Only Yours Is My Love
21 O Homem Mais Sortudo Do Mundo
Notas iniciais
Som, rum e fotografias: é o que resume a nossa madrugada. Fechamos a porta do nosso quarto para abafar o som e as crianças não acordarem, embora não esteja alto. Ligamos o ar condicionado também, para elas ficarem confortáveis em nosso quarto. E agora estamos aqui, rindo de fotos antigas e bebendo muito.
— Killian, essa foto é muito engraçada. Veja bem, olha a sua expressão! — Emma diz me mostrando a foto.
— Eu tenho culpa? Um garoto de sete anos não pode tomar banho em paz? Liam foi quem apareceu com a câmera na mão e me pegou de surpresa. Quando me virei, foi a única expressão que consegui fazer. — respondo.
— Nossa, era tão...
— O quê?— olho para onde está apontando, debaixo da minha barriga, na foto. — Ah, então você quer ver o quanto cresceu...? — distribuo beijos em seu pescoço.
— Se alguém acordar...
— Não vão.
— Não, não vamos arriscar deixar nossos filhos traumatizados, Killian.
Ela se afasta um pouco e pega outra foto.
— Não pode me beijar, pelo menos?
Emma olha para mim. Faço cara de cachorrinho sem dono e ela ri. Logo depois, me beija.
Em pensar que uma hora antes estávamos dançando romanticamente...
Quando percebo que ela vai se afastar, continuo a beijando. Me arrisco até a deslizar minha mão por dentro de sua blusa, acariciando sua barriga e costas.
— Tudo bem, acabou. — ela diz afastando a minha mão de si.
— Já? Mas nem começamos... — indago.
— Só mais um, Killian.
Balanço a cabeça positivamente. Tiro as fotografias do sofá e as jogo no chão. Emma fica me olhando sem entender nada. Segurando sua cintura, faço deitar-se no sofá. Ela até que tenta protestar, mas eu fico em cima dela e a calo com um beijo quente.
Quando já estou quase subindo sua blusa, um som na escada e um "Droga!" foi escutado por nós. Emma para de me beijar e me empurra para cima. Olho para a escada e vejo Henry sentado nos degraus com a mão no joelho direito.
— Desculpe, eu não quis atrapalhar. — ele diz.
— Henry...— Emma sussurra.
Me levanto de cima da Emma e ela se senta. Caminho até as escadas e me sento ao lado de Henry. Olho para seu joelho e vejo uma determinada área vermelha.
— Ah, não é nada demais... — ele resmunga. — Eu só tropecei na escada e caí. Apenas isso.
— Poderia ter se machucado feio. — diz Emma do outro lado do corrimão.
— Eu estou bem. — responde Henry. — Só ia beber água. Eu até tentei voltar, mas não deu muito certo.— ele se levanta e desce o resto das escadas.
Vendo desse ponto de vista: um garoto de dezesseis (quase dezessete) que acordou no meio da noite para beber água e acaba vendo sua mãe aos beijos com o padrasto (considerado como pai), tenta voltar para não ter de presenciar e acaba caindo no meio da escada chamando a atenção de ambos e os deixando bastante envergonhados... Isso soa muito estranho, considerando que eu já estava praticamente a despindo. É, ele está bem mesmo.
Emma me olha preocupada e eu lanço-lhe um olhar reconfortante. Henry não é mais uma criança, ele entende sobre isso. E além do mais, não fizemos nada lá. Ele não deve ter ficado muito chocado — ou talvez sim.
Sorrio para Emma e acaricio sua mão. Quando menos percebo, Henry já está subindo as escadas. Quando passa por mim, me levanto e subo também.
— Não vai dormir no meu quarto? — pergunto quando o vejo abrir a porta de seu quarto.
— Provavelmente não. — ele me responde.
— Olha, Henry...
— Killian, não quero ser rude, mas o modo como vivem a vida de vocês não é problema meu. — ele diz antes de entrar no quarto e fechar a porta.
Quando vou me aproximar para abri-la e tentar convencê-lo a conversar comigo — eu era bom em fazer isso com ele —, Henry tranca a porta.
Por mais que seja difícil admitir a verdade, desde que Henry foi falar com Neal naquele dia, ele está mais distante de mim. Nem parece que sou o seu "pai". Então eu devo agir como tal. E, nesse momento, eu preciso falar urgentemente como o meu filho.
Por isso, giro os calcanhares e ando pelo o corredor. Desço as escadas e me dirijo para o porão, ignorando os olhares estranhos de Emma. Quando passo por ela, estou carregando uma escada e um sorriso no rosto.
— Ei, para quê isso? — Emma pergunta.
— Eu apenas preciso ser pai. — respondo e continuo.
Abro a porta e quando saio, me arrependi por não ter pego um cachecol ou casaco. E mesmo assim, continuo até parar na mesma direção da janela do quarto de Henry. Ele a deixou aberta, sempre deixa. O que facilita muito o que pretendo fazer.
Cautelosamente, posiciona a escada e começo a minha jornada às alturas. Em pouco tempo, já estou na janela de Henry e o vejo no computador jogando algo e com os fones de ouvido. Pouso meus pés no chão com cuidado e sento na sua cama.
Fico observando o que está fazendo no jogo, parece algo relacionado a matança de zumbis ou monstros estranhos. Na verdade, nem sei muito sobre jogos, apenas sobre os que jogamos no Xbox dele.
Fico uns bons minutos ali, observando. Até que o jogo acaba e ele desliga o computador. Quando finalmente tira os fones e se vira para trás, se assusta ao me ver.
— Jesus, Killian! — ele praticamente grita.
— Como vai, garoto? — articulo um sorriso fraco.
— O que está fazendo aqui? — pergunta ele se levantando.
— Estou falando com você.
— Como entrou?
— Tenho meus truques.
— Nunca mais deixo minha janela aberta. — ele a fecha e para na minha frente. — O que quer falar?
— Quem disse que quero falar?
— Eu te conheço.
— Eu também te conheço.
Ele ficou em silêncio e sentou-se ao meu lado. Ambos olhando para a parede branca e pensando em não sei o quê.
— Você precisa cortar o cabelo, Killian. Ele já está grande. — Henry me avisa, ainda olhando para a parede.
— E você precisa conversar mais comigo, filho.
— Filho?— ele sorri de maneira fraca, porém um pouco sarcástica.
— É. Você é meu filho.
— Prefiro que me chame de "garoto" mesmo.
— E então... Quer me contar algo?
Henry solta um longo suspiro e leva alguns segundos para dizer.
— Antes de eu descer, eu vim para cá e peguei o meu celular. Tinha uma mensagem de Violet.
— E o que dizia?
— Ela quer terminar comigo.
Nossa. Eu sei o quão complicado é isso. E ainda mais por mensagem. Ele deve estar mal mesmo.
— Sinto muito.
— Ela me deu esse relógio no início dessa semana. — ele estendeu o braço com o relógio. — Disse que era do avô dela. Juntei as minhas economias e comprei um anel para ela, o qual eu iria entregar amanhã. Estamos tão bem, não sei o que a fez mudar de ideia sobre mim.
— Está se perguntando a pergunta errada, garoto. A verdade, é quem a fez a fez mudar de ideia sobre você.
— Está achando que... — ele me fita, avaliando minha expressão.
— Sim. Provavelmente sejam os pais.
— Eu apenas queria ficar com ela.
— Não deixe isso te abalar. Converse com ela.
— Acho...— pausa de segundos — Acho que tenho uma ideia melhor.
— Seja qual for, espero que tome a decisão certa.
— Também.
Me levanto e caminho até a porta. Quando destranco, me viro para Henry.
— Uma dica: não desconte nas pessoas as suas decepções na vida.
— Desculpe, Killian. Fui insensível. Vocês apenas estavam se beijando, é normal para um casal.
Sorrio de maneira fraca e giro a maçaneta. Em segundos, já estou andando no corredor. Emma está perto da escada, me olhando com profunda admiração.
— Eu ouvi tudo. — diz.
— Que bom que não preciso explicar. — respondo sorrindo.
— Temos que dormir, você precisa descansar. — ela segura a minha mão e me puxa escada abaixo.
— Por quê?
— Esqueceu-se que está ferido?
— Não, é claro que não.
Quando chegamos na sala, percebo que Emma tirou as fotos, as bebidas e o som baixinho de um rock antigo. O sofá está com um travesseiro e um edredom, esperando-nos para um breve descanso.
Deito primeiro que ela e a espero. Quando está confortavelmente deitada de costas para mim, eu a abraço pela barriga. Seu cabelo fica no meu rosto, o que deixa impossível a missão de não cheirá-los. E acho que Emma percebe, porque fica um pouco arrepiada. Aproveito essa situação e roço o meu nariz em seu pescoço e ombro, sentindo seu cheiro.
— Assim eu nunca vou dormir. — reclama ela.
— Swan, se lembra do nosso primeiro beijo?
— Claro que sim. August nos deixou sozinhos por aquilo.
— Você gostava de mim?
Ela fica em silêncio.
— Gostava? — torno a perguntar.
Emma faz um esforço e se vira de frente para mim. Nem eu sei porque estou lhe perguntando isso, só sei que estou.
— Ai, meu Deus, Killian. Você fazia meu coração bater acelerado e eu sentia uma grande atração controlável por você.
— Controlável?
— Como acha que não dormi com você no primeiro dia em que esteve na cidade?
— Gosta de mim desde aquele dia?
— Gosto desde aquela tarde que tivemos, antes de você partir. Se bem que você me irritava, mas você me deixava com uma vontade de…
Ela para.
— Continua.— peço.
— Ah, deixa pra lá.
— Não, não, me fale. Quero escutar agora.
Ela coloca a mão em meu peito e faz movimentos circulares com o dedo indicador, por cima da camisa.
— De te beijar e te abraçar para sempre.
Sorrio e beijo a ponta de seu nariz. Me levanto do sofá e caminho para o banheiro. Emma não fala exatamente nada.
Tiro minhas vestes e entro a ducha. Minhas feridas ardem um pouco por conta da água quente, mas eu apenas ignoro. Depois de um maravilhoso banho, me seco e me visto. Por sorte eu sempre guardo umas roupas minhas no banheiro de baixo. Tento secar meu cabelo com a toalha e visto um suéter por cima da camisa. Saio do banheiro e não vejo Emma no sofá e em lugar nenhum. Vou para a cozinha e nada. Subo as escadas, procuro nos quartos e banheiros mas não a vejo.
Minha última opção é abrir a porta e procurá-la. Mas não foi necessário correr pela rua atrás dela, porque ela está na varanda, sentada no banco.
Impossível não dar um suspiro de alívio ao vê-la bem.
— A Lua está linda, não é? — ela me pergunta.
— Sim. Mas ela não é nada comparada à você. — respondo me sentando ao seu lado.
Emma sorri para mim.
— Você sempre tem as palavras certas.
— Porque eu tenho a pessoa certa ao meu lado.
Ela se aproxima e me beija. Devagar e calmo, seu beijo desperta sentimentos grandiosos em mim. Ela faz cafuné em meu cabelo e nuca.
— Você está mais calmo. — ela percebe.
— Deve ser o frio.
— Quando está com calor você fica facilmente excitado? — permaneço em silêncio. — Nunca percebi isso antes.
—Isso não acontece com todo mundo?
— Não! Quer dizer, depende...
Fico observando ela.
— Seu cabelo ainda está molhado. E ele está maior, não vai cortar?
— É, vou.. .
Ela segura a minha mão e a coloca em seu rosto.
— Ah, mas você está quente... — diz antes de beijá-la e me olhar apaixonadamente.
Acaricio seu rosto com essa mesma mão e beijo seu pescoço. Subo beijando abaixo de sua orelha e faço uma pausa para sussurrar:
— Eu te amo.
Beijo sua bochecha e o canto dos seus lábios, quando vou beijá-la com todo o meu amor, ela recua. Ela pouca vezes recua de um beijo meu.
Emma faz carinho em meu cabelo enquanto a olho com uma grande dúvida na mente.
— Pensei que estava com frio. — ela me diz. — Sabe o que acontece quando começa a me beijar assim.
Me senti horizontalmente, com o encosto do banco em meus braços. Separo as minhas pernas para Emma se sentar junto a mim. Ela fica de costas e se encosta em mim. A abraço pela barriga e ela apoia sua cabeça em meu ombro. Beijo o topo de sua cabeça e vejo seus olhos pesarem. Ela com certeza vai dormir.
— Boa noite, Swan. — sussurro em seu ouvido.
Espero que eu não tenha falado tarde demais, só que é possível dela não ter escutado, já que não respondeu. Em alguns minutos, noto que ela dormiu de verdade. Então eu a carrego e entro em casa. Deito-a no sofá e desligo as luzes.
Deito-me ao seu lado e observo-a enquanto dorme. Tão linda, tão doce, tão delicada e parece ser tão sensível. Qualquer homem seria o o homem mais sortudo do mundo por tê-la e eu a tenho.
Então eu sou um homem muito sortudo. Porque ela me ama e eu a amo.
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