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31 Nós


Notas iniciais
Pvo's Ashley

Pvo's Ashley

Viajar com Jackson não foi uma coisa fácil. Desde o momento que eu pus os pés para fora das fronteiras mágicas do acampamento, eu me senti diferente, insegura. As coisas giravam em minha mente, lembranças, boas e ruins. Argos, havia feito a gentileza de nos levar ao aeroporto, e ao chegarmos lá, eu tive vontade de voltar para dentro da vã do acampamento e dizer "Por favor, vamos voltar". É obvio que Jackson viu alguma expressão em meu rosto, ele segurou firme meus braços e murmurou:

-Tudo bem, não é uma viajem tão longa. E estou aqui, lembre-se.

Assenti com a cabeça e olhei por um instante para Jackson, ele não havia me contado nada de especial de New Orleans, e até acho certo da parte dele, não sei ao certo se gostaria de saber de festa de calouros da faculdade, bebidas, nachos e coca-cola todos os finais de semana, enquanto eu continuava no acampamento, querendo ou não, com um vazio dentro de mim. Meus olhos se enxeram de lágrimas e eu agradeci por Jackson estar comprando as passagens e não notar.

Quando chegamos no avião, Jackson deixou eu apoiar minha cabeça no seu ombro enquanto ele acariciava meus cabelos.

-É difícil pra mim — admiti limpando a garganta.

-O que?

-Nada — murmurei de olhos fechados — Acho que não é bom reviver o passado quando se tem todo o futuro pela frente.

Três semanas após chegarmos na casa de Jackson, nós estávamos finalmente a sós, sentados no sofá, vendo um programa estúpido de garotas solteiras e garotões sarados usando fantasias sexuais, comendo pizza, Jackson tomando cerveja quando pigarrei:

-Err... Eles... voltam, sabe, tarde?

-Eles não voltam hoje, Ash — garantiu-me Jackson — Eles foram na cidade vizinha, na minha avó.

Senti meu rosto tomar uma cor rosa, para disfarçar, tirei a cerveja da mão de Jackson e tomei um gole.

-Ei, garota — Jackson fingiu indignação e tirou a cerveja da minha mão — Isso não é legal pra uma menor de idade.

-Não sou menor de idade. Fazem dois meses já.

Jackson largou a cerveja na mesa de centro da sala e olhou para mim, seus olhos tinham culpa e desejo.

-Desculpe Ash — ele sussurrou. — Eu não lembrava... então... você vai começar a faculdade, daqui a pouco!

-Não se preocupe, não é legal ficar lembrando a uma mulher que ela está envelhecendo.

Jackson riu e ambos fingimos estar prestando atenção no programa idiota por uns dez minutos.

-Então, o que fez em New... New Orl... o que?

-Orleans — respondeu Jackson sem tirar os olhos da tv — Bom, nada de mais sabe, o que qualquer garoto faria sozinho em uma cidade daquelas... Garotas, festas e bebidas.

Eu abaixei a cabeça, ainda era difícil pra mim conversar com Jackson sobre isso, e eu sabia que precisava enfrentar.

-Ficou com.. Quantas, Jack? Quantas garotas? — Perguntei levantando meu rosto

Jackson olhou para mim e deu um gole na cerveja: — Não importa o número, você só precisa saber que nenhuma delas se compara a você.

Eu abri a boca para argumentar mas não emiti som algum, apenas consegui sorrir.

-Ei, Ashley, ainda é virgem?

Eu arregalei os olhos e abri a boca, como ele teve coragem de pedir assim? Do nada? No seco?

-O que?

-Você entendeu

-Bem... É... Claro que eu sou — murmurei abaixando a cabeça

-Sabia que podemos mudar isso?

Jackson segurou meu rosto entre suas mãos, antes que eu pudesse se quer demonstrar alguma reação, olhou fundo nos meus olhos e me beijou. Aquele beijo que eu sentia falta, deu poderia ter beijado alguns garotos depois dele, mas o beijo dele não se comparava a nada nesse mundo.

Ele me segurou pela cintura, passou a mão pelas minhas coxas e me prensou contra parede. Fiquei na ponta dos pés, dei um pequeno impulso e subi no colo dele.

-Tem... Certeza? — Jackson hesitou

-Com você? Tenho certeza de tudo

Jackson flexionou os joelhos e eu tateei no ar, até encontrar o botão da tv, a sala ficou em silêncio, as nossas risadas e o amor que irradiava de nós encheu o ambiente agora escuro, e seguimos para o quarto com a certeza de que não apenas a noite era nossa mas sim o mundo.

Acordar no meio da tarde com o sol de uma cidade de praia entrando no quarto através do vidro do quarto entre aberto é maravilhoso, umas melhores sensações que já experimentei, mas acordar com isso e mais com a sensação de braços fortes e quentes em volta do corpo, é melhor.

-Bom dia — Jackson sussurrou no meu ouvido, ele beijou minha testa, depois minha minha bochecha, descendo para a boca e a nuca. Eu ri, arrepiada.

-Ei — murmurei, sem querer abrir os olhos. — Deve ser tarde.

-Uma e meia.

Joguei meus braços ao redor do pescoço de Jackson e o puxei um pouco mais próximo a mim, observei seus olhos tranquilos e felizes enquanto nosso corpo se encontrava, apenas o barulho de nossa respiração, apenas nós dois...

-Temos tempo ainda — murmurei.

-A vida toda. — concordou Jackson

-Isso é muito tempo.

Jackson abaixou a cabeça e brincou com o laço do meu sutiã por um segundo, eu ri, mas Jackson permaneceu sério. Ele parou e voltou a olhar pra mim

-Você é muito especial para mim, sabia?

Assenti, as lágrimas de felicidade transbordando.

-Eu fui realmente burro, eu acreditei que eu poderia tirar você de minha vida como se tudo que aconteceu entre nós não tivesse sido real, mas os deuses nos deram uma nova chance, um novo recomeço, e eu não quero falhar.

-Você não vai. As coisas mudam Jack, eu mudei, você mudou... muitas coisas aconteceram. A dor me fez mais forte e me fez mais madura.

-Sim — Jackson concordou. — A dor que eu causei

-Eu perdoei você. Não quero tocar nesse assunto.

-Só mais uma coisa... — Jackson hesitou, eu arqueei uma sobrancelha, encorajando-o

-Quando você vai começar a faculdade?

-Jack.. por que isso... porque agora? Eu não sei se quero ir, eu tenho irmãos que amo lá, crianças pequenas de Afrodite que eu me apeguei, e eu... não sei se consigo.

-Por favor, por mim.

Suspirei e acariciei os cabelos bagunçados dele — Eu posso pensar, prometo que sim.

-Eu só quero você perto de mim, em New Orleans, na faculdade... onde for, o acampamento é o nosso segundo lar, nós sempre seremos bem-vindos lá... Seja o dia, a hora e o ano... Lá estão a maior parte das nossas origens.

Concordei e fechei os olhos novamente — Estou com fome.

Jackson saltou e pegou alguma coisa do criado-mudo, abri os olhos.

-Ah, deuses... Gominha! — sentei-me na cama e estendi os braços, Jackson jogou o pacotinho rosa-claro e depois pegou outro de dentro da gaveta: salgadinho Ruffles, sentamos e comemos em silêncio por um tempo.

-Você é linda — Jackson disse com uma batata Ruffles a meio caminho da boca, eu tentei conter o riso de boca cheia

-Acabei de acordar, meu cabelo está um ninho e meus olhos devem estar inchados.

-Eu realmente não me importo, você foi feita pra mim.

-Não posso discordar.

-Não, não pode — concordou Jackson deixando o ruffles de lado e se inclinando para me beijar.