Only One
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Edward Bynes, esse era o nome que me assombrava há semanas e me deixava sem dormir. Por que logo ele? Ele é bonito, mas não é cobiçado pelas garotas, não tem o corpo bem definido como a maioria dos garotos da escola, não é popular, não ficou sequer com uma das meninas e com toda certeza nunca deu um beijo em ninguém. O fato é que ele é um nerd sem graça que passou a sentar ao meu lado após a organização do mapa de sala e eu consegui me apaixonar por ele assim, de uma hora para outra.
Tudo começou na segunda quando a professora Ananda nos organizou de acordo com um mapa, eu que era da turma de trás, acabei ficando na frente ao lado do Edward e longe de todas as minhas amigas e do garoto por quem sempre achei que era apaixonada, Patrick Oliveira, loiro, alto, musculoso, jogador no time de futebol e o mais cobiçado da escola. Ouvi boatos que ele gostava de mim, mas foram só boatos porque sou um pouco invisível como pessoa. Mas não tão invisível quanto Ed Bynes. Sua presença na verdade só era notada quando havia trabalhos em grupo e mesmo assim ele dava um jeito de fazê-los sozinho. Mas naquele dia ele não podia escapar era um trabalho em dupla e como haviam faltado algumas pessoas, fiquei sem dupla. Por coincidência ele também, mas eu esperava que fizesse sozinho então nem me dei o trabalho de ir para o lado dele e nem de perguntar nada.
-Bynes onde estar sua dupla? – a professora veio com cara de nada amiga e parou em frente sua mesa.
-Eu sempre faço os meus trabalhos individualmente. – Ele falou tão baixo que mal podia ouvir sua voz.
-Se não conseguir uma dupla ficará sem nota.
Foi então que me senti no direito de lembrar a eles minha existência.
-Eu estou sem dupla, podemos fazer juntos. – Edward olhou-me por alguns segundos com seus olhos verdes e profundos. Nunca havia reparado neles.
-Sente-se ao lado do Bynes. – levantei e levei minha cadeira à sua mesa. Ele nem se mexeu, mas pude ouvir um som, uma reclamação e um suspiro.
Passamos tempos parados ali, eu olhei toda a prova de matemática e queria responde-la, mas havia esquecido o lápis na minha mesa e não queria pedir o dele que estava em suas mãos enquanto ele me ignorava. Era uma prova difícil, eu precisava de alguma nota para passar no semestre, então quando faltavam dez minutos para o fim resolvi tomar uma atitude.
-Pode me emprestar seu lápis? – Falei tão baixo quanto ele. Então ele olhou-me novamente e olhou a prova totalmente em branco.
Segurou o papel e começou a responder as questões sem nem pedir opinião terminando quando faltavam dois minutos para o final do horário. Entendi agora porque ele era nerd, o cara era realmente bom e entendi porque vivia sozinho, era um idiota. Mas que me deixava muito curiosa. Os últimos dois minutos da aula foram para lhe observar, assim, descobri que diferente dos outros adolescentes de 17 anos ele não possuía espinhas e sua pele era tão branca e lisa que tive vontade de acaricia-la; ele não usava óculos como a maioria dos nerds da TV; trazia um exemplar de O Teorema de Katerine dentro da mochila, então gostava de ler; escutava músicas do The Fray (sei porque vi esta sendo reproduzida quando ele pegou o celular para ver a hora e vi também que ele tinha namorada, sim, havia a foto de uma garota como descanso de tela do celular e ele estava beijando sua bochecha!
Tá talvez esse seja um dos motivos para ele ser tão fechado, sua namorada devia ser uma chata manipuladora e que não o deixava ter muitos amigos e ele como a amava muito aceitava. Sim, já vi casos parecidos, mas em livros e filmes, nunca na via real.
A aula acabou e o resto passou tão rápido que eu nem percebi. Estava tão cansada e com tanta dor de cabeça que tudo que eu queria era cair na minha cama e dormir o resto da tarde. Coloquei minha mochila no chão ao lado da mesa do computador tirei minha blusa e como sempre fiquei andando pela casa com meu top de estrelinhas azuis. Estava muito quente e as janelas estavam fechadas, com certeza não havia ninguém além de mim ali. Na cozinha peguei um pouco de agua e um comprimido para minha dor e fui para o quarto. Deitei e liguei a TV só para não ficar no silêncio da casa vazia. Então adormeci e quando voltei a abrir meus olhos tudo havia se transformado num escuro profundo, a TV não estava mais ligada e não havia sinal de luz por baixo da porta. Levantei-me, acendi a luz e caminhei até a porta do quarto. Abri devagar e me deparei com uma sala sem nenhum sinal de vida e coberta de escuridão. Fiquei assustada, minha mãe não costumava me deixar sozinha e muito menos no escuro. Klaus, meu Samoieda de seis meses, latia sem parar no quintal, o que já era estranho já que ele não latia quase nunca. Sai acendendo as luzes de todos os lugares que eu passava, mas a da cozinha era um pouco distante e tive que fazer uma pequena caminhada no escuro onde quase tropecei em algo. Voltei para trás e senti algo respingar em meus pés, água talvez.
Um barulho de vidros sendo quebrados veio do quarto dos meus pais e não pude evitar chamar por eles, mas ninguém respondeu. Voltei para a parte clara da casa e vi de longe alguém passando do lado de fora como um vulto. Logo várias luzes vermelhas e azuis tomaram conta dos vidros e a porta foi derrubada. Assustei-me quando homens armados entraram na casa e passaram por mim como se não tivessem me visto. No chão pegadas vermelhas que eu ainda não havia percebido terminavam nos meus pés que estavam sujos com algum tipo de tinta.
-Encontramos outro aqui! – O policial anunciou para os outros que caminharam para a cozinha, agora totalmente clara. Eu não conseguia entender nada até chegar lá e ver que tudo aquilo era sangue e eu tinha tropeçado em nada mais nada menos no corpo a minha empregada Lilian, que estava com seu rosto totalmente deformado caída no chão.
Minha reação foi começar a chorar desesperadamente e gritar para os homens que queria ver meus pais, mas algo acertou meu braço e eu não conseguia mais reagir, fiquei fraca e cai desacordada.
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