One, Two, Love
4 Capítulo 4
Notas iniciais
— Oh, obrigada. — corou — E, por favor, me chame de Charlie. — Sorriu tão sedutora quanto Emily havia feito anteriormente.
A noite correu bem rápido. Emily pediu algo para comer e Charlotte apenas a acompanhou do outro lado do balcão. Conversaram bastante, riram bastante e, no ápice da “ariscagem”, o dono do bar surgiu na porta da cozinha, a alguns metros do balcão, interrompendo-as. A ruiva virou assustada na direção do homem.
— Ei, Charlotte! O que você está fazendo? Porque não está servindo os outros clientes? — Perguntou áspero.
— Er... — olhou de volta para Emily — Espera um pouco. — E foi até ele.
Uma conversa meio agitada podia ser vista de onde a morena estava sentada. Ela via Charlotte gesticulando negativamente com a cabeça, dizendo coisas como “você não pode fazer isso”, “não tenho pra onde ir” e “por favor”. Ela queria ir até lá e acabar com aquela conversa que parecia constranger a menina, mas conteve-se.
Nos próximos trinta segundos, Charlotte voltaria furiosa e pisando fundo enquanto murmurava alguns palavrões. Passou direto por Emily, indo para fora do estabelecimento.
— Ei, Charlie! — levantou-se, pegou suas coisas e deixou duas notas de 20 dólares sobre o balcão. Saiu do local e parou na calçada. Onde estava Charlotte? Olhou para os lados, mas havia muita gente ali. — Droga.
Emily andou rapidamente para o lado que, provavelmente, Charlotte teria ido. Mais alguns metros e ela avistaria seus fios avermelhados, reconhecíveis em qualquer lugar do mundo. A ruiva andava rápido, também.
— Ei, Charlie! — Emily começou a correr para alcançá-la.
Charlotte também apressou o passo para tentar despistar a morena e entrou num beco logo mais. Emily não se sentiu intimidada pela escuridão do lugar e nem pelo fato de ele ser totalmente desconhecido. Foi atrás da menina ruiva mesmo assim e, quando a alcançou, pegou-a pela mão, fazendo-a parar e virar para encará-la.
— Por que você saiu correndo? — Perguntou ofegante.
— Por que você se importa?! — tentou voltar a correr, mas Emily a puxou mais uma vez pela mão e a imprensou contra a parede. Seus rostos estavam muito próximos e a morena ainda podia sentir o hálito de banana da menina.
— Eu... — fechou os olhos para sentir melhor o cheiro que Charlotte exalava. — Não sei. — A ruiva estava boquiaberta. Sua surpresa era tão perceptível que fez Emily soltar uma risada pelo nariz.
— Você... Tem que ter um motivo. — Pôs a mão direita sobre a gola do casaco de Emily, fazendo com que a mesma colasse mais seus corpos.
— Gosto do seu hálito. — riram — E... Acho que quero experimentar.
Charlotte sorriu. Aquilo fora o sinal de que ela deveria ceder. Digo, que ela deveria apenas continuar. E, finalmente, suas bocas se tocaram. Aquele era o tipo de beijo que deveria ser aproveitado por cada segundo. O calor de suas bocas contrastando com o frio de Nova Iorque lhes proporcionava uma sensação incrível.
Emily deslizou a língua pelos lábios vermelhos de Charlotte, pedindo passagem para aprofundar o beijo, o que foi rapidamente autorizado e correspondido. Logo, as mãos de Emily que antes estavam presas a parede para que a ruiva não fugisse, encontravam-se em sua cintura, colando ainda mais seus corpos. A garçonete emanava um calor tão bom. Suas línguas dançavam juntas como se já tivessem feito aquilo várias vezes. Era incrível. Mas, depois de alguns minutos, tiveram que se separar, clamando por ar.
— Onde você mora? — perguntou Emily antes de beijar o nariz levemente corado da ruiva.
— Bom... — Charlotte depositou mais um pequeno beijo no lábio inferior da morena — Por sua causa, agora, em lugar nenhum. — Riram.
— Vem pra minha casa, então. — A ruiva sorriu e pôs uma mão no rosto de Emily.
— Eu soube, desde o momento que você entrou no bar, que você traria problemas. — Riram mais.
— Pode me chamar de Senhorita Problema. — Mordeu o lábio de Charlotte, fazendo-a soltar um leve gemido. A ruiva jogou a cabeça para trás e tudo que Emily conseguiu fazer foi sorrir e abocanhar seu pescoço alvo. Aquela pele clara era tão convidativa. Não seria nada difícil deixar várias marcas por aquela menina.
Já estavam naquela brincadeira há algum tempo, então Emily começou a quebrar alguns limites. Depois de passar suas mãos por toda a extensão alcançável de Charlotte, colocou uma de suas mãos por de baixo de sua regata, levantando-a um pouco. Acariciava levemente a barriga da ruiva, fazendo-a ir ao céu e voltar quando encostava em seu seio.
— Em... — segurou a mão que a fazia delirar quando ouviu alguns murmúrios. — Ainda estamos na rua. — Gargalharam levemente.
— Qual o problema? — Emily não conseguia parar. Naquele momento, Spencer não existia. Pelo menos ela havia conseguido a tirar dos pensamentos por um breve instante.
— Vamos logo embora. — Afastou-se de Emily, fazendo-a ficar emburrada.
— Ah, qual é? — cruzou os braços, mas Charlotte continuou a olhando de forma insistente. — Tá.
As duas seguiram para o ovo, digo, apartamento de Emily. E, no caminho até lá, trocaram mais algumas informações importantes. Como, por exemplo, a ex-nadadora descobriu que Charlotte era caloura de Artes Cênicas em NYU e que vinha de Ohio. A idade era a mesma da sua, mas ela parecia tão madura. Tudo que ela dizia era tão cheio de fundamentos e... Ela era incrível. E, mais incrível que isso, era como se deram tão bem em tempo recorde. Parecia que se conheciam há anos, confiavam uma na outra estranhamente. Talvez elas tivessem algum destino cruzado em outras vidas, certo? É a única explicação plausível para tal afinidade.
— Bem, é aqui. — pararam em frente a portaria e, novamente, o porteiro não se encontrava lá. —É pequeno, mas dá pra nós duas. — Sorriu levemente maliciosa.
— Mesmo se não desse. — Riram.
— Vem, vamos logo. — Emily pegou a mão de Charlotte, fazendo a menina corar com o toque. Ao entrar no apartamento, Emily jogou suas coisas em cima da mesinha onde fazia suas refeições e jogou seu casaco em cima do sofá.
— Nossa, é...
— Minúsculo, eu sei. — riram — Mas é o que eu posso pagar.
— É. — suspirou — Pelo menos você tem um. — pegou o casaco de Emily e sentou-se no sofá. Aproveitando que Emily estava no quarto, ficou ali sentindo o cheiro que habitava no casaco da morena. Fechou os olhos e recostou a cabeça enquanto aproveitava. Era tão bom.
— O que você está fazendo? — riu da cara que Charlotte fez.
— N-nada. — Corou imediatamente ao ver que Emily trocara de roupa e vestia apenas uma blusa relativamente grande, mas que era curta o suficiente para deixar à mostra suas pernas torneadas e definidas. E, com certeza, se ela levantasse os braços, seria a visão do paraíso.
— Você... — andou em direção a ruiva, sentando-se em seu colo com uma perna de cada lado de Charlotte. — É muito fofa. — Beijou seus lábios suavemente. A ruiva colocou as mãos sobre os quadris de Emily, fazendo-a sentar de vez em suas coxas. Estava quente. Mesmo sobre a calça jeans, ela podia sentir. Então, levantou levemente a blusa de Emily, deixando a mostra sua barriga perfeitamente definida. A morena não ficaria para trás, então tirou rapidamente a regata preta que Charlotte usava, deixando-a apenas de sutiã. Mas, em momento algum deixou de beijá-la.
O clima já estava mais que quente quando Emily, de repente, parou de beijar Charlotte. Levantou-se e a olhou divertida.
— Ei, o que foi? — Perguntou a ruiva estranhando.
— Vem cá. — A morena chamou Charlotte com o indicador e foi em direção ao balcão da cozinha, encostou-se nele e esperou que a menina viesse.
— Você é louca. — Riu e foi de encontro à Emily.
Pegou-a pela cintura e pressionou seus corpos e lábios num beijo quente e voraz. Suas mãos corriam por todos os lugares, até que Charlotte levantasse – com uma pequena ajuda, claro – Emily, para que ela sentasse no balcão e ficasse entre suas pernas, enquanto as mesmas eram fechadas atrás de si.
Emily baixou as mãos para as calças de Charlotte, sem desconectar seus lábios dos da ruiva. Tentava abrir o botão, mas como não tinha visão sobre tal, complicou-se. E, quando finalmente conseguiu, num instante, os jeans da Calvin Klein voaram para qualquer lugar daquele cubículo. Mas, quando Emily já enganchava seus dedos na calcinha de Charlotte, batidas na porta as assustaram, fazendo com que finalizassem o beijo.
— Que merdas alguém quer comigo uma hora dessas? — Charlie afastou-se e Emily desceu do balcão. Andou até a porta e, quando a abriu, deparou-se com...
— Spencer?! — Seu queixo foi ao chão.
— Oi, Em. — Cumprimentou aliviada.
— O-o que você está fazendo aqui uma hora dessas?! — Já eram algo entorno de 02:00h.
— Eu precisava falar com você. — Mantinha um tom meio desesperado.
— Bem, eu... Eu falei com seu namorado. — Sentiu desgosto ao pronunciar aquela palavra. Spencer inclinou-se para frente, querendo explicar, e então foi possível escutar o som de passos.
— Você está com alguém aí? — Perguntou meio incrédula.
— Bom, na verdade, eu... — Desviou o olhar. Não era para ser assim. Não era justo com Charlotte e nem com Spencer. Para ninguém, aliás.
— Você está... — recuou — Bem, então quando você não estiver ocupada... Não, deixa pra lá. — Disse e saiu.
Emily ficou ali, estática.
— Quem era? — Charlotte perguntou apoiando o queixo no ombro de Emily enquanto a abraçava. — Você está bem?
— Aham... — Aquilo tudo foi chocante demais para ela.
— Vem. — segurou-a pela mão — Entra. — Puxou-a e fechou a porta. Era possível ver a confusão nos olhos de Emily. Ela estava tão atordoada.
— Em... — Charlotte pegou as mãos da morena nas suas e encostou suas testas, espiando uma pequena lágrima que escorria do rosto da menina à sua frente. — Não chora. — Pediu, mas tudo o que conseguiu foi fazê-la desabar de uma vez. Abraçá-la era o que ela podia fazer para tentar reconfortá-la.
— Não era pra ser tão difícil. — Emily pronunciou entre os soluços.
— O que não era pra ser tão difícil?
— Amar. — Aquela pequena palavrinha fez o coração de Charlotte partir. Apesar de ter conhecido a menina há algumas horas, ela já sentia algo. E sabia que, apesar de Emily sentir algo também, que não seria exatamente aquela definição que ela daria.
— Você quer me contar o que aconteceu? — Acariciava os cabelos morenos enquanto sentia o cheiro dos mesmos. Não obteve resposta. Apenas mais e mais lágrimas.
— Tudo bem, tudo bem. Shhh... — Charlotte estava “cuidando” de Emily como se cuidava de uma criança que havia acabado de perder o brinquedo ou o cobertor preferido. — Vamos deitar. Se você dormir, talvez melhore. — Emily fez que sim com a cabeça e elas seguiram para o quarto.
Era uma cama de solteiro bem pequena, mas elas dormiriam bem coladas. Estava perfeita para as duas. Deitaram-se e tudo o que Emily conseguiu fazer foi agarrar-se ao corpo magro de Charlotte e chorar mais ainda em seu pescoço.
— Não me deixa, Charlie. — disse entre soluços — Prometa.
— Eu prometo — suspirou — Eu estou aqui com você... — beijou a cabeça que guardava explosões de pensamentos — Sempre estarei.
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