Only You
22 Kill
Notas iniciais
Abro os olhos devagar e vejo Killian adormecido. Ele ainda está me abraçando e parece que nunca vai me soltar. E eu não quero me soltar dele nunca. Aliás, o corpo quente dele está me aquecendo do frio que o ar condicionado me faz.
Olho para o lado e vejo Regina sentada em frente á sua mesa fazendo alguma coisa relacionada á papéis. Engulo á seco e volto á olhar para Killian.
— Se continuar me admirando, vou me acostumar. — Ele sussurra ainda com os olhos fechados.
— Vocês dois se merecem. — Regina resmunga, mas pude ouvir.
— Não vai nos matar? — Pergunto me virando pra ela.
— Por...? — Ela pergunta.
— Não ter tomado conta do seu escritório. — Respondo.
— Seu namorado romântico e atencioso ficou no seu lugar. — Regina comenta.
— Você ficou mesmo de guarda? — Olho pra ele.
— Sim. Eu disse que ia estar vigiando. — Killian responde.
— Dois tolos. Tem seguranças do lado de fora. Falei aquilo só por falar. — Regina diz.
— Obrigado. — Killian diz.
— Obrigado? Eu fiz vocês de trouxas. — Regina responde.
— Pelo menos tive um momento incrível com meu amor. — Killian responde olhando para mim. Eu só consigo sorrir.
— Não é o que eu estou pensando, né? — Regina pergunta.
É lógico que sei do que Regina está falando. E ás vezes ela é muito exagerada.
— Meu Deus, claro que não! — Digo tentando me levantar, mas Killian me impede.
— Ah, sim. Que bom. — Regina responde se levantando. — Esqueci de trazer a comida dos dois, daqui á pouco volto. Fiquem aqui se quiserem algo para comer. — Ela fala e sai do escritório.
— Vai continuar me segurando? — Pergunto.
— Sim. — Ele responde.
— Por quanto tempo?
— O tempo que precisar.
Deito minha cabeça em seu peito e fecho os olhos.
Só vou tirar um único cochilo.
* * *
Acordo um pouco e vejo Killian. Ele está dormindo. Consigo me desfazer de seus braços, o que prova que ele realmente dormiu. Me levanto devagar sem acordá-lo e vou até a mesa de Regina. Sento na cadeira dela de prefeita e noto dois sacos em cima da mesa. Ao lado, tinha um bilhete.
"Parece que vocês dois não dormem á anos! Já peguei o Henry, ele está na sua casa comigo e aí está a comida de vocês. Quando saírem, as chaves estão na minha gaveta. E a chave da minha gaveta está do lado de um livro azul na estante. Era só isso,
Regina"
Deixo o bilhete em cima da mesa e pego um saco. Tem um hambúrguer, batata frita e anéis de cebola. Logo o que eu estava precisando para o meu humor estar cem por cento considerável.
A primeira coisa que faço: Atacar meu hambúrguer.
Regina é uma amiga maravilhosa. Que bom que ela se lembra dos meus gostos.
* * *
— Boa noite, Swan. — Killian diz enquanto paramos na frente da minha casa. Já comemos e fechamos a prefeitura, agora ele me trouxe até em casa.
— Não quer entrar e tomar café comigo? — Pergunto.
— Não, obrigado. Eu... Vou indo. — Ele responde.
— Tudo bem. Boa noite. Até amanhã. — Sorrio e dou um beijo rápido nele. Killian sorri quando o beijo acaba e se afasta, indo em direção á sua casa.
Entro na minha casa e dou um suspiro seguido por um sorriso.
— Interessante... — A voz de Regina me assusta.
— Como entrou? — Pergunto me sentando no sofá ao lado dela.
— Chave extra do lado do vaso azul com a samambaia morta. — Ela responde.
— Minha samambaia morreu? — Pergunto quase em pânico.
— Três meses atrás.
— Que droga. — Me encosto no sofá e relaxo o corpo.
— Bem, eu vou indo. Tenho que acordar cedo. — Ela se levanta. — Ah, Henry já está na cama.
— Tudo bem, obrigada. — Respondo. Ela sorri, pega a bolsa e sai. Ligo a televisão e fico assistindo jornal.
Meu celular emite o som de mensagem, pego e leio.
Desconhecido — Olhe para a janela.
Provavelmente deve ser Neal, tanto faz. Me viro e não vejo nada.
Desconhecido — A outra, Emma.
Olho para a outra e vejo Neal com um sorriso no rosto e acenando. Levanto e abro a porta para que ele possa entrar.
— Boa noite — Ele diz entrando. Logo quando entra, fecho a porta.
— O que faz aqui? — Pergunto. — Sabia que alguém pode te ver?
— Estou disfarçado, relaxa. — Neal responde.
— Uau, um cachecol modifica muito. Eu nem tinha percebido que você era o Neal. — Falo num tom sarcástico.
— De qualquer jeito, ninguém me viu.
— Mas podem te ver.
— Isso se você ficar gritando.
— Eu não estou gritando.
— Mas está elevando a voz.
— Então quer dizer que não posso elevar a voz para falar com você?
— Emma, cala a boca e me escuta.
— Então diz o porquê de vir á minha casa numa hora dessa.
— Nem é tão tarde assim.
— Para quem não tem um filho para cuidar e um emprego de grande responsabilidade, deve ser muito cedo. Aliás, se eu fosse você, eu estaria assistindo Netflix agora.
— Nossa, você é insuportável e muito difícil de se conviver, sabia? Como o Killian te aguenta?
— Não sei, pergunta para ele. Nem deve estar á mais de uma quadra daqui.
— Ele acabou de sair? — Balanço a cabeça positivamente. — Oh, se eu tivesse o visto eu daria um bom abraço nele. — Neal diz com uma falsa animação.
— Então você não dizer mesmo o que veio fazer aqui?
— Dizer o quê? — Ouço a voz de Henry e me viro para a escadas. Ele está com o seu pijama azul com listras brancas e uma cara de sono. — Quem é ele? — Henry avalia Neal com o olhar.
— Henry, volta lá pra cima, depois falo com você. — Digo me aproximando dele e tocando seu ombro.
— Qual o seu nome? — Henry me ignora e pergunta para Neal.
— Você promete guardar segredo? — Neal caminha até Henry e se ajoelha, para ficar na sua altura.
Na verdade, eu quero mesmo é empurrar Neal para longe de Henry. Ele teve a chance dele com o garoto e desperdiçou. E agora ele quer se aproximar do meu filho? Não mesmo.
— Henry, vai pro quarto. — Peço.
— Prometo. — Henry responde Neal, me ignorando outra vez.
— Meu nome é Neal Cassidy. Já ouviu falar desse nome? — Neal diz.
— Ta bom, já chega. — Puxo Neal para cima, o fazendo levantar. O seguro e o empurro contra a parede com força. — Você vai sair por aquela porta e vai sumir da minha vida.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil. Não até eu ter o que quero. — Neal responde. — E também quero conversar com garoto.
— Não, você não vai falar com meu filho. — Coloco a mão em seu pescoço, apertando um pouco.
Meu objetivo não é matá-lo — até porquê eu não gostaria de fazer Henry assistir essa cena de camarote e em 4D -, mas apenas assustá-lo. A não ser que eu perca o controle. O que não é muito possível, tenho total controle de meus atos.
— Mãe, para com isso! — Henry tenta me empurrar. Largo Neal, que cai no chão e olho para Henry. Ele está com os olhos cheios de lágrimas olhando para Neal. — Seu mentiroso! Por que falou isso?
— Estou falando a verdade. — Neal mexe em algo no bolso e pega sua identidade, mostrando para Henry.
— Isso não é possível. — Henry sussurra. — Isso não é possível. — Ele sussurra outra vez.
— Henry, por favor... — Começo.
— Me diz, mãe! Isso não é possível! — Ele grita.
— Calma, está tudo bem. — Abraço Henry, tentando acalmá-lo.- Henry... Suba, por favor. Eu te explico tudo. — Henry se afasta e sobe as escadas. Me viro para Neal. — Neal, o show acabou, vai embora.
— Um menino adorável o nosso filho. — Ele diz se levantando e ajeitando a roupa.
— Se veio aqui ferir os sentimentos do meu filho, parabéns, você conseguiu.
— Você fala como se tivesse feito ele sozinho.
— Eu tenho nojo de você. — Digo com todo gosto, no fundo do meu coração.
— Eu não sinto o mesmo, que pena. Amanhã eu volto para falarmos sobre o que eu queria. — Neal diz e sai rapidamente batendo a porta, antes de deixar eu responder ou protestar.
Respiro fundo e olho para as escadas, Henry está sentado no degrau me observando. Legal. Ele viu tudo!
— Henry. — Sussurro. Ele se levanta e sobe o resto, provavelmente deve estar indo para o quarto.
A porta se abre, me viro para ver quem era. Killian. Como ele entrou?
— Onde está Henry? — Killian pergunta.
— Lá em cima. — Respondo.
— Eu ia voltar para pegar minhas chaves que caíram no seu jardim, quando encontrei Neal saindo daqui. Ele me contou a merda que fez.
— Ah, Killian. — Corro e o abraço forte.
— Está tudo bem, Swan. Quer que eu fale com Henry?
— Não quero, eu preciso. — Respondo. Killian sorri fraco e segura minha mão, me guiando enquanto sobe as escadas. Paramos na frente do quarto de Henry, Killian tenta abrir a porta, mas está trancada.
— Henry, sou eu, Killian. — Killian se anuncia. — Abre a porta.
— Minha mãe está aí? — Henry pergunta, do outro lado da porta.
— Não. — Killian olha para mim e faz sinal para eu sair. Faço o que ele pediu, me escondo no banheiro. Só consigo ouvir o som de porta se fechar.
Coloco a mão no rosto e me sento no chão, esperando a hora desse pesadelo acabar e eu realmente acordar.
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Alguns anos atrás
— Emma! Emma! — Regina grita atrás de mim. Me viro para olhá-la melhor, ela está toda eufórica correndo em minha direção. — A galera vai para o Granny's, você não vem?
— Hoje não, talvez amanhã. — Eu respondo olhando em seus olhos.
— Ah, qual foi? Vamos nos divertir! E não chamamos o Kill. — Regina tenta me convencer.
— Não... Vai você. Se divirta. — Digo.
— Tudo bem então. — Ela se vira e vai andando em direção ao Granny's.
Continuo andando no meu caminho para casa. Quando chegar, vou começar á estudar matemática. Espero que meu pai goste do oito que tirei no boletim, mas vou tentar melhorar.
O vento balança meus cabelos e o joga para meu rosto. Organizo fio por fio em seu devido lugar. Tomara que o vento não o bagunce de novo.
Espera. Estou ouvindo passos atrás de mim. Tem alguém me seguindo.
Me viro discretamente para ver quem era. Depois de reconhecer o indivíduo, para o me viro para ele.
— O que foi? Não vai continuar andando? — Kill pergunta.
— Você é insuportável, o que quer?
— De início, eu queria falar com você, mas o seu elogio me excitou tanto que chega quero um beijo.
— Você tem uma imaginação incrível, sabia?
— As pessoas sempre dizem isso para mim.
— As pessoas nem notam o quanto é esperto, Kill. Só ligam para o quanto você é bonito e gostosão.
— E você concorda com elas?
— Isso pode funcionar com todas as piranhas das quais você usa, mas não comigo.
— Já falei o quanto está linda?
— Que pena, se você fosse mais sentimental, seria o garoto perfeito para qualquer a garota. — Me viro e volto á andar. E Kill volta á me seguir.
— Eu só queria me despedir. — Kill passa á ficar me acompanhando ao meu lado.
— Infelizmente vou te ver amanhã, Kill.
— Eu não vou amanhã.
— Então vou ver depois.
— Nem depois.
— Vai queimar aula a semana toda?
— Eu vou sair da escola.
Nunca fiquei tão feliz, ou foi alívio? Tanto faz, se Kill sairá da escola significa que virá dias em paz pela frente.
— Eu não preciso saber disso.
— Eu sei.
Ficamos alguns minutos em silêncio. Parece que é uma eternidade.
— Você vai pra onde? — Pergunto tentando vencer o silêncio.
— Para qualquer lugar. Vou viajar.
— Viajar?
— Meu sonho sempre foi sair por aí, viajando num navio e sendo chamado de "Capitão". Você não tem sonhos?
— Sim. Tenho vários. Mas o seu... É diferente.
— Eu sei. Ninguém concorda. Mas é o que eu quero, então... Eu vou fazer.
— Eu não sabia que você era determinado. — Me viro para ele.
— Talvez você não me conheça. — Kill fica na minha frente, me fazendo parar.
— Nunca tive essa curiosidade. — Respondo.
Por um momento, por um único momento, eu olho nos olhos de Kill. Eu nunca me senti tão atraída por um olhar assim antes. Os olhos dele são tão azuis que parece o mar. Ainda mais com o Sol em seus olhos, fica lindo.
— Swan? — Kill pergunta. — Por que está me olhando desse jeito?
— Estou... — Gelo. Pensa, Emma. Pensa. — Estou tentando achar uma parte que presta em você.
— Sabia que acabou de me ofender?
— Desculpa, essa não era minha intenção.
Espera aí... O Kill está diferente. Ele está tão... Normal. Não está me paquerando, dando um sorrisinho provocante e nem falando aquelas besteiras. Se bem que esse Kill até que é... Legal.
— Eu sei que não gosta de mim, mas não precisa me tratar como lixo.
— Eu estava distraída então tive que arrumar uma desculpa, foi isso.
— Ah...
— Pois é...
E então ficamos mais alguns minutos em silêncio, nos encarando.
— Vem, quero te mostrar um lugar. — Kill segura minha mão e vai me guiando pela rua.
— Onde é?
— Você verá. — Kill me dá um sorriso fofo e continua me levando.
Até que Kill não é a pior pessoa do mundo.
* * *
Olho para baixo, nunca estive tão alto. Mas a vista é linda. Consigo ver a galera da nossa turma lá embaixo, na praia. Sempre quando saem do Granny's eles vão para a praia. Consigo ver Neal olhando para o mar, sem prestar atenção na conversa.
Eu e Kill estamos sentados na grama de uma colina perto da praia. Um lugar tão lindo e que tem uma vista maravilhosa da cidade.
— Gostou? — Kill interrompe meu pensamentos.
Levanto o olhar e vejo o pôr-do-sol. Amo quando o Sol está numa tonalidade meio alaranjada, destaca meus olhos, e pelo que acabei de perceber, destaca muito mais os de Kill.
— Sim. Adorei. — Sorrio e olho para ele. — Seu nome é mesmo Kill?
— Não.
— Então qual é?
— Vou deixar o gostinho de mistério em você.
— Posso ser sincera? — Olho para frente.
— Claro.
— Sempre achei o nome Kill estranho.
Ele cai na gargalhada e se deita na grama.
— Eu também.
— Ué, então por que todos te chamam de Kill?
— As pessoas que me deram esse apelido.
— E você gosta? — Deito ao lado dele.
— Detesto.
— Você é meio complicado.
— Você também, Swan.
— Você tem família?
— Não gosto de falar sobre isso. — Kill olha para o céu.
— Ah... Sinto muito.
— Você não precisa sentir.
— Kill... — Coloco a minha mão sobre a sua. — Você não precisa passar por isso sozinho.
— Não estou sozinho.
— Aquelas piranhas não são companhia digna.
— É o que tenho. — Ele dá de ombros.
— Por que você não é assim todos os dias?
— Eu queria que fosse assim todos os dias. — Ele segura minha mão. Olho para o céu, acompanhando o pôr-do-sol.
E ficamos assim, deitados na grama, de mãos dadas e olhando o céu.
Finalmente o Sol desceu e as estrelas apareceram. Deve ser cinco e meia ou mais.
— Eu não te odeio. — Digo, olhando para ele.
— O quê? — Kill olha para mim.
— Eu disse que não te odeio. — Repito.
— Eu também não.
Dou um sorriso fraco.
Nem que eu quisesse odiar o Kill neste momento, eu não conseguiria. Ele é tão fofo, lindo, atencioso... Acho que esse é o verdadeiro Kill. E eu gosto desse Kill.
— Sua pele... — Ele diz passando a mão em meu braço. — Você está gelada.
— Não é nada. — Respondo me sentando.
— Você está com frio. — Kill senta também.
— Eu já disse, não é nada.
— Caramba, você é teimosa. — Kill tira o casaco e me veste.
— Não precisava.
— Precisava sim. — Ele acaricia meu rosto. — Teimosa.
— Não sou teimosa!
— É sim. — Kill ri.
— Não sou não. — Dou um tapa nele.
— Não deu nem cosquinha. — Kill continua rindo.
— Ei, eu sou sensível!
— Eu gosto de garotas sensíveis. — Ele sorri e eu engulo á seco.
Não sei o que isso significa. E não quero saber.
— Sua pele é tão macia... — Kill continua á acariciar meu rosto. — E seu cheiro é maravilhoso. — Ele se aproxima de mim e encosta o nariz em meu pescoço enquanto passa a mão em meus cabelos.
— Hã... Isso está meio estranho. — Me afasto dele.
— Desculpa. Desculpa mesmo.
— Não, está tudo bem.
— Está com fome? Eu trouxe sanduíches. — Kill pega a mochila e fica vasculhando. — E, eu sei que você gosta de anéis de cebola, então eu também trouxe.
— Sério? — Pergunto. Ele me entrega e eu pego. — Obrigada. — Começo á comer.
* * *
— Você um dia vai voltar pra cá? — Pergunto quando termino de comer.
— Um dia eu volto. — Ele responde.
— Me promete algo?
— O que você quiser.
— Quando voltar, você pode me procurar?
— A primeira coisa que irei fazer. — Ele sorri.
— Obrigada. — Sorrio de volta.
— Gosto quando você sorri.
— E gosto de você assim, sendo você mesmo.
Ele se aproxima de mim devagar até não ter mais espaço para se aproximar. Ele coloca a mão em meu rosto e encosta seus lábios no meu. Me afasto no primeiro segundo.
— Acho que não deveria fazer isso. — Digo.
— Desculpa, eu... Agi por impulso.
— Eu sei. Por isso recuei. — Coloco a mecha do meu cabelo ,que está em meu rosto, atrás da orelha. — Eu tenho que ir. — Me levanto.
— Não, fica um pouco mais. — Ele se levanta também.
— Eu preciso ir. — Me viro e vou andando.
— Emma, por favor.- Ouço ele pedir. Depois sinto sua mão tocar meu braço e ele cai em cima de mim, então caímos nós dois na grama. — Desculpa, eu tropecei.
— Que desajeitado. — Digo.
— Desculpe, você se machucou?
— Não.
Ele fica olhando em meus olhos, e eu os dele. Fiquei tão perdida no seu olhar que nem percebi que ele estava em cima de mim.
— Eu tenho que ir pra casa. — Digo.
— Ah, sim, desculpa. — Ele se levanta e me ajuda á fazer o mesmo. Pego minha mochila e ele pega a dele. — Posso te acompanhar até em casa?
— Pode. — Sorrio e vou descendo a colina com ele.
* * *
— Bem... — Digo quando chegamos na minha casa. — Te vejo algum dia?
— Sim. — Ele sorri. Me viro e coloco a mão na maçaneta. — Espera. Posso te pedir algo?
Me viro para ele e balanço a cabeça positivamente.
— Eu queria algo seu. — Ele diz.
— Como assim?
— Algum objeto ou... Qualquer coisa sua.
— Para quê?
— Hã... — Kill passa a mão pelo cabelo. — Nada, eu só gostaria de ter algo seu.
— Tudo bem, então. — Tiro o meu colar com o pingente de cisne e entrego pra ele. Minha mãe que me deu, sempre foi o meu colar favorito.
— Obrigado. Ah, e isso não é um adeus. — Ele sorri.
— Eu sei. Tchau. — Digo.
— Tchau. — Ele se afasta. — Um dia eu volto, Swan. Um dia eu volto... — A última coisa que ele diz antes de colocar os fones de ouvido e se virar andando pela rua.
Dou um sorriso enquanto o observo ir embora.
— Quem é ele? — Ouço a voz de meu pai atrás de mim. Dou um pulo para trás por causa do susto e me viro para ele.
— Pai! Poderia avisar pelo menos? — Digo.
— Quem é aquele rapaz, Emma? — Meu pai cruza os braços.
— Ah, eu não sei o nome dele. — Me viro de volta e percebo que Kill já sumiu. — Acabei de conhecê-lo. — Sorrio.
— Mary!! A Emma está de namoradinho! — Meu pai grita para dentro de casa. Eu só consigo revirar os olhos. — Mas, me diga: Como é que você está namorando alguém que não sabe o nome? — Ele se vira para mim.
— Não estou namorando ele, pai... — Digo, entediada.
— Hm... Sei... — Ele resmunga. — Vem para dentro, sua mãe fez pipoca. Entro com meu pai.
Não ouvi nada do que meus pais falaram a noite toda. Só fiquei focada naquele garoto que acabara de conhecer. Qual o verdadeiro nome dele? Eu não sei. Mas pelo menos ele sabe o meu e vai me procurar. Pelo menos isso...
"Um dia eu volto, Swan. Um dia eu volto...", a voz dele fica tomando conta da minha cabeça. E acabo dormindo assim, ouvindo a voz daquele garoto misterioso.
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Me mexo na cama e respiro fundo. Espera, eu estou na cama? Acordo assustada e olho em volta. Ufa! Estou em meu quarto. Mas... Como fui parar aqui? Me lembro de estar no banheiro e... Só isso.
Suspiro e olho para o lado. Nunca pensei que viria uma cena tão perfeita. Killian está dormindo na cama e Henry está entre nós dois. É como se nós fôssemos... Uma família.
— Swan? — Ouço a voz sonolenta de Killian. E mesmo com sono essa criatura continua com essa voz sexy.
— Killian, você está acordado? — Pergunto.
— Sim, amor. — Ele se senta na cama. — Parece que é automático, toda vez que você acorda eu acordo também. — Ele dá uma risada fraca.
— Está tudo bem com Henry? — Pergunto me sentando e olhando para meu filho.
— Eu contei tudo á ele. Mas o fiz prometer deixar tudo em segredo. Ele entendeu, mas ficou bem triste. Ele se sentiu... Abandonado por Neal, sabe? Ele pensou que Neal o rejeitou. Não sei qual foi a real reação dele.
— Eu entendo. Eu que fui idiota em deixar ele entrar.
— Calma, Swan. O problema está no passado e não agora.
— Eu queria tanto que fosse tudo tão fácil...
— Eu te entendo. — Killian sorri.
Eu nem tinha percebido que estava chovendo até ouvir um relâmpago. A primeira coisa que fiz foi pular em cima de Killian. Mas acho que fiquei tão assustada que nós dois caímos no chão.
— Tem medo de relâmpago, Swan? — Killian ri me abraçando pela cintura.
— Não ri, isso é sério.
— Como não? Você está me apertando de tanto medo.
— Agradeço muito por você estar com uma camisa.
— Por quê? Ah, já sei... Você não resiste quando estou sem...
— Não é isso, seu bobo. — Rio.
Na verdade eu quis dizer: "Também...".
— Então é o quê?
— Deixa pra lá. — Digo me levantando.
— Agora eu quero ouvir, Swan. — Ele se levanta também.
— E eu, dormir. — Killian ri.
— Tudo bem se você não quiser me falar.
— Deixa de drama, Killian. — Rio.
— Eu? Drama?
— Sim, seu dramático.
— Prefiro ser um dramático apaixonado... — Killian me beija. Um beijo que começou calmo e foi se intensificando a tal ponto de ambos cairmos na cama.
— Killian... — Sussurro entre o beijo.
— Hm... O que foi? — Ele volta á me beijar.
— Henry... Henry está ao nosso lado.
— Ah, é mesmo. — Ele sai de cima de mim rindo.
Killian deita no outro lado da cama e me olha.
— Mãe... — Henry sussurra acordando.
— Oi, filho. — Olho para ele.
— Que barulho foi esse? — Ele pergunta e eu olho para Killian, que está se acabando de rir.
— Nada. Vá dormir. — Respondo. Ele fecha os olhos devagar e dorme.
— Não faça mais isso! — Sussurro pra ele. Killian pisca para mim e eu fecho os olhos.
A última coisa que sinto antes de dormir é os braços de Henry me abraçando.
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