Only Yours Is My Love
30 Bônus Henry
Notas iniciais
Depois de dançar com minha mãe e discutir sobre quem deve guiar, vou caminhando até a mesa das bebidas.
— Ahn... Minha mãe, Emma, ela me pediu para pegar uma bebida para ela. Um vinho tinto, por favor. — digo.
— Quantos anos tem? — o cara me pergunta.
— Vou fazer dezoito semana que vem. — minto e ele ri. — O que foi?
— Você não tem dezoito. — ele responde.
— É, mas minha mãe pediu um vinho tinto, então eu preciso voltar com taça cheia.
— Você quer beber, não é? — ele cruza os braços.
— Não, minha mãe quer. Olha, é só encher a taça e me entregar. É simples... Quer que eu faça no seu lugar? — me aproximo mais e pego a garrafa.
— Se der merda, não diga que deixei. — ele avisa, enquanto encho uma taça. — Está escutando? Não me dedure.
— Não vou fazer isso. — pego outra taça e a encho. — Pode ter certeza.
Deixo a garrafa com ele e saio com as duas taças na mão. Bebo ambas rapidamente e fico observando os casais dançando. Meus olhos repousam naquele magnífico ser conversando com algumas garotas ao seu lado. Uma coragem estranha tomou conta de mim e fui até ela.
— Oi, Violet. Quer dançar? — pergunto.
— Ah, oi, Henry... Não, obrigada. — ela responde com um sorriso nervoso.
— Por que não? — pergunto. — Preciso conversar com você.
— Aqui não é lugar e nem momento. — ela me responde.
— Por favor... Não vai demorar... — imploro com o olhar.
Ela suspira e concorda com a cabeça. Sorrio e seguro sua mão. Nos juntamos aos outros casais e eu deslizo minha mão pela sua cintura. Com movimentos calmos e cautelosos, inicio a dança.
— O que queria falar? — ela pergunta apressadamente.
— Quero dizer que sou um completo idiota, Violet. — assumo.
— Olha, Henry...
— Eu sou um idiota! Como não percebi o quão idiota sou? — a interrompo. — Estive louco para me tornar um deles que... Meu Deus, eu sou uma catástrofe!
— Não é para tanto, Henry...
— É, sim. Eu amo você, Violet. De verdade. E eu nunca me senti assim em toda minha vida. Não posso desperdiçar tudo isso... Está entendendo?
— Sim, Henry, estou.
— Eu só queria fazer as pazes com você, Violet. Por favor, me perdoa!?
— Eu te perdôo, Henry. — ela sorri.
— Eu sabia que iria me perdoar! — sorrio com a animação e me inclino para beijá-la.
Após alguns segundos, ela se afasta e põe a mão em meu peito.
— Henry... O que é isso? Você bebeu vinho? — ela pergunta.
— Só duas taças. — dou de ombros.
— Quem te deu? — ela se espanta.
— Um amigo. Quer? — pergunto.
— Hmm... Pode ser. — ela sorri.
Levo Violet até a mesa de bebidas e sorrio para o cara.
— Ah, pronto... Agora trouxe a namoradinha... — ele pragueja.
Pego a mesma garrafa de antes e sirvo duas taças.
— Obrigado pela compreensão. — digo entregando uma taça para Violet.
— Sua mãe deixa você beber? — Violet pergunta, andando pela festa comigo.
— Ela me colocaria de castigo mesmo se sonhasse com isso. — respondo.
— Está correndo risco. — ela fala rindo. — Ela pode estar em qualquer lugar...
— Deve estar com Killian. — respondo, olhando ao redor.
Violet bebe seu vinho em silêncio.
— Você sentiu a minha falta enquanto estive em Nova York? — pergunto para ela e espero sua resposta degustando o meu vinho.
— Me perguntei onde você estaria e se estava pensando em mim. Sim, senti sua falta.
Termino de beber meu vinho e deixo a taça em uma mesa qualquer. Violet faz o mesmo, então seguro sua mão e a levo até a mesa onde Killian e minha mãe estavam, a qual está com a bolsa da mesma. Me aproximo e abro sua bolsa.
— O que está fazendo? — Violet pergunta.
— Pegando algo... — acho as chaves do seu Fusca e fecho sua bolsa. — Vem, Violet.
Saio da festa com ela e recebo a pouca luz do Sol em meu rosto. Abro a porta do carro de Emma, ao lado do motorista e faço um gesto para Violet entrar.
— Não acho isso uma boa ideia. Você bebeu, Henry. — ela não entra.
— Sim. Mas não estou bêbado. Pelo menos, não que eu saiba... — respondo. — Entra, só vamos dar uma volta. Eu dirijo muito bem.
— Vou confiar em você. Mas se nos meter em algum acidente, saiba que meu pai irá te matar. E não é no sentido figurado. — ela entra e eu fecho a porta.
— Relaxa, Violet. David me ensinou a dirigir bem. — me sento ao seu lado e coloco o cinto.
Violet liga o rádio quando eu ligo o motor e acelero. Ela fica tensa no início, mas depois se acalma, aproveitando o vento em seus cabelos.
— É, você dirige muito bem. — ela me elogia.
Paro o carro na frente de um mercado e desço com Violet. Quando voltamos, estamos carregados com doces e porcarias. Ficamos comendo tudo no carro, ouvindo música e eu com os pés no painel. Aproveito e tiro aquela gravata que estava me sufocando.
Quase tudo o que minha mãe disse para eu não fazer, eu fiz.
— Quer dar mais uma volta? — pergunto ligando o motor.
— Seria um prazer. — ela sorri.
Acelero e utilizo do que aprendi com David em nossas aulas de direção. Passamos por vários lugares da cidade, e quando finalmente estamos voltando, a sirene de xerife soa atrás de mim. Ignoro e continuo a acelerar. Quando olho para o lado, lá está meu avô me fazendo um sinal para estacionar o carro. Suspiro e faço o que mandou. Logo ele sai do carro e se inclina na janela do motorista.
— Uma multa, rapaz. — ele estende o papel para mim. — Como pôde roubar o carro de sua mãe e sair por aí?
— Hmm... Eu sou bem esperto. — respondo.
— Acho que posso te deixar de castigo também, não é?
— Acho que sim. Mas deve saber também que eu bebi três taças de vinho tinto.
— Olha... Mais um para o currículo... Quer fazer o teste do bafômetro?
Balanço a cabeça negativamente.
— Não estou bêbado. — afirmo.
— Então resolveremos isso na delegacia, que tal? — David sorri.
— Por mim, tudo bem. — dou de ombros.
— E você, Violet? Ele te sequestrou? — David olha para ela, que está encolhida no banco, de tanta vergonha.
— Não, eu vim por vontade própria. — ela responde.
— Henry, nunca mais faça isso, ok? Ou da próxima terei que chamar os pais de ambos.
— Mas, vovô... O senho vai contar para as minhas mães do mesmo jeito. — fico olhando para ele.
— Tem razão. Mas eu não vou falar nada com o pai de Violet. Na verdade, depois do casamento, pode passar na delegacia, Henry?
— Minha agenda está lotada, xerife. — respondo.
— Não vou esquecer disto, Henry. E se eu souber que você está bebendo outra vez, eu vou castigá-lo pela lei.
— Sim, vou tomar cuidado para ninguém descobrir da próxima vez. — sorrio e acelero o carro. Olho pelo retrovisor e o vejo com os braços cruzados, olhando para mim e balançando a cabeça negativamente.
— Você está doido?! — grita Violet. — Ele é o xerife!!
— Ele também é meu avô, ele vai me perdoar. Ele me entende, sabe? Claro que vai me dar uma bronca e me deixar de castigo, mas vai me perdoar. — respondo.
Violet fica em silêncio durante o percurso. No entanto, invés de ir para o local da festa de casamento de Ruby e August, estaciono na frente da Torre Do Relógio.
— Por que parou aqui? — Violet pergunta.
— Vem... — digo, saindo do carro e entrando com Violet.
Subimos as escadas e paramos na parte interior do relógio. Em uma determinada parte, podemos ver a cidade inteira daqui. Ela se aproxima e olha pelo buraco enquanto segura firmemente a minha mão.
— A vista daqui é legal. — comenta ela.
— É, eu sei...
Ela se afasta e se vira de frente para mim.
— Deveríamos voltar... — ela diz.
— Deveríamos ficar... — respondo.
Me aproximo e a beijo. A iluminação solar que bate no relógio, reluz em mim e Violet. É como um beijo calmo de cinema. Violet acaricia meu cabelo e para de me beijar.
— Estou falando sério. — Violet fala.
— Vamos, já que você insiste. — seguro sua mão e desço as escadas.
Quando saímos da Torre do Relógio, entramos no carro de minha mãe — espero que ela não tenha sentido falta da chave — e eu dirijo, tendo cuidado com as placas e semáforos, os quais sempre ignoro sem querer.
— Henry, está começando a nevar. — Violet nota. — Sabe dirigir na neve?
— Bem... Eu sei dirigir na chuva, então deve ser a mesma coisa, não?
— Henry! Não é a mesma coisa! Para o carro! — ela se balança no banco.
— Não se preocupa, não está tendo uma tempestade de neve ou algo do tipo. É só neve.
Violet respira fundo e o silêncio é interrompido pelo walkie-talkie de minha mãe:
— Henry, Henry! — é a voz de meu avô, David. — Onde você está?
O pego e deixo próximo aos meus lábios.
— Estou voltando. Por quê? — respondo.
Uma ambulância passa ao nosso lado, com a sirene tão alta que não consigo ouvir o que David diz. Quando ela nos ultrapassa, pergunto:
— O que falou? Eu não ouvi. Uma ambulância passou. Aliás, o que aconteceu?
— Vá para a mansão de Regina, Henry. Agora. Sem passear, vá para lá. — meu avô responde.
— Por quê? O que houve?
— Sem perguntas.
— David? Por favor, vô, me diz!
Ele não responde. Chamo seu nome outra vez, e nada.
— Aconteceu algo de ruim, Henry. Eu sei disso. — Violet me diz.
— Vamos seguir aquela ambulância, Violet.
E é o que faço, eu a sigo. Ela está indo diretamente para o hospital, ou seja, nós também. Quando ela para, logo saem os paramédicos puxando uma maca de dentro. Killian também sai.
Sua roupa está amassada e ele está chorando. As pálpebras avermelhadas por conta de tantas lágrimas que deve ter derramado. Quando saio do carro, finalmente reconheço quem está na maca: minha mãe.
— Mãe?! — grito correndo naquela direção. Ela está desacordada. — O que aconteceu? Mãe!
— Henry, venha. — Killian me puxa para longe dela. — Se afaste, garoto.
— O que aconteceu? Por que ninguém diz? — grito, tentando me libertar dos seus braços.
A viatura de xerife chega, e meu avô desce correndo.
— O que deu em você, Henry? Por que não obedece? — David me segura e me afasta de Killian, me empurrando na direção da viatura.
— É a minha mãe!! O que aconteceu? — pergunto.
— Ela... Eu não sei, Henry. Uma hora ela estava bem e na outra... Puf! Ela caiu... — David responde.
— Henry, vamos fazer o que o xerife diz. — Violet pede, atrás de mim.
— Não, não vou fazer o que ninguém diz! — me viro para a ambulância e não vejo mais minha mãe, tampouco Killian e os paramédicos. Eles entraram.
— Sinto muito. — David fala, antes de pegar um par de algemas e algemar ambas minhas mãos.
— O que está fazendo? — tento soltar. — Eu ainda posso correr...
Tento correr, mas ele me segura e abre a porta da viatura. Ele me faz entrar e fecha a porta. Logo eu, David e Violet estamos indo para a casa de Regina.
* * *
— Não fuja. — ele diz tirando as algemas de mim. — Eu não vou te perdoar, Henry. Não fuja.
Ele toca a campainha da mansão de Regina.
— O que está tentando fazer? Me obrigar a entrar? Não, eu sou grande e preciso saber sobre a minha mãe. — digo seriamente, fazendo com que minha voz saia mais madura.
— Eu estou ocupado tentando saber o que aconteceu, Henry. E espero que não me atrapalhe com a sua desobediência. — ele se vira e caminha até a viatura.
— Sou desobediente, agora? — pergunto para ele, que me ignora e pisa no acelerador.
— Henry, por que não o obedece? — Violet pergunta, ao meu lado.
— Porque eles me tratam feito criança! — respondo.
— Você não é adulto. Não somos adultos. — ela me diz.
A porta se abre, e Regina me abraça ao me ver.
— Onde esteve? — ela pergunta, acariciando meu rosto.
— Com Violet. Estávamos... — engulo a seco.
— Eu sei que roubou o carro de Emma. — ela me diz.
— Mãe, eu não roubei... — explico.
— Entrem, está congelando aqui fora. — ela nos leva para dentro.
Realmente, aqui está melhor que lá fora. A gente sobe as escandinhas e atravessa a casa, para a sala de estar. Kyle e Emilie estão assistindo televisão, debaixo de um cobertor e comendo pipoca doce.
— Violet, vem comigo. Vamos ligar para o seu pai. Ele deve estar preocupado. — Regina fala e segue com Violet para um outro cômodo.
Subo as escadas e vou até o meu quarto. Me jogo na cama e acabo adormecendo. Quando acordo, é com o som do toque do meu celular. Olho para o relógio. É quase meia-noite. O tiro do bolso e vejo o nome de Killian na tela.
— Killian! — quase grito.
— Ela foi... — ele diz chorando e faz uma pausa. Killian respira fundo antes de continuar. — Ela foi envenenada, Henry.
Fico sem saber o que dizer. Apenas ouço as fungadas de Killian, olhando para a tela do meu computador.
— E como ela está? — pergunto.
— Em coma. Ela está em coma. Meu Deus... Ela está em coma! — ele responde, mais para si mesmo do que para mim. — Eu preciso desligar, Henry. Durma bem. — ele desliga.
Deito-me de novo na cama e fico olhando para o teto. A porta do meu quarto se abre, e minha mãe se deita ao meu lado. Ela segura minha mão e fica olhando para o teto, assim como eu.
— Ela está em coma, Henry. — Regina me diz.
— Eu sei. — respondo.
— Sinto muito. — ela acaricia meu rosto e beija a minha bochecha.
— Eu é que sinto. Por ela...
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