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8 Capitulo - O Batizado
Notas iniciais
Aquele domingo estava escaldante e as horas se negavam a passar. Havia aceitado o convite do coronel Tomás, para o batizado de seu afilhado.
Luiza olhava-se no espelho, com os olhos atentos. Respirou fundo. Sabia dos perigos que estaria prestes a enfrentar.
Sou uma Cortez. — pensou confiante.
Terminou de se maquiar e desceu rumo à imensa caminhonete da Ford, se deparou com Javier, fez uma careta e subiu no veículo.
Carlos encarou a velha Cole por um minuto, aguardou que ambos saíssem para fazer o comentário. Mostrou um sorriso e tirou o chapéu.
— É, isso não vai dar certo, Javier e a Dona Luiza juntos. — disse, encarando a caminhonete pela estrada.
Cole limpou ambas as mãos no velho avental e mostrou um sorriso fraco.
— Isso vai acabar em amor. — arriscou o palpite.
Carlos se voltou para encará-la, confuso com aquele palpite.
O percurso foi praticamente feito em silêncio total, até que a voz rouca de Javier quebrou.
— Sabe que os coronéis vão estar em peso. — perguntou, encarando o horizonte.
Luiza fez a conversão para a esquerda, sua feição mal se modificou, continuava encarando a estrada de terra batida, até que, por fim, perguntou com um preocupar na voz.
— Está falando daqueles urubus? Não tenho medo deles. — disse desdenhosa.
Javier mostrou um sorriso, ironizando a coragem da jovem ao seu lado. Era óbvio que ela devia estar com algum receio, por outro lado, conhecia muito bem a raça Cortez.
Sem muito demorar, chegaram à porteira da imensa fazenda dos Braxden’s. A jovem manobrou o veículo e o estacionou perto da saída. Javier foi o primeiro a descer, caminhou até a frente da caminhonete e esperou por ela.
— É, tem bom gosto. — disse, observando a fachada do casarão.
Caminhou a passos firmes, deixando Javier para trás. Ter que ficar perto dele era uma afronta para ela.
Para sua surpresa, o coronel já os aguardava na entrada, com um sorriso falso.
— Seja bem vinda a minha humilde casa. — disse, aproximando-se de Luiza.
Ela mostrou um sorriso fraco, deu uma observada ao redor e apertou a mão dele.
Javier logo o cumprimentou, seguiram-no até a pequena capela nos fundos da fazenda. Luiza pode notar que ele era devoto de Nossa Senhora, ela fez um gesto de reverência ao ver a imagem.
A missa não demorou a ser realizada, a apresentação da criança também não. Logo em seguida, teria a comemoração, para desagrado de Luiza.
— Mas veja quem está por essas bandas? — disse o jovem, aproximando-se da mesa.
Luiza fez uma careta e, ao se virar, se deparou com Jonas, seu amigo de infância. Ela o encarou, perplexa, e mostrou um largo sorriso.
— Jonas? — disse assustada.
Ele abriu os braços, com um sorriso largo.
— É, acho que sou eu. — disse risonho.
Luiza o abraçou forte, ambos ficaram alguns minutos conversando sobre os assuntos. O rapaz se aproximou dela e perguntou curioso.
— Luiza, acaso você tem algo com o capataz de seu pai? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
Luiza quase engasgou com a pergunta. Tendo um caso com Javier? Que piada!
Virou-se para observá-lo. Estava perto do coronel Tomás e sua filha.
— N-Não. Mas, afinal, de onde tirou isso? — grunhiu.
Jonas caiu na risada, deixando-a sem jeito.
— É por que você veio com ele, por nada mais, e meu tio havia me dito que suspeitava que você tivesse um caso, sabe coisa de velho. — disse, gesticulando.
Luiza apertou o copo entre as mãos. Odiava aquele velho fofoqueiro.
Seus olhos percorreram as mesas, avistando alguns rostos familiares, mas se voltou para Jonas Bernabe e disse, de forma astuta.
— Diga ao seu tio, Aston Bernabe, que se eu estou dando para o capataz é problema meu. — soou áspero.
Jonas praticamente engasgou com a cerveja, encarou-a com seu rosto em chamas, a feição de Luiza permaneceu serena.
— Luiza. — repreendeu-a.
Para seu alívio, o jovem advogado se aproximou da mesa, com um sorriso radiante, sua beleza era deslumbrante, até seria um bom partido, mas o considerava velho.
— Bom dia, senhorita Cortez. — disse, apertando-lhe a mão. Logo, voltou-se para Jonas. — Jonas Bernabe, como está? — perguntou risonho.
Jonas mostrou um sorriso.
— Bem, graças a Deus, mas enfim, vou deixá-los a sós, até mais, foi um prazer ter reencontrado-a — referiu-se a Luiza, que mostrou um sorriso.
O advogado sentou-se na cadeira e fez uma careta com a saída repentina do jovem, mas se voltou para ela.
— Não ligue, conheço esse Jonas desde pequeno, se assustou com minha resposta. — disse, antes de solver um gole de seu copo.
Steven Mark apenas sorriu.
— Falta apenas um ano e seis meses para que a senhorita possa vender a sua parte. — disse empolgado.
Luiza fez pouco caso com aquele comentário, não pretendia vender apenas metade de suas terras.
— Vejo que o capataz está sendo bem aceitado na sociedade. — disse, encarando-a.
Luiza se voltou para o jovem advogado, fazendo uma careta.
— Que bom para ele, não acha?! Terá metade de minha herança, sem ao menos ter ser de minha família. Pelo visto, já tem pretendente. — disse, com uma pontada de ciúmes.
O advogado permaneceu imóvel, observando-a.
— Case-se com ele e, por fim, dê um golpe, recuperando suas terras. — arriscou.
Luiza o encarou.
— Enlouqueceu? Casar-me com um bicho do mato? Prefiro perder essas terras a me deitar com ele. — disse, apontando em direção a Javier.
— Não está me entendendo, senhorita, não precisará se deitar com ele, apenas dê o golpe. — disse.
Luiza se levantou.
— Olha aqui, Steven Mark, não sou uma golpista, se é isso que quer dizer, prefiro deixar as terras pra ele, aliás, já estou de saída, até mais. — disse, deixando-o só, na mesa.
Luiza tinha razão, não faria isso, por mais que desejasse vender tudo e ficar com os lucros.
Caminhou em direção a caminhonete, sem dizer nada a ninguém, aquele batizado estava um tédio.
Assim que abriu a porta, ouviu a voz de Javier.
— Iria embora e me deixaria aqui? — perguntou, encarando-a.
Luiza se virou na direção dele e encostou-se ao capo do veículo.
— Não iria interromper sua adorável conversa com a miss biscatinha e seu pai sem caráter. — disse furiosa.
— Vejo que a senhorita tem ciúme dela. — rebateu.
Luiza engoliu as demais palavras e fechou sua feição. Como adoraria passar por cima dele, naquele instante.
Ambos entraram no veículo, calados.
Cretino, sem caráter, eu ter ciúme daquela vaca loira, é um imbecil completo. — pensava, enquanto dirigia.
— Vejo que reencontrou seu velho amigo, Jonas Bernabe. — disse irônico.
Luiza se virou e o encarou.
— Vai ficar contando meus atos, agora? Não venha querer ser meu pai, pois isso lhe cai muito mal. — grunhiu.
Até parecia que o caminho nunca terminava.
Para desgosto de Luiza, a voz de Jonas e do advogado ainda ecoavam em sua mente. Era de fato uma audácia o jovem perguntar se ela estava dormindo com Javier.
Assim que chegou ao casarão, o sol estava se escondendo lentamente no horizonte.
— Esse foi o pior domingo da minha vida. — praguejou, ao sair do veículo.
Javier observou a forma desajeitava como ela caminhava em direção da entrada.
Carlos se aproximou do peão.
— Já aprontou de novo? — indagou.
Javier se voltou para o velho amigo e mostrou um largo sorriso.
— Quem dera. Mas, dessa vez, não tenho culpa. — disse, batendo o chapéu no ombro de Carlos.
Carlos coçou o queixo e observou-o sumir, se voltou na direção da imensa caminhonete.
— É a velha Cole tem razão, isso tudo vai acabar na cama. — disse, observando o entardecer.
Algumas palavras têm certo poder de se realizar. O destino estava mesmo colocando dois corações teimosos frente a frente, para aprenderem, que mesmo sendo de mundos completamente diferentes, poderiam se unir a essa loucura.
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