Only
13 Como você
Notas iniciais
Jackson Pvo's
Coloquei a pizza caseira na bancada da cozinha e depois sentei-me no banco a frente. Ashley fez o mesmo, de forma que ficássemos frente a frente.
–Pizza! — ela exclamou arqueando as sobrancelhas.
Havíamos passado o dia inteiro aproveitando o sol aqui na minha nova casa, no Arizona. Corremos, fomos ao supermercado junto a meu irmão George e depois demos mais uma longa caminhada pela cidadezinha. Queríamos aproveitar a nossa última semana aqui, já era Quarta e partiríamos no domingo logo ao amanhecer.
Em quatro semanas, eu e Ashley nunca nos tornamos tão amigos, eu havia cedido meu quarto a ela, e estava dormindo temporariamente junto a meu irmão, no seu quarto.
O calor da pequena cidade de Greasewood agradava Ashley, ela caminhava descalça, seus delicados pés tocando o piso frio o tempo todo. Usava vestidos florais com rendas e laços ou shorts claros e curtos, que marcavam seu corpo e a deixava longe daquela princesinha-guerreira que ficara no acampamento.
–Calabresa... gosta?
–Claro — ela murmurou
Comemos quase em silêncio, Ashley abrira a boca algumas vezes para falar o quão a cidade estava agradável e o quanto acabara gostando daqui. Apesar dos apenas 581 habitantes, ela me garantira várias vezes essa semana que estava feliz.
E eu sabia que ela não falava isso para me agradar. Pois a maioria das vezes, pela manhã, quando eu acordava, já encontrava Ashley pronta, usando roupas leves e o cabelo solto, ficava de olhos fechados absorvendo o sol quente que entrava pela janela de meu quarto, sempre com um leve sorriso no rosto.
Quando acabamos, eu me levantei e coloquei as coisas na pia, Ash se levantou logo após e eu pude ver que usava shorts jeans escuros, que eu ainda não havia visto ela usar, era igualmente curto e marcava suas pernas longas e bonitas. A camiseta era larga e rosa, a parte da frente estava dentro do shorts, para que não cobrisse o mesmo por inteiro, como atrás. Seus cabelos pareciam ter crescido nesse meio tempo, e devido ao calor, ela os usava amarrados.
Ashley começou a esfregar os pratos com uma esponja e espuma, lentamente.
–E o resto do pessoal? — ela disse sem olhar para mim.
–Foram levar George no circo, ele estava louco de vontade.
–Ah é mesmo! Como pude esquecer?
Ficamos novamente em silêncio, sem os passos apurados de meu irmão pela casa, sem meu padastro colocando a televisão no volume máximo ou a minha mãe aspirando loucamente a casa, tudo parecia tão quieto e silencioso.
Chequei o relógio de parede, ele indicava que eram 21:10. Suspirei e comecei a enxugar as louças que Ashley colocava no escorredor.
–Preste atenção! — Ashley disse olhando em volta e sorrindo.
–No que? — olhei em volta, como ela.
–Nesse silêncio... É tão bom. Relaxa, sabe? — ela riu.
Eu ri com ela e revirei os olhos
–Essa cidade é maravilhosa.
–Maravilhosa — Ashley concordou.
Lavamos a louça e Ashley decidiu que deveríamos dar um jeito na casa, que ela alegou estar suja demais. Então eu concordei. Acabei de enxugar a louça e comecei pela cozinha, varrendo todos os cantos, Ashley me ajudando a arredar os móveis para tirar melhor as sujeiras.
Depois aspiramos a sala, organizei os antigos CD's de meu padastro e coloquei por ordem as revistas de minha mãe. Ashley tirou as capas das almofadas, bateu-as num saquinho de lixo e as encapou de volta. Organizamos as fotos que ficavam em porta-retratos em cima da bancada da televisão e depois fomos para o quarto. Começando pelo de George, colocamos os brinquedos nos seus devidos lugares e arrumamos as camas bagunçadas. Ashley varreu o chão, enquanto eu peguei os tapetes pesados e os sacudi.
Limpamos e organizamos o meu quarto e o quarto de minha mãe e de meu padrasto Ed. Quando terminamos Ashley alegou que minha blusa estava sujas e fedidas, fingi cara de indignado e disse:
–Está me chamando de fedido?
Ashley riu, colocou as mãos na cintura, tentando fazer uma pose de mandona
–Ah, vamos, tire logo isso aí e coloque lá na maquina com as outras roupas.
Dei de ombros e segui para a lavanderia, onde tirei a blusa e a coloquei dentro da máquina bater com as outras roupas, estava voltando quando pechei com Ashley no corredor, ela caminhava em direção a dispensa, com produtos de limpeza.
–Você ainda está sem camisa — ela falou e depois prendeu a respiração.
–Eu ia para o quarto agora... mudar de roupas e...
–Ah, sim, sim — ela foi para direita para passar e sem querer eu fui para a direita também, impedindo-a, fui para a esquerda, até que ela foi também, fizemos isso uma sequência de vezes, até pararmos.
Nos olhamos por um instante, que para mim pareceu muito longo, ela soltou a respiração lentamente e então eu dei um passo a frente, pude perceber que Ashley recuaria, ela colocou o pé direito para trás, mas decidiu que não, então apenas ficou ali, parada.
–Jackson — ela murmurou, parecia tensa, então moveu os ombros, tentando relaxar.
Me inclinei até ela e segurei firme seu rosto, ela olhou para mim, seus olhos azuis e intensos como o mar estavam confusos. Então eu a beijei, preparando-me para o tapa no rosto, mas ela não me bateu, apenas parou, me olhou por um tempo e pulou em mim. As suas pernas envolviam minha cintura e ela se segurava em meu pescoço, Segurei firme suas pernas e nos beijamos novamente. Fui carregando-a até a porta de meu quarto e a coloquei no chão, contra a porta.
–Eu te amo, Jack — ela disse com a respiração ofegante.
Beijei seu pescoço e com a mão esquerda fui tateando a maçaneta do quarto.
–Eu te amo, Ashley Marshall — murmurei em seu ouvido.
Abri a porta com um "click" e me sentei na cama, Ashley ao meu lado, ela abaixou a cabeça e eu acariciei seu rosto perfeito.
–Eu demorei tanto tempo para perceber que...
–Te amava — Ashley concluiu a fala, e sabia que isso também valia para ela. — Jack, me prometa que você apenas não ama a minha aparência, meu corpo, mas você ama a pessoa que eu sou... por inteira
–Eu amo — confirmei. — Eu amo demais.
Ela se inclinou para mim, colando nossas testas, fechamos os olhos e o que eu podia sentir agora era apenas seus lábios nos meus, o calor de seu corpo encostando em meu peito. Ela hesitou por um tempo e eu acariciei seu rosto novamente, então ela sorriu de leve e voltou a me beijar.
Depois nos abraçamos e ficamos a beira da cama, observando as estrelas que recheavam o céu pela grande janela de vidro de meu quarto, seu corpo era quente e ela apoiava o rosto em meu peito.
–Lindo — ela murmurou observando as estrelas com um sorriso
–Como você — disse e beijei o topo de sua cabeça.
Fale com o autor