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14 Pegamos carona com uma filha de Apolo


Notas iniciais
Estou postando mais seguido os capítulos, e olhe... tenho que avisar que haverá várias surpresas daqui em diante.

Eu acordara antes de todo mundo. Escovei meus cabelos, fiz a higiene matinal e vesti uma calça jeans desbotada e um moletom largo, roupas confortáveis e quentes para a viajem.

Fui para a cozinha, e escorei-me na bancada para preparar biscoitos caseiros, de onde poderia ver Nico dormindo. Ele estava sem camisa e dormia de bruços, os braços esparramados, caindo para fora do colchão. Usava o mesmo jeans escuro da noite passada e tinha os fones no ouvido. Eu ri baixo, Nico suspirou e virou-se.

Coloquei os biscoitos assar e escorei-me novamente na bancada, dessa vez de costas, onde podia ver o forno e da janela da cozinha, uma mulher de mais ou menos cinquenta anos, nossa vizinha de condômino estendia roupas na sua despensa. Ela me viu da sua janela e acenou, eu sorri, cumprimentando-a.

Nico murmurou alguma coisa e eu me virei, mas ele ainda dormia. Suspirei e chequei o relógio, que indicava vinte para as nove da manhã. Claire passaria aqui em torno de uma hora e meia, já era domingo e a maioria dos campistas mais velhos — Inclusive Jackson e Ashley — voltariam para o acampamento, porque quanto maior você fica, mais problemas atrai.

Eu insistira inúmeras vezes ao telefone para Claire ir direto ao acampamento. Ela falara que não, e que iria passar aqui, pois arriscara demais em nos levar até São Francisco aquela vez.

-Mas eu pedi — lembrei-a ao telefone quarta-feira à noite — Eu queria conhecer a cidade.

-É, mas eu não devia ter permitido.

-Claire...

-Está bem querida, domingo as dez e quinze eu passo aí — Claire falou pela última vez e desligou o telefone.

Meu pai acabara concordando dizendo que uma semana a mais — Quando ele poderia nos levar — seria, deuses que nos livrem, tarde demais. Nico simplesmente arqueou as sobrancelhas e falou: "É Mel você não pode..." ele fez uma pausa e passou as mãos nos lábios antes de continuar: "Nós... nós não podemos correr o risco de novo" Fui vencida. Três contra uma. Acabei cedendo com um suspiro.

Chequei o relógio de novo e fui acordar Nico. Caminhei levemente até o seu colchão e passei os dedos pelos seus cabelos, ele se arrepiou com o toque leve mas não acordou

-Nico — chamei cutucando seu ombro — Nico, acorde.

Ele murmurou algo e piscou várias vezes antes de perceber onde estava

-Melanie? — ele reclamou — São só nove horas

-Um pouco antes — eu ri.

-Argh — ele virou-se e eu me levantei, fui até a janela e a escancarei deixando que o sol entrasse e tomasse conta do comodo, tocando todos os móveis da sala e o corpo esparramado de Nico

-Vamos, Nico. Daqui a pouco Claire vai passar.

Sem resposta

-Nico — insisti.

Sem resposta

Fui até ele e ia lhe cutucar, quando ele rapidamente se virou e me olhou

-Levante-se — arquei as sobrancelhas.

Ele segurou meu pulso com força e me puxou para baixo, de forma que eu caísse na sua frente, espatifada, ele se levantou normalmente e riu

-Você sempre cai nessa, como? — ele ria.

-Não caio não

-Ah, você cai sim — Ele pôs a mão na cintura e ficou me observando, depois mordeu os lábios. Seus cabelos pareciam tão mais claros na luz do sol, seu corpo definido ficava com contornos de luz.

Droga, Droga, gritei exasperada em minha mente, Porque tão bonito?

-Vou tomar banho — ele disse dando-me as costas. Só consegui acenar com a cabeça até o nó em minha garganta se desfazer.

Depois me levantei, prendi os cabelos em um coque alto e tirei os biscoitos já prontos do forno. Separei uma fornada dos amanteigados para meu pai, já que eram os preferidos dele. Coloquei esses em um pote laranja que ficava em cima da geladeira. A outra, decorei com cores como rosa, vermelho, verde e azul. Ajeitei-os em uma caixa colorida com um papel colorido. Depois peguei um cartão e escrevi de caneta: "Para Claire"

Observei minha obra de arte de vários ângulos, primeiro abri e fechei a caixinha delicada para o teste. Depois olhei em baixo se a manteiga dos biscoitos não escorrera. — Não, estava ok — Coloquei-a mesma sobre a mesa para não me esquecer, e quando dei a última olhada Nico apareceu atrás de mim, tinha os cabelos molhados e a toalha nos ombros, sem camisa novamente

-Você viu minha camiseta preta

-Serve a que está no sofá?

Ele coçou a cabeça e deu um sorrisinho, do tipo: "A, é" e eu revirei os olhos.

Você está fazendo isso para se exibir, Nico Di Ângelo, pensei comigo mesma observando-o colocar a camisa.

Poucos minutos depois, meu pai apareceu na cozinha, ele me deu um beijo de bom dia e sorriu para Nico, deixando suas rugas nos olhos mais profundas, mas continuava um homem bonito.

Mostrei-lhe os biscoitos que fizera para ele e ele me agradeceu, depois pediu se eu já havia falado com Claire esta manhã, e eu dissera que não, mas que ontem, quando ele estava dando aula em uma casa de um de seus alunos especiais, ela me ligara confirmando novamente o horário.

Ouvimos a campainha tocar e eu corri para porta, era Claire, tinha sua menina, Jane do seu lado, a menina sorriu para mim e eu acariciei suas bochechinhas vermelhas.

-Oi — ela sorriu, eu sorri de volta.

-Prontos? — Claire perguntou.

-Prontos. — Concordei. Me virei para pegar as coisas mas Nico já estava com as nossas coisas na mão, fui para a cozinha e peguei a caixinha de biscoitos, sorri para meu pai e meus olhos se embaçaram. Abracei-o forte por um longo momento — Vou sentir saudades de você — disse, tentando ignorar o nó que se formava em minha garganta.

-Nos vemos no natal não é? — ele pediu pela centésima vez só nessa semana.

-Sem sombra de dúvidas.

Ele pareceu muito aliviado, não sei o que as minhas palavras passaram, mas parecia ter lhe passado certeza absoluta agora, ele colocou as mãos na cintura e relaxou os ombros, depois deu um longo suspiro e eu também, abracei-o mais uma vez e pedi que ele se cuidasse

-Parece que sou eu o adolescente — ele riu e eu também.

-Prometa para mim que vai se cuidar

-Prometo. Você também Mel, se cuide.

Assenti e corri para porta, ainda olhando para trás, ele acenou para nós e ele e Nico se apertaram a mão.

Entreguei a caixinha de biscoito a Claire que recebeu-a com um enorme sorriso

-É simples, mas é de coração — garanti.

-Obrigada, querida. — Ele repetia, depois me abraçou.

~

A viajem fora tranquila, Nico e eu dividimos os fones todo o momento, Claire ficou quieta a maior parte do tempo e Jane adormeceu da metade do caminho a diante. Quando uma música que eu e Nico sabíamos, nos olhávamos no mesmo instante, quase como programados e depois movíamos os lábios sem emitir som, mas cantando a música em uníssono.

Claire teve que acordar Jane quando chegamos, seus olhinhos brilharam quando avistou alguns campistas chegando da janela do carro. Virou-se para mãe e sorriu:

-Mãe, vou sentir saudades.

Nesse momento Claire já estava despejando lágrimas, ela sorria acariciando o cabelo macio de Jane e chorava por ter de se separar da filha.

-Eu também vou sentir sua falta, pequena — Ela disse e seus lábios tremeram.

Jane corou e a mãe lhe deu um beijo na testa e depois um na bochecha.

-Até o natal, minha pequena.

-Até o natal — Jane concordou acenando com a cabeça, depois se abraçaram brevemente e murmuraram um "tchau" no mesmo instante. Eu sorri para Claire e ela desejou a nós três um ótimo período de atividades. Nós agradecemos e adentramos o acampamento juntos, e quando eu coloquei meu pé, senti um arrepio estranho subir por minha barriga, um arrepio, que eu não sei porque indicara que as coisas iriam mudar bruscamente, só não sei se para melhor ou pior.

Olhei para Nico no mesmo instante, e em seu rosto, soube claramente que ele sentira o mesmo, suspirei tensa desejando com todas as forças que aconteça o que acontecer, nada poderia separar de meus amigos, e muito menos de Nico.

Olhei para a saltitante Jane descendo a colina logo a nossa frente e acenando para crianças da sua idade, já conhecidas — Uma do meu chalé, outras três do seu próprio e outra do de Afrodite — meus dedos tremeram no ar e Nico os pegou e deu-lhes um leve apertão.

"Tudo bem" ele queria dizer, era evidente "Vamos esquecer isso"

Relaxei os ombros e decidi eliminar o pensamento — Enquanto fosse possível.

Notas finais
Será mesmo que Melanie e Nico estavam errados sobre a "sensação"? o.o