Online Cinderella
6 Sing a song.
Notas iniciais
Só lendo para saber ;D
- Lola... Lola você vai se atrasar para a escola. – A enfermeira do hospital disse.
Lola acordou atordoada. Nem se lembrava de ter cochilado na poltrona desconfortável do quarto da mãe. Ainda estava com a mesma roupa e tinha os cadernos da escola no colo. Ela olhou em volta, encontrando a mãe que ainda descansava.
- Aconteceu alguma coisa? – Ela disse, preocupada.
- Não, querida... – A enfermeira sorriu. – Eu só preciso que você assine alguns papéis antes que vá para a escola e achei que você iria querer tomar um banho antes de ir.
- Sim... Sim... Ahm... Obrigada Claire. – Lola disse, esfregando os olhos debaixo dos óculos tortos. Ela se levantou da poltrona e guardou o material. Depois de dar um beijo na testa da mãe, saiu junto com a enfermeira, indo até a recepção do hospital com ela. – O que eu tenho que assinar?
A enfermeira pegou uma pasta com o nome da mãe de Lola e tirou alguns formulários de lá.
- Apenas sobre os procedimentos que conversamos com vocês ontem à noite. – Ela explicou. Lola logo se lembrou dos tratamentos alternativos que eles queriam tentar com a sua mãe, já que ela estava tendo uma boa resposta aos atuais tratamentos e pacientes que tinham esse desempenho geralmente se davam ainda melhor com alguns tratamentos alternativos.
Lola pegou uma caneta para assinar os papéis de autorização, já que ela era acompanhante recorrente, mesmo não sendo maior de idade, era responsável pela mãe. Ela estava prestes a assinar quando viu uma pequena cláusula de que o tratamento não era coberto pelo convênio de saúde de sua mãe, já que era considerado alternativo.
- Uhm... Claire? – Lola perguntou. – Esses tratamentos não são pagos pelo convênio?
- Não querida... Infelizmente eles não cobram esse tipo de tratamento. – Ela disse, com pesar.
- Então além dela ter que gastar todas as economias com o convênio, ainda vai ter que pagar... – Lola procurou na página o preço. – 9.500 dólares?
- Ela está indo bem como está Lola, se não conseguir pagar, não quer dizer que ela não vai conseguir sobreviver com o tratamen... – Claire tentou explicar.
- Não. – Lola assinou os papéis e entregou para a enfermeira. – Eu vou dar um jeito, ok? Pode começar os tratamentos. Eu não vou desistir da minha mãe só por que uma empresa não poderia se importar menos com seus clientes.
Claire sorriu com tristeza para Lola, mas Lola não se deixou abalar.
Sua mãe havia criado ela sozinha por 16 anos, era hora de ela retribuir o favor.
Lola foi diretamente para a casa alugada delas e tomou um banho demorado já que havia sido acordada pela enfermeira muito mais cedo do que precisava, pois Lola tinha o primeiro período livre.
Ela usaria o tempo que ainda tinha antes de ter que ir para a escola para ligar para o convênio médico da sua mãe e exigir explicações. Quando estava prestes a ligar, viu que havia seis mensagens de Ryder.
Dessa vez, ver uma mensagem dele ali colocou um sorriso no seu rosto.
Ryder_Lynn disse: Vai me ignorar mais uma vez?
Ryder_Lynn disse: Você fica alimentando os meus sentimentos para depois simplesmente me deixar de lado!
Ryder_Lynn disse: Ok, babe, eu não ligo, ok? Eu só quero que você responda. Eu preciso falar com você.
Ryder_Lynn disse: Não entendo como você pode me deixar tão desesperado por você.
Ryder_Lynn disse: Eu conversei com o Jake, ele voltou a falar comigo. Isso é bom. Comi batatas fritas pensando em você. Você tem razão, não tem nada melhor do que elas.
Ryder_Lynn disse: Talvez só você.
Lola acabou rindo de todas as mensagens que Ryder mandou. Ver que ele se importava mesmo quando ela ficava horas sem responder a fazia perceber que ele não estava ali só como um passatempo. O sentimento dele era tão real quanto o dela.
Ela digitou uma mensagem rápida, pois não queria perder tempo em relação a resolver o problema da sua mãe.
Katie_xoxo disse: Sonhei com você na noite passada. Eu estava assistindo sua apresentação das Regionals. Você estava tão gato naquelas roupas de performance... Deus!
Lola, então, passou a hora seguinte tentando falar com alguém que lhe desse respostas menos vagas do que “É um tratamento fora do padrão” ou “Muito caro para o convênio”.
Porcaria!
Lola foi para a escola tentando não ficar no pior dos humores possíveis e outra mensagem de Ryder ajudou. Ele sempre sabia o que dizer para fazê-la sorrir.
Ryder_Lynn disse: Engraçado. Você me acordou com a sua mensagem num meio de um sonho que eu estava tendo com você. Nós estávamos no baile de formatura dos membros do Glee.
Ryder_Lynn disse: Você realmente fica linda com um vestido vermelho.
Lola estava rindo da primeira mensagem, mas logo congelou quando viu a segunda. Ele tinha mesmo que sonhar que ela estava num vestido vermelho, quando ela havia escolhido um vestido vermelho que tinha ganhado da sua mãe no seu aniversário para ir a escola?
Sério, Deus? Chega de joguinhos!
Ela havia colocado um cinto fino com um laço que determinava a cintura do vestido de manga curta, mais colado em cima e solto em baixo, na parte da saia. Era um pouco rodado e ela sempre se sentia bonita quando o usava. Ela combinou com sapatilhas pretas e com os grandes óculos.
Deixou o cabelo solto novamente por que se lembrou de um momento que teve com Ryder antes da briga que tiveram com Jake no dia anterior.
FLASHBACK:
Lola estava explicando alguns exercícios de matemática que Ryder não conseguia entender de jeito nenhum. Ela variava o olhar dos olhos dele para o caderno que ele usava para essa matéria, mas não pode deixar de notar como ele não estava olhando para o caderno.
Ryder observava o jeito de Lola ao explicar a matéria e mal prestava atenção realmente.
O único momento que ele desviou a atenção do rosto dela era quando ele pegou um dos cachos do cabelo loiro dela e enrolou no dedo indicador.
Ela levantou o olhar para o dele e...
Jake entrou na sala.
Lola admitia para si mesma que Ryder a fazia querer se vestir como uma garota. Usar roupas bonitas e maquiagem, mas esse segundo ela era muito desastrada para aprender a fazer sozinha.
Ela estava sorrindo enquanto digitava a resposta para Ryder, entrando na escola, quando bateu de frente com o Sr. Schuester.
- Ai... Meu... Deus! – Ela disse, colocando uma das mãos na boca logo em seguida. Ele havia derramado café por toda a camisa. – Eu sinto muito, Sr. Schuester!
Ele tinha todo o direito do mundo para ficar extremamente irritado com ela... Mas aí ele começou a rir.
- Está tudo bem... Lola, não é? Irmã do Jake. – Ele disse, olhando ela e sorrindo.
Prêmio de pessoa mais legal do universo para ele. Definitivamente.
- Ahm... Sim... É... Sou sim. – Ela disse, gaguejando um pouco.
Ele sorriu do jeito constrangedor que ela tinha e então parou para pensar um pouco.
- Lola... Eu tenho um bom histórico de saber como os Puckerman são talentosos... Por que não vem fazer uma audição para o Glee? Estamos precisando muito de novas vozes! – Ele disse, gentilmente.
E ela queria, queria muito.
Mas não podia.
- E arriscar ser odiada ainda mais pelo meu irmão? Uhm... Eu vou ter que passar. – Ela disse, com evidente chateação. Sr. Schuester percebeu isso.
- Se quiser eu posso falar com o Jake e...
- Eu agradeço, de verdade. Mas não acho que faria muita diferença eu estar ou não no Glee Club se ele não suporta nem ver a minha cara. – Ela disse, dando de ombros.
- Eu quis dizer em relação a tudo o que vocês estão passando... Eu consegui entrar na cabeça dele no começo do ano e entender essa atitude agressiva. Posso fazer isso de novo. – Ele disse triste por ver como a situação afetava Lola.
- Não tenho nada a perder, não é? – Ela sorriu gentilmente.
E então o sinal tocou.
- Preciso ir Sr. Schue. – Ela disse, sorrindo para ele, e logo se dirigiu para a aula de física avançada, uma das únicas aulas que não tinha com Ryder.
Estava correndo pelo corredor quando viu Ryder atravessando na sua frente, olhando para o celular e sorrindo.
Uma ponta de esperança atingiu Lola.
- Ryder! – Ela disse, sorrindo.
Ele levantou o olhar e o sorriso se desfez. Tomou conta dele uma feição de tristeza. Ele então olhou para trás e viu Jake se aproximando e pegando nele pelo ombro. Jake olhou para Lola e seguiu o caminho dele com Ryder.
Ryder nem se quer falou com ela.
Por quê? Por que isso estava acontecendo? Será que Jake falou para Ryder ficar longe de Lola?
Ele seria tão cruel assim?
A única coisa que deixava seu dia melhor tinha sido tirada dela. Ou pelo menos parcialmente.
Lola começou a se senti sufocada, não conseguiria assistir a aula. Então ela correu para algum lugar que ninguém pudesse acha-la por um tempo. Acabou entrando no vestiário das meninas, que ficava deserto naquele horário e se sentou em um dos bancos ali e não conseguiu conter as lágrimas.
Depois de um tempo, Lola mal percebeu que havia alguém que notou sua presença ali. A treinadora Beiste entrou no vestiário e acabou achando Lola antes que ela pudesse dizer alguma coisa.
- Precisa ter uma boa desculpa para estar matando aula, senhorita. – Ela disse se aproximando de Lola e ficando na frente dela.
Ah, ótimo. Ela nunca tinha ficado de detenção antes. Perfeito para seu histórico escolar.
- Minha mãe tem câncer e não posso pagar o tratamento. O garoto dos meus sonhos está me evitando por causa do meu meio-irmão que me odeia. Eu não tenho amigos. Tenho que trazer duas trocas de roupa para a escola por que recebo slushies pelo menos duas vezes por dia. – Lola disse.
A treinadora Beiste se sentou do lado dela, suspirando.
- Ok... Essa é uma boa desculpa. – Ela disse, olhando ela com pesar. – Eu sinto muito pela sua mãe Lola.
Lola assentiu com a cabeça.
- Obrigada... – Ela tentou sorrir, mas era extremamente difícil. Lola limpou o rosto e ficou olhando para as mãos.
- Está falando do Ryder? Em relação ao garoto... – Ela perguntou. Lola confirmou com a cabeça. – Ele é realmente um garoto bonito, você não deveria desistir. Muito menos desistir do seu irmão. A gente não desiste da família, mesmo quando ela desiste da gente.
- Mas deveria ser tão difícil? Quero dizer... Por que tudo tem que dar errado de uma vez só? – Lola perguntou.
- Essa é a pergunta mais comum da humanidade, querida. – Ela sorriu. – Não quer dizer que você deva simplesmente ceder à pressão. E em relação a sua mãe... Eu acho que posso ajudar. A escola oferece alguns trabalhos de meio período para alunos, sabe? Você é uma garota inteligente, pode dar aulas aos sábados. Pode também me ajudar com os treinos, eu sei que eles pagam bem para isso... Não é nada demais, só encher garrafas de tônicos e colocar as toalhas dos meninos para lavar. – Lola fez uma careta. – É, eu sei querida... Mas você pode conseguir um bom dinheiro com esses trabalhos.
Lola olhou para a treinadora e sorriu, logo deu um abraço forte nela.
- Obrigada... Obrigada... Obrigada. – Lola disse, sorrindo. Beiste achou estranho por um momento, mas depois sorriu, vendo que Lola era só uma garota doce tendo muitos problemas.
Lola foi até o escritório do diretor Figgins para preencher os formulários e enquanto estava sentada na sala dele fazendo isso – acabando por preencher ainda mais um trabalho: limpeza do teatro e de salas no período noturno – percebeu que acabaria realmente conseguindo um bom dinheiro com esse trabalho e poderia pagar o tratamento da sua mãe, pelo menos em parcelas.
- Esses adolescentes são muito maus na internet. Como podem dizer que a minha sobrancelha está cada vez mais parecendo o lobo Jacob de Twilight? – Ele disse, olhando no celular.
- Pronto! Obrigada pela oportunidade diretor Figgins. Quando eu posso começar? – Lola disse, sorrindo.
- Hoje mesmo, é claro! A treinadora Beiste tem treino de basquete e logo depois você pode dar um jeito naquele teatro cheio de cabelo de pessoas do Glee Club. – Ele disse, olhando os formulários preenchidos por Lola enquanto ela fazia uma careta sobre o excesso de informação que ele sempre lhe dava.
Depois de passar o almoço mais uma vez sozinha, olhando a mesa do Glee Club e vendo todos rirem e se divertirem, com eventuais olhadas de Ryder para ela com um sorriso de quem sente muito, Lola foi então para a sala de Beiste pegar as várias garrafas e enchê-las antes que os jogadores de basquete chegassem. A treinadora avisou Lola que Jake e Ryder faziam parte do time e estariam no treino, mas Lola não se importou. Estava começando a ficar mais resistente às implicâncias de Jake.
Estava sentada na arquibancada da quadra de basquete, olhando o jogo e acompanhando Ryder com os olhos, quando percebeu alguém sentando do seu lado.
- Hey... – Era Marley, namorada de Jake.
- Sabe que esse lugar está amaldiçoado, não sabe? – Lola disse, se referindo ao lugar ao lado dela.
- Está tudo bem... Ele nem vai perceber. – Marley disse, voltando seu olhar para o Jake focado e agressivo do jogo que sequer ousava olhar na direção onde Lola estava. – Como você está Lola? Sei que nunca nos falamos antes, muito por causa do Jake, mas eu realmente sinto muito. De alguma forma isso trouxe o pior dele...
- Eu entendo Marley... – Lola disse, dando de ombros. – Eu lembro quando eu era menor ter encontrado uma foto do Jake e perguntar para a minha mãe quem era ele... Era confuso para eu saber que eu tinha um irmão da mesma idade do que eu. Demorei a entender o significado disso e aceitar que meu pai não era o melhor cidadão dos Estados Unidos. Acho que depois eu me contentei com o fato de que eu sempre quis ter um irmão... E eu via minhas amigas com irmãos de idades próximas em Londres e todas elas eram muito próximas a eles...
- Então você pensou que isso aconteceria... – Marley continuou.
Lola sorriu e abaixou o olhar.
- Eu tento falar com ele... – Marley disse. – Mas é um assunto tão sensível, sabe?
Lola assentiu com a cabeça.
- Eu só queria que ele não arrastasse o Ryder junto com ele... – Lola disse logo se odiando por ter dito isso para uma garota que convivia tanto com Jake quanto com Ryder.
- Você gosta dele? – Ela disse, com um sorriso enorme no rosto.
- Ah... – Lola estava prestes a falar quando...
- LOLA! TOALHAS! AGORA! – Beiste disse, berrando e apitando na quadra. Lola levou um susto e saiu correndo, depois olhou para trás e fez uma cara para Marley de quem sente muito.
Depois do término do treino, Lola nem viu quando Jake e Ryder foram embora. Estava exausta e destruída, mas ainda tinha que limpar o teatro. Foi até o zelador e pegou o material que precisava – Esfregão e produtos de limpeza – e começou a limpar o palco.
Estar sozinha ali no teatro da McKinley High fez com que Lola se sentisse livre.
Ela não percebeu quando Blaine estava entrando pela porta dos fundos do teatro, em busca do celular que havia esquecido ali mais cedo, quando começou a cantar Heart Attack da Demi Lovato.
- Never put my love out on the line, never said yes to the right guy… — Ela cantava enquanto limpava o palco. Sua voz começou doce e melodiosa, mas logo, com o ritmo da música, sua voz ia crescendo e aumentando as notas sem desafinar. — Never had trouble getting what I want, but when it comes to you, I'm never good enough...
Incrível como essa música se encaixa perfeitamente sobre como eu me sinto em relação ao Ryder, Lola pensou. E ainda assim não ouviu os passos se aproximando.
- When I don’t care I can play them like a Ken doll... Won’t wash my hair then make them bounce like a basketball… — Lola cantava, livremente agora, já que achava que não tinha ninguém no teatro. Seus quadris acompanhavam o ritmo da música e sua voz preenchia o teatro inteiro facilmente, fazendo justiça à voz de Demi Lovato nessa música.
Blaine ouviu aquela voz e imediatamente se lembrou do Sr. Schue falando sobre a competição nas Regionals e como eles precisavam desesperadamente de uma voz que preencheria uma arena. Blaine nunca tinha ouvido aquela voz antes, ele tinha certeza disso. Quando chegou aos bastidores do teatro, ele não acreditou no que via.
- Santo DNA Puckerman. – Ele disse, boquiaberto.
- But you make me wanna act like a girl... Paint my nails and wear high heels, yes you! Makes me so nervous that I just can’t hold your hand! – Lola se quer precisava de fôlego para alcançar as notas mais altas da música. Blaine estava completamente hipnotizado com o que estava vendo. Não resistiu para pegar o celular e gravar o que estava ouvindo. – You make me glow but I cover up, won’t let it show... So I’m putting my defences up ‘cause I don’t wanna fall in love… If I ever did that I think I’d have a heart attack!
Blaine guardou o celular depois de gravar um pouco da voz de Lola, felizmente, alguns segundos antes de ela se virar e ver ele ali.
- Blaine! – Ela disse assustada. – O que está fazendo aqui?
Notas finais
Reviews me deixam feliz, gente.
Obrigada por lerem ;)
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