Only Yours Is My Love
31 Delírio
Notas iniciais
Três Semanas Depois
Sua mão está gelada, ela está pálida, está em coma.
Algumas horas atrás estive com ela, e assim ela estava. Nem parecia aquele anjo de cabelos loiros que estava há semanas atrás com os dedos deslizando entre meus fios do cabelo, dizendo o quanto me ama, me beijando apaixonadamente e abrindo aquele sorriso maravilhoso.
Mas ela estava tão sem vida quando a vi... Nem parecia ela. A minha Emma.
— Killian? — ouço a voz de Whale.
Me levanto repentinamente da cadeira da sala de espera do hospital, cheio de expectativas. Será que ela acordou? Será que piorou?
— O que está fazendo aqui? — ele pergunta.
— Bem... Eu estou esperando Emma acordar. — respondo.
— Killian, o estado dela está do mesmo jeito. — Whale cruza os braços.
— Eu...
— Você precisar ir para casa, comer, dormir e tomar um banho. Você não saiu daqui desde que ela chegou. Killian, você percebe o quão isso é péssimo para você? Emma não gostaria de saber que está madrugando aqui. Qual foi a última coisa que comeu e quando?
— Três barras de cereal, anteontem. — respondo.
— Viu? Isso não é comida, Killian!
— Mas me alimentou.
— Não, é o que você pensa. E como vai o seu sono?
— Como?
— Você tem dormido?
— Não muito. O máximo que consigo é uma hora e nem todo dia.
— Vem, vou te levar para casa. Amanhã você vai ver seus filhos, sim? — ele me guia, segurando-me pelo ombro.
— Não, eu vou ficar aqui. Ela pode acordar a qualquer momento! — me recuso a ir.
— Se ela acordar, ligarão para o seu celular, Killian. — ele continua me empurrando.
— Não, eu preciso ficar aqui. — falo.
— Você precisa ir para casa, Killian. Eu te levo, venha.
Ele me leva para fora do hospital e me faz entrar no seu carro.
* * *
— Confio que você irá entrar, comer e dormir. — Dr. Whale fala quando estaciona.
— Não precisa virar a minha babá. — reclamo e desço do carro.
Atravesso o jardim e abro a porta. A casa está meio bagunçada, resultado de deixá-la nas mãos de Merlin, Lancelot e Phillip. Mas eles não estão aqui.
Subo as escadas e entro no meu quarto. Tiro minhas roupas e sigo para o banheiro. Encho a banheira com água quente e entro na mesma. Fico alguns minutos na banheira, pensando em tudo, sonhando.
Só me dou conta de que eu estava realmente dormindo quando meu corpo desliza pela banheira e eu entro totalmente na água. Levanto assustado, pensando no que poderia ter acontecendo e decido ir dormir de uma vez.
Após me enxugar, visto uma roupa íntima e me jogo na cama, hibernando em seguida.
* * *
Acordo ainda sonolento, embora morto de fome. Caminho pelo corredor e tento descer as escadas. Tropeço em um tênis — acho que é de Merlin — e caio na escada, descendo rolando pelos degraus.
— Maldição! — praguejo e me levanto com muito esforço.
Vou para a cozinha e preparo um café para mim. Depois pego alguns cookies e os coloco em um prato. Sigo para a sala com a minha xícara e o prato, os quais eu deixo na mesinha de centro. Ligo a televisão e fico a jogar os videogames de Henry enquanto como.
— ... Então pode ser isso. — a porta se abre e ouço Phillip terminar de falar. — Killian!! — ele apressa os passos e se senta ao meu lado.
— Oi... — falo num tom de tédio.
— Nossa... Morreu, foi? — pergunta Merlin, parando na minha frente.
— Não estou a fim hoje, Merlin. — respondo enquanto tento ultrapassar um carro vermelho no jogo.
— E, então? Como você está? — pergunta Lancelot.
— O que você acha?
— Eu acho que você está bastante... Bem. — Lancelot responde. — Seu cabelo está bagunçado, parece que não faz a barba há um ano, você está com... Roupa íntima? Meu Deus, Killian... Bem... Ahn... — ele passa a mão no cabelo — Você parece estar muito empolgado. Ah, sim, você parece bem, Killian.
— Seu sarcasmo me irrita. — comento, me afundando no sofá.
— Oh, seria uma pena se... — Merlin se afasta de mim, vai para trás da televisão e puxa o cabo da tomada. — Ops...
— Por que simplesmente não me deixam ficar em paz? — pergunto.
— Porque precisamos descobrir quem fez aquilo com Emma. — Merlin responde.
— Sabemos quem foi. — falo.
Há uma semana atrás, Merlin, Phillip e Lancelot ficaram investigando sobre o que aconteceu com Emma. Era certo, seu champanhe tinha veneno. Aquele mesmo champanhe que aquele homem trouxera especialmente para ela. Agradeço por ela não ter ingerido a quantidade necessária para matá-la.
Ligamos para Ruby — ela queria desistir da Lua de Mel por conta de Emma, mas eu a obriguei a ir — e ela me deu a lista de todos os garçons contratados. Merlin visitou todos, e me mostrou as suas fotos. Não era nenhum deles, o que significa que aquele cara não era um garçom.
Foi então que Lancelot e Phillip, quando instalavam outras câmeras na floresta, encontraram um corpo de um homem que foi morto asfixiado. Eles tiraram fotos e me mostraram. E era o homem que serviu o veneno para Emma. A pergunta se fez: Quem o matou? Sem contar na: Por que ele mataria Emma?
— E se alguém tiver mandado matá-la? Neal, talvez? — Phillip teoriza.
— Não. Nem surtando Neal faria isso. Por mais que seja doloroso admitir, ele a ama. — sinto náuseas só em falar isso.
— E por que faria isso? — pergunta Phillip.
— Não foi ele. — respondo.
— Killian... Você está bem? — Merlin me pergunta.
Antes de eu responder, a campainha toca. Merlin caminha até a porta e olha pelo olho mágico e volta em pânico.
— Meu Deus, é ele! — Merlin sussurra.
— Ele quem? — pergunto me levantando.
— Neal! Neal está aqui! — Merlin exclama sussurrando.
— Você está com medo? É um policial, Merlin! — Lancelot responde.
— Eu não estou com medo! — Merlin se defende.
— Podem calar a boca e subir? Não façam barulho, por favor. — mando.
Eles fazem uma fila e sobem as escadas. A campainha toca outra vez e eu caminho até la. Quando abro a porta, Neal suspira aliviado.
— Preciso falar com você. — ele entra sem ser convidado. — Que bagunça... — ele nota. — Sem Emma aqui você não consegue arrumar nada não, é?
— Eu não estive em casa essas semanas. — respondo. — Mas você não veio falar sobre a organização da minha casa, não é?
— Hm... Claro que não. — ele se vira para mim.
— E então...? — fico no meio da sala e cruzo os braços.
— Eu sinto muito. Eu... Vim pedir sua permissão para visitar Emma.
Eu quero rir. Mas eu sei que se eu rir, meu estômago vai doer. Eu estou com fome ainda e minha posição na cama não foi muito favorável.
— Para o quê? — pergunto incrédulo.
— Visitar Emma no hospital. — ele repete.
— Por que eu faria isso?
— Porque não fui eu quem envenenou ela. — ele responde.
— E daí?
— Você sabe? Como sabe?
— Eu não sou idiota, Neal. Você é obcecado por ela. Como poderia fazer isso?
— Eu descobri quem foi.
— Eu também.
— Quero visitá-la.
— Quem o matou? Quem matou o homem que envenenou Emma?
— Ele morreu sozinho, eu acho. Coisas acontecem... — ele me olha com aquele olhar como se quisesse se passar por inocente, tentar me convencer que o que diz é verdade. Mas não é. Ele tenta me manipular, mas não consegue. Ele realmente matou aquele homem.
— Você o matou?! — me espanto.
— Eu quero ver Emma, Killian. Eu sei que não poderei vê-la se não permitir.
— Não. Você não vai vê-la.
Ele se aproxima de mim.
— Ela não é sua, Killian. — diz com os olhos estreitos.
— Nem sua, Neal. — respondo olhando em seus olhos.
— Mas ela já me amou uma vez.
— E ela me ama hoje. — sorrio ironicamente.
Neal suspira e passa as mãos no cabelo e rosto.
— Eu só quero vê-la, Killian. — ele fala com sinceridade.
— Tudo bem. — cedo, depois de alguns minutos em silêncio. — Mas eu vou estar com você no quarto e não poderá tocar nela.
— Não? Por quê?
— Por que não quero. Não vou deixar você sujá-la com o sangue em suas mãos das pessoas que matou. Aliás, isso é uma má ideia, vá embora.
— Não, eu juro que não toco nela. Só me deixe vê-la, okay?
— Tudo bem... — falo indo para a porta.
— Killian... — Neal me chama quando eu abro a porta, e recebo um vento forte e gelado. — Você meio que está... Quase nu.
E então percebo que ainda estou com roupa íntima. Fecho a porta rapidamente e subo as escadas. Visto uma calça jeans azul, uma camisa branca, um moletom cinza e uma jaqueta preta e um sapato preto.
— Prefiro você assim. — comenta Neal quando desço.
— Não me faça mudar de ideia. — falo passando por ele e abrindo a porta.
* * *
Confesso que fiquei tenso quando entrei no carro de Neal e ele começou a dirigir. Nunca pensei que estaria no mesmo ambiente que ele, e em silêncio. Mas agora eu estou bem mal em estar aqui. E o pior que ele acabou de desviar para um lugar que leva para a direção oposta do hospital.
— O que está fazendo? Pensei que estávamos indo para o hospital! — exclamo.
— Eu não disse que íamos para o hospital em momento algum. — Neal me responde.
— Ah, mas você vai... Na verdade, pode estacionar aqui mesmo porque não vou ficar com você nem mais um minuto.
— Calma, não vou te sequestrar nem nada do tipo. Preciso que faça Regina desistir da eleição.
Agora, sim, gargalho sem me importar com a maldita dor no estômago.
— Okay... Vou tentar. — falo com sarcasmo.
— Eu terei que tomar decisões drásticas para conseguir ganhar.
— Vai matá-la por acaso? Pare de pensar que matando as pessoas terá tudo, Neal.
— Não vou fazer isso. Aliás, eu queria fazer tudo certo. Mas agora terei que fazer do meu jeito.
— O que importa é que Regina ganhará.
— Eu tentei te matar uma vez, Killian. — o noto acelerar.
— Não estou com medo. — falo com sinceridade. — Pode me matar se quiser.
— Não interprete mal tudo que falo, Killian. Não vou te matar, embora muitas vezes tenha esse desejo. Eu te odeio, sabia?
— Oh, nossa relação é recíproca... — falo sarcasticamente.
— Eu fiz aquilo com Emma e eu não sabia realmente o que fiz. Mas eu percebi que sempre a amei, entende?
— Não. — balanço a cabeça negativamente.
— Ah, vamos logo ver Emma. Pensei em dar uma passada na minha casa para te mostrar algo, mas desisto.
— Eu quero que você estacione, agora.
— Pensei que fôssemos ver Emma.
— Eu confiei em você, Neal. Mas você me fez arrepender do momento em que me vesti e saí nesse frio.
Ele freia bruscamente, e eu agradeço mentalmente pela existência do cinto de segurança.
— Mas que merda aconteceu? — grito.
— Você me deixou vê-la, Killian!
— Não mais, Neal. Você está ferrando com a minha vida, não sei nem porque raios te deixei vê-la.
— Você está brincando com a minha cara? Você sabe o que fez?
— Te neguei um pedido. — tento abrir a porta, mas está travada. — Me deixa sair.
— Eu vou vê-la. Por bem ou mal.
— Ah, você tem como vê-la... Nos seus sonhos. — forço a porta.
— Eu te odeio, seu filho de uma... — ele avança em cima de mim e agarra meu pescoço.
Tento afastar suas mãos de mim, em vão. Consigo tirar meu cinto e o empurro para trás, para o seu banco. Afasto, finalmente, suas mãos do meu pescoço e tento encontrar o botão para destravar as portas.
— Me solta, seu psicopata! — grito quando ele começa a tentar me imobilizar.
Enfim alcanço o botão e destravo. Abro a porta do motorista e empurro Neal para fora, pois sem isso, eu nem conseguiria sair. Quando vou levantar e afastar minhas mão do asfalto gelado, Neal segura meu pé.
Ah, mas que droga. Eu nem quero brigar na neve...
— Qual o seu problema? — puxo meu pé e me livro dele.
— Eu não suporto vê-la com você, Killian. Vocês me dão nojo. Nojo! — ele berra enquanto se levanta.
— Eu não posso fazer nada. Deveria ter aceitado isso... — caminho para trás.
— Ela ainda vai ser minha! — ele bate no capô gelado do carro.
— Sonhe que faz bem. — ironizo.
Ele cai de joelhos no chão e começa a chorar. Do nada!
— Você não sabe o quanto a amo, Killian. Não sabe... — ele me diz em prantos.
Eu fico em silêncio, observando a cena.
— Ela disse que me amava e que nada no mundo poderia nos separar. Ela disse que me amava... — ele afunda o rosto nas mãos.
— Você está apegado ao passado, Neal. Você só ficará melhor quando se livrar dele. — respondo.
— Essa prisão me mata. Eu te odeio, Killian. Eu te odeio! Se você tivesse ficado onde — ele faz uma pausa e chora intensamente, fazendo um barulho infantil — ... onde quer que esteve, eu teria voltado para ela. Ela iria me querer!
— Não, Neal. Ela não faria isso.
— Sim! Sim! Essa prisão me mata... — lamenta.
— Que prisão? Do que está falando?
— A prisão, Killian... Eu preciso vê-la. Eu preciso tocá-la. Preciso sentir seu cheiro. Preciso tê-la... — ele suaviza a voz. — Preciso sentir o teu calor... Preciso dela, Killian. — ele se levanta bruscamente. — Seu desgraçado! Você a roubou de mim! — ele vem na minha direção com os punhos fechados e lágrimas nos olhos.
Meu Deus... O que está acontecendo aqui?
— Eu... Neal? O que...
— Mas que droga!!! — ele grita, me fazendo perguntar se toda Storybrooke ouviu. Neal dá meia-volta e esmurra o carro. — Eu não posso te tocar! Maldito! Maldita Emma! Por que não escolheu à mim?
Então... Ele pirou de vez. Ele está louco. Está criando algo em sua cabeça que está o fazendo ficar assim. Acho que precisa de ajuda.
Ele bate tanto no carro, que a sua mão fica ensanguentada, e sou obrigado a empurrar-lhe no chão, para não ficar sem a mão.
— Neal!! — o chamo. — Para com isso!
— Eu preciso do meu remédio... Eu preciso de Emma... Eu preciso... — ele sussurra para si mesmo e encosta o joelho no peito.
Uma luz de farol imerge do nada, me fazendo olhar naquela direção. Suspiro de alívio ao ver a caminhonete de David. Ele estaciona atrás do carro de Neal e se aproxima de mim.
— Killian! — me abraça. — Fiquei preocupado...
— Fui sequestrado por vontade própria. — respondo quando ele se afasta. — Pode me ajudar com ele? — aponto para Neal, que está chorando em silêncio.
David arregala os olhos.
— O que aconteceu? — me pergunta.
— Eu não sei. Ele surtou! Simplesmente surtou! — conto.
— Então vamos levá-lo para a delegacia. Bem, fico feliz ao saber que nada aconteceu com você. Merlin me contou que saiu com ele, por isso entrei em pânico.
— Eu sei que sou importante... — me gabo.
— Ás vezes me arrependo do que falo... — resmunga ele se aproximando de Neal.
Assim, nós dois o ajudamos entrar na caminhonete de David e o levamos para a delegacia. Ele não parava de choramingar, o que me fez sentir pena dele. Talvez ele seja apenas vítima dessa doença mental que o aflige. Talvez ele sofra de delírio, não sei. Mas, vendo-o encolhido no banco, sussurrando coisas e chorando, sinto pena do que ele esteja passando.
Espero que, quando ele parar com essa loucura na cidade e com Emma, ele se arrependa de tudo o que fez. É o primeiro passo para o perdão.
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