Ryder_Lynn disse: Acabei de chegar. Está uma confusão nos corredores. Parece que o Jake tem uma irmã, dá pra acreditar? Outro Puckerman!

Quando Lola o viu pela primeira vez, Ryder estava com os olhos no celular. A poucos metros de distância, dava para perceber que ele estava respondendo a mensagem de Katie_xoxo. Lola agradeceu ao próprio cérebro por ter colocado o celular no vibratório, pois daquela distância e com o toque de mensagem nada discreto que ela tinha, Ryder com certeza ouviria.

Mas ela ficou ali, paralisada. Não mais por causa dos slushies.

Era a primeira vez que ela o via pessoalmente. O mundo parou. Ela só percebeu que o mundo tinha voltado a girar quando os batimentos do seu coração estavam tão acelerados que ela poderia ouvi-los.

Ele era tão lindo... Não havia foto no mundo que pudesse fazer justiça a ele.

E Lola odiava isso. Odiava ele ser tão irresistível e odiava a reação que seu corpo tinha só de vê-lo. Ou só de pensar nele. Ou só de esperar sua resposta no chat.

Para Lola, aqueles segundos que ela o viu demoraram uma eternidade, mas não passaram de alguns segundos. Após olhar para o celular, Ryder levantou o olhar e seus lindos olhos castanhos e encontrou os de Lola, mas não havia nada lá. Não havia faíscas, não havia aquele arrepio que ela sentia quando falava com ele.

Ela estava certa. Ele nunca gostaria de uma garota como ela. Ele queria alguém como a Marissa.

Aquilo definitivamente não melhorou o seu dia.

Ironicamente, o fato de que os dois estavam no mesmo ano e tinham praticamente o mesmo horário de aulas, também não ajudava. Por mais apaixonada que estivesse por Ryder, Lola não gostava de ter que ver ele toda hora, tanto pelo fato de que ele pudesse perceber alguma coisa, quanto por que simplesmente doía ter que ver algo que você sabe que não pode ter.

Lola sentou na penúltima carteira da fileira do meio, o que era inusitado para alguém tão inteligente, mas por algum motivo ela gostava desse efeito de surpresa que causava nas pessoas.

Ela estava perdida nos seus pensamentos, olhando através da janela quando o professor de Inglês chamou sua atenção na aula.

– Talvez a nossa aluna nova possa responder a essa pergunta... – Ele disse, e todos obviamente olharam para Lola. Ela desviou sua atenção para o professor. – Senhorita Katheri...
– Lola... Pode me chamar de Lola. – Ela disse, imediatamente, com medo de que Ryder associasse seu primeiro nome – Katherine – com o username – Katie – que ela usava no chat.

– E então... O que me diz? – Ele disse, um pouco contrariado com o tom em que ela falou há pouco.

– Pode repetir a pergunta, por favor? – Lola disse, sendo seguido por risadinhas.

– Estávamos discutindo as razões por trás da motivação de George Orwell para escrever um dos seus mais famosos livros, além de 1984, o “A Revolução dos Bichos”. – O professor disse, com certo ar de satisfação, como quem sabia que ela não saberia responder só pelo simples fato de ser uma Puckerman.

Lola se sentiu contrariada com a atitude do professor e estava prestes a responder quando sentiu o olhar de Ryder em seu rosto. Ela olhou de volta, ele não desviou o olhar.

Aquilo só a motivou a continuar.

– Obviamente a motivação predominante do livro é relatar a forma bizarra, quase animalesca, de que Stalin governou durante a Revolução Russa e a Segunda Guerra Mundial. O livro é uma sátira, já que naquela época qualquer tipo de crítica era considerado como motivo suficiente para lançamento de bombas nucleares, mesmo vindo de um mero escritor, o que George era naquela época que precede o livro 1984... – Ela disse, confiante e satisfeita de ver o rosto do professor se transformar de satisfação para completo choque. – Mas claro, não vou dizer que ele estava simplesmente condenando o socialismo da época, pois há relatos de que o mesmo era socialista... Apenas criticava o método de Stalin.

Todos na sala ficaram quietos. O professor abriu a boca para falar algo, mas o sinal de mudança de aulas tocou. Lola sorriu brevemente para o professor e pegou sua bolsa, saindo da sala o mais rápido que podia. Ela não gostava do que vinha depois do choque.

Ao chegar antes de todo mundo na sala de aula de matemática, Lola aproveitou para tirar o celular da bolsa e responder Ryder. Porém ela tinha um plano.

Digitou a mensagem e, escondendo o celular dentro da bolsa que estava no seu colo, apenas mandou quando viu que Ryder estava entrando na sala de aula. Afinal, ela tinha que tirar algum proveito do fato de ter que ver ele o dia inteiro.

Assim que ele entrou, Lola mandou a mensagem e poucos segundos depois pode ver o celular de Ryder apitar. O rosto dele saiu de puro tédio para um sorriso esperançoso, ainda de pé, virado para o fundo da sala, de uma forma que Lola podia ver claramente sua expressão, ele leu a mensagem de Katie_xoxo:

Katie_xoxo disse: Uau! Acho que já deve ter Puckermans suficientes no mundo, não acha? Como Jake está lidando com isso? Aliás... Ando sentindo sua falta. Mais do que eu gostaria.

A expressão no rosto de Ryder era algo que fez Lola querer levantar da cadeira, ir até ele e confessar tudo. Ele estava tão apaixonado que cada centímetro do rosto dele dizia isso. Seus olhos estavam com faíscas. As faíscas que ele não teve quando a viu.

Como isso era possível? Você está apaixonado por uma pessoa que você nunca viu, mas quando a vê pessoalmente, esse sentimento simplesmente vai embora?

Ou talvez ele não esteja tendo faíscas com mais ninguém. Seria meio óbvio não ter com Lola também, não é?

Ryder ria sozinho enquanto respondia a mensagem. Lola não conseguia tirar os olhos dele.

Infelizmente, alguém não conseguia tirar os olhos dela: Kitty. Isso realmente não era algo nada bom.

Kitty havia passado os últimos dias pensando em Ryder como algo mais, algo que ela pudesse ter que fosse só dela e por mais que Lola não aparentasse nenhum tipo de ameaça para ela, ela não deixaria que nada nem ninguém ao menos tentasse ficar no seu caminho.

Já bastasse aquela Katie_xoxo.

O dia correu normalmente, para os padrões desastrados de Lola, é claro. Até que na última aula, o professor de história começou a sortear parceiros de pesquisa para alguns trabalhos que ele estava planejando dar para a sala fazer, como pontuação bônus para as provas finais.

Lola estava tão concentrada no seu celular, lendo a resposta de Ryder, pensando no que responder que nem percebeu que ele era o próximo para sortear um nome.

Ryder_Lynn disse: Por mais suficiente que seja, eu ainda acredito que tenha pelo menos mais meia dúzia por aí. Jake está irritado, ele não diz por quê. Marley vai conversar com ele, vou ver se consigo tirar algo também.

Ryder_Lynn disse: E sente a minha falta... é? Pensei que não quisesse mais nada comigo. Se sente a minha falta, por que insiste em fugir de mim?

– Pode dizer o nome de quem você sorteou em voz alta, Ryder? – o professor pediu.

Ryder abriu o papel dobrado e logo leu:

– Lola. – Ele disse, levantando o olhar e olhando em volta.

Lola congelou. Seus olhos se levantaram para encontrar os de Ryder no mesmo momento que ele achou os seus. Ele deu um sorriso cordial e acenou com a cabeça. Ele parecia constrangido e ao mesmo tempo satisfeito. Lola não conseguia decifrar o olhar dele.

Lola então se levantou, foi até Ryder e sentou ao seu lado. Olhou em seus olhos e sorriu. Ele retribuiu o sorriso de uma forma mais aberta dessa vez. Ela estendeu a mão para se apresentar e...

– Lola... – O professor chamou. Ela saiu da própria imaginação e pegou o papel que descrevia a pesquisa. Ryder já tinha tirado o olhar do dela e estava lendo o papel também. Ele tinha franzido a testa. Lola sorriu, aquele era um assunto tranquilo para ela: Abraham Lincoln.

Lola se pegou pensando em como seria passar à tarde com Ryder fazendo um trabalho, sozinhos, pessoalmente, pela primeira vez.

Mas então se lembrou que Ryder era melhor amigo de Jake.

Então ela decidiu que seu momento perfeito com Ryder teria que esperar um pouco. Ela não queria irritar ainda mais seu meio-irmão. Quando o sinal do fim das aulas tocou, Lola guardou seu material e saiu da sala antes que Ryder. Ele percebeu e arrumou suas coisas mais rápido, correndo atrás dela.

– LOLA! – Ele gritou, logo chegando ao seu encontro. Lola fechou os olhos e respirou fundo. Você consegue, pensou.

Ela se virou para olhar Ryder. Droga! Por que você tem que ser tão atraente? E o que são esses braços? Armas de destruição em massa? Deus!

– Sim? – Ela disse, sorrindo de leve.

– Não combinamos como vamos fazer o trabalho... – Ele disse, um pouco confuso. Deu uma risada leve, um pouco envergonhada.

– Ah... Eu só pensei que você não iria querer fazer o trabalho comigo. Sei que é amigo do Jake, sei que ele não iria gostar disso. Não queria te colocar em problemas com ele... Ou me colocar em mais problemas ainda. Ele não é meu maior fã, pelo jeito... – Havia uma tristeza na voz de Lola que era visível quando ela falava sobre Jake.

Ryder sabia que Lola estava certa, parte dele sabia que não podia nem considerar fazer o trabalho com ela, pelo menos não por enquanto, mas não achou justo toda a agressão que a garota estava recebendo.

– Vamos fazer o seguinte... ok? Jake não precisa saber. – Ryder disse, pegando uma caneta na bolsa e pegando na mão de Lola, que simplesmente foi consumida por faíscas. – Esse é o meu endereço... – Ele disse, enquanto escrevia com a caneta na mão de Lola. – Se puder, pode vir na minha casa por volta das oito horas? Acho que a gente consegue fazer pelo menos alguma coisa hoje. Eu realmente preciso de uma boa nota nessa matéria e você parece, bem... Inteligente.

– Ahm... Obrigada? – Lola disse, rindo um pouco. Não sabia se aquilo estava sendo dito como um elogio ou simplesmente por educação.

– Não vou contar ao Jake, você também não precisa. A gente faz o trabalho, entrega, e ninguém sai ferido disso. Ok? – Ele a olhou nos olhos quando terminou de escrever, esperando sua resposta.

Lola ajeitou os óculos, perdida no castanho dos dele. Logo se lembrou que deveria responder, se não iria parecer meio retardada.

– Ok! Eu... Ahm... Acho que posso fazer isso. – Ela sorriu.

– Ótimo. – Ele olhou em volta e depois voltou a olhar ela. – Eu te vejo mais tarde então, ok? – Ele olhou no relógio e então pareceu ansioso. – Eu tenho que ir agora, tenho um encontro. Até mais Lola.

Lola se irritaria se não soubesse que eles tinham marcado de se encontrar no chat todos os dias às 16h. Lola olhou no relógio da escola e percebeu que ainda tinha meia hora para chegar ao seu computador.

No caminho, ela se pegou pensando em como seria se ele simplesmente soubesse que ela e Katie eram a mesma pessoa. Como seria finalmente poder olhar nos olhos dele e ter de volta as faíscas que eram dela. Poder ter o toque de suas mãos não só por alguns segundos, mas por horas. Simplesmente poder dizer o quanto estava apaixonado por ele.

E então ela se olhou no reflexo do vidro do ônibus e percebeu que aquela garota com cabelo de slushie, óculos enormes e o pior senso de moda do mundo, não era exatamente a garota dos sonhos de Ryder.

Mas ele era, sim, o garoto dos seus sonhos.

Quero dizer... Os braços. Sério? O que são aqueles braços?

Junte tudo isso com a personalidade mais doce que um garoto pode ter e voilá. Ryder Lynn.

Lola estava ansiosa para esta noite. Até perceber que realmente teria um tempo a sós com Ryder. Um tempo a sós que ele poderia mandar uma mensagem para Katie e o seu celular vibrar. Oh... Seria uma noite e tanto.

Assim que chegou em sua casa alugada, mal mobiliada e cheia de caixas por todo o lugar, Lola foi correndo para o quarto para ligar seu computador, olhando no relógio e percebendo que era 16h07.

Assim que entrou no chat, uma mensagem instantânea apareceu na sua tela.

Ryder_Lynn disse: Você está atrasada.

Lola sorriu.

Notas finais
Me digam o que estão achando para que eu possa melhorar ainda mais a fanfic, ok?
Espero que estejam se divertindo!