Notas iniciais
A todo vapor, uhu! Boa leitura!

— Ei, está tudo bem? — Aria perguntou preocupada.

— Aham. — sorriu falsamente — Eu estou bem.

— Então... Essa Spencer... — pausou — O que será que ela tem na cabeça pra deixar um gato desse solto assim?

— Bem, eu... Eu também não sei. — ficava cada vez mais difícil para Emily aceitar que ela havia acabado de conhecer o namorado da garota pela qual estava apaixonada. De fato, tudo o que vinha à sua cabeça era que ele era alto, loiro, olhos azuis, bonito, forte, másculo, aparentemente inteligente... Um milhão de qualidades nas quais Emily achava que não poderia ir contra.

— E então, Em. — Aria iniciou enquanto escrevia algo em sua planilha de horários. — Eu já me sinto muito mais íntima de você. — Riram.

— Claro que já, você é abusada. — Riram mais.

— Enfim! — A morena menor largou a caneta em cima da mesa e levantou as duas mão como se dissesse “chega” para os planejamentos. — Eu te dei um monólogo da minha vida e a única coisa que eu sei sobre você, praticamente, é que você é do Texas. — pôs as mãos embaixo do queixo, apoiando os cotovelos em cima do balcão do Zimmel's. — E isso nem foi uma informação vinda de você.

— Nah, minha vida não tem nada de mais. Eu sou apenas uma garota normal, com pais normais, uma faculdade normal... Não, pera. — Elas riram.

— Ah, qual é, Em. Me fale de seus relacionamentos. — Aria serrou o olhar — Conte-me suas aventuras amorosas. Diga-me se você pulou na frente de um ônibus só para que pudesse falar com uma pessoa. Admita que você já correu 2 Km para alcançar o carro de alguém.

— Bem, eu... Isso parece o tipo de coisa que você faria. — Riu.

— C-claro que não.

— Ah, eu acho que sim. — riu mais — E aposto que você fez. — Emily ria tanto da cara de sua amiga que quase lagrimava. Ela estava totalmente ruborizada. Era interessante o fato de Aria conseguir fazê-la esquecer de seus incômodos em tão pouco tempo. Elas tinham acabado de se conhecer, mas parecia que eram amigas há séculos. Não, não era nada mais que uma grande amizade. Ela sabia muito bem disso.

— De qualquer forma, isso não vem ao caso. — ajeitou-se no banco, que parecia alto demais para ela — Você ainda não me falou nada.

— Tá. Minha vida amorosa foi, é e sempre vai ser muito complicada.

— Ah, por quê? Você é tão bonita. Não deve ser difícil arrumar um cara legal.

— Eu sou gay.

— Hum, isso explica muita coisa. — Aria não estava chocada, mas, sim, meio... deslumbrada.

— Ai, Aria. Você é, definitivamente, a menina mais esquisita que eu já conheci. — Disse enquanto ria.

— Você que é gay e eu que sou esquisita? — riram mais. Apesar de ter parecido meio rude, Emily sabia que era apenas uma brincadeira. — Eu devo me preocupar? — Perguntou séria.

— Imagina. Acho que namorar com duendes seria considerado Duendofilia.

— Ha, ha, ha. — riu sarcástica — Duendofilia, por acaso, seria minha mão na tua cara? — Indagou irritada.

— Se você alcançasse, talvez fosse. — Riu mais ainda.

— Eu só não te bato porque eu sou muito educada. E, além do mais, seria um desperdício de unhas tão benfeitas. — Gabou-se, olhando para as mesmas e se achando mais do que o possível.

— Mas é muito patricinha uma menina dessa.

— Já chega, né?

— Ai, ai. Tá bom, parei.

— Bem, Em. Eu tenho que ir agora. — Disse após ver uma mensagem de sua mãe em seu celular.

— Tudo bem. Você vai como?

— Eu vou de ônibus. — revirou os olhos — Carro quebrado mais táxi caro é igual a Aria infeliz. — Riram.

— Certo. — Emily pegou suas coisas e levantou — Então eu te acompanho até a parada.

— Ok. Vamos?

— Claro.

As duas meninas foram até a parada mais próxima. Após alguns poucos minutos de espera, Aria avistou o veículo que tomaria. Despediu-se de Emily já marcando para se encontrarem no dia seguinte e no próximo. Dali em diante seria impossível separá-las.

Após ver Aria indo embora, Emily resolveu fazer o mesmo. Ela andava desacompanhada pelas ruas iluminadas e movimentadas de Nova Iorque, olhando para seus pés, chutando pedrinhas e pensando nos acontecimentos de mais cedo. Então, sentiu, mais uma vez, seu celular vibrar. Pegou-o em suas mãos e viu que a insistência era muita. Já eram mais de dez ligações perdidas e umas cinco ou seis mensagens de Spencer. A que acabava de chegar dizia: “Em, o que aconteceu??? Precisamos conversar.”

Ela não queria ter que encarar os olhos da futura advogada naquele momento e por um bom tempo. Tudo bem que a menina nunca lhe deu impressões erradas, verdes ou a tivesse iludido para que ela estivesse magoada daquela forma. E não era raiva, nem nada do tipo que ela tinha pela Hastings. Mas, sim, vergonha.

Tudo parecia estranho naquele exato momento. Ela estava tão concentrada em seus pensamentos, que, quando largou-os por um segundo, percebeu que já se encontrava na Times Square, sozinha. Obviamente que ela não estava sozinhano sentido da palavra, mas, ela nunca se havia se sentido tão só num momento como aquele. Ela esperava que daquela vez pudesse dar certo. Meio que sem saber o que fazer, Emily queria estar em qualquer lugar, menos em seu ovo. Digo, apartamento. Então, resolveu entrar em um bar avulso que havia por ali.

Adentrou o local meio incerta da segurança de lá. Parecia tão... imundo. Mas, bem, ela não tinha muito dinheiro em mãos e notou que estava faminta. Sentou-se em frente ao balcão e esperou que fosse atendida.

— Vai querer o quê? — disse uma voz feminina, meio rouca e bem atraente, por sinal. Soava grave e ao mesmo tempo suave e fina. Bem elegante, aparentava.

Emily levantou as vistas e viu que a menina era ruiva e tinha a pele bem branca. Seu batom vermelho contrastava em sua cor e atingia uma combinação com seu cabelo, que estava preso em um coque desajeitado, que a deixava bem sexy. Ela era, realmente, muito sexy, aliás. Vestia uma regata preta meio desbotada bem justa a seu corpo e uma calça jeans escura da mesma forma. Passou algum tempo e Emily nem tinha notado que ficara reparando em cada milímetro da menina.

— E aí? Vai pedir ou não? — Emily pode sentir seu hálito de chiclete de banana.

— O-o que vocês têm pra beber? — Ela estava... insegura? Não, espera.

— Cerveja.

— Tem água?

— Cara, eu não acho que alguém vem pra um bar de quinta só pra beber água. — Impôs, depositando os cotovelos sobre o balcão.

Emily estava cansada de pensar em Spencer. Ela queria esquecê-la. Pelo menos por aquele momento. Então, decidiu que, exatamente naquele momento, ela voltaria a ser a Emily texana.

— E quem disse que eu vim aqui só pra beber água? — A ex-nadadora fez o mesmo, levantando do banco e ficando a alguns centímetros do rosto da ruiva. Aquele ato deixou a menina meio assustada, mas ela não se afastou.

— Bem, er... — a balconista havia achado a cor dos olhos de Emily muito interessantes. — Você vai querer a água?

— Pode trazer. — Sentou-se novamente no banco e sorriu sedutora. Pouco tempo depois, a ruiva já voltava com a água para Emily.

— A-aqui está. — colocou a bebida em cima do balcão, mas antes que o soltasse, Emily segurou sua mão suavemente. Observou alguns segundos o contraste de sua pele bronzeada com a pele alva. Era lindo.

— Então... Qual seu nome?

— Charlotte Agronsky. — sorriu ao sentir Emily acariciar sua mão com o polegar. — E você?

— Emily Fields. — desviou o olhar das mãos para olhá-la nos olhos. — Você tem belos olhos, Charlotte.

— Oh, obrigada. — corou — E, por favor, me chame de Charlie. — Sorriu tão sedutora quanto Emily fez anteriormente.

A noite seria longa.

Notas finais
Booora, galera! Comentem e digam o que vocês estão achando! Pessoas novas, sei que vocês estão aí! E antigas também. Não é porque já leram que não podem comentar de novo. Leia, pensem, comentem. Os capítulos estão sendo modificados em alguns aspectos. Reciclagem, pai. Bom, de qualquer forma, obrigada por lerem. Só isso já é uma grande recompensa.