém pararam uma porta antes. Roxanne girou a maçaneta e apontou o lugar. Era uma suíte de hóspedes, menor que o cômodo ao lado, e decorada de forma mais neutra, porém ainda possuía muito mais luxo que o necessário.
O banheiro estava abastecido com itens básicos de higiene e sobre a cama haviam diversas sacolas de alguma loja de nome italiano, além das roupas táticas com as quais o Soldado havia chegado ali, claramente limpas e dobradas à perfeição.
Barnes recordou que a Donna tinha pedido para que Benedetta arrumasse o quarto de hóspedes, então tudo ali era claramente para ele.
— Pode ficar à vontade e demorar o tempo que precisar. — Roxanne declarou, caminhando para a porta novamente. — Mais tarde jantamos. Pode vestir o que desejar, não sairemos mais hoje.
Parou então, como se lembrasse de algo que lhe irritava ao mesmo tempo em que feria seu peito.
— Me desculpa, eu não consigo me acostumar com essa merda.... — Ela respirou fundo, negando algumas vezes em claro desgosto e focando em Bucky novamente. — Tome um banho longo e relaxante, com água quente de preferência, depois vista algo confortável e desça para me esperar na sala. — Parou por um segundo, os olhos nos dele. — E se eu ainda não estiver lá, aguarde sentado no sofá.
Roxanne abaixou o olhar, focando em um ponto fictício enquanto parecia repassar aquelas frases como quem ensaia o bê-a-bá. Bucky notou que ela só estava se corrigindo e ponderando cada coisa, para que ele de fato seguisse as ordens e agisse como uma pessoa normal que pode relaxar no fim do dia, já que supostamente não tinha um querer para poder fazer isso se ela fosse vaga.
Barnes se deu conta que nunca, em décadas e décadas e ordens, alguém tinha feito aquilo.
Podia ser absurdamente besta, mas era difícil não ficar balançado com isso.
— Sim, senhorita. — Ele respondeu em tom de sempre.
A italianinha assentiu então, saindo do quarto em seguida e fechando a porta atrás de si, deixando Bucky sozinho.
Ele levou alguns instantes para escapar daquele torpor estranho que a Donna da máfia causava em seus sentidos, para logo em seguida começar a decidir sua próxima linha de ação....
O cômodo em que estava era exatamente ao lado do quarto de Roxanne, parede contra parede, a vista da janela mostrando o mar lá embaixo. Os olhos gélidos vasculharam o ambiente, procurou por câmeras escondidas e escutas, caminhando pelo quarto, tateando locais estratégicos, não havia nada.
Depois disso abriu as sacolas, haviam mais três ternos completos, algumas camisas, camisetas, calças e todo tipo de coisa que alguém poderia precisar, incluindo meias, boxers, sapatos e peças mais leves e confortáveis. Era tudo obviamente caro e novo, e Bucky não pôde deixar de se surpreender com o acerto do tamanho e principalmente com o quanto pessoas ricas gostavam de gastar dinheiro e resolviam as coisas rapidamente.
O provável é que Benedetta tivesse feito um único telefonema informando o tamanho adequado e alguém tivesse feito a entrega conforme as exigências.
Ele absteve desse absurdo de gente rica e focou no que realmente estava fazendo ali, tinha se distraído com Roxanne e seus enigmas o dia todo, mas estava lá para derrubar a Hydra — e com sorte as duas máfias — sendo assim, precisa de informação, e talvez a mansão Domenichelli fosse o lugar perfeito para encontrar alguma coisa.
Voltou para o banheiro, agradecendo que sendo um super soldado sua audição era um pouco melhor que o normal, não era como se pudesse ouvir o coração de alguém batendo dentro do peito há dez metros de distância, mas com certeza podia escutar o som do chuveiro na suíte ao lado.
Se Roxanne estava tomando banho e a mansão estava vazia, aquele era o momento perfeito para vasculhar a casa, talvez encontrasse algo importante no escritório da família. Depois só teria que descobrir como mandar essa informação para Valentina.
Porém se fosse flagrado fazendo isso seu disfarce estaria destruído.
Resolveu tomar uma ducha rápida e se vestir como tinha sido ordenado a fazer, depois desceria e vasculharia o lugar, assim, caso ouvisse Roxanne se aproximar, conseguiria disfarçar que já a estava aguardando lá embaixo para o jantar.
Ela um bom plano.
Se despiu rapidamente, jogando os coturnos para os lados e desabotoando a camisa muito rápido, as peças foram sendo deixadas em um cesto branco no canto esquerdo e logo Bucky estava ligando o chuveiro, seu corpo nu refletido no box espelhado. Ali dentro era possível ouvir com mais clareza os sons no cômodo ao lado.
Na maior parte das vezes sua audição aguçada passava despercebida a ele mesmo, era apenas como se o volume do mundo estivesse sempre um pouco mais alto, nada grandioso como um superpoder estranho ou algo assim, mas naquele instante em particular — quando a água quente escorreu por seus músculos definidos, mostrando o quanto ele esteve tenso por todo o dia, — Barnes se sentiu estranho em poder ouvir enquanto Roxanne tomava banho bem ao lado. Apenas uma parede separando os dois.
Tentou abster dessa bobagem, e dá imagem mental que começou a se formar sorrateira, e se lavou mais rápido, focando nos passos de seu plano. Tinha acabado de desligar o chuveiro, puxando uma toalha para enrolar sua cintura, quando ouviu um som característico no cômodo ao lado.
O celular de Roxanne estava tocando.
Barnes parou onde estava, ainda dentro do box com a toalha enrolada na cintura, o aparelho tocou mais algumas vezes, até que o chuveiro ao lado foi fechado.
Será que era o Strovalenko?
Não era educado escutar assim, Bucky sabia muito bem disso, porém ele estava em uma missão secreta, educação era uma linha tênue que ele teria que cruzar algumas vezes...
Em passos ágeis correu para o quarto novamente, sua audição podia ser aguçada, mas não fosse o suficiente para decifrar uma conversa inteira através de uma parede, ele precisaria de ajuda extra.
Olhou o cômodo rapidamente, um aparelho de escuta seria de extrema utilidade naquele momento, porém não tinha isso disponível. Um copo podia ajudar a conduzir o som, embora também não houvesse um ali. Barnes teve que improvisar, um dos enfeites sobre a cômoda era um trio de porta-velas talvez de cristal, o formato se assemelhava a um copo.
Teria que bastar.
Quando Bucky voltou para o banheiro, apoiando o objeto na parede e encostando seu ouvido direito nele, a conversa já tinha começado.
— Se quiser eu posso ligar depois, vejo que está ocupada. — Era com certeza a voz de Francesco Greco, a julgar pelo fato de estar no viva-voz e pelo teor das palavras, eles estavam em chamada de vídeo.
— Estou bem, já terminei meu banho de toda forma, e estou perfeitamente confortável com o roupão, então prossiga. — Roxanne rebateu neutra e junto da voz dela Barnes pôde ouvir o som de seus cabelos sendo escovados.
— O negócio com as armas será fechado mais tarde em um jantar, mas o carregamento já foi examinado. — Greco revelou.
— Isso não faz diferença pra mim. — A italiana rebateu sem grande comoção.
— Eu sei. Obteve sucesso em sua empreitada? — A conversa prosseguiu e Bucky já não tinha tanta certeza se seria produtiva.
— Sim, as garotas estão a caminho de suas famílias agora e os homens de Schultz estão todos mortos. — O som da porta do armário sendo aberta veio junto com a voz feminina.
— Bom, é questão de tempo para que essa informação acabe chegando nos ouvidos do seu pai. — Frank comentou com uma pontada de preocupação na voz.
— Eu lido com meu pai quando esse momento chegar. — Roxanne repetiu basicamente o que tinha dito a Corinne mais cedo.
— Acho mesmo que já é hora. — O homem do outro lado da linha ponderou. — O Dom não tem mais o prestigio de antes. Ninguém o respeita de verdade. Se consolidar como a Donna publicamente vai ser bom para os negócios e a segurança dos nossos. Mesmo com a tradição, você já provou tudo que precisava, as pessoas de fora vão respeitar seu poder.
Ir contra um Dom da máfia não era pouca coisa, mesmo Barnes sabia disso, se Roxanne estava disposta a assumir o trono daquela forma ou ela sabia que tinha muitos apoiadores ou era corajosa pra caramba.
E foi interessante para Bucky notar que a segunda opção nem o surpreendia tanto assim...
— Mas vai ser um problema com Strovalenko. — Frank completou e a preocupação em sua voz era palpável.
— Eu sei disso também. — Roxanne concordou firme, mas algo em sua voz pareceu indicar cansaço. — Vou dar um jeito.
— Eu estive pensando na nossa conversa... — Francesco começou cauteloso. — Eu acho que é hora de fazer uma escolha, Donna. Você tem que decidir quem serão seus inimigos, tanto quanto decide quem serão seus aliados. Talvez não seja prudente continuar nesse caminho com Strovalenko.
Ele queria desistir?
— Prudência não tem nada a ver com isso, sabe bem, Frank. — A italiana rebateu quase irritada.
Bucky encostou ainda mais contra a parede, saber o interesse específico de Roxanne com aquilo tudo talvez fosse extremamente producente para a missão.
— É, eu sei. Achei que diria isso. — Francesco deu um longo suspiro pesado. — Não vai desistir, não é?
— Nunca. — Roxanne rebateu tão firme que mesmo sem poder olhar pra ela Barnes sabia que havia uma expressão obstinada em seu rosto.
— Nesse caso acho que devemos considerar acelerar as coisas. — A sugestão ainda tinha aquele tom cauteloso.
Bucky odiava o fato de não saber o contexto todo daquela conversa.
— Não podemos acelerar, sabe disso tão bem quanto eu, estamos nesse caminho há mais de um ano por esse motivo. Tudo tem que ser feito no tempo certo ou vamos perder a oportunidade. — A italianinha retrucou contrariada, era como se estivesse repedindo algo que já havia dito algumas vezes.
Mais de um ano? Quer dizer que o noivado vinha desde antes do blip... Sendo assim era um plano apenas de Roxanne, aquilo em nada tinha a ver com Vicenzo Domenichelli.
Bucky sentiu uma certa decepção nisso, talvez depois de todo aquele dia, depois de ver a interação da italianinha com o maldito noivo e todo o resto, ele tenha desejado que ela fosse apenas uma vitima na situação. Obrigada a se casar ou qualquer coisa assim.
Mas se aquele plano já estava se desenrolando a mais de um ano, então Vicenzo — que segundo boatos havia sumido no blip — não podia ter feito parte de nada daquilo. E sendo Roxanne a Donna, o plano era então inteiramente dela.
A italianinha queria ser noiva do diabo nazista.
Barnes suspirou pesado, a decepção escapando dele antes que pudesse se dar conta.
Tentou se convencer que não importava, foda-se Roxanne Domenichelli e sua estranha aliança com Strovalenko. Os dois cairiam em breve.
Voltou a prestar atenção total na conversa que ouvia clandestinamente.
— Na verdade, você me disse hoje de manhã que há como acelerar isso... — Francesco continuava a falar.
— Está falando sobre o quê, Frank? — Roxanne questionou, e pelo tom ela não parecia muito satisfeita com o rumo da conversa.
— Sobre o Soldado Invernal. — Barnes trincou o maxilar ao ouvir sua maldita alcunha.
— O que tem ele? — Por algum motivo a italianinha parecia na defensiva em seu tom.
— Acha mesmo que ele pode recuperar a consciência? — A cautela nas palavras de Frank não indicava nada de bom.
— Ele já fez isso antes, não é? — Roxanne devolveu em um tom simples.
— Fez... mas olha, eu fiquei frente a frente com o cara, invadi o espaço pessoal dele, fiz perguntas inoportunas e nada. Nenhum indício de consciência. — Francesco revelou. — E acredite quando digo que sei importunar um homem.
Espera... Então todo aquele papo inapropriado sobre sexo e prazer pessoal do avião era uma armadilha montada?
— Você testou ele? — A Donna parecia tão surpresa quanto Bucky.
— Você não? — Frank devolveu simples.
O suspiro profundo de Roxanne foi audível.
— Tentei quando ele entrou no meu quarto pela primeira vez. Mas nada aconteceu. — Ela não parecia satisfeita em dizer aquilo e Bucky teve a prova que de fato a coisa toda com o nome dele era mentira. — Eu até pensei ter visto um vislumbre de qualquer coisa hoje mais cedo, no meio do tiroteio. Mas acho que estava errada. — Ele quase suspirou de alivio ao notar que havia escapado por pouco. — E agora tivemos uma conversa e eu só...
Ela não terminou a frase, um silêncio desconfortável pirando ali.
— Acho que devíamos forçar um gatilho. — Francesco sugeriu naturalmente, como se já tivesse pensado nisso por horas a fio.
— Não sei se tem como forçar um gatilho. — Roxanne soou decepcionada. — Mesmo o nome de Steve Rogers surtiu efeito algum nele.
— Não forçamos então, damos outro jeito. Por que esse é exatamente o “acelerar as coisas” que a gente precisa. — Frank soava quase animado.
— Você quer entregá-lo para o Viktor. — A Donna da máfia afirmou, como se tivesse matado uma charada. Mas em seu tom não tinha nada de empolgação, ela estava quase irritada na verdade.
— Sim, podemos forçar um gatilho, o Soldado acorda, deixamos que pense que pode fugir, o capturamos e entregamos. Ou então você apenas ordena que ele saia da ilha e mente que ele acordou quando contar ao Strovalenko. De uma forma ou de outra o resultado é o que importa. Ganhamos a confiança do Viktor de novo, e finalmente ele vai se tornar o líder da Hydra e tirar os velhos do bueiro, e você acelera esse maldito casamento pra acabarmos com isso. — Bucky trincou o maxilar tão forte que seus dentes estralaram. Estavam planejando entregá-lo de bandeja para o inimigo. — Não podemos ficar focados na Hydra para sempre, não é bom para os negócios.
Ele notou que o casamento parecia estar atrelado ao fato de Strovalenko se tornar oficialmente um líder. Mas por que isso? O que Roxanne esperava ganhar?
— Você só está esquecendo do fato de que Viktor vai matar o James. — Ela soou um tanto irritadiça do outro lado da parede e isso foi uma certa surpresa.
— E daí? — Frank respondeu.
Silêncio absoluto. Barnes daria qualquer coisa para olhar no rosto da italianinha e ver exatamente qual era o semblante dela naquele instante.
— Ah não, Roxanne... — Greco resmungou em um misto de irritação e repreensão, claramente havia visto algo na expressão da mulher.
Mas o que?
E ele a chamou pelo primeiro nome o que evidenciava ainda mais o quanto desaprovava seja lá qual fosse na postura da jovem Domenichelli.
— Não faremos isso. — Ela declarou firme, em nada uma jovem, em tudo uma Donna. — Eu não vou forçar um gatilho e muito menos dar ordens que vão levar o James direto para uma armadilha. Fora de cogitação.
Bucky se surpreendeu com aquela resposta. Roxanne Domenichelli estava mesmo protegendo ele?
— Me escuta... — Francesco tentou um tom apaziguador, falando pausadamente como quem precisa fazer uma criança entender algo. — Esse homem não pode ficar aí com você.
— Eu sei que ele está espionando pra o Viktor, mas se não for ele vai ser qualquer outro mesmo. — Roxanne soou prática, quase desinteressada.
— Então que seja outro, mas não ele. Você está perdendo o foco, bambina. — O homem retrucou quase paternal.
Barnes franziu as sobrancelhas. O que Francesco Greco havia visto que o fez pensar que Roxanne estava perdendo o foco por causa da simples presença do Soldado invernal?
— A operação bem sucedida de hoje diz exatamente o contrário. — A mulher rebateu, mas sua irritação parecia birra de quem não quer dar o braço a torcer. — A presença dele na verdade talvez me ajude a ficar mais focada.
Frank respirou de forma audível e contrariada.
— Não vai, porque ele não é como Andrey e você sabe disso. — Sua resposta foi dura, quase irritada, não parecia o tom certo para se usar com a Donna da máfia. — Você vai perder o foco porque ele é um maldito gatilho pra você, e a sua incapacidade de admitir e encarar isso só prova meu ponto.
Silêncio de novo. Pesado e tenso. Perceptível mesmo com a parede entre eles. Bucky desejou ser uma pequena mosca para ver o rosto de Roxanne naquele momento, porque talvez isso respondesse alguma maldita coisa...
Um gatilho?
Revirou a interação dos dois na sala e percebeu que Frank estava certo, algo na conversa com o Soldado Invernal havia gerado um tipo de gatilho em Roxanne. Mas por que?
— Olha... — Frank recomeçou de forma apaziguadora. — Eu entendi quando quis colocar Corinne e Pierre debaixo das suas asas, entendi quando decidiu dar aos dois uma vida, mesmo que eles tenham retribuído negando a você a melhor coisa que tinham para oferecer...
— Já chega, Frank! — A Donna cortou antes que o homem terminasse, o tom dominante e firme em sua voz chegou a assustar Bucky por um micro segundo. — Corinne e Pierre são aliados de valor, e a lealdade deles vale muito pra mim. Se o Pierre não quer lutar, ele não vai, simples assim. — Ela era dura, não deixava espaço para discussão. — Lealdade implica em algo que é dado voluntariamente, não é uma obrigação. As pessoas ao meu redor têm o poder de me dizer “não”, elas têm uma escolha. É esse tipo de líder que eu vou ser. Não me confunda com Strovalenko!
— Desculpe. — Frank pediu, como se finalmente lembrasse quem estava no comando ali. — Eu só estou pensando no que é melhor pra você. A verdade é que ainda acho que devia desistir disso tudo enquanto pode, antes de fazer inimigos. Apenas rompa o noivado e foque somente nos negócios da família.
— É exatamente por serem os negócios da família que não posso desistir do meu objetivo principal. — Roxanne respondeu firme. — O noivado permanece. E nós não vamos acelerar nada as custas da vida de James Barnes. Ponto final.
— Ele não é o Damian, Roxanne. — Francesco disse aquilo tão rápido que ficou muito claro que não tinha pensado antes de abrir a boca.
Um silêncio sepulcral se espalhou pela casa. Como se um nome sagrado tivesse sido dito em voz alta.
A respiração pesada de Frank veio audível, decepcionada talvez.
— Eu só estou muito preocupado com você. — Ele lamentou e seu tom denunciava sinceridade. — Você ama falar de consentimento, mas o que vai fazer da próxima vez que Viktor for até aí? Quanto tempo mais vai suportar isso, bambina? E pra quê? Você está desperdiçando sua vida, obstinada em perseguir um fantasma.
Um arrepio desconfortável cortou o corpo de Bucky. A forma como Francesco falou fez uma imagem muito ruim se formar na mente do Soldado e ele não gostou nadinha disso, mas tentou abster, tentou não se importar. Porque afinal não podia fazer isso.
Tinha uma missão para cumprir ali. Se importar com seus alvos não estava no pacote.
— Toda essa obstinação parecia perfeita pra você, quando eu tirei essa organização da lama na qual meu pai a jogou. — A voz de Roxanne veio dura. — Eu não sou mais uma bambina, não se esqueça disso. Vamos fazer do jeito que eu acho melhor e isso não incluí usar James Barnes como isca e nem arriscar a vida dele, ele não é meu inimigo, e até que ele faça algo por sua própria vontade que me prove o contrário, eu não vou tratá-lo como trato meus inimigos.
Bucky se sentiu incrivelmente mal naquele instante, afinal ele era exatamente um inimigo. Um que tinha escolhido entrar por vontade própria naquela bagunça toda para tentar derrubar a Hydra e as máfias russa e italiana por tabela.
Roxanne o estava protegendo, enquanto ele afiava a faca para fincar nas costas dela...
— E se não gosta da forma como decidi fazer as coisas, então você pode usar seu poder de escolha e voltar para casa, sei que Nick e sua mãe vão ficar muito felizes com isso. — Ela prosseguiu naquele mesmo tom firme. — Você pode não participar disso, não tem problema. Mas eu não vou desistir.
— Você está protegendo o homem errado, Roxanne. — Francesco advertiu um tanto mórbido. — Eu entendo o motivo, de verdade entendo, porque eu te conheço. É por te conhecer que eu sei que isso vai acabar sendo sua ruína. — Ele respirou fundo e então riu sem humor. — E vai ser a minha também, porque não vou deixar fazer isso sozinha. Você é a Donna que eu escolhi seguir. Estou contigo até o final.
O silêncio breve foi mais leve dessa vez, mas logo veio ser preenchido por mais palavras enigmáticas e um tanto mórbidas de Francesco Greco:
— Só espero que não coloque abaixo o império que você construiu das cinzas, seja perseguindo o fantasma do Damian, ou então por causa de um Soldado que te entregaria para qualquer autoridade se pudesse. James Barnes não é como nós, nem como Corinne ou Pierre, ele é um daqueles heróis americanos, não se esqueça disso.
Bucky odiou ver que o italiano estava basicamente certo sobre ele, embora não fosse um herói estava ali exatamente para entregar Roxanne para as autoridades assim que pudesse.
— Boa noite, Frank. — A Donna da máfia respondeu dura, claramente não querendo continuar aquela conversa.
O silêncio que veio a seguir indicava que ela havia desligado o aparelho celular, mas isso não durou quase nada, porque logo depois o barulho de coisas se quebrando atingiu os ouvidos do super soldado.
Enquanto ouvia Roxanne Domenichelli quebrar tudo no banheiro ao lado, claramente tendo um ataque de raiva, Bucky Barnes tinha várias perguntas em mente, uma delas, no entanto, parecia a mais importante para desvendar o mistério da Donna da máfia...
Quem era Damian?
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