Open wounds, closed heart
26 Dia 26
21/10/2017
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Apesar de estar ciente de que nem Guang nem Leo estariam presentes hoje, entrar no salão e não vê-los foi estranho. Afinal, desde o Dia 1, ao menos um deles sempre esteve presente ao meu lado. Mas pelo menos Victor veio fazer-me companhia.
Pouco depois de eu chegar, Minako pediu para sentarmos numa roda. Depois de todos se organizarem, ela explicou que na atividade “Zoom” nós passaríamos um baralho entre nós e que devíamos usar a figura desenhada na carta para criar o trecho de uma história que deveria ser continuada pelos demais. Imediatamente todos os olhos viraram em minha direção e não sei o que eles esperavam de mim, afinal nunca fui bom com imprevistos. Victor, que estava sentado ao meu lado, pareceu compreender as expressões desconfortáveis que eu tinha no rosto, pois perguntou se podíamos começar de uma vez, livrando-me dos olhares cheios de expectativas.
As coisas seguiam bem e a história se tornava cada vez mais interessante e criativa, ou ao menos até chegar na vez de Victor e ele decidir inserir um plot twist que destruía o planejamento de qualquer um. As coisas, então, começaram a deslanchar, mas pelo menos foi engraçado ver os absurdos que começaram a surgir. Era como se as pessoas tentassem fazer com que a história fizesse menos sentido a cada nova carta.
Durante o intervalo, combinei com Victor os detalhes de como faríamos na terça. O show de Leo estava programado para começar às oito da noite, mas decidimos ir para o parque (o mesmo da última vez) às seis, pois ambos estávamos a fim de mais uma partida de “uma pergunta por uma pergunta”. Ficou combinado então que ele me buscaria em minha casa e que pararíamos no café para comer alguma coisa (biscoitos) antes de irmos para o parque às sete. Isso nos deixava com um tempo razoável para arrumarmos bons lugares para a apresentação do Leo.
Durante a roda de conversa, Minako perguntou como andava meu livro, pois eu não comentava a respeito há bastante tempo. Respondi que estava me aproximando dos capítulos finais e que isso me fazia sentir ótimo, apesar de estar ciente de que ainda havia muito a ser feito depois. Para Victor, ela perguntou da oferta de emprego, da qual ela fez questão de dizer não ter esquecido. Victor remexeu-se na cadeira, nervoso, e não foi necessário mais do que isso para se entender a situação. Minako apenas disse que ele não devia deixar o amigo esperando e que ele deveria apenas dizer que não estava interessado, se fosse o caso. Ela então completou falando algo sobre eles já terem tido essa conversa, e Victor prometeu tomar uma decisão em breve.
Enquanto eu me preparava para partir, Victor veio em minha direção e me perguntou se eu queria uma carona para casa, a qual aceitei.
Aproveitei a chance para perguntar sobre o emprego, e falei que não acreditava que ele ainda não tinha decidido sobre o que fazer. Victor disse que era confuso, e complicado, e que estava inseguro se conseguiria fazer um bom trabalho. Lembrei-o que ele podia falar comigo se quisesse e ele falou que sabia disso, o que me fez seguir dizendo que ainda assim eu continuaria a repetir aquelas palavras até que elas se enfiassem na cabeça dele e ele viesse falar comigo.
Assim que eu disse aquilo, Victor estacionou diante da minha casa. Ele olhou em minha direção com olhos surpresos, e que me deixaram embaraçados. Fiz menção de abrir a porta e fugir, mas ele me segurou pelo ombro, seus lábios entreabertos. Ele, porém, não disse nada e apenas desviou os olhos dos meus enquanto me soltava.
“Até terça”, ele disse, sorrindo um sorriso que pareceu estranho em seu rosto. Depois de um confuso adeus de minha parte, saí do carro.
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