Lola estava sozinha em sua casa quando ouviu a campainha tocar. Seu coração bateu mais rápido. Ela se olhou no espelho uma última vez, ajeitou o penteado e endireitou o longo vestido vermelho que estava usando. Ela se sentia linda, pela primeira vez.


Quando ela abriu a porta, viu Ryder. Ele estava usando um lindo conjunto de terno preto com uma gravata da mesma cor, segurando na mão uma caixinha com um lindo buquê de pulso, típico de um baile de formatura.

Não era a formatura deles, mas eles foram mesmo assim, já que seria a última vez que eles estariam com alguns membros do Glee como estudantes da mesma escola.

Ryder estava olhando o buquê com a testa franzida, questionando-se se deveria ter pegado outra cor e não o branco e vermelho.

Mas então ele levantou os olhos e a viu. Nunca tinha visto alguém tão bonito assim na sua vida.

– Você está... – Ele ficou sem palavras.

– Você também. – Ela disse, sorrindo.

Ele estendeu o braço e ela entrelaçou com o seu.

No momento seguinte, estavam entrando na quadra da William McKinley e todos os olhares pararam nos dois.

– Nós vamos... Definitivamente... Ganhar Rei e Rainha do baile. – Ele disse, sussurrando no ouvido dela e rindo.

– Você acha mesmo? – Ela disse, olhando nos olhos dele.

– Já se olhou hoje? Eu tenho certeza. – Ele sorriu e pegou no rosto dela, trazendo-a mais perto para um beijo breve.

E então Lola caiu do sofá da sala..

– Aaah cara! – Ela disse, com a cara enterrada no tapete felpudo. – Por que essas coisas aconteceeeem?

Então a campainha tocou.

Lola levantou a cabeça imediatamente. Ok, isso foi estranho, ela pensou.

Levantou-se correndo e passou pelo espelho, vendo o cabelo desarrumado e o pijama de moranguinhos que ela estava usando.

– Igualzinho ao sonho... – Ela disse, revirando os olhos para seu reflexo. Mesmo assim, ela foi até a porta. Por favor, que seja o Ryder, por favor, que seja o Ryder. E abriu a porta. – Ryd... Blaine?

– Bom dia! – Ele disse muito mais animado do que é normalmente. E acredite isso é muito. – Ah... Eu te acordei? Eu pensei em trazer uns copos de café e uns donuts e tentar te convencer mais uma vez para entrar ao Glee Club.

– Seria muito rude eu bater a porta na sua cara? – Ela disse.

– Sim, um pouco. – Ele respondeu, rindo.

– Então entre... – Ela disse, por um lado agradecendo por Ryder não ter que ver aquele “Eu” de cara amassada dela. Ela saiu do caminho e Blaine entrou na sua casa, levando um susto com o tanto de caixas por todo lugar. – Eu sei... Está lindo não é? Eu mesma decorei!

Lola trancou a porta e Blaine riu, balançando a cabeça.

– Em qual dessas caixas é a cozinha? – Ele implicou. Lola revirou os olhos e indicou o caminho com a cabeça, indo na frente dele até a cozinha. Puxou uma cadeira e se sentou, dobrando os braços na mesa e deitando a cabeça ali.

– O que você quer a essa hora da manhã, Anderson? – Ela disse, com a voz um pouco abafada.

– Você é nossa arma secreta, Lola! – Ele disse, se sentando de frente para ela, abrindo a caixa de donuts e depois entregando um copo de café para ela. – Sua voz... Eu nunca ouvi algo tão fora desse mundo! Você é extremamente talentosa... Não pode simplesmente jogar isso fora.

Lola levantou a cabeça, ajeitou os óculos e sorriu para ele.

– Não vai rolar. – Ela pegou um donut e mordeu.

– Mas Lola... – Ele disse, tentando argumentar outra vez.

– Você já me disse tudo isso ontem à noite, Blaine! E, aliás, o fato de você ter me acompanhado até em casa, o que eu agradeço de verdade, não te dá um ticket contínuo para aparecer às seis horas da manhã aqui... – Lola disse, tomando um gole do café.

– Ok... Eu passei da linha, eu sei disso. Mas eu mal consegui dormir! – Ele disse, sorrindo. – Você é exatamente o que a gente precisa agora! As regionals estão chegando e sinceramente eu não sei do que vai ser do New Directions. O Sr. Schue disse que nossos concorrentes têm uma cantora com uma voz incrível... E você tem isso!

– Mas o Jake... – Lola começou a falar.

– Que se dane o Jake! – Ele disse, logo rindo junto com Lola. – Eu falo sério... Ok, eu sei que você não quer piorar as coisas com ele, mas... Nada vai melhorar se você não forçar um pouco a barra Lô!

Lola gostou do apelido.

– Eu não sei... – Ela disse, olhando para o copo de café.

– E se... Eu acabei de ter uma ótima ideia! – Blaine disse, empolgado. – E se eu te ensinasse, em paralelo, a música e a coreografia que a gente vai usar nas Regionals e até lá você se entende com o seu irmão.

Lola parou para pensar por um momento. Talvez não seja a pior ideia.

– Ok... – Ela disse hesitante.

– SÉRIO? – Blaine disse se levantando da cadeira, estava sorrindo abertamente, sem acreditar. – Você não vai se arrepender, eu te prometo isso!

– Melhor que não... – Ela disse, sorrindo e balançando a cabeça. – Blaine... Eu posso te perguntar uma coisa?

– Claro Lô... O que foi? – Ele se sentou de novo e começou a comer um donut.

– É sobre o Ryder... – Ela disse, ainda sem olhar para ele. Blaine estava sorrindo e olhando para ela, ela podia sentir. Ela estava prestes a continuar a falar quando seu celular tocou. Era um numero que ela não conhecia. Não pode ser o Ryder, não é? Se for, eu não posso atender. Ele reconheceria meu sotaque em um piscar de olhos. Ela atendeu mesmo assim. – A-alô?

– Aqui é da Gerência do Breadsticks. Por favor, gostaria de falar com Lola Puckerman. – Uma mulher disse no outro lado da linha.

– Ah! Sim... É ela. – Lola respondeu.

– Nós recebemos sua aplicação para o trabalho e a aprovamos. Gostaríamos de saber se você pode começar seu turno hoje, às 18h. – A mulher disse, com uma voz entediante.

– Ah! Obrigada! Sim, eu posso sim! – Lola respondeu, sem acreditar. Havia se inscrito para o trabalho de garçonete no Breadsticks, mas não achava que conseguiria o emprego.

– Então, chegue aqui meia hora antes para um treino básico e para pegar o uniforme. – A mulher disse, ainda com o mesmo tom de voz.

– Ok... Até mais tarde! – Lola disse, animada. – Você está olhando para a nova garçonete do Breadsticks.

Blaine fez uma careta.

– Suicídio social. – Ele disse, balançando a cabeça, negativamente. – Se eu fosse você, não faria isso, Lô...

– Que vida social? – Ela disse, rindo e se levantando para pegar alguns guardanapos no armário. – E ainda... Eu realmente preciso do dinheiro.

– Ninguém precisa tanto assim... E eu pensei que você estava trabalhando na escola. – Blaine disse confuso.

– Eu realmente preciso, sim... E estou. – Lola disse, voltando para a mesa. – Eu vou dar aulas nos sábados de manhã e duas vezes por semana ajudo a treinadora Beiste com as toalhas dos jogos e... – Blaine fez uma careta. – É eu sei. Horrível. Mas como eu disse, realmente preciso.

– Espera... – Ele disse ainda mais confuso. – Eu pensei que só estava ajudando o zelador.

– Ah... Tem isso também, mas é uma vez por semana. – Ela disse, dando de ombros.

– Então você simplesmente vai suportar quatro trabalhos? – Blaine disse, franzindo a testa. – E quanto sua vida escolar? Até você precisa estudar Lola.

– Eu consigo ok? – Ela disse, logo mudando de assunto. – E você é um doce por trazer isso tudo pra mim, mesmo eu sendo o seu suicídio social, mas eu tenho que me trocar para a escola.

– Ok... – Ele disse, suspirando. Logo voltou a sorrir e abraçou Lola. – Mas você não é meu suicídio social. Eu te vejo na escola?

Lola foi com ele até a porta.

– Do tipo... Ver pelo corredor e acenar com a cabeça? Sim, eu acho. – Ela disse, rindo.

– Eu sou seu amigo, Lola. – Ele disse, olhando ela nos olhos e percebendo a surpresa que aquela frase havia causado nela. – Não me importo de ser ignorado pelo seu irmão. Ninguém merece o que você está passando naquela escola.

– Ahm... Obrigada Blaine. – Lola realmente não esperava isso, muito menos de alguém que convivia com seu irmão.

– Eu te vejo na escola, então? – Ele repetiu, rindo. Lola assentiu com a cabeça, rindo também.

Lola foi para escola com um coque desarrumado, um lenço rosa de dois tons no pescoço, um cardigã aberto cinza e a sempre confiável camiseta e skinny jeans. Estava vendo se havia mensagens do Ryder no celular e achou estranho quando não viu nenhuma. Resolveu que iria mandar uma para ele quando entrou no corredor da McKinley e o viu.

Mas ele não estava sozinho.

Além de Jake e Marley, Kitty também estava lá. Mas ela estava encostada nos armários e Ryder estava na frente dela, um pouco inclinado, apoiando o braço nos mesmos armários. Lola parou e ficou paralisada ali por alguns segundos, sendo obviamente trombada por algumas pessoas que passavam na outra direção.

Que grande idiota.

E agora ela falava tanto por Lola quanto por Katie_xoxo.

E então ela começou a digitar uma mensagem.

Katie_xoxo disse: Você sabia que líderes de torcida tem o maior índice de herpes dos Estados Unidos? Eu vou deixar você refletir sobre isso.

Ela estava prestes a mandar quando Blaine correu na sua direção.

– Lola! – Ele gritou, no meio do caminho. A atenção de Ryder e Jake, junto com Marley e Kitty foi direcionada para onde Blaine estava correndo. – Oh, garota, por que prendeu o cabelo?

Lola acabou rindo e guardou o celular. Era melhor não mandar mesmo... Aquilo era muito... Puckerman dela.

Ela nem ao menos percebeu quando Blaine acabou soltando seu cabelo, que por estar em um coque antes, acabou ficando ondulado.

– Uau. Você deveria vir com coques mais vezes para a escola. – Ele brincou, pegou o braço dela e entrelaçou com o seu. Lola não estava acostumada a ter tanta atenção de alguém assim na escola, mas logo gostou da ideia. Pelo menos alguém levaria slushies junto com ela. – E agora nós vamos passar pelo quarteto fantástico do terror... Respire.

Lola respirou e quando passou por eles, não pode deixar de notar os olhares distintos de cada um.

Jake estava irritado, obviamente, mas não exatamente com ela: seu olhar focava Blaine, mas isso era algo esperado. Marley olhava para Lola com um sorriso gentil e então ela deu de ombros, tentando dizer que estava tentando ajudar. Kitty tinha um olhar feroz e parecia querer pular no pescoço de Lola a qualquer momento.

E então ela olhou para Ryder.

Pela primeira vez ela conseguiu decifrar o que os lindos olhos castanhos dele estavam dizendo. Era como se ela pudesse o ouvir falar “Eu sinto muito por tudo isso, Lola. Não queria que isso estivesse acontecendo. Espero que possa me perdoar algum dia”. E só por causa daquele olhar, ela o perdoou.

Depois que eles passaram pelos quatro, Blaine começou a rir.

– Você está tão caidinha por ele. – Blaine disse. Lola o olhou e gaguejou, tentando revidar a resposta. – Nem tente! Está estampado na sua cara!

– Tanto assim? – Ela disse, finalmente cedendo.

O dia passou mais rápido por Lola ter Blaine para conversar. Depois de um tempo, Tina acabou se juntando aos dois como se nada antes tivesse acontecido. Lola estava tendo novamente aquela ponta de esperança.

No fim da noite, ela foi para o seu novo trabalho no restaurante Breadsticks. Prendeu o cabelo em um alto rabo de cavalo e colocou o uniforme. Assim que entrou na área dela, se odiou por não ter escutado Blaine e recusado o trabalho: Todos os membros do Glee Club estavam ali para jantar. Tipo, todos eles. Menos Blaine. Claro que ele não está aqui, eu ainda não atingi minha cota mensal de azar! Lola pensou.

Lola foi até a mesa em que eles estavam rindo e então disse:

– O que vocês vão querer pedir?

Todos os olhares se voltaram para ela e a maioria das pessoas ali começou a rir.

– Você deve estar de brincadeira comigo. Por que não dá um tempo e some da minha vista pelo menos por algumas horas? – Jake disse, sendo seguido por ainda mais risadas de todos. Ryder balançou a cabeça negativamente e Kitty aparentemente ficou irritada por isso.

– O que vocês vão querer? – Lola repetiu. – Eu posso recomendar o especial de macarrão da noite.

– O que a gente vai querer? Que você suma, por exemplo, tem isso no cardápio? – Kitty disse, outra vez.

Lola fechou os olhos e respirou fundo. Olhou de novo para Ryder, mas ele não retribuía o olhar. Grande homem você, Ryder. Ela pensou. Eu retiro o que pensei antes, não perdoo você por ser um idiota.

– Ok... Vamos pedir rápido, assim ela não precisa voltar aqui. – Jake disse, olhando o cardápio.

– Sabe... Quando eu soube que tinha dois irmãos em Lima, eu fiquei extremamente animada com isso. Lógico que depois de saber da reputação do Puck, eu pensei que ele iria me ignorar completamente, por que bem... Ele é o Puck. – Lola disse, todos ficaram quietos para ouvir. – Mas então eu percebi que eu ainda tinha outro irmão e que ele era bem melhor e bem mais compreensivo do que o Puck e que, definitivamente, não tinha a menor chance de ele fazer a mesma coisa.

– Lola... – Marley disse, com um tom triste.

– Mas eu acho que eu estava errada. Você não é o garoto inteligente e talentoso de que eu ouvi falar. Não é o irmão que eu sempre quis ter. – Lola disse, olhando diretamente para Jake, que antes olhava para o cardápio, mas agora olhou para Lola. – E quer saber? Eu tenho orgulho de ser quem eu sou, por que se eu estivesse no seu lugar, Jake, eu nunca, NUNCA, faria isso com você.

Todos a olhavam, quietos. Lola se afastou da mesa e foi se direcionando para o fundo do restaurante.

Jake não sentia mais fome. Algo nas palavras de Lola pegou fundo dentro dele e por um momento ele não mais se reconhecia. Ele se levantou e saiu do restaurante, deixando todos para trás.

Andando de volta para casa, ele se lembrou de que realmente Puck não havia aceitado muito bem sua existência de início e que aquilo foi uma das piores coisas que já haviam acontecido com ele. Como ele poderia fazer algo assim com sua meia-irmã?

Ele tinha uma irmã.

Pela primeira vez ele reconheceu isso e enquanto entrava na própria casa, se direcionando para a sala onde sua mãe estava assistindo televisão, ele perguntou com lágrimas nos olhos:

– Por que nunca me disse que eu tenho uma meia-irmã? – Havia raiva e tristeza nos seus olhos e no seu tom de voz.

Tanisha voltou seu olhar para Jake e parecia confusa. Jake se aproximou e se sentou na poltrona ao lado do sofá.

– É... Eu tenho uma meia-irmã e ela está estudando na minha escola e tem a minha idade. – Jake disse, sem olhar mais para a mãe.

– Ora, Jacob... Você sempre soube que tinha uma irmã. – Tanisha disse, com um tom de voz gentil. – Você a conheceu antes mesmo de conhecer Noah.

A mãe de Jake se levantou e pegou uma caixa média da estante, havia algumas fotos misturadas naquela caixa. Ela começou a procurar por algumas e, quando achou, começou a entregar para Jake.

– Esses são vocês dois no parque quando você tinha cinco anos... – Tanisha disse, mostrando a foto. Era uma foto dos dois parados, em cima de bicicletas e com capacetes na cabeça. Os dois sorriam e pareciam que estavam se divertindo por um dia inteiro. Tanisha mostrou outra foto para Jake, onde uma loirinha, Lola, estava abraçada com um moreninho, Jake, como melhores amigos.

– Eu... Não me lembrava. – Ao ver as fotos, Jake começou a se lembrar desses momentos.

– Lauren, a mãe de Lola, me encontrou alguns anos depois quando voltou para os Estados Unidos. Estava procurando por seu pai e acabamos trocando histórias. Ele havia nos enganado. Eu não fazia a menor ideia da existência dela e nem ela da minha. – Tanisha explicou. – Lauren foi gentil, trouxe Lola para conhecer você e vocês se deram bem instantaneamente. Ela me ajudou a entender o que havia acontecido comigo e com o seu pai e me ajudou a superar tudo. Infelizmente elas tiveram que voltar para a Inglaterra.

Jake começou a sorrir, ficava olhando para aquelas fotos e se lembrou do dia que Lola teve que ir embora, o quanto chorou e ficou irritado com aquilo.

– Então quer dizer que elas voltaram? Lola está aqui? – Tanisha perguntou.

Jake então percebeu o quanto estava sendo um idiota por estar ignorando a irmã que nunca renegou ele.

– Sim... Ahm... Mãe eu tenho que ir. Preciso encontrar Lola. – Jake disse, se levantando rapidamente, guardando as fotos na jaqueta e saindo correndo de casa.

Jake correu de volta para o Breadsticks, pedindo para que Lola ainda estivesse ali e esperando que não seja tarde demais para ela o perdoar.

Notas finais
Corre, Jake!
Estão gostando até agora? Tem algo faltando na fic?
Sou aberta a sugestões :D