Only One Nigth - O Despertar

9 Capítulo 9: A morte convida para dançar


POV (Elena)

Continuava correndo, sentia meus pés vacilarem na medida em que as lágrimas embaçavam minha visão. A ardência em meu peito era algo familiar, era algo... Humano. Então eu me dei conta de que não estava correndo de alguém. Alguém estava correndo de mim.

Paro de andar quando dou de cara com um lago em minha frente. A água, que antes era cristalina, passou a ficar vermelha. Via corpos de pessoas boiando sobre a água. Seus olhos escuros, a pele pálida... Sem vida.

Eu os conhecia.

Conhecia o garoto com grandes olhos azuis... O garoto que todos amavam... Matt.

Conhecia minha tia Jenna.

Eu os conhecia... Eu os matei.

Olhei fixamente para meu reflexo na água, primeiro os olhos amarelos, depois aquele sorriso... Ele estava em mim.

– Sentiu minha falta, querida? – Então meu reflexo sai de dentro da água, vindo para cima de mim.

Abro os olhos, ofegante. Levo minhas mãos ao peito, tentando controlar minha respiração.

Damon está ao meu lado, seu rosto levemente contorcido, sua testa tem um rastro de suor.

Ele me parece o mesmo, seu cheiro é exatamente como me lembrava. Fico me perguntando o que ele faria se descobrisse que beijei Ektor, quando pensei que ele fosse Stefan... Por um segundo imaginei os lábios dele contra os meus novamente. Dessa vez não era Stefan que estava tão próximo de mim.

A palavra, serva, ecoa pela a minha mente.

Ektor esteve em meu corpo.

Ele quebrou minhas barreiras.

Ele conhece meus medos... Ele me controla.

Ainda posso sentir seus dedos apertando meu pescoço, enquanto sua faca descia por minha pele, rasgando-a. Sentia o gosto de meu sangue em minha boca, sentia meus ossos doerem, a cada vez que ele me quebrava. Lembro-me de ter desejado que ele me matasse. Lembro de desejar ser humana, para que aquilo acabasse o mais rápido possível.

Não sabia o que tinha acontecido com ele. Não sabia como eles me encontraram. Tinha medo de acreditar de mais naquilo, acreditar que era real. Eu podia abrir os olhos a qualquer hora, se isso acontecesse, Ektor estaria sorrindo, se divertindo e jogando com minha mente.

“Talvez ele esteja.”

Todos encaravam a garota, cada um se perguntando quem ela era, ou o que ela era. Damon não tirava seus olhos de mim, algumas vezes o encarava, tentando controlar minha vontade de me jogar nos braços dele.

Ela me parecia tão familiar. Algo na forma como sorria debochadamente, e no jeito como andava de um lado para o outro. Seus olhos eram frios e escuros, apesar de serem de uma cor verde.

– Quem é você? – Pergunto, fazendo a garota dar um pequeno sorriso de lado.

– Emma. – Ela diz, cruzando seus braços. Seus olhos não largam os meus. Eu a conheço.

– O que é você? – Ela levanta as sobrancelhas. Seu olhar é frio, quando ela decide responder.

– Anos atrás, minha família recebeu o nome “Hades”, Ao longo dos séculos ficamos conhecidos como “Ambrosias”, que significa imortais... Hoje eles dizem... “Vampiros”.

– Então você é como nós? – Pergunto. Mais uma vez, ela ri.

– Não me compare a sua raça de vermes sugadores de sangue. Eu sou uma bruxa. – A mulher caminha pela a sala. – Eu passei a vida, seguindo os passos de Ektor, até que eu o encontrei. Eu sabia que um dia ele voltaria.

– Voltaria? – Damon diz, pela a primeira vez.

– Ele quer quebrar a maldição, que ele mesmo jogou em nossa família. – Ela diz.

Meu coração pula uma batida quando percebo de onde eu a conhecia. Eram os mesmos olhos... O mesmo jeito.

O mesmo sorriso frio, o mesmo olhar sombrio... O mesmo que...

– Ektor... – Sussurro, a garota sorri mais uma vez.

– Não. – Ela para e olha para mim. — Sou a irmã dele.