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25 O fim?
Notas iniciais
-Essa história tá muito mal contada — observou Nathan num murmuro.
-Sim — concordei e segui meu olhar para Melanie que estava entrelaçada junto a Nico — Nós vamos esclarecer isso. Melanie e Nico irão voltar para o acampamento, lá vocês vão ter néctar e vão poder cuidar melhor desse ferimento.
-Ash eu...
-Mel, nós vamos sim, entendeu? — Nico a interrompeu olhando-a nos olhos por um longo instante, Melanie hesitou e olhou para cada um de nós, mas no fim sussurrou um "está bem"
-E nós vamos para o Olimpo — avisei olhando para Nathan, Jackson e Alicia, atirada no chão, no momento exato que fixei meu olhar na garota, Nathan a puxou pelo braço e segurou seu braço firme.
-Não precisa me segurar, eu não tenho por onde fugir — Alicia sussurrou para Nathan, mas ele apenas segurou mais firme seu braço
-Não confio em você — Nathan disse. — Jackson pegue o outro braço dela.
Jackson o fez e todos seguimos para o aeroporto, Alicia em nenhum momento tentou espernear ou gritar, caminhava acompanhada dos dois garotos e aos olhos dos mortais, mais pareciam um trio de amigos entrelaçados do que uma ladra e dois semideuses a segurando.
No avião, Melanie finalmente conseguira adormecer, sua perna a incomodava muito e ela resmungava muitas vezes de dor, mas agora conseguira dormir encostando sua cabeça no peito de Nico que ouvia música de olhos fechados, os mortais acreditaram que era apenas uma forte esfolada em seu joelho, então demos a desculpa tradicional: um tombo de bicicleta, conseguindo então uma almofada para apoio, gelo, pomadas e outras parafernalhas que de nada adiantariam.
Alicia estava sentada entre mim e Nathan, a filha de Zeus adormecera tão rápido quanto todos nós, e imaginei se ela nos últimos dias tivera uma noite se quer tranquila, Nathan a observava, sua expressão não era tão dura e fria quanto antes, mas nada que poderia se dizer que era uma expressão dócil. E Jackson se encontrava sozinho em um poltrona, seu rosto estava franzido e tinha os olhos pensativos.
No momento que vi sua expressão mudar lentamente de preocupação para frustração, levantei-me da poltrona e caminhei lentamente até ele.
-Jack? — sussurrei sentando-me ao seu lado e agarrando sua mão com força.
-Oi — ele disse desanimado.
-O que aconteceu com você? Você tá bem?
-Foram muitas coisas que aconteceram não foram?
-Sim — concordei. — Mas... Mas isso não é novidade pra você, quero dizer, missões, monstros e essas coisas, até diríamos que tivemos sorte se não fosse.... é claro a morte de... Chloe.
-Sinto muito, Ash. Eu gostaria de ter impedido
-Sei que sim — concordei baixando o olhar — Mas nada poderíamos ter feito, as coisas funcionam assim, temos que conviver com as perdas.
-Mas temos que tentar impedi-las, não temos?
-Jackson... O que você tá querendo me dizer?
-Ashley... É complicado, mas eu não consigo imaginar que eu tenha mais dois anos de vida...
-E daí?
-E no caso, você me perderia e essa sim seria uma perda inevitável porque... é de nossa natureza, mas é claro que poderíamos amenizar o sofrimento.
-Você está querendo me dizer que vai morrer? — Perguntei, minhas mãos tremeram e se soltaram involuntariamente da de Jackson.
-Ashley eu...
-Todos nós vamos morrer um dia Jackson Davis — o interrompi. — Não vejo lógica você ficar falando disso.
-Sei que todos nós vamos morrer um dia meu amor — Jackson disse baixando a voz — Só estou tentando dizer que sei que vou... vou morrer logo. Crescemos sabendo o quão raro é um semideus chegar a minha idade.
-Eu tenho a mesma idade que você — o lembrei irritada — Jackson, você tá me assustando.
-Desculpe, Desculpe — ele beijou minha bochecha, minha testa e depois o canto de meus lábios — Não era essa a minha intenção, pelo contrário, como eu disse, eu queria... amenizar as coisas.
-Não entendo, Jack.. eu não consigo entender!
-Ashley... Eu quero terminar com você
Meu coração palpitou e senti o sangue em meu rosto queimar, imediatamente fui tomada por uma onda de tristeza e solidão, pisquei rapidamente três vezes, processando e repetindo mentalmente as palavras. As memorizando bem.
-Não... não,não, não! — engasguei tentando procurar minha voz — Você não sabe o que você está falando!
-Sei sim! E estou fazendo a coisa certa, Ashley.
-Tudo bem... você tá querendo dizer que só me usou? Você só me usou Jackson? Você disse todos os dias que me amava... lembra? eram mentiras? só mentiras?
-Nós não podemos nos apegar mais Ashley, será que dá pra você entender? Eu fico imaginando a sua dor se caso um dia tenha de pedir uma mortalha para mim, consegue imaginar essa cena na sua cabecinha dura?
-Eu já sou apegada a você! — garanti sentindo meus lábios tremerem. — E talvez Jackson, o nosso fim, doa mais do que a sua morte e a minha. Você simplesmente não está pensando em mim como diz estar, você não está pensando... droga!
-Ashley... acabou entendeu? não temos como continuar, fim.
-Você tem razão, sabia? Uma filha de Afrodite que só pensa no cabelo com um filho de Poseidon que tende a ser um grande e forte herói? Nunca ia dar certo. Talvez você deva procurar uma garota que acompanhe você em batalhas e missões e eu, um garoto que entenda mais de esmaltes do que de espadas e armaduras de guerra.
-Não seja sínica, Ashley.
-Não estou sendo, estou colocando a verdade diante dos nossos olhos. E só depois não venha me dizer que se importa comigo, porque eu não suporto mentiras. Sei que pra você eu fui apenas mais uma não fui?
Jackson não respondeu apenas ficou me olhando nos olhos por um longo instante e depois olhou para baixo.
-O silêncio responde por você. Nos vemos em Nova York, e por favor, tente ao máximo não dirigir a palavra para mim, não apenas no Olimpo como... nunca MAIS!
Levantei-me e sentei-me em minha poltrona onde chorei até não ter mais forças.
Quando chegamos ao Olimpo, eu já não sabia se minha voz existia, não abrira a boca nem para um murmuro, nem mesmo para me despedir de Nico e Melanie que seguiram para o acampamento.
-600º andar, por favor. — disse Jackson ao porteiro do Empire State, indiferente ao acontecido no avião.
-Esse andar não existe garoto estranho.
-Não está me reconhecendo? Eu já vim aqui muitas vezes, e já arrumei muitas companhias desagradáveis por aqui, mais algumas hoje não teriam diferença, não é?
-Semideuses — o porteiro resmungou e olhou para cada um de nós.
Assentimos desanimados, Alicia ficou quieta e olhou para Nathan que segurava seu braço.
Quando encontramos os deuses Olimpianos, ajoelhei-me diante ao trono de Afrodite e tentei ao máximo esconder o desanimo e a tristeza, mas tive que lembrar a mim mesma que aquela era uma deusa... a deusa do amor e acima disso tudo... minha mãe, e apesar de nossas diferenças, elas conhecia cada um de seus filhos.
Depois cumprimentei Zeus com o mesmo gesto e segui para o lado de meus amigos que já aviam cumprimentado o senhor dos céus — menos é claro, Jackson — e seus pais.
Zeus observou cada um de nós, segurando seu raio mestre, depois parou seu olhar duro e mandão em Nathan que depois de muito relutar, cedeu e largou Alicia que cambaleou e sentou no chão do Olimpo, pensei ver uma lágrima escorrer pelo seu rosto, mas ela se conteve.
Os deuses murmuraram entre si e depois Zeus voltou a sua filha:
-Enquanto a você, minha herdeira, não renda-se, jamais um filho meu se rendeu.
Alicia mordeu os lábios e através dos cachos loiros olhou para Zeus, lentamente foi se levantando e quando finalmente estava de pé, encarou o pai, sem baixar o olhar, jamais vira alguém olhar por tanto tempo e tão intensamente o deus dos céus.
-Mas um herdeiro com verdadeira dignidade assume seus erros.
-Sim — concordou minha mãe mudando seus cabelos de loiro liso para castanhos encaracolados várias vezes — E o que fez você roubar o MEU lenço, criança?
-Orgulho — admitiu Alicia olhando da mesma forma para Afrodite. — Vocês, deuses, entendem muito desse sentimento, não é mesmo?
Todos os deuses se remexeram inquietos nos tronos e Zeus, de pé, trocou o peso de seu corpo de uma perna para outra.
-Mais um filho revoltado — Apolo riu e coçou o rosto — Meus filhos nunca se revoltaram contra mim, pai, acho que você precisa rever isso.
-Basta, Apolo — Zeus rosnou, Apolo arqueou uma sobrancelha indiferente e apoiou seu rosto em uma mão. Tédio. — Devolva as armas agora, Alicia.
-Desculpe-me — intervim e o som da minha voz encheu a sala, estranhamente soou mais alta e mais sensual, olhei para Afrodite no mesmo instante, que me mandou um sorrisinho. — Senhor Zeus, a espada de Hades volta conosco, só a trouxemos para todos aqui verem que era mesmo Alicia que estava com ela, mas foi pedido pelo próprio deus dos mortos que seu filho, Nico Di Angelo, lhe devolvesse a espada.
-Meu irmão pediu isso? — Zeus perguntou.
-Sim, pediu senhor.
-Como quiser. — Zeus disse indiferente — Seja como for, Alicia, devolva o lenço para Afrodite.
Alicia tirou de seu bolso um lenço de seda e o depositou diante do trono de minha mãe que a observou o tempo todo.
-Perdoe-me senhora — Alicia disse em tom tão indiferente quanto ao pai — O Orgulho não sobe apenas a cabeça dos mortais, sobe também a nós, semideuses, e é claro... aos nossos pais, deuses.
-Sim — concordou Afrodite. — Adeus minha filha — A deusa olhou para mim e sumiu, eu suspirei e sussurrei baixinho "Adeus.... mamãe"
-Enquanto a minha punição? — Alicia perguntou.
-Sim... É triste, mas eu, como o senhor dos deuses tenho que reconhecer que acima de tudo você teve um ato de bravura e não fugiu as consequências, não é mesmo? E todos aqui estão de acordo... Minha filha querida, deseja se tornar uma deusa?
A voz de Zeus preencheu o ambiente, Alicia, pela primeira vez demonstrou algum sentimento em relação as palavras, seu queijo caiu de leve e ela olhou para trás, onde Nathan se encontrava entre mim e Jackson, eu a encorajei o máximo que pude, acenando a cabeça.
-Aceito — Alicia disse voltando-se para o pai. Zeus sorriu e do nada, Alicia, a semideusa a nossa frente apresentava poder e autoridade.
-Uma das deusas menores... Uma de minhas filhas, deusa Alicia
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