–Katherine, esse é seu nome. – Uma voz masculina ecoou por aquele lugar. – Ela não antecedentes criminais.

–Se deu mal no primeiro crime. – Outra voz surgiu. – Chame Raphael para vigiá-la estou com fome.

Eles saíram e então eu abri meus olhos. Eram um quarto de hospital o qual eu nunca estive. Devia ser um hospital público, eu nunca estive em um até porque meus pais sempre tiveram condições para pagar um hospital particular.

E por falar em meus pais fiquei desesperada quando me lembrei dos acontecidos da noite e corri para sair do quarto, precisava encontrar meus pais e saber se eles estavam bem. Quando coloquei o pé para fora do quarto senti algo me puxar pelo braço. Até que foi delicado de alguma forma, mas doeu muito, foi ai que eu percebi o qual roxo e inchado ele estava e o cara com roupa de policial segurava-o bem onde estava pior. Empurrou-me para dentro do quarto novamente sacou a arma para meu lado.

–Volte para a cama. – Mandou.

–Eu só quero saber dos meus pais! – desobedeci a ordem tentando passar por ele.

–Já mandei ir para a cama! – Ordenou novamente agora de um jeito agressivo. Percebi que ele estava nervoso, ou com medo não sabia direito. Voltei para a cama e fiquei sentada lhe observando.

Era loiro, tinha cabelos lisos e um pouco comprido. Seus olhos eram castanhos claro, um pouco esverdeados e me lembravam os olhos de Patrick. Devia ser o tal Raphael que os caras falavam, mas por que estava me vigiando?

–Como estão os meus pais? – Perguntei baixo. Minhas mãos trêmulas apoiadas sobre o colchão demonstravam o quanto estava nervosa. Mais por medo do que havia acontecido e do que podia acontecer, do que eu podia ouvir.

–É engraçado você perguntar isso. – Finalmente abaixou a arma, mas não a largou. – Vocês assassinas sempre tem esse pouco de atriz? É porque sabe, essa é minha primeira missão e eu sempre quis saber como funciona esse negócio.

–Assassina? Do que você está falando?

–Ah, Não vem com essa, você mata seus pais e ainda vem dar uma de desentendida?

–Do que você está falando? Meus pais eles estão... – Senti uma tontura muito forte e se eu não já estivesse sentada teria caído. Não pude conter as lágrimas e elas escorreram pelo meu rosto deixando um rastro que ia até meu queixo e então pingavam sobre a cama. – Eu sabia que havia algo estranho, eles nunca teriam me deixado sozinha em casa sem me avisar. – lamentei-me entre soluços. – É tudo culpa minha! Se eu tivesse procurado eles, se eu tivesse...

–Você não os matou não é? – Raphael falou calmo sentando ao meu lado. Parecia comovido, mas eu não podia confiar nele, era um policial! E estava ali para me vigiar e me levar para a cadeia quando a ordem fosse dada.

–Claro que não!!! – Gritei. Como eles podiam achar que eu tinha feito essa crueldade? – Eram meus pais, eu os amava mais que tudo! – O empurrei quase o derrubando.

Raphael ficou estático. Eu estava deixando-o assustado. Ele abaixou a cabeça como se lembrasse de algo, passou alguns segundos daquela forma. Fiquei lembrando tudo que acontecera a noite e pensando em como devia ter sido a morte deles. Será que havia sido como a de Lilian? Será que haviam sofrido muito?

Quanto mais eu me desesperava, mas meu braço doía, deviam ter me aplicado algum medicamento do qual sou alérgica o que foi a conta para que eu vomitasse o pouco de alimento que restara em meu estomago e litros de soro sobre o chão bem perto dos pés do policial.

–Que tipo de drogas vocês me deram? – Perguntei e logo voltei a vomitar. Raphael fez cara de nojo e se afastou um pouco. Meu corpo tremia e eu mal consegui levantar. Com a agitação o remédio havia se misturado melhor a minha corrente sanguínea. – Você não faz nada? – Olhei para ele mas mal o enxergava. Sua imagem estava turva.

–Sou policial e não um médico!

–Pelo menos faça alguma coisa! – Gritei, mas me arrependi, pois uma dor de cabeça terrível me atingiu.

–Está me vendo com a farda do SAMU?! – Eu sabia que ele não dizia aquelas coisas por desaforo, estava nervoso, eu o deixei assim. – Vou chamar alguém! – Ele correu para fora e vi naquele gesto uma chance para recomeçar minha vida.

Não eu não ia fugir e ficar foragida por anos, mudar meu nome para Joaquina e morar em Paris! Eu só precisava saber o que acontecia direito e provar que eu não matei meus pais. Não ia conseguir estando trancada naquele inferno. Segurei-me em todos s objetos que encontrei até sair do quarto e entrei na porta ao lado. Havia um paciente lá, mas não conseguia ver seu rosto com a visão embaralhada. Aproximei-me e subi na cama próximo a sua cabeça para tentar sair pela janela. Ouvi o barulho dos outros policiais se aproximando cada vez mais. Eu precisava pular, mas algo segurou meu pé e me puxou. Percebi que havia sido o paciente. Ele me empurrou para baixo de sua cama. Logo os policiais invadiram o quarto.

Meu estomago se revirou várias vezes e minha cabeça doeu. Eu precisava sair logo ou ia vomitar ali e adeus esconderijo.

–Por favor, façam menos barulho! Estou com dor de cabeça! – O cara falou e logo os homens saíram se desculpando.

Sai e minha primeira ação foi quase vomitar em cima dele. Mas o rapaz foi mais rápido e me levou para o banheiro.

–Obrigada. – Agradeci, mas ele não disse nada, segurou minha mão e me levou até a janela onde eu tentara pular a pouco. Era alto e eu não enxergava direito. Tentei pensar duas vezes antes de ir, mas senti mãos em minhas costas e logo cai sobre a grama do jardim. Que louco empurra uma garota quase morta de uma janela do primeiro andar?

Tentei levantar e percebi que minha perna estava quebrada, torcida ou sei lá. Tive que dar um jeito de correr mancando até encontrar algum lugar pra ficar. Já estava um pouco perdida quando esbarrei em alguém que sorriu para mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.