Only Time

1 Recomposição.


Notas iniciais
Espero que gostem.

Estava sol. Era uma sexta feira de verão onde todas as flores pareciam florescer.

Por ali, passava uma garota. Ela não era propriamente bonita quase de forma alguma e não tinha atrativos nenhum. Seus cabelos eram loiros e estavam bem presos, no topo da cabeça. Conforme corria, de algo ou alguma coisa, seu vestido ia prendendo nos galhinhos que pelo caminho tinham, mas ela estava longe de ligar para isso. Só sabia que precisava chegar a algum lugar ou iria morrer de desidratação.Andou mais um pouco e se sentou no chão, olhando para o sol. Foi quando avistou, lá longe, uma casa, ou um casarão e sentiu a esperança reacender. Sua única mala já estava ficando pesada e já não usava seu xale, há muito deixado para trás. Graças aos céus que era uma manhã quente.

O lugar onde estava deveria ser apenas um pouco longe de Londres. O ano era de 1845 e Jane Lucas contava vinte e dois anos e meio. Havia fugido de casa, sim, para bem longe. O motivo? Não queria casar-se. Ainda lembrava-se dos berros de sua mãe que sempre diziam a mesma coisa:

- Como espera encontrar amor, coisa? — ria-se — É tão feia que nunca poderá arranjar alguém, nem se quiser! Aceite minha filha, você está condenada a se casar com este rapaz e que ótimo rapaz! Lhe garante renda o suficiente para viver para sempre! É, com certeza, um homem muito caridoso ainda mais por ter escolhido você e não sua irmã, Myrthe — apontou para a outra. Myrthe era linda e possuía uma delicadeza natural, que não precisava ser forçada e não seria. Era uma criatura fútil e desprezível, assim como a mãe, que contava dezenove anos. Tinha cabelos castanhos e olhos negros que apontava para a irmã com arrogância. Levantou-se e fez cara de pouco caso.

- Pelo menos é um bonito rapaz — sorriu maldosamente — Não sei como poderia ter escolhido a irmã feia e provavelmente nunca saberei! Ó, quão misteriosa pode ser, mente humana? Nunca saberei responder esta questão.

- Ninguém nunca saberá, irmã — falou, pela primeira vez, Jane e tirou os olhos do chão — Pouco me importa se é bonito — desviou os olhos para a mãe — Ou rico — voltou-se para o chão — O que me importa é minha opinião e esta defenderei até o tumulo. Não me casarei com este senhor nunca, nem se fosse algo que o destino planeja — Olhou para a mãe, que ficava vermelha de raiva a cada palavra — Quanto mais alguma coisa que a senhora, mamãe, planeja.

- CRIANÇA INGRATA! — berrou ela, a plenos pulmões, o que fez a mais nova sair da sala rapidamente — COMO PODE FAZER ISSO COMIGO? EU LHE CRIEI, EU LHE EDUQUEI E O QUE RECEBO EM TROCA DE TÃO CARIDOSOS ATOS? NADA? NADA?! — Jane se levantou e encarou a mãe.

- Não são atos caridosos a partir do momento em que a senhora os faz mal — a mulher chegou ao seu limite de raiva. Bateu na cara da filha, o que fez uma mecha de seu cabelo soltar-se. A garota, sem chorar, colocou a mão sobre o vermelho de seu rosto e viu sua mãe empalidecer, caindo no sofá.

- Saia daqui, Jane — falou, lentamente — Vá para o seu quarto, garota e não me dirija palavra pela próxima semana. Não sou mais sua mãe tanto quanto você não é mais minha filha. Quando voltar a falar comigo, espero que seja para planejar o casamento que está para acontecer e, mesmo assim, não me chame de mãe. Será ótimo me livrar de você, que nem para fazer as vontades de sua mãe serve.

- Que assim seja — proferiu a menina — Com licença — e saiu, já sabendo que não aguentaria até a próxima semana. Passou pela sua irmã no corredor.

- Você já o viu? — foi a pergunta que a mais nova lhe fez.

- Não, nunca — foi a resposta. Houve uma risada.

- Ele é realmente um homem bonito.

A outra virou apenas o rosto para encara-la.

— Eu não vou me casar com ele — foi a resposta antes de entrar em seu quarto e trancar a porta. Roubara a chave novamente, mais cedo. Começou a fazer as malas naquele instante e durante a noite iria embora. Não seria difícil e de fato não foi. Sua mãe não estava realmente impedindo-a de fazer isso.

O problema foi a chuva. E a ausência de um lugar para ficar e de dinheiro e de tudo mais que fosse relevante.

Apesar de tudo, Jane sempre foi uma menina forte. Nunca hesitou em fazer o que queria e tinha certeza que as pessoas a seu redor pensavam muito mal dela.

Primeiro: Ela era mulher. Uma mulher tinha suas obrigações perante a sociedade (Casar com alguém que mal conhece e ter filhos com essa pessoa)

Segundo: Jane não queria se casar e ter filhos com alguém que não amava. Seria a coisa mais degradante que poderia fazer em sua vida.

Então, o jeito era calar. Calar era o melhor jeito. Fazer tudo que sua mãe pedia... Bem, quase tudo. Sua mãe era uma criatura naturalmente odiosa, já seu pai... Ele era um homem bom e ela sabia que puxara mais a ele.

Caminhou até a casa, sentindo seus pés doerem e sua garganta arder. Precisava de água, comida, qualquer coisa...

Bateu na porta com suas ultimas forças e caiu no chão, quase desmaiada. Um homem a atendeu e então ela desmaiou.

Seus olhos se escancararam de medo. Tivera um pesadelo e estava respirando rapidamente. Seu cabelo estava solto, sentiu isso e olhou para baixo. Suas roupas foram mudadas e estava em uma cama desconhecida. Lembrara-se então o que havia acontecido na noite passada. Levantou-se rapidamente e foi até a janela. Era dia e um dia chuvoso. Seus dias preferidos. Sorriu ao ver a imagem das florestas e lembrar que, um dia, estava ali, prestes a morrer. Ouviu uma batida na porta.

- Entre — falou ela, sorridente e uma criada apareceu com uma jarra com água quente.

- Olá srta. — cumprimentou — Dormiu bem esta noite?

- Sim, dormi, obrigada — respondeu ela.

- Ora, isso é ótimo — comentou a outra — Se precisar de alguma coisa mais, toque o sino — olhou diretamente para ela e deteu seu olhar. Depois o desviou — Com licença — e saiu porta a fora de novo.

Jane sabia que ela deteve o olhar sobre seu rosto, mas estava tudo bem... Ela estava livre de sua mãe, já era bastante no momento. Sorrindo, olhou para a bandeja deixada em cima da mesa e viu que lá havia uma carta. Andou até lá vagamente e a pegou, passando os olhos e depois lendo.

Ela dizia que o senhor da casa não ia se dirigir diretamente a ela, apenas por cartas. Dizia também que ela poderia fazer o que bem entendesse, aquela casa agora era dela também, pelo tempo que precisasse. Quando quisesse falar com ele, enviasse uma carta.

- Que peculiar... — ela comentou em voz baixa, mas sorriu de novo. Ouviu mais três batidas na porta e uma criada mais nova entrou. Deveria ser a governanta.

- Olá senhorita — disse quando entrou, sorrindo também — O café está na mesa e me mandaram aqui para guia-la até a sala de jantar.

- Sim, obrigada — ela colocou a carta na mesa — Você poderia me dar apenas um segundo?

- Claro — a garota sorriu — com licença — saiu e fechou a porta. Jane olhou para sua mala e pegou papel e pena para compor uma resposta digna. Escreveu várias vezes e acabou por escolher uma que o agradecia por sua hospitalidade e dizia que gostaria de saber quem ele é.

Ao sair do quarto, viu a menina encostada na parede. Quando ouviu o barulho da porta, ela se postou em frente a ela.

- Pronta, srta? — perguntou e Jane fez que sim — Muito bem então — disse e assim as duas começaram a andar pelo corredor escuro da grande casa. Por cada centímetro de lá, havia uma pintura diferente.

- Seu senhor gosta muito de arte? — perguntou Jane e a criada fez que sim.

- Ele acha revigorante... Ele até pinta alguns quadros — se voltou para um deles — este daqui, por exemplo — elas o observaram. Era uma mulher, sentada e lendo. Era muito bonito. Jane se perguntou quanto tempo será que demorou para ser pintado.

- É lindo... — comentou e olhou para a criada. A menina olhava para o quadro com certo amor e certa afeição. Parecia até estar apaixonada pelo quadro

- Hmm, com licença? — Jane falou e a garota se recompôs.

-Oh, sim, vamos — ela falou, sorrindo para ela e voltando a andar. Elas abriram caminho pelos corredores, desceram escadas e passaram por pinturas lindas, chegando em seu destino finalmente.

- Aqui estamos, srta — disse a criada — Espero que aproveite sua refeição — e então fez menção de ir.

- Não, espere — Jane pegou a carta — pode entregar isso ao seu senhor? — ela pegou a carta em mãos.

- Claro que sim — respondeu — com licença — e assim deixou-a ali. A mulher olhou para a porta de madeira e a abriu. A sala de jantar era muito diferente do restante da casa e era bastante iluminada. Cortinas vermelhas voavam com o vento e um piano era tocado ao fundo, por uma menina. Todos que estavam ali pararam para ver sua entrada. As pessoas consistiam em três: Um menino, uma menina e uma mulher, um tanto velha. As crianças vieram cumprimenta-la de pronto.

- Olá — disse a menina, sorrindo. Ela tinha os cabelos pretos enrolados e a pele bem branca. Seus olhos eram azuis gelo — é você a convidada?

- Sim, sou eu — Jane respondeu sorrindo — Qual seu nome?

- Meu nome é Aléxia e esse é meu irmão, Hugo — o mais novo acenou timidamente — Somos sobrinhos do dono dessa casa.

- Ah, sim — ela falou, andando em direção a mesa — E como é o nome do seu tio?

- É Christopher — respondeu o menino, baixinho. Jane sorriu para ele.

- É um bonito nome, assim como o seu — o menino sorriu — Vocês já comeram?

- Não podíamos, tínhamos de espera-la — uma voz do outro lado do lugar respondeu. Era a mulher mais velha — Porém, agora que está aqui, comeremos todos — e então, sentando-se todos, Jane teve a melhor refeição de sua vida. Normalmente, em sua casa, a refeição começava com insultos para ela e terminava com ofensas. Sua mãe estava sempre bêbada. Não importava a ocasião. Acabada a refeição, as crianças convidaram-na para ir lá fora e mostrar-lhe o resto da casa, sugestão qual Jane aceitou alegremente. Gostava de crianças, muito.

- Aqui é o jardim — disse a pequena, quando eles chegaram, ambos segurando uma mão de Jane cada — Colhemos flores aqui no verão.

- É muito bonito — respondeu ela — Que pena que é quase inverno.

- Ah, não se preocupe — o menino respondeu, já perdendo a timidez — é só você ficar até o verão. — Jane riu.

- É, quem sabe? — respondeu ela olhando para baixo.

As crianças guiaram ela, mostrando a casa inteira canto a canto, centímetro por centímetro e só pararam porque já era tarde e a governanta deu um jeito de acha-los, para coloca-los para dormir. Jane resolveu seguir o exemplo e dormir também. Pegou uma vela e foi ao seu quarto, guiada pela governanta, pois ela ainda não conhecia muito bem a casa.

- Boa noite — disse a governanta e Jane respondeu o mesmo, sorrindo. Em seguida, abriu a porta do seu quarto e entrou. Em cima da mesa, no mesmo lugar onde estava a outra, uma carta nova fora colocada. Jane foi até lá, com a vela e abriu.

"Fico feliz com os agradecimentos, mas temo que não posso falar quem sou. Não desejo seu mal e fico contente em ver que as crianças gostaram de você. " "Como ele sabe disso?" Jane se perguntou em pensamento e continuou a ler "Suas respostas me deixam mais feliz, srta. Lucas. Fique a vontade para fazer realmente o que bem entender. Ouvi que gosta de ler e quero compartilhar a informação: Tem uma biblioteca no ultimo andar. Ela fica vazia quase o tempo todo, pois não tenho tempo para ler os livros. Sou um homem ocupado. Minha irmã vem mês que vem, visitar as crianças. Se ficar até lá, espero que não se alarme. Ela, quando vem para cá, sai de seu juízo perfeito. Espero que não se incomode."

A carta acabava ali. Jane leu e releu. Como assim, "visitar"? Por que ela não poderia ficar com as crianças? São seus filhos afinal de contas! Ela pegou papel e pena, rabiscando uma resposta, fazendo essas perguntas e decidiu entregar pela manhã, pois estava cansada e precisava dormir um pouco.

Notas finais
Espero que gostem! ^^