Acordei com o barulho de porta se abrindo, alguém invadiu minha casa. Peguei a katana e com cuidado fui andando até a sala, tudo estava intacto não havia sinal de que alguma pessoa possa ter entrado e saqueado, a não ser pela porta aberta.

– Deve ser o vento. – Fechei a porta, peguei um copo d’água e voltei para o quarto.

– ..! — Quando entrei me deparei com uma criança caída no chão.

– Ei. – Toquei seu ombro e ela grunhiu de dor. Era um menino, aparentava ter uns cinco anos, pálido, cabelos negros, estatura pequena, suas roupas estavam esfarrapadas e manchadas de sangue, no seu corpo havia vários cortes e hematomas. O peguei e coloquei na minha cama, logo comecei a tratar daqueles ferimentos.

–... Hm... – Ele abriu os olhos. – Irmã. – Ele disse.

–Ah, eu não sou sua irmã. – Então a irmã dele deve estar por perto, ela deve saber o que aconteceu. Ele grunhiu de novo quando eu tentei limpar o corte de sua bochecha. – Calma. – Porque ele foi atacado desse jeito? É só uma criança, se ele veio buscar ajuda então sua irmã também deve ter sido atacada.

Cuidei dele até tratar de todos os ferimentos, e logo depois ele dormiu tranquilamente. Eu precisava muito saber quem ele era e quem o atacou desse jeito para poder pegar, pois já sou um samurai e meu dever é proteger as pessoas.

Outro barulho rompeu o silêncio da noite, dessa vez não era uma criança.

Um homem invadiu o quarto, ele era muito alto, vestia armadura e um pano cobria sua face, mas não seus olhos que eram frios e estavam focados na criança. Ele retirou sua espada e mirou na direção do menino, pulei na sua frente bloqueando com minha katana, eu tinha certeza que foi aquele homem que o atacara.

– Você não vai machuca-lo. – Disse firmemente. O homem voltou seus olhos para mim, abaixou sua espada e com um movimento tirou a katana de minhas mãos.

– Ele já é meu. –Sua voz era fria, ele pegou meu pescoço e apertou. Com todas minhas forças eu me debatia para tentar fugir, eu tinha que protege-lo. Ele me jogou para o outro lado do quarto o que fez com que eu torcesse o tornozelo, pegou minha espada e a levantou para perfurar o peito da criança.

– Não! – Me levantei subitamente.

Era um sonho. Um estranho pesadelo.

**

Até alguns dias atrás eu ficava na casa principal só para estudar caligrafia, poesia e matemática algo de extrema importância para os nobres e via as tropas de longe, se preparando para suas missões. Hoje eu estou no meio deles, cheguei ao alojamento dos samurais, era um bairro com vários galpões, homens com armaduras firmes trabalhando nos equipamentos, cuidando de cavalos, polindo armas, verificando suprimentos, fazendo de tudo para executar suas missões perfeitamente.

A pessoa que iria encontrar se chama Kakashi Hatake, um dos três shoguns que irá me acompanhar na missão. No meio das fileiras de galpões tem o quartel general onde ele estaria.

– Bom dia Sakura-hime. – Um homem mascarado que está na frente do quartel me cumprimentou.

– Bom dia. – o reverenciei.

– Eu sou Kakashi Hatake e nós vamos escoltar o daimyou por oito dias, você já leu o pergaminho de instrução, certo?

– Sim, eu estou pronta Kakashi-sama.

– Daqui à uma hora a carruagem do daimyo aparece e nós partiremos atrás dele, agora vamos nos preparar. – Ele me levou ao estabulo onde o meu cavalo estava, meu pai tinha me dado de presente. Os nossos suprimentos iriam ficar na carruagem do Hizashi-sama, daqui até a tribo do norte levava três dias então nós programamos todas as rotas por onde passaríamos e táticas no caso de acontecer algum incidente.

Hizashi-sama chegou e assim iniciamos a viagem, pegamos a rota da floresta que era um atalho para chegar à próxima parada mais cedo. Em meio à viagem eu me vi totalmente focada, é a primeira vez que eu viajo a cavalo para um lugar longe e isso me deixou um pouco nervosa, meus sentidos se apuraram para perceber tudo que poderia ser perigoso.

**

Depois de um longo dia de viagem como escolta nós finalmente estávamos chegando à terceira parada do dia, á poucos quilômetros podia se ver o clarão da vila.

– Sakura-hime. – O samurai ao lado me chamou. – E nossa vez de patrulhar.

– Ok. – A cada 4 horas uma dupla patrulhava além da rota e agora era a minha vez, nos distanciamos da carruagem e seguimos o curso dentro da floresta. O sol já estava se pondo e a neve estava caindo cada vez mais.

– Irmã.

...!

– Sakura-hime! – O meu acompanhante grita e me empurra, bruscamente eu caio no chão esbranquiçado. Aquilo foi em fração de segundos, o que me fez sair de meus devaneios. Cinco samurais saíram cavalgando em alta velocidade atropelando os nossos cavalos, um samurai parou e voltou enquanto o resto seguiu.

– Você está bem? – Meu acompanhante perguntou e me ajudou a levantar.

– Estou, a neve amorteceu a queda. – Falei e encarei o samurai que estava a nossa frente, ele estava de armadura e montado em um cavalo tão forte que fazia parecer com que o meu fosse um simples pônei. Essa armadura é familiar.

– Perdoe-nos viajantes, estamos em uma missão urgente. Vocês estão bem?

– Estamos. – Eu confirmo.

– Os cavalos também. – O samurai disse já segurando as rédeas.

– Então eu vou indo, boa viagem. – Ele deu meia volta e galopou furiosamente em direção aos outros, seu cabelos grandes e negros me chamaram atenção.

– Sakura-hime. – me deu a rédea do meu cavalo.

– Obrigada, ahn... Qual o seu nome?

– Sai. Parece que não sofreram algum dano fiquei preocupado, você viu o tamanho daqueles cavalos?- Assenti confirmando.

– Vamos terminar de fazer nossa patrulha, depois disso ficamos bem distantes da carruagem. – Montamos e saímos Hizashi-sama provavelmente já deveria ter chegado então nos apressamos para não chegarmos muito tarde.

A imagem do menino ferido me veio à mente, eu nunca o vi, talvez eu estivesse preocupada porque me tornei um samurai e cenas como aquela poderia ser constante em minha vida. O que me preocupa é aquele homem, eu realmente posso encontrar homens iguais, com o coração corrompido e sem compaixão.

Enfim entramos na pequena vila que ficava entre a divisa da Tribo do Sul com a Tribo do norte, apesar de estar em uma rota movimentada essa vila fica afastada das estradas, foi feita justamente para hospedar lideres de clãs e daimyos. Eu e Sai fomos direto para a pousada, pois já sabíamos que ele já estaria lá.

– Hizashi-sama. – Nos curvamos.

– Ei vocês chegaram! – Ele estava largado no tatame, mas ficou de quatro quando nos ouviu.

– Perdoe-nos por atrasar houve um acidente. – Sai disse.

– Claro, CLAAro, vocês são meus queriDInhos só não quero que abusem DEmaaais da patrulha ou podem ser machucar. – Ele disse com a voz estranhamente feliz, podia perceber as garrafas de saquê espalhadas pelo chão. Ele gargalhou (assustadoramente). – Sakura como ESTá sua PriMEira missão? – Ele se aproximou de mim.

– Está in...

–ClAro que está bem POR que eu EStou vivo, obrigadooo. – Ele me deu tapinhas nas costas e logo caiu. – Hizashi-sama! – O peguei.

– O senhor exagerou no saquê é melhor descansar. – Meu tio levantou a cabeça.

– Sakura-chaaan sempre sendo inteligente, mas o velho aqui é de ferro ainda aguenta mais uma ROOdada. – Ele tentou andar até o armário onde ficavam as bebidas, mas deu de cara com o chão, nunca o vi tão bêbado assim ninguém diria que ele era o imperador.

– Eu cuido dele. – Sai o pegou. – Pode ir Sakura-hime.

– Saaai não dIGAA para o kAKAShi- saaaan, já falei que você É BONito? – Acho que não precisaria dizer já que todos podiam ouvir seus gritos, ver Hizashi-sama assim foi muito estranho, mas com certeza hilário. Ele era um imperador muito jovem comparado aos outros então essas coisas poderiam acontecer, conhecendo meu tio ele geralmente ficava assim quando estava nervoso.

Antes de dormir eu precisava relaxar, fui para as fontes termais da pousada e me afundei nas águas quentes. Meu corpo estava dolorido de tanto cavalgar e da queda, como era meu primeiro dia de samurai até que não estava ruim.

A imagem da criança do sonho me veio à mente.

De repente minha cabeça começou a latejar, esse sonho realmente estava me incomodando, tentei jogar esses pensamentos para longe, pois insistir nessas preocupações só iria demonstrar o quanto eu estou com medo.

– Quando os seus pais faleceram naquela missão foi a gota d’água para mim, e também com minha experiência de médica vi o lado terrível dos samurais, a verdadeira dor.

Estou insegura Baa-chan.

– Mas eu não quero assusta-la com isso, por que confio em você mais do que ninguém para nos honrar.

– Siga a sua felicidade Sakura Haruno.

Dei um pequeno sorriso, ela sabia como animar alguém mesmo estando longe. Dizem que nós samurais temos que esconder nossos sentimentos para ser um verdadeiro guerreiro e transmitir força em nossos movimentos de justiça, debaixo desse céu eu prometi trancar minhas inseguranças e partir para um novo amanhã.

Notas finais
Obrigada por acompanharem, comentem por favor Ja ne! ^^/