Notas iniciais
Pessoal, tenho que pedir de novo desculpa a vocês pela demora ;-; Espero que gostem do cap. :3

Primeiro olho para Evelyn, depois para Peter, e depois para Tobias novamente. Quando ele volta a olhar pra mim, o encaro, enquanto ele mostra uma expressão de espanto misturado com cansaço. Os olhos caídos, os braços queimados, as roupas rasgadas. Mas o que mais me inquieta é o envelope da Erudição que ele segura na mão direita. Por que ele estaria com algo assim? Será que o roubou de Caleb? Ou ambos trabalharam juntos para conseguir o envelope? Há milhões de coisas que eu queria perguntá-lo. De repente, surge uma enorme vontade de me atirar em seus braços e cuidar dele, como ele já fez comigo várias e várias vezes. Mas então, uma sombra cai em meus pensamentos quando lembro da nossa última briga.

– Tobias...por onde você andou? Estava preocupada com você – diz Evelyn, o que eu sei que é uma grande mentira, já que ela não parece se importar muito com o próprio filho.

– Coisas...precisei resolver algumas coisas e acertar as contas com algumas pessoas...- responde com dificuldade. Evelyn coloca uma mão na testa dele e balança a cabeça negativamente. Vai até a cozinha pegar um pouco de gelo, eu presumo. Enquanto isso, eu, Peter, Tobias e Christina ficamos sentados na sala. Tobias encara o chão com uma expressão vazia, depois olha para os lados, para cima, e finalmente, abre o envelope e puxa um papel. Ele lê e revira o papel diversas vezes. Acho que isso é uma forma discreta de evitar olhar para algum de nós. Finalmente, Christina toma a iniciativa e pergunta:

– Quatro, digo, Tobias – começa ela – esse envelope aí é da Erudição, certo? Como você o conseguiu? – pergunta. Ele a encara, pensa um pouco e finalmente responde:

– Eu o peguei. Quando vi o incêndio na Erudição, aproveitei a oportunidade para entrar e pegar o envelope.

– Mas como você sabia onde encontrá-lo? E como conseguiu entrar, se só as pessoas da Erudição tem acesso ao complexo?! – prossegue Christina. Isso é realmente estranho. Caleb conseguiria ter acesso a esses documentos. Mas Tobias? Não, impossível...ele já esteve lá, preso, não teria a menor possibilidade de ele voltar lá sem ser pego.

– Não é da sua conta – responde ele secamente – Tris, pode vir aqui comigo, por favor? – pergunta. Não faço ideia de que assunto ele quer tratar comigo, mas se ele está me chamando é porque deve ser algo sério. Balanço a cabeça positivamente e sigo-o até a parte de fora do esconderijo. Antes de ir, viro para olhar rapidamente para Peter. Ele permanece calmo, mas sua cara diz tudo. Ele não gostou nada de o Tobias ter me chamado em particular. Tento ignorar isso por enquanto e continuo andando.

– Olha, não quero prolongar o assunto, mas você tem o direito de saber disso – começa ele – seu irmão...ele... – Tobias mexe um pouco as mãos, como se tentando procurar as palavras certas.

– Ele me salvou, Tris. Devo muito a ele. Desde quando fizemos aquele acordo de ele salvar você e se livrar de Peter, eu já tinha uma alta dívida com ele. Em troca disso, eu o ajudaria a conseguir informações secretas da Erudição, mas eu nunca realmente consegui ajudá-lo, ele que fez o serviço todo. Claro que quando você retornou para cá e a vi com Peter, tive a vontade de arrancar a cabeça de Caleb. Mas agora nada disso faz sentido, não importa mais – suas palavras me machucam, mas tento me manter firme e ouvir até o fim – o fato é que eu devia muito ao seu irmão, e por isso ele me pediu um favor, e claro que não pude recusar. Ele pediu que eu me infiltrasse entre as pessoas da Erudição e provocasse alguma distração para que ele pudesse conseguir entrar no escritório particular de Jeanine. Claro que funcionou, mas a coisa foi pior do que eu previa. Muitas pessoas inocentes morreram, isso jamais deveria acontecer. Não foi minha intenção causar um incêndio...mas eu não sabia o que fazer, foi a única forma que encontrei – ele para um pouco, se aproxima de mim e...me abraça.

O abraço acolhedor dele, que faz eu me sentir ainda menor do que já sou. Tento não parecer muito impressionada com aquilo, simplesmente tento me afastar novamente, mas ele não me solta.

– Ele foi uma boa pessoa... – começa Tobias. E já começo a entender exatamente o que se passa.

– Você quer dizer que ele... – ele encosta minha cabeça em seu peitoral, e por mais incrível que pareça, não consigo chorar. As lágrimas simplesmente não escorrem. Mas elas estão aqui ainda, dentro dos meus olhos, não, dentro de mim. Apenas esperando a hora certa para saírem, ou simplesmente suportando até não aguentarem mais ficarem presas. Me afasto de Tobias e ele espera que eu reaja surpresa, que eu chore, e já está pronto para me consolar, mas simplesmente permaneço parada, esperando que ele prossiga. Percebendo minha atitude fria, ele abaixa a cabeça e continua

– Caleb estava com a cabeça coberta por uma espécie de capacete...sei lá o que era aquilo...não sei mesmo – lágrimas enchem os olhos de Tobias – eu não iria jamais distinguir que era ele...não mesmo...quando eu estava fugindo de lá, ele veio atrás de mim me chamando, como se querendo falar algo, e no desespero eu achei que fosse um dos guardas de Jeanine e daí eu...eu...eu atirei nele...mas não foi minha intenção, eu juro, Tris, eu juro... – só o que ouvi agora foi o suficiente. Tobias me decepcionou. Me magoou. E agora, ele acaba de vir informar que matou meu irmão.

– Como você consegue ser tão idiota... – digo em meio a um soluço, e saio correndo dali sem olhar para trás.

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Chego a uma espécie de galpão abandonado. Aqui parece perigoso, mas não quero sair daqui. Preciso ficar sozinha um momento para ir absorvendo tudo aos poucos, e claro, chorar sem aquela sensação desconfortável de pessoas ao seu redor vendo o seu choro. Penso novamente em Caleb...meu irmão, por que ele teve que confiar naquele idiota do Tobias? Não consigo me conformar...não consigo...e sinto aquela sensação que senti quando vi meus pais morrerem na minha frente. Sensação de solidão, de estar sozinha no mundo. É tão horrível...tudo o que quero agora é achar que tudo isso é um pesadelo horrível, e que quando eu acordar, vou estar de volta à minha casa sem graça na Abnegação, com minha mãe me acordando fazendo carinho em meus cabelos, ouvindo a voz de papai lendo em voz alta o jornal de manhã e trajando minhas roupas cinzas. Bons tempos em que eu sabia o que era a felicidade...

Nesse instante sou tirada da minha linha de pensamentos quando ouço alguém se aproximando de mim. Temendo que seja Tobias, me viro rapidamente para encará-lo com cara de “eu estou ótima e não preciso de você aqui”, mas quem aparece não é ele, e sim Peter. Ao ver sinto uma pequena sensação de felicidade, mas contenho um sorriso. Não é a hora ideal para sorrisos.

– Tris...eu soube que... – antes que ele termine, eu faço um sinal com a cabeça para que ele não prossiga e ele assente, compreensivo. Ele se aproxima e coloca as mãos nas maçãs do meu rosto, que ainda estão úmidas por causa das lágrimas. Ele encosta os lábios em uma das bochechas e fica ali se prolongando no momento, e meu corpo inteiro fica leve, e pela primeira vez hoje, eu consigo me sentir em paz. A vontade de chorar é tomada por uma agonia, não exatamente uma agonia, na verdade um êxtase...uma vontade de...de...não sei...

– Você vai ficar bem – sussurra ele em meu ouvido, e logo em seguida me puxa para perto e me anestesia com seu beijo intenso e sedutor. Sim, Peter tem um charme que eu nem saberia como descrever. Talvez a sagacidade e a frieza dele façam com que ele tenha esse charme indescritível, único. E que faz com que eu me derreta inteiramente em seus braços. Sinto a necessidade de beijá-lo novamente, e de novo, e de novo, até que não seja mais o suficiente. Ele desce as mãos pelo meu pescoço e as pousa em minha cintura, enquanto eu relaxo minhas mãos em seu pescoço, passando levemente os dedos entre seus cabelos de vez em quando. Então sinto a mão fria de Peter subir mais um pouco até minhas costas, onde ele passa uma mão por baixo da minha camisa, fazendo com que eu morda sua língua acidentalmente.

– C-careta, o que foi isso? – resmunga ele, fazendo uma careta de dor particularmente engraçada. Eu abaixo a cabeça e sinto minhas bochechas corarem.

– Desculpa, foi sem querer... – digo arfando meio desajeitada, e quando olho novamente para Peter, ele já me enlaça em seus braços de novo e aproxima sua boca da minha.

– Não vai arrancar minha língua na próxima vez, vai? – indaga ele sarcasticamente. Fico mais corada ainda e ele ri e me beija novamente. Peter não coloca mais a mão embaixo da minha camisa, acho que ficou com medo depois que quase arranquei sua língua fora acidentalmente. Eu, ao contrário, coloco uma mão por baixo de sua camisa como ele fez comigo, e passo as mãos pelas suas costas massageando-as. Ele para de me beijar por um momento e sem hesitar, tira a camisa. Olho para seu abdômen pálido e bem definido, quando ele se aproxima de mim novamente eu o abraço e escuto as batidas aceleradas de seu coração. Peter é muito alto, deve ser uns 30 centímetros mais alto do que eu, por isso ele sempre precisa se inclinar para baixo para conseguir me beijar, e eu preciso ficar na ponta dos pés. Por um momento, ele para o beijo novamente e me encara.

– Tris, você não precisa ter medo de mim...não mais. Eu quero você, quero tocá-la...você me permite? – pergunta ele arfando.

– C-claro ...é o que eu mais quero – respondo com um certo ar de desejo. Ele dá um meio sorriso e beija meu pescoço, traçando uma linha de beijos até minha clavícula. Ele está me levando à loucura, mas eu não quero que ele pare. Quando ele está prestes a tirar minha camisa, ouvimos um barulho de tiro e paramos tudo na mesma hora. Estou tremendo, olho para Peter, que já está vestindo sua camisa, e ele me olha de volta com um olhar sério.

– Erudição – ele cospe a palavra. Afirmo com a cabeça.

– Como vamos sair daqui sem sermos vistos? – sussurro. Ele demora um pouco para responder.

– Não sei, não faço a menor ideia de onde eles estão – responde – mas tenho certeza de que alguém de lá que disparou esse tiro, e não foi tão longe daqui. É...parece que finalmente começou – diz ele com um olhar maligno.

– O quê começou? – pergunto surpresa, e ele põe uma mão em minha boca para que eu fale mais baixo.

– A guerra...finalmente começou – conclui ele, e eu apenas o olho confusa. Antes que dê tempo de lhe perguntar outra coisa, ele me agarra e me apoia em suas costas. Seguro seu pescoço com firmeza e entrelaço minhas pernas.

– Ouça, aconteça o que acontecer, fique sempre com a cabeça abaixada – aconselha ele.

– Tudo bem – concordo, e ele começa a correr em direção ao abrigo dos sem-facção.

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Por sorte chegamos em segurança. Entramos e parece que todos já estão dormindo.

Todos, exceto Tobias, que se aproxima de nós assim que chegamos.

– Você é louco? – começa ele, se voltando para Peter – como você pôde a deixar correr um risco desses? Por que não a trouxe logo de volta? – pergunta furioso. Peter não gostou nem um pouco da afronta.

– E desde quando você se importa? – provoca Peter, deixando Tobias mais furioso ainda.

– Tris, precisamos conversar, vem comigo – diz Tobias, puxando meu braço. Peter o empurra para longe de mim.

– Ela não quer falar com você – retruca Peter.

– Você não decide por ela – responde Tobias – Tris, você vem, certo? É importante, eu preciso falar com você sobre... — interrompo-o.

– Não. Eu não quero, eu não vou. Não tenho mais nada para falar com você – respondo com um ar de frieza, deixando Tobias arrasado, mas não me importo. Peter sorri satisfeito ao meu lado e me conduz até o quarto de cima, onde nos acomodamos em nossos colchões. Ficamos nos encarando, até que ele finalmente quebra o silêncio:

– Quando vamos continuar de onde paramos? – pergunta corado, o que me faz soltar uma risada.

– Algum dia – respondo – aqui não é lá o lugar mais apropriado, né...

– Tem razão – retruca ele – então...boa noite?

– Boa noite – respondo.

– Eu amo você...- ouço-o dizer baixinho antes de eu pegar no sono completamente.

Notas finais
comentários, críticas, sugestões? =)