Only You
7 Capitulo - Mentira! Ou apenas Coincidências?
Notas iniciais
Descubra!
A pilha de papeis velhos estava sobre a pequena mesa no escritório da fazenda, Luiza a encarava tentando entende-la de alguma forma, eram tantos documentos que já estava ficando louca, e a lembrança do beijo que havia dado em Javier estava lhe causando náuseas, como se odiava por não ter protestado.
–Senhora. – soou suave.
Luiza se voltou para ver quem a chamava e se deparou com a velha criada, mostrou um sorriso social para Cole.
–Sim, Cole o que há? – perguntou.
A criada apertou o velho pano de prato entre as mãos, e por fim levantou seus olhos para encarar a jovem.
–É um dos peões pediu para avisá-la que esta faltando ração dos animais. – disse timidamente.
Luiza sentiu o ódio dominar seu corpo, como assim ela teria que ir comprar, mais para que afinal servissem aqueles peões.
–Mas ora, isso é dever do Javier. – protestou.
A velha Cole mostrou um sorriso tímido e sem jeito, tinha sido Javier quem a mandar falar com a patroa, antes de ouvir a resposta da criada, Luiza saiu bufando em direção do seleiro, aquilo era demais para ela.
Assim que chegou à entrada parou perto de Carlos que pilhava a palha.
–Carlos, aonde esta aquele peão folgado? – perguntou furiosa.
Carlos arregalou os olhos e coçou a cabeça, era obvio que ela se referia a Javier, e a jovem não estava com uma expressão nada boa em seu rosto.
–O-O Javier, ele saiu acho que foi até a cidade, ou melhor, foi na fazenda do Coronel Braxden.
Luiza ficou paralisada com a resposta de Carlos, ficou sem reação, levantou ambas as mãos sobre o rosto cobrindo o por inteiro, aquilo era golpe baixo da parte de Javier, respirou fundo e se voltou para o peão imóvel a sua frente.
–Cretino filho de uma mãe. – grunhiu.
Saiu sem dizer mais nada, agora odiava ainda mais como desejava arrancar aquele pescoço, com passos rápidos e firmes adentrou no casarão bufando de raiva, então ele tinha ido à fazenda dos Braxden’s e ainda teria deixado o serviço de ir comprar ração para os animais.
Entrou no escritório e se trancou ali, tinha que terminar os levantamentos da fazenda, era tanto relatório a ser feito que estivesse ficando louca, as horas se negam a passar, tentou ligar para o advogado mais sem muito sucesso.
Acabou por se desabar por sobre a mesa toda bagunçada, como desejava não ter retornado para aquele lugar, mais uma voz a interrompeu chamando lhe sua atenção.
–Acaso estava na minha procura? – perguntou Javier encostado na porta encarando a de forma provocante.
Luiza praticamente saltou da cadeira e o fuzilou com os olhos, apontou na direção dele, seu desejo era arremessar um daqueles malditos livros de contas na fusa dele.
–Já foi lá se ajuntar com aqueles vermes? – grunhiu furiosa, cruzando os braços.
Javier mostrou um sorriso debochado, aumentando a fúria da moça, como amava deixá-la furiosa.
–Acho que esse assunto é de meu interesse pessoal. – zombou.
Luiza se aproximou com passos rápidos, como adoraria fazê-lo sumir, engoliu seco, as palavras de ofensas que lhe vinham a sua mente, Javier continuou a sorrir de forma sádica e ironizando o ambiente e a presença dela.
–Olha aqui, quer realmente saber. – disse apontando na direção dele – Que se dane você seu, imbecil. – grunhiu.
Javier coçou a cabeça e a encarou mais intensamente.
–Era isso? – perguntou.
Luiza fez uma careta sem entender mais nada, pois havia esquecido o assunto, odiava ficar nessa situação, soltou um longo suspiro e fitou o chão por alguns minutos, até que novamente a voz do peão quebrou o silêncio.
–Pra que queria falar comigo? – novamente perguntou.
Luiza o encarou e rapidamente se lembrou.
–Olha aqui, não fique repassando seus recadinhos a Cole, pois não sou sua empregada, se quer comprar ração para os animais, vá você entendeu? Javier – grunhiu furiosa.
Javier apenas balançou a cabeça, disse antes de sair do escritório.
–Aliás, se quer mesmo saber o que fui fazer na fazenda do Coronel Thomas, terei a satisfação de ti dizer. – disse com um sorriso irônico – Fui ver a bela filha dele, já que não se tem muito que fazer.
Luiza fechou sua expressão ficando sem reação, como assim ele tinha ido la ver a tal Carmem Braxden, odiava aquela garota perfeitinha e mimada, mais não demonstrou nem uma reação e apenas retribuiu o sorriso irônico deixando sem jeito.
Assim que ele saiu, Luiza caminhou até a janela e ficou ali parada tentando refletir o que iria fazer para se livrar dessa fazenda e de seus problemas sendo Javier o maior deles.
Peão metido a besta, nossa como adoraria arrancar aquele maldito sorriso da cara dele. – pensou enquanto observava o através da janela junto ao celeiro com Carlos e dois outros peões da fazenda, mais uma batida na porta a fez sair daquele transe.
–Entre. – disse se voltando para a porta.
Cole adentrou cabisbaixa e se aproximou lentamente trazia algo nas mãos, como sempre era calada e discreta.
–Senhorita recebeu essa carta. – disse estendendo a na direção de Luiza.
Luiza se aproximou rapidamente da velha criada, e pegou a carta nas mãos, olhou a mais não tinha muita descrição do lado de fora, se voltou para encarar Cole que rapidamente saiu deixando à sozinha novamente, ela sentou se na cadeira e a abriu a carta estava com uma aparência horrenda, logo de cara reconheceu a escrita, seu coração acelerou dentro do peito, não podia ser.
–Raul, mais eu achei que estava morto, não pode ser, mais afinal quem esta fazendo essa brincadeira de mau gosto. – grunhiu enquanto lei a carta.
Continuava com os olhos fixos no papel sujo, suas mãos tremiam, não podia acreditar.
Querida Luiza.
Sei que estão te enganando deixando à confusa, tive que me afastar por motivos que vão além de nos, sei que sabe que descreveu essa carta, apenas queria ver-te novamente, minha querida prima, espero que não esteja furiosa com esse teatro que tive que apresentar.
Luiza encostou a cabeça na cadeira, fechou os olhos e amassou a carta, não demorou muito para as lagrimas começarem a consumi-la, então Raul estava vivo, ou seria alguém pregando lhe uma peça de muito mau gosto.
Mas que merda, quem esta fazendo isso? – pensou cobrindo seu fino rosto com ambas as mãos, afinal o que queriam dela.
Como não queria existir naquele momento, e pensar que chorou feito um bebe sedento quando soube da tal morte dele, levantou se e foi até a cozinha onde estava Cole preparando o jantar.
–Quem lhe entregou essa carta? – questionou a velha criada.
Cole parou de mexer na enorme panela voltou se na direção da porta onde Luiza estava imóvel feito uma estatua com o semblante fechado
–O menino que traz a correspondência. – respondeu.
Luiza respirou profundamente e saiu deixando a sozinha, não podia acreditar, devia ser apenas mais uma mentira inventada por alguém muito cruel, por mais que a caligrafia era idêntica a de seu primo Raul Cortez.
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