Online Cinderella
2 Welcome, Puckerman.
Notas iniciais
Katie_xoxo disse: Hey. Não fiquei em casa ontem e não estava com o meu celular. Já chegou ao McKinley?
Demorou alguns minutos de discussão interna sobre se deveria ou não responder a mensagem de Ryder para que, como sempre, ela acabasse respondendo mesmo assim.
Lola estava sentada na sala de espera do diretor Figgins, variando seu olhar do celular para o diretor por uma porta de vidro. Ele estava falando com um dos professores, Will Schuester, que Lola havia sido apresentada brevemente no dia da sua matrícula. Ele era o professor que coordenava também o Glee Club. Ele conhecia Ryder.
Lola fechou os olhos, tentando tirar do pensamento todas as coisas ruins que poderiam acontecer se Ryder descobrisse quem ela é. Seu coração se partia só de pensar em algo do tipo. Logo o Sr. Schuester saiu da sala de Figgins e passou diretamente por Lola, sem a reconhecer. Outra coisa que ela estava acostumada: ser invisível.
A secretária do diretor a chamou e com um sorriso gentil disse que ela poderia entrar na sala do diretor. Ela se levantou e se dirigiu à sala, sentando-se na cadeira em frente ao diretor, que estava distraído com algo em seu celular.
– Você sabe como eu faço para apagar fotos do Instagram? Acidentalmente postei uma foto do meu dedão inflamado que era para ter mandado para o meu médico ao invés de postar online. Não entendo essas tecnologias. – Ele disse, distraído, sem nem ao menos ver quem estava à sua frente.
– Uhm... Não, me desculpe. – Lola disse, envergonhada. Ela até sabia, mas não queria ter a chance de acabar vendo aquela foto e se traumatizar pelo resto da vida.
Figgins suspirou e colocou o celular de lado, cruzou os dedos das mãos e olhou para ela.
– Em que posso ajuda-la? – Ele disse, com o sotaque indiano carregado.
– Ah... Uhm... Eu sou a... Aluna nova. Vim pegar a autorização para entrar nas aulas. – Ela disse, arrumando os óculos enormes que teimavam em deslizar pelo seu nariz.
– Ah sim! A inglesa... Uhm... Deixe-me ver. – Ele abriu uma gaveta e ficou procurando uma pasta em um arquivo cheio delas. – Sabe como é... Não recebemos muitos alunos no meio do semestre.
– Eu entendo... – Lola disse, enquanto olhava ao redor na sala. Era realmente um lugar peculiar.
– Então... O que a trouxe para o McKinley, senhorita...? — Figgins disse, com os olhos no arquivo, procurando a ficha dela.
– Lola... Eu respondo por Lola. – Ela sorriu, mesmo sabendo que ele não veria. – E ah... Eu tenho família na região, minha mãe e eu resolvemos nos mudar para cá. Era só eu e ela em Londres.
– Entendo, entendo. AHA! Aqui está! – Ele pegou uma pasta cheia de papéis e abriu. Observou atentamente algumas cartas de recomendação e arregalou os olhos. Lola tinha várias dessas. Era a primeira aluna de todas as classes da sua antiga escola, aclamada por todos os professores e havia ganhado várias medalhas de eventos acadêmicos.
Os olhos de Figgins brilharam por um instante. Ele sabia que sua escola acabaria recebendo muita atenção se ela ganhasse mais prêmios desse com o nome da escola. Ele finalmente poderia ganhar uma sala maior com um ar condicionado regulável.
Até que ele passou para sua ficha de inscrição, vendo o nome completo de Lola.
– Senhorita Katherine Lorelaine... Pu... Puck... Puckerman? Isso está correto? – Ele franziu a testa por um momento, acenou para sua secretária que veio correndo em sua direção, um pouco desajeitada. – Isso está certo? Um daqueles Puckerman deve ter alterado os arquivos outra vez! Pensei que tinha me livrado de pelo menos um deles por um tempo. Eles não me dão sossego! Quando penso que vou poder relaxar e perder minhas rugas com o tratamento estético que estou fazendo, eles me fazem uma dessas!
– Ahm... Diretor...? – Lola disse confusa.
– Não se preocupe querida, vou arrumar isso imediatamente. Onde é que já se viu?! – Ele disse, se levantando alterado. – Estou farto desses trambiqueiros delinquentes!
– Diretor Figgins... Eu... Esse é... Meu... – Lola tentava falar em meio aos bravejos de Figgins.
– Estou falando sério, da próxima vez que esses Puckerman aprontarem com o meu arquivo, expulso todos eles! Ou o que restou para eu expulsar pelo menos! – Ele gritava em sua sala, a secretária estava assustada. Lola não compreendia.
– Esse é meu nome de verdade! – Ela disse, finalmente conseguindo ser ouvida. Abriu a bolsa e tirou sua identidade, mostrou para o diretor.
Figgins congelou. Ele parecia realmente não acreditar, já que ficou observando a identidade da garota por vários minutos. Lola ficou desconfortável ali sentada, até que o diretor voltou seu olhar para ela.
Lola estava usando um suéter xadrez rosa, azul e cinza, com uma camisa social de gola por baixo que era dobrada por baixo das mangas do suéter. Seu jeans azul claro era padrão, com as barras dobradas para fora. Ela usava um sapato Oxford com estampa de rosas e claro, o grande óculos que tomava conta do seu rosto faziam dela uma típica geek britânica.
Nada como um Puckerman.
O diretor Figgins começou a ter uma crise nervosa de risos. Ele não parava de rir freneticamente, tanto que teve que sentar em sua cadeira para não cair no chão. A secretária estava tentando conter o riso também, acabou dando a autorização para a menina e fazendo um gesto para que saísse da sala. Lola pegou o papel, sem entender e saiu da sala, ainda olhando os dois funcionários da escola rindo dela.
Qual era o problema de ela ser uma Puckerman, afinal?
A notícia se espalhou tão depressa que quando ela saiu da sala todos já olhavam para ela. Ela andou pelos corredores e todas as pessoas, sem exceção, estavam rindo e a olhando de cima a baixo. Envergonhada e constrangida, ela simplesmente não entendia. Ela olhou no papel o número do seu armário e foi até ele, sendo seguida por pessoas da escola que faziam piadas sobre a “Nova versão dos Puckerman”.
Puck havia voltado para Lima naquela semana para visitar o seu irmão e sua mãe, o que, claro, fazia parte do azar que Lola tinha tendência a ter. Quando eles chegaram ao corredor em que ela estava, já sabiam o que estava acontecendo.
– É ela? – Jake disse, olhando de longe para Lola que estava de costas.
– HEY, PUCKERMAN! – Puck gritou, todos pararam de rir.
Lola fechou o armário e olhou para os dois. Seu coração parou por um segundo. Ela já tinha visto Jake e Noah por fotos do facebook, mas não tinha coragem de adicioná-los. Obviamente eles não tinham a mínima ideia de quem ela era... Ou que ela existia.
Lola andou até eles e se manteve a certa distância.
– Hey... Uhm... Jake e Puck, certo? Eu sabia que iria encontrar o Jake aqui... Mas pensei que estivesse na faculd... – Lola disse. Até ser interrompida por Puck, que estremeceu ao ouvir seu sotaque britânico.
– Isso não está acontecendo, não está acontecendo. – Puck disse, rindo da cara de Lola e colocando as mãos na cabeça. – Minha herança nessa escola não vai ser destruída por alguém que obviamente assiste muito Doctor Who.
– Puck... Relaxa. – Jake disse um pouco confuso também. Ele olhou Lola por um momento, as diferenças eram muito evidentes. Ambos Puck e Jake eram morenos de olhos castanhos, enquanto Lola era loira de olhos azuis. – Você tem certeza de que é relacionada com a gente? Várias pessoas tem o mesmo nome e não são familiares...
– Uhm... Sim... Quero dizer, eu tenho uma foto do meu pai com a minha mãe. – Ela abriu a bolsa, pegou a carteira e tirou a foto. Ao entregar a Jake, depois que ele virou e viu a data da foto, seu rosto imediatamente se congelou.
– Isso não quer dizer nada. – Ele disse, devolvendo a foto. – Somos estranhos. A gente não fazia a menor ideia de que você se quer existia. Então apesar de provavelmente partilharmos do mesmo sangue. Não devemos nada a você.
Ele estava realmente irritado, mas Lola não entendia. Achava que ele iria ficar feliz de saber que tinha uma irmã. A reação de Puck não foi muito diferente.
– Olha, você pode estudar aqui, pode morar aqui. Mas nunca... NUNCA... Será uma Puckerman. Então sugiro que comece a usar o sobrenome da sua mãe ou alguma coisa. – Puck disse indiferente e cruel. Ele pegou Jake pelo ombro e saiu com ele pelo corredor.
O coração de Lola estava em pedaços. A família que ela tanto queria... Não a queria de volta.
Lola observou com os olhos seus irmãos partirem. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Tanto que demorou para ela perceber a quantidade de pessoas à sua volta que segurava um copo de slushie. Ela franziu a testa e tentou sair pelo outro lado, mas também estava interditado por várias pessoas com aquele copo.
Por mais que não soubesse da tradição da escola, ela sabia que aquilo não daria em algo bom.
Confirmando suas expectativas, segundos depois todo o conteúdo daqueles copos foram atirados nela. Não havia um pedaço de seu corpo que não estava molhado pelos gélidos e cruéis slushies.
Lola ficou ali, paralisada. Tanto pelo efeito congelante da raspadinha quanto pelo fato de não acreditar no que estava acontecendo.
Ela, então, correu para o banheiro. As lágrimas se misturavam com o slushie, que ela mal sabia como limpar. Ela havia imaginado como seria o momento que conheceria seus irmãos. Não era nada parecido com isso.
O que ela havia feito de errado, afinal?
Ao sair do banheiro, depois de tentar inutilmente tirar todo o slushie do seu cabelo e roupas, Lola deu de cara com duas pessoas que ela realmente não queria ver naquele momento.
A primeira era seu meio-irmão Jake, que acabara de ter humilhado ela publicamente. Ele a olhou, por um momento ela achou que ele estava arrependido do que tinha feito pelo estado sujo da garota, mas depois reconheceu a raiva nos seus olhos.
A segunda... Era Ryder.
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