Notas iniciais
Bem intenso, cheio de drama e faíscas. Espero que gostem!

Ryder_Lynn disse: Se não quer me mostrar como você é... Pode pelo menos descrever?


Era quinta-feira à tarde e Lola estava sentada na biblioteca fazendo seu dever de casa, olhando para o relógio de cinco em cinco minutos, esperando o ensaio do Glee Club terminar.

Ela havia combinado com Ryder no dia anterior de terminar o trabalho de história ali mesmo, na biblioteca. Apesar de que uma parte dela queria voltar à casa dele, Lola achava que era melhor que estivessem em um lugar mais neutro, onde ela não estivesse tentada a dizer quem ela realmente era.

Ela tinha passado a noite pensando nos prós e contras de dizer para Ryder quem ela era.

Prós:

1.Eles finalmente poderiam ficar juntos

2.Ela se aproximaria de Jake

3.Poderia entrar no Glee Club

4.Os slushies diminuiriam (pelo menos um pouco)

Contras:

1.Havia uma grande possibilidade de rejeição

2.Jake ficaria ainda mais irritado com ela por ter mentido para o melhor amigo dele

3.Todos do Glee Club acabariam odiando ela

4.Os slushies aumentariam (e muito)

Ela não queria arriscar até ter certeza de que nenhum desses contras aconteceria. Precisava ter certeza de que Ryder tinha sentimentos por ela e que ele gostava dela por quem ela é.

E por isso... Nada de Katie.

Lola percebeu que estava próximo das 17hrs que é quando o ensaio terminaria. Ela pegou um espelho da bolsa e checou sua aparência. Por mais que sabia que não se parecia nada como essas garotas americanas em estilo, havia algumas coisas que ela gostava em si mesma.

Ela ajeitou os grandes e redondos óculos e ajustou a tiara vermelha que usava no cabelo loiro solto, com cachinhos nas pontas. Ajeitou a blusa floral rosa um pouco solta e deu uma olhada no skinny jeans preto e no all star vermelho que usava, questionando se deveria ter usado outra coisa.

Ela suspirou e guardou o espelhinho. É tarde demais agora, de qualquer forma, ela pensou.

Ficava olhando para a porta da biblioteca, inquieta em sua cadeira. Olhou em volta e não viu ninguém ali além da bibliotecária, o que era perfeito, já que Jake ainda não sabia que Ryder falava com Lola.

Lola havia feito algumas tentativas de se aproximar de Jake, nenhuma muito eficiente...

FLASHBACK:

Lola estava na fila do almoço, segurando sua bandeja e olhando para os pratos que estavam sendo servidos, nada que ela estivesse muito acostumada a comer, mas pegou algumas coisas mesmo assim.

Quando percebeu, Jake estava atrás dela na fila. Ela olhou para ele e sorriu. Ele virou o olhar e continuou pegando sua comida.

– Esse macarrão parece bom... – Ela disse, indicando o macarrão que ele havia pegado para comer. – Eu já li que jogadores de futebol precisam de bastante carboidrato para trein...

– Eu não jogo futebol. – Ele disse e saiu da fila.


Lola enrolou um cacho no dedo indicador e suspirou. Precisava haver alguma maneira de que ela pudesse se aproximar dele, já que Puck estava na faculdade e era mais intocável ainda.


E então o celular de Lola vibrou.

Ela percebeu que tinha esquecido o celular na mesa e quando levantou o olhar, viu Ryder se aproximando. Ele olhou para o celular de Lola e depois para o seu. Quando fez menção de falar algo, Lola se levantou rapidamente, pegou o celular e colocou no ouvido.

– Hey... Sim mãe, eu estou na biblioteca. Eu avisei que ficaria mais tarde fazendo trabalho. – Lola disse se afastando da mesa e apontando o dedo indicador para Ryder, para que ele esperasse só um minuto. – Não, estou com um amigo do Jake. Não, Jake não está aqui. Sim, não demoro pra ir para casa. Também te amo. Tchau!

Lola sorriu e se aproximou de volta de Ryder, que a observava com cautela. Lola ajeitou os óculos e se sentou na cadeira ao lado dele.

– Podemos começar? – Ela disse, abrindo no computador o arquivo do trabalho dos dois.

– Sua mãe não sabe que o Jake não fala com você? – Ryder disse, com a expressão mais tranquila agora.

– Uhm... Não. – Lola não olhou para ele. Aquilo era verdade, Lola havia mentido para a mãe ao falar que Jake e ela eram bons amigos e estavam se dando muito bem.

– Por que não diz a verdade? – Havia certa ironia no tom de voz de Ryder. Ou pelo menos Lola pensou que havia. Ela não tinha certeza.

Só havia um jeito de saber: olhar para ele.

Ela olhou e ele estava tranquilo, olhando na tela o que ela havia escrito até agora.

– Ah... Eu... Eu não sei, na verdade. Quando ela mencionou Jake, no primeiro dia de aula, eu simplesmente não tive coragem de dizer o que tinha acontecido. Minha mãe tem pavio curto, sabe? Ela provavelmente viria até a escola só pra falar com ele. – Lola suspirou. – Ela já tem bastante com o que se preocupar.

Ryder tirou os olhos do computador e olhou para Lola. Ele estava perto, mais uma vez.

– Ele vai melhorar... – Ele disse, com uma voz reconfortante. – Ele só precisa digerir isso.

Lola assentiu com a cabeça.

– Eu sei... – Ela disse, retribuindo o olhar dele.

– Isso é muito bom... – Ryder disse. Lola se perdeu nas suas palavras.

– Uhm... O que... O que é... Muito bom? – Ela disse, desajeitada.

– O que você escreveu até agora... – Ele sorriu e voltou a olhar para o texto. – Mas eu acho que a gente poderia falar mais sobre como ele foi assassinado, sabe? É algo interessante.

– Uhm... Mais interessante do que o trabalho da vida dele? – Lola disse, rindo.

– Ok... Não é mais interessante do que isso. – Ele estava rindo outra vez. Lola adorava quando ele ria. Eles não tinham um tempo sozinhos desde o dia que ela foi a casa dele. – Mas você tem que admitir que seja bem interessante.

– Ok... Eu admito. – Ela disse, sorrindo. – Eu aceito. Vamos colocar mais sobre isso...

Lola começou a digitar enquanto Ryder perguntava algumas coisas sobre outras aulas que ambos faziam juntos e que ele não havia entendido. Lola explicava calmamente para ele, enquanto digitava o trabalho.

– Lola... Você é a minha salvação. – Ele disse, sorrindo. E então deu um beijo no rosto dela.

Lola congelou.

Kitty, que observava pela parede de vidro, também.

No dia seguinte, na aula de história, eles entregaram o trabalho e o professor olhou por cima dos óculos para os dois.

– Sabe que pode me dizer se fez tudo sozinha, não sabe? – Ele disse, olhando para Lola.

Ryder franziu a testa.

– Por que eu faria sozinha se eu tenho um gênio como parceiro? Não pode julgar as pessoas por algo que não é culpa delas, como dislexia. Por Deus, você é um professor. – Lola disse, se virando irritada. Ryder a olhou com um sorriso satisfeito e conteve o riso do professor, logo seguindo e sentando na carteira.

Lola não estava mais sentada na penúltima carteira da fileira do meio. Estava sentada ao lado de Ryder, assim como em todas as outras aulas que eles faziam juntos. Ryder gostava, pois sempre que não entendia alguma coisa que o professor falava ou não conseguia ler o que estava na lousa, ele perguntava para Lola, que nunca julgava ele por simplesmente perguntar.

E claro... Lola tinha a oportunidade de ficar perto dele.

Mas Kitty estava passando pela sala de história quando viu mais uma vez Ryder com Lola, rindo de alguma coisa que tinha acontecido. Ryder nunca ria desse jeito com ninguém. Ela começou a ficar extremamente irritada. Se ele ia trocar aquela Katie por alguém, teria que ser ela e não a loser Puckerman.

Foi então que ela começou a andar as pressas pelo corredor, logo avistando Marley e Jake. Assim que chegou perto deles, Kitty colocou seu plano em prática.

– Jake! – Ela chegou perto e o abraçou, sorrindo. – Eu estou tão feliz por você!

Marley e Jake se entreolharam.

– Por que está feliz por mim? – Ele respondeu confuso.

– Como assim, bobo? – Ela disse, rindo. – Estou feliz porque você finalmente está falando com a sua irmã! Isso é ótimo, sabe? Se eu tivesse uma irmã eu passaria todo o tempo com ela também! Então acho que tudo bem eu começar a conversar com ela, não é? Já que seus amigos estão conversando e...

– O que? Como assim, Kitty? Quem está falando com ela? – Os olhos de Jake brilhavam de raiva.

– Eu pensei que soubesse... Conclui que não falariam com ela se você não estivesse falando com ela... Seria uma traição horrível. – Ela disse, na defensiva, mas com um tom de ironia.

– Quem está falando com ela? – Jake olhou em volta e depois voltou a olhar Kitty.

– Por que não olha por si mesmo? – Kitty sorriu.

No momento seguinte eles estavam na porta da sala de história e Jake, Marley e Kitty observavam como Ryder estava rindo com Lola e como ela estava inclinada explicando alguma coisa para ele.

Jake fechou o punho e socou a porta da sala.

– Qual é o seu problema, cara? – Jake entrou na sala, jogou a mochila no chão e avançou para Ryder. – Depois de tudo o que eu tive passar com a Marley por sua causa, você não se cansou de me trair? Você tinha que ficar falando com ela? Pelas minhas costas?

Ryder se levantou rapidamente, Lola também.

– Cara, me escuta. Não é tão mal assim. Eu não quis trair você, mas você acha que é justo o que você está fazendo com ela? Ela não tem culpa do seu pai ter engravidado a mãe dela... – Ryder disse, defendendo Lola. – Você deveria entender!

– Eu não deveria entender merda nenhuma! – Ele disse se aproximando de Ryder, a uma distância perigosa. – Eu não deveria entender que a piranha da mãe dela deu em cima do meu pai quando ele estava já iludindo a minha mãe. Não percebeu que nós dois nascemos no mesmo ano? A foto que ela me mostrou? É! Mesmo mês que a minha mãe estava se relacionando com o meu pai. Ele a traiu também. Acha que é bom saber disso? E ter que olhar para ISSO todos os dias? Ter que lembrar como minha mãe ficou miserável por todos esses anos?

Lola ouviu aquilo e, com lágrimas nos olhos, empurrou Jake.

– Você... – Empurrou de novo. – Realmente acha... – Empurrou de novo. – Que eu GOSTO disso? Que eu gosto de não ter um pai? Que eu gosto da ideia de ter um meio irmão da minha idade? Acha que eu não pensei isso? Você é um grande idiota, sabia Jacob? Um GRANDE IDIOTA! Minha mãe não sabia que o NOSSO pai era um canalha tanto quanto a sua. E não ouse falar mal da minha mãe na minha frente, você nem a conhece.

Por um momento, todos viram o lado Puckerman de Lola.

O professor pegou os três e jogou para fora da sala de aula, fazendo com que eles resolvam seus problemas na frente de todos os outros alunos. Lola ficou evidentemente intimidada, já que havia sido humilhada o suficiente naqueles corredores.

– Eu não quero você nessa escola. Não quero você na minha vida. – Ele disse, com nojo na voz.

– Jake... Não... – Marley disse, segurando ele.

– Você está exagerando, cara... Você nem a conhece direito. – Ryder disse, ficando na frente de Lola, pois a feição de Jake estava extremamente agressiva.

– E você pelo jeito conhece muito bem, não é? Não precisa nem olhar mais na minha cara também, Ryder. Estou farto de ter que ser traído por alguém que eu achava que era meu amigo. – Jake se soltou brutamente de Marley e saiu pelo corredor.

– Jake... Jake volta aqui! – Ryder foi atrás de Jake, junto com Marley.

– Parabéns, meus parabéns, Lola. – Kitty disse, ironicamente. – Você realmente veio aqui para melhorar tudo, não é? Destruindo uma amizade épica... Causando brigas no meio do corredor. Quem é você? Você não é ninguém. Ninguém quer você nessa escola. Por que você simplesmente não volta pra Hogwarts? Volte com a sua mãe oferecida e não apareça mais nessa escola!

Lola olhou em volta e viu todos olhando para ela e rindo. Ela não aguentava mais aquilo. Jake conseguia machucar ela de forma que ela nunca achou que seria machucada. Ela se aproximou do próprio armário para pegar seus livros e ir embora, mas quando abriu o armário, um monte de slushie caiu no chão.

Haviam enchido o armário dela daquilo, molhando livros, todo o material dela e tudo o que ela tinha guardado ali.

Não havia uma pessoa no corredor que não estivesse rindo dela, uns até filmavam.

Lola saiu correndo da escola, foi andando para casa, mas quando viu, estava na frente do Hospital Municipal de Lima. Ela limpou as lágrimas do rosto e colocou um sorriso nele, apresentou seu crachá de acompanhante recorrente e subiu pelas escadas até o andar dos quartos individuais e olhou em um vidro para ver se seu rosto não estava parecendo muito inchado por causa do choro. Ela aumentou o sorriso falso e entrou no quarto 47.

– Hey mãe... – Ela disse, sorrindo. – Fui liberada mais cedo hoje, o professor não pode vir. Como está se sentindo hoje?

Ela se inclinou para dar um beijo na testa da mãe, que sorria fraca.

– Estou me sentindo melhor. A enfermeira disse que os tratamentos estão dando resultados. – Ela disse um pouco roca. – Gostou do meu pano de hoje, Katie? – Ela tocou a cabeça careca, coberta por um pano de estampa indiana.

– O pano da vovó! – Lola sorriu, ajeitando para a mãe. – Você está maravilhosa. Cuidado para que esses enfermeiros não deem em cima de você! E quantas vezes tenho que dizer para não me chamar de Katie? – Lola riu.

Lauren Robinson era mãe de Lola e havia criado ela sozinha todos esses anos. Ela estava fazendo um tratamento contra o câncer de mama de estágio avançado em Ohio, já que em Londres os métodos mais agressivos não eram permitidos.

– Eu sei, eu sei... Mas Katherine é o nome que o seu pai escolheu e eu gosto. – Ela disse, tossindo um pouco depois. – E quanto o Jake? Quando ele vem me visitar? Tem que me adiantar, quero estar bonita para conhecer seu meio-irmão...

– Ah... Ele tinha um trabalho para fazer hoje, pediu desculpas outra vez... Mas ele disse que está louco pra te conhecer! – Lola disse, rindo.

Lola ficou olhando para a mãe até sentir o seu celular vibrar no bolso de traz da calça.

Ela viu uma mensagem do Ryder.

Ryder_Lynn disse: O dia está uma droga. Eu queria poder ouvir a sua voz. Eu preciso de você.

Agora não, Ryder.

Notas finais
Eu sei, eu sei... Como assim, autora?!?!
Mais sobre isso no próximo capítulo!