Only Yours Is My Love
33 Esperanças
Notas iniciais
Suas mãos estão em meu cabelo e nosso beijo parece não ter fim. Eu estou abraçando-a também, fazendo de tudo para manter os nossos corpos colados e eu poder sentir mais o seu calor.
Intenso.
É como eu posso descrever o nosso beijo.
— Vocês vão fazer isso num hospital? Pelo amor de Deus! — ouço David exclamar, interrompendo o nosso beijo.
Emma se vira para ele, que está com a cabeça para dentro do quarto, pela porta entreaberta. Suspiro e seguro a mão de Emma firmemente.
— Pai... Eu não sou mais uma adolescente para ficar de olho na minha vida! — Emma reclama.
David abre totalmente a porta e entra no quarto.
— Desculpe. Sabe que sua mãe não pode me manter afastado por muito tempo... — responde o meu sogro, com um sorriso brincalhão no rosto.
— Eu tentei! — Mary entra no quarto, com as mãos erguidas tentando se defender.
— Onde estão as crianças? Eu quero vê-los... E Henry? Como está o meu filho? — Emma pergunta.
— Vou pedir para Regina trazê-los. — aviso, antes de me levantar e tirar o celular do bolso. Disco o número dela e aguardo-a atender.
— Alô? Killian? — ouço a sua voz.
— Oi, Regina. Pode trazer Henry e as crianças? — peço.
— Ah, sim, claro. Não demoro.
— Depois podemos conversar, sim?
— Hm... — ele estranha. — Tudo bem. — e desliga.
Me viro para Emma e sento-me ao seu lado outra vez.
— Estão vindo, amor. Não se preocupe. — beijo a sua testa. — Ah, David... E sobre Neal?
Ele fica olhando para o nada com cara de paisagem, denunciando que aconteceu alguma merda.
— Neal? O que houve com Neal? — Emma pergunta, sem saber de nada.
— Não te contaram? — pergunto. — Prendemos ele.
— Sério? — pergunta ela, incrédula.
— Sim, Emma. David não quis te contar porque...
— Ele fugiu. — David completa a fala da esposa.
Eu realmente não acredito que ele tenha fugido. Como ele consegue fugir? David não estava na delegacia? QUE RAIOS ESTÁ ACONTECENDO NESSA DROGA DE CIDADE???
— Eu não acredito nisso! — me ergo. — Eu. Não. Acredito. Nisso.
— Bem... Tecnicamente, foi culpa minha. — ele encolhe os ombros e olha de relance para Mary, que está o fitando com reprovação e balançando a cabeça negativamente. Ele pigarreia. — Mas eu vi na câmera que Peter o ajudou.
E todos os olhares param em quem? Em mim, é claro! O cara que está confiando em Peter e que é o único que parece estar tentando dar um jeito nessa situação patética e vergonhosa. Como, em uma cidade pequena, ainda não conseguimos prender Neal? Como?
— Estamos destinados à não prendê-lo. Eu sinto isso. — é o que digo.
— Killian... Sabe... Depois das eleições e de Regina ganhar, vamos criar uma estratégia para prendê-lo. Uma de verdade. Sem rodeios e subjetividade. Vamos montar uma equipe de verdade e prender todos os seus "amiguinhos do crime". Precisamos fazer isso. Deixa a poeira abaixar e colocamos tudo em prática. Mas precisamos que Regina vença. — conta David.
— Ela vai vencer. — garanto.
— Não tenho dúvidas quanto à isso. Mas não deixo de ficar preocupado... Neal é perigoso.
— Nem tanto. Você o viu naquele dia.
— Então acha que a loucura dele é o seu ponto fraco?
— Hm... — paro para refletir. — Não. Na verdade, querido sr. Nolan, estamos olhando para ele agora. — olho para Emma.
— Ok, o que está insinuando? — Mary pergunta, tentando acompanhar a conversa.
— Nada. Apenas que Neal não é tão poderoso quanto pensa. Precisamos mostrá-lo que não é o dono da cidade.
— Killian! S-E-M R-O-D-E-I-O-S. — David soletra, me sacudindo. — Sem rodeios!
— Tudo bem, então. Mas não podemos sentar bebendo um chá enquanto Neal sai por aí dando duro na campanha dele. Precisamos impulsionar Regina!
— Estão pensando na mesma pessoa que eu? — Mary pergunta, esperando uma resposta. Mas eu já sei, e pela expressão de todos, também sabem.
— Sidney Glass. — falamos em uníssono.
* * *
— Querem que eu faça uma manchete sobre Regina Mills em meu jornal? — repete Sidney, pela terceira vez.
— Sim! — Mary responde, impaciente.
— Bem... Vejamos... Por eu faria isso? — ele afaga a barba.
— Eu não costumo usar chantagem, mas... — me inclino para sussurrar. — Todos nós sabemos da sua paixão platônica pela prefeita. — falo como se fosse um segredo.
Sidney fica uns longos segundos em silêncio.
— O que querem que eu escreva sobre ela? — pergunta ele, arrancando um sorriso vitorioso do meu rosto.
— Bem, eu não sei... Você que é o admirador dela, parceiro. — respondo.
— Bem... Eu não deveria fazer isso...
— Você não precisa fazer. Mas não seria legal ver a sua Vossa Alteza continuar como prefeita...? — David fala.
— Hm... Vou pensar sobre isso. Verão o resultado na edição de amanhã. — ouvimos como resposta.
— Tudo bem. — me viro para sair.
— Esperem. E se Neal ganhar? — Sidney pergunta.
— Ele não vai. — garanto.
— Vou guardar essas palavras, xerife. — Sidney faz um gesto para sairmos.
Em silêncio, nós três saímos do local. Quando já estamos na rua, David fala:
— Acham que ele vai mesmo escrever?
— Eu não sei. Espero que sim. — respondo. — Vamos, temos que voltar para o hospital. — apresso os passos para o hospital.
* * *
Henry está sentado lendo uma revista em quadrinhos do Wolverine enquanto Kyle e Emilie imploram um chocolate para Regina. Ela apenas tenta controlá-los, o que não está dando muito certo.
— Vocês não podem comer chocolate agora! — Regina explica.
— Podemos, sim! — diz Kyle. — Ei! Papai! — nota a minha presença. — Queremos chocolate!
— Não, crianças. Precisamos voltar para casa pra dormir. — digo, carregando Emilie, que estava estendendo os braços para mim.
— Olha quem diz... — ouço Regina murmurar.
— O que falou, senhora prefeita? — me inclino na sua direção.
— Nada. — escuto como resposta. — Aonde estavam?
— Conversamos com Sidney. — responde Mary.
— Por quê? — Regina arqueia o cenho.
— Estamos te ajudando, Regina. — falo, deixando Emilie no chão.
— Bem, obrigada, seja lá o que estejam planejando. — ajeita o terninho e se senta com Kyle.
— Vou falar um pouco com Emma. — digo, antes de me afastar e ir até o quarto onde ela está.
— Whale disse que talvez eu volte amanhã. — comenta ela, assim que me vê entrar.
— Olha, Swan... — sento-me na cama. — Eu ainda estou muito abalado com tudo...
— Eu sei, Killian...
— Desculpa. Não, você não sabe. — a interrompo. — Eu sei que também esteve assim quando houve a tentativa de homicídio contra mim, mas você tinha mais chances de morrer do que eu. Não sabe como eu fiquei durante todas essas semanas, e nem sabe o que...
— Emma Swan! — exclama uma voz conhecida, me interrompendo e já entrando no quarto com mais duas companhias. — É bom vê-la outra vez! Oh... Estamos atrapalhando algo?
Eu não sei o que pode estar acontecendo comigo, mas eu estou com muita raiva aqui dentro. Será que toda a cidade sabia que Emma havia acordado menos eu? Entendo que não fiquei vivendo a minha vida nas últimas semanas, e quando eu realmente fui me dar conta, esconderam esse fato de mim para eu não me dispersar. Mas eu acho que eu tinha o direito de saber, não? Afinal, ela é minha esposa e eu a amo. E durante esses dias que fiquei na mansão de Regina, foi complicado dormir sozinho na cama, já que eu estou acostumado com a sua presença e o seu calor.
— Não. — falo baixo, até demais.
— Trouxemos flores. — Merlin ergue um buquê de flores para Emma, que por sua vez o pega e as cheira.
— Obrigada, garotos. — ela agradece com um sorriso.
Merda. Esqueci de comprar uma flor para ela durante o caminho. E por conta disso, estou com um pouco de ciúmes por eles terem lembrado disso e eu não. Ah, mas acho que ela não vai deixar de me amar só porque eu esqueci as flores, não é?
— Garotos? Eu já cresci, Emma. — Merlin cruza os braços e tive que rolar os olhos.
— Bem... Considere-se um ainda. — Emma dá de ombros.
— Como você está? — Pergunta Lancelot.
— Bem. Um pouco cansada... Mas estou bem. — ela relaxa os ombros e se apóia um pouco em mim.
— Quando poderá voltar? — Phillip pergunta.
— Hm... Talvez amanhã. — Emma diz.
— Acha que... — Merlin já está começando à falar os seus pensamentos toscos e pouco construtivos. — Meu Deus! — põe as mãos na cabeça, se interrompendo. — Que loucura! Isso veio do nada! Será? Mas faz sentido! — anda de um lado para o outro, fazendo com que todos pensem se tratar e um maluco, e um pouco agitado.
— Do que está falando, Merlin? — Lancelot arranca as palavras da boca de todos, ou melhor, expõe o pensamento de todos.
— E se esse envenenamento tem alguma ligação com a quase-morte de Killian? E se tiver um lunático locão aí querendo matá-los? — Responde o homem.
— Não. Não pode ser a mesma pessoa. Neal não mataria Emma, foi aquele homem que vocês investigaram. No meu caso... Bem, pode ser, sim, Neal. Aquele homem não teria motivos para me matar, quer dizer, e nem à Emma... — reflito um pouco. — Só acredito que tem alguma relação com Neal, sinto isso. Mas eu não sei se ele me mataria pelas próprias mãos.
Agora a atenção de todos está em mim. Emma está com a cabeça inclinada para o lado e uma expressão de curiosidade e dúvida no rosto.
— Como assim, Killian Jones? — quer saber Phillip.
— Ele me disse uma vez que não poderia me matar, senão perderia Emma para sempre. Talvez ele apenas mandou uma pessoa aleatória, a qual não tem nenhuma ligação com ele e nem comigo. Eu não sei, mas esse é o meu palpite.
O silêncio e faz no quarto, e sinto Emma apoiar a cabeça em meu ombro. Phillip, Lancelot e Merlin estão perdidos em seus pensamentos e devaneios. Sabem que o que digo pode ser real. Mas se eu estiver certo, nem sei o que esperar do futuro.
Na próxima semana é a eleição, e eu estou bem esperançoso com a vitória de Regina. É uma boa palavra a "esperança". Afinal, ela define bem a coisa que mais brilha dentro de mim (depois do meu amor por Emma, é claro). Eu não gosto de acordar todos os dias e me lembrar que tem um maluco querendo fazer sabe-se lá o quê com a minha família.
E com isso, eu afago suas madeixas loiras e fecho os olhos, inspirando a paz e ouvindo o silêncio.
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