Only Yours Is My Love
20 Não Posso Perder Aqueles Que Amo
Notas iniciais
De forma rápida, puxo Peter e grudo suas costas em meu peito. Com a mesma velocidade, saco a arma e aponto para a cabeça do garoto. Me viro devagar para a direção de Neal, que está perplexo com o que vê.
— Inventa uma desculpa. — sussurro o ouvido de Peter.
— Neal! Socorro! Killian me enganou, me atraiu até aqui, mas ele quer me sequestrar. Disse que se você não se entregasse, eu iria morrer! — Peter grita.
— O que pensa que está fazendo, Killian? — Neal me pergunta. — Solte o garoto, ele não tem nada com isso. É entre eu e você.
— Tem razão. — solto Peter e guardo a arma. — Vai se entregar?
Peter corre e foge do local.
— Com certeza. — ele ergue as duas mãos na minha direção.
Foi mais fácil do que eu imaginava, tenho que confessar. O problema é que não estou com uma algema aqui para ajudar. Mas ele se entregou, então provavelmente não deve fugir.
— A prisão não é tão ruim, Neal. — me aproximo dele.
Quando estou centímetros de distância dele, Neal me dá um soco no rosto e me empurra.
— Tenho certeza que não. — ele diz enquanto anda até mim. — Olha só você, Killian. Parece tão pequeno agora...
— Seu desgraçado! — me levanto e avanço em Neal.
Quando vou empurrá-lo, ele agarra minha camisa e me joga para o chão primeiro.
— Qual o seu problema, hein? Você tem tudo meu: Emma, Henry... O que mais quer?
— Você tentou me matar.
— E daí? Eu já tentei matar várias pessoas durante a minha vida.
— Por que se importa com Emma?
— Eu a amo.
Com um pouco de esforço, me levanto e fico de frente para Neal.
— Você não a ama droga nenhuma. — respondo.
Neal tenta me socar outra vez, mas eu desvio. Chuto sua barriga, e ele cai, um pouco distante de mim, gemendo.
— Seu filho de uma… — resmunga ele.
— Nunca te disseram que palavrões são feios?
Neal sorri. Mas um simples sorriso se torna uma risada, e depois uma garalhada.
— Por acaso eu sou um palhaço? — pergunto.
— Você é patético. — responde ele. — Por que não chama reforços? Por que não liga para Emma? Ela bate mais forte que você, sabia? É, você sabe disso.
Vou em sua direção e me abaixo ao seu lado. Me sustento com o joelho e lhe dou três socos seguidos.
Ele continua rindo.
— Vai, Killian. Por que não pega a arma? Acaba logo com isso. Emma nunca será sua do mesmo jeito.
— Eu não quero que Emma seja "minha". Ela é de quem quiser. Eu a respeito, eu a amo. Somos casados e temos filhos. Você acha que isso foi em vão? Você acha que isso é puro teatro?
— Eu não falei isso.
— Ah, claro que não falou isso...
Neal soca a minha barriga e me joga no chão. Em poucos segundos ele está em cima de mim me esmurrando e me batendo. Eu revido, mas ele está no controle. Ele sabe o que está fazendo.
— Emma é minha! Você a roubou de mim!
Faço de tudo para me manter sóbrio, não desmaiar.
— Se você não tivesse aparecido, Killian, eu ia voltar para Storybrooke, e Emma me perdoaria. Ficaríamos juntos.
— Ela não te ama, seu imbecil.
Soco o seu nariz. Neal cambaleeia para trás e cai no chão.
— Ela não te ama. — repito me levantando.
— Tem certeza disso? — ele pergunta, pressionando o nariz. — Como sabe? Alguma vez já perguntou?
— Eu não preciso perguntá-la.
Neal se levanta com o rosto ensanguentado. Posso apostar que o meu também está, mas não estou nem aí. Ele vem em cima de mim e caímos ambos no chão. Ele soca minha barriga várias vezes, e também o meu rosto.
— Você vai ver Emma gostar de mim, um dia. — ele diz.
Neal pega a minha arma e se levanta, mirando em mim.
— Vamos lá. Me mate. Se seu objetivo é ter Emma, me matando não ajudará muito.
— Eu sei disso.— ele diz antes de dar meia volta e correr pelas ruas e sumir na escuridão.
— Eu chamei ajuda. — Peter aparece ao meu lado.
Ele me ajuda a levantar e me avalia com o olhar.
— Uau, você é muito ruim em brigas.— ele comenta.
— Faz anos que não me envolvo com isso. — respondo.
No fim da rua, a viatura se aproxima com a sirene ligada. Ela para perto de nós e Emma é a primeira a sair correndo.
— Killian, o que aconteceu? — ela observa meu rosto.
— Estou bem.— respondo suspirando.— Ai, minha barriga...
— Obrigada, Peter. — Emma o agradece. — É melhor você ir.
— Ei, obrigado, Killian. — ele diz antes de ir.
David surge ao meu lado e pergunta:
— Você apanhou de Neal?
— Eu não apanhei. — respondo.
— O que é isso no seu rosto? — ele pergunta.
— Eu fui agredido e agredi. — digo.
— A emergência era essa? — Graham pergunta saindo do carro.
— Vamos cuidar de você, Killian. Vem. — Emma me guia até o carro.
***
— Teimoso! Você é muito teimoso! Eu disse que não era para contar com a ajuda de Peter, não vale a pena. E você não me ouviu. — Emma está reclamando enquanto limpa os meus ferimentos. — Nunca me ouve, não é?
Graham e David estão no escritório, vendo e revendo a a gravação da briga. Em alguns momentos eles estão rindo, outros, estão boquiabertos ou dizendo que eu fui péssimo. Mesmo com o vidro, eu consigo ouvir eles conversando.
Emma está bastante irritada e está descontando colocando bastante remédio no algodão. E não é um comum, é aqueles que têm álcool e que arde.
— Por que não me escuta? — ela pergunta.
— Eu não morri.
— Mas poderia. Toma, segura isso acima do olho. — ela me entrega uma bolsa de gelo. Faço o que pediu.
— Eu estou bem...
— Não está. Imagine o que poderia ter acontecido? Se ele não fosse obcecado por mim, provavelmente te mataria.
— Então digamos que eu dei sorte. — respondo com um sorriso.
Emma me fuzila com o olhar e para o que está fazendo. Fica alguns segundos assim, até que eu decido dizer:
— Decidiu apreciar minha beleza?
Ela tira a bolsa de gelo da minha mão e a coloca em cima da mesa, se vira e vai até o escritório. Emma sussurra alguma coisa para eles, que respondem do mesmo jeito. Quando ela volta, me abraça.
— Eu só não te mato nesse momento porque eu te amo. — ela diz. — Só pare de me preocupar demais.
— Vocês brigaram por causa de Peter? — pergunta Graham.
— Ele que começou só porque não gosta de mim. Depois foi por outra razão: Emma. — respondo.
Emma afasta os braços do meu corpo, inclina-se um pouco para trás, podendo olhar para o meu rosto e pergunta:
— Eu?
— Ele falou várias coisas sobre você e então eu perdi a cabeça.
— Interessante...— comenta Graham antes de voltar para o escritório.
— Nunca mais faça isso, Killian. Você promete? — Emma pergunta.
— Eu não posso prometer, Swan. Sinto muito.
— Só não seja irresponsável e não aja por impulso.
— Tudo bem.
Ela se afasta e começa a arrumar a caixa de primeiro-socorro. Quando termina, seguro o seu braço e te puxo para mim.
— Eu te amo, Swan.
— Eu também te amo.
Ela me abraça e enterra o rosto em meu pescoço, sentindo o meu cheiro, matando a saudade, e me beija ali mesmo.
***
Chegamos em casa e nos deparamos com um silêncio mortal. Um silêncio que estava extinto em nossa casa desde que Emilie nascera. Até Emma está estranhando, pois está parada tentando ouvir nem que seja um ruído.
Não ouvimos nada.
— Que estranho. — comento.
— Verdade. — Emma concorda e fecha a porta.
Tiro minha jaqueta e a jogo no sofá.
Subo as escadas e Emma me acompanha. Vou para o quarto das crianças e não as vejo lá. Emma me olha preocupada e seguimos para o nosso quarto.
Quando abro a porta, me vejo apreciando uma das melhores cenas que já vi em minha vida: Kyle e Emilie deitados na nossa cama e ambos abraçando Henry, que está entre os dois. Os três estão dormindo profundamente e tem um livro de histórias ao lado deles.
Emma me abraça por trás e apoia seu queixo no meu ombro.
— Está vendo como nossa vida é perfeita? — pergunta ela.
Olho para ela, que sorri para mim e logo depois olha para os nossos filhos. Os três, nossos filhos. Que estão dormindo na nossa cama, e provavelmente vamos ter de dormir no sofá está noite, mas não nos importamos. São nossos filhos e os amamos.
Henry que já está crescendo e continua com o mesmo corte de cabelo e é tão adorável. Ele nem parece aquele garoto que acreditava nas minhas histórias de sereia. Quer dizer, ele continua acreditando, porque é isso que ele quer fazer: acreditar. Ele sempre acredita no que julga ser acreditável, porque esse é o jeito dele encarar a vida. E eu amo muito, mesmo ele não sendo um filho biológico.
Kyle é a criança mais agitada que já conheci. Não para quieto e sempre quer ter o seu lugar em tudo. Mas ele é carinhoso e e amável. Eu o amo também, desde que nasceu.
Emilie prefere ficar quieta, na margem, observando todos e tudo. Não é muito de socializar e é tímida, mas ela a criança mais adorável e doce do mundo. Como não amá-la também?
— Vem. — Emma me chama e segura minha mão. Ele me puxa para fora do quarto e envolve meus braços ao seu redor enquanto caminha em direção a escada.
Quando chegamos na sala, ela se vira para mim e me beija.
— Eu te amo.— ela diz.
— Eu também me amo. — respondo.
Emma ri e me beija outra vez.
— Eu te amo também. — digo.
Ela me solta e vai até o som. Emma pega um CD e coloca bem baixo uma música romântica.
— Não vai me chamar para dançar? — ela pergunta.
— Por acaso essa lady maravilhosa estaria interessada em dançar com o moço mais lindo e sexy da festa? — pergunto.
Emma sorri para mim e responde:
— Mas é claro que sim. Mas só se me pagar uma bebida depois.
Me aproximo dela.
— Será um prazer. — respondo antes de beijá-la.
Minha mão esquerda desliza pela sua cintura e a outra em sua mão. Em questão de segundos, já estamos dançando como nunca havíamos dançado.
Roubo beijos rápidos nela várias vezes durante a dança.
Aproximo seu corpo do meu e a abraço. Tenho que me certificar de que tudo isso é real e que não vou perdê-la, e nem ninguém. Não posso perder aqueles que amo. De jeito nenhum.
Por isso fico minutos em seus braços, para não deixá-la ir e nem vê-la escorregar das minhas mãos. Levei tempo demais procurando ela, e não posso perdê-la.
— Killian, você está bem? — ela pergunta ao perceber que não quero soltá-la nunca.
— Eu te amo, Swan. — sussurro.
Embora a minha vontade fora gritar para Neal, e o mundo inteiro ouvir. Para todos saberem que a amo.
Fale com o autor