One Night Stand

8 Sexta à noite


Notas iniciais
Obrigada à todas que favoritaram, comentaram e estão acompanhando :) E um agradecimento especial para linda Thaís Idelfonso por indicar a fic *o*

POV Kate

– Você comprou as cervejas? — Perguntei assim que o vi entrando com algumas sacolas nas mãos.

– Cervejas, pipoca, pizza, chocolate e jujubas. — Definitivamente ele tem 9 anos.

– Já falei que vocês são totalmente sem graça? Mas olha, ainda dá tempo de os dois se arrumarem pra festa da Jenny. — Lanie fala, analisando o conteúdo das sacolas que ele acabou de colocar em cima do balcão.

– Eu não sei porque, mas toda sexta à noite eu me sinto com 15 anos, então a única coisa que eu quero é uma maratona de Resident Evil.

– Qual a sua desculpa, Rodgers? — Ela o lança um olhar intimidador.

– Nenhuma festa ganha de um filme que une uma mulher gostosa com armas e zombies.

– Vocês dois se merecem. — Lanie fala em tom de rendição, pega sua bolsa e sai lançando beijos de despedida.

– Preparada pra nossa maratona? — Rick me pergunta, colocando a pipoca no microondas e os doces em uma vasilha.

– Você termina aí que eu vou colocando o DVD.

Enquanto espero ele organizar as coisas na cozinha, paro pra pensar em como nós ficamos amigos tão rápido. Bastou uma briga sobre qual o melhor personagem de Star Wars, uma discussão sobre política, uma noite de pôquer repleta de gargalhadas e voilà: ele entrou na minha vida e alterou toda minha rotina. Sabe aquela necessidade de estar ao lado de alguém, sem interesses, sem julgamentos, sem pressa, sem compromissos? É exatamente isso que acontece com a gente.

Já fazem dois meses desde que eu o reencontrei e a cada dia que passa, me surpreendo cada vez mais com o tamanho do seu coração, da sua bondade e da sua capacidade de me alegrar mesmo depois de um dia super complicado.

– Vamos começar? — Ele organiza as comidas e as cervejas na mesinha de centro e se joga do meu lado no sofá.

Aperto o play e durante as horas seguintes ficamos entre uma pequena competição pra ver quem consegue acertar mais pipocas na boca do outro e comentários que me fazem gargalhar até ficar vermelha.

Definitivamente ele é o tipo de cara que transforma uma noite de guloseimas e cerveja vendo filme em casa numa das coisas mais deliciosas da vida.

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POV Rick


Não consigo mais imaginar como eram meus dias sem a companhia irremediavelmente fascinante dessa garota. Nos últimos dois meses nós criamos uma relação que se pode chamar de amizade e por algum motivo que não sei explicar, nunca falamos sobre o fato de já termos transado. Ainda não sei se isso é bom ou ruim. Só sei que tento conhecê-la o máximo que posso, absorver cada detalhezinho dela.

Kate é irritantemente segura de si e uma grande idealista. Ela realmente acredita que pode mudar o mundo. Ela também acredita muito no poder da justiça. E em filmes de terror. E em passar uma tarde inteira na biblioteca procurando um livro de Bulgakov. Bem, se tudo isso misturado pode virar uma bagunça? Claro que pode. Mas ela faz mesmo assim.

Nós terminamos nossa maratona de Resident Evil e estamos deitados na minha cama. Mas não, não aconteceu nada.

Ela simplesmente entrou no meu quarto e se deitou do meu lado. Eu estava lendo um livro e prendi a respiração ao ver o short minúsculo do pijama que ela usava.

– Não quero ficar sozinha. — Sussurrou, se enfiando embaixo do meu edredom. Eu não falei nada e nós ficamos em silêncio.

Tem noção do quão complicado é sustentar o silêncio do lado de alguém que a gente ainda tá conhecendo? Mas com ela tudo é diferente. Eu sempre soube que seria.

Eu não sinto a menor necessidade de ficar empurrando um assunto atrás do outro e o silêncio entre nós dois não assusta, não é estranho. Na verdade, é totalmente confortável.

A sensação de mente tranquila tomou conta de mim e aquela calmaria em que você é capaz de ouvir sua própria respiração é a única coisa que lembro antes de cair no sono.

Se eu tivesse que definir a Kate em uma frase, seria essa: Ela espalha amor pelo mundo.

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POV Kate

Acordei com a mão dele enlaçando minha cintura. A sensação de estar ali naquele abraço era tão boa que tive que lutar contra mim mesma para me levantar e ir para o meu quarto.

Na noite passada, meu pai me ligou sem parar e eu podia sentir um buraco cada vez maior se formando dentro de mim a cada vez que eu ignorava suas chamadas.

Eu não conseguia dormir e não queria ficar sozinha. Lanie e Ryan ainda não tinham chegado, não que eles fossem minha primeira opção para me sentir segura, mas o quão estranho seria eu dormir na mesma cama que Rick levando em consideração o fato de que nós já transamos? Fiquei parada em frente a porta do quarto dele até que falei um foda-se para mim mesma e me deitei na sua cama.

Me deitei do seu lado e instantaneamente uma sensação de segurança tomou conta de mim. Quase o abracei. Quase. Mas não estou disposta a cruzar a linha tênue e invisível que nos mantêm nessa onda de apenas amizade.

Eu não sou inocente. Percebo seus olhares para mim, seus sorrisos. Sei que é inevitável nós cedermos à toda essa tensão sexual que nos rodeia uma hora ou outra. Mas estou torcendo internamente para que isso não aconteça. E se nos dermos conta de que não passamos de um caso de uma noite só? Porra, nós moramos juntos! O clima vai ficar super estranho e como se isso não fosse ruim o suficiente, ainda posso perder sua amizade. E não posso perder sua amizade. Não agora.

Notas finais
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