One Night Stand

9 Noite de Karaokê


Notas iniciais
Gente, vocês não tem noção do tamanho do meu sorriso quando vi que a fic tinha recebido uma recomendação!! Thaaaaaís, não sei nem como te agradecer, garota! E pra comemorar, escrevi o capítulo um pouco maior que os outros :) Ah, e um obrigada pra Bru pela dica!

POV Rick

Kate está zapeando pela casa a procura de um par de sapatilhas que ela usa quase todo dia e nunca sabe onde está. Fico observando-a arrastar móveis e se esgueirar para baixo deles.

– Por que você não guarda num lugar próprio? — Eu pergunto, já meio impaciente. — Daí não vai precisar procurar feito louca desse jeito.

– Na verdade eu gosto. — Me explica, sorrindo com a língua entre os dentes. Ela tem noção de que esse sorriso me faz prender a respiração por alguns segundos? — A busca é sempre divertida. E eu acabo achando coisas que nem sabia que tinha perdido.

Sorri em resposta, achando hilária a lógica dela e a sua ideia de diversão, mas no final das contas, quase tudo que é divertido pra ela me faz sorrir também. Então tudo bem.

– Me lembra novamente o motivo de eu ter aceitado ir em um bar com Karaokê em plena quinta feira? — Ela me pede, finalmente encontrando a tal sapatilha em baixo do sofá.

– Ryan está na fossa porque brigou com a Jenny e eu vou viajar amanhã. Então, em uma noite só, a gente tem que animá-lo e vocês tem que se despedir de mim.

– Certo. São bons motivos.

– Não sei como você vai aguentar ficar duas semanas longe das minhas panquecas.

– Oh Deus, vou sentir falta das suas panquecas. Mas só das suas panquecas.

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POV Kate

– O talento da Kate como cantora deve ser mantido em segredo como se fosse o Santo Graal. — Lanie fala após eu me recusar a cantar pela décima quinta vez. Estamos os quatro em uma mesa e algumas garrafas de cerveja já estão secas.

– Vamos lá, Ryan. É a nossa vez. — Rick puxa Kevin até o pequeno palco e logo a música escolhida começa a tocar.

– Me diz que eles não vão cantar I Will Survive. — Peço para Lanie, mas ela não me responde, fica apenas gargalhando ao ver aqueles dois cantando e dançando loucamente.

– Go on, now go, walk out the door. Just turn around now... — Rick começou a fazer a coreografia e eu não consegui me controlar. Como alguém consegue ser tão ridiculamente divertido desse jeito?

– Hey, tô vendo que as duas curtiram nossa performance. — Rick chega animado, se sentando do meu lado. O público ainda está aplaudindo e alguns até soltam gritos.

– Nossa, vocês arrasaram! — Falei ironicamente. — Gloria Gaynor perde feio para vocês dois.

Depois do showzinho dos meninos, nós continuamos conversando sobre as aulas, os professores e o que Ryan poderia fazer para que Jenny o perdoasse, até o momento que a conversa foi para um fato que eu tentei ignorar nos últimos dias.

– E então Rick, como vai ser essa viagem? — Ryan perguntou, se servindo de mais um copo de cerveja.

– Dez estados em duas semanas. É uma exigência da editora, então não tenho escolha. — Ele fala essa última parte me encarando. Será se ele tinha percebido que eu estava a ponto de pedir que ele cancelasse essa viagem?

Eu sei que é egoísta da minha parte, mas a verdade é que ele foi me decifrando aos poucos até conseguir me conquistar de vez. É ele que prepara o café exatamente do jeito que eu gosto, é ele que anda com meu antialérgico na carteira quando sabe que vou passar a manhã na biblioteca e sair de lá espirrando feito louca. Foi ele quem me tirou da bolha em que eu vivia e me fez perceber que a vida é muito mais do que eu podia sequer imaginar.

– Kate Beckett? — Uma voz que soa familiar me chama, me viro e vejo um dos meus antigos colegas do colegial.

– Meu Deus, William, quanto tempo! — Levanto e o abraço. — Quer se sentar aqui com a gente?

– Claro!

– Essa é Lanie, o Ryan e esse é o Rick. — Faço as apresentações e Will se senta do meu lado.

– Então, você está namorando? — Ele pergunta, direto como sempre. Posso sentir o braço do Rick se encaixar na minha cintura e me arrepio com o contato.

– Curioso você, né? — Rick fala com um tom arrogante. Ele por acaso bebeu todas as bebidas do bar?



POV Rick

Ela se vira para mim com um olhar que diz algo como “se eu tivesse uma arma te mataria agora”, mas finjo não perceber e continuo com a mão na cintura dela, afastando-a lentamente do cara intruso.

Ela não respondeu sua pergunta, então eles falam das suas aventuras de escola e Ryan e Lanie estavam envolvidos na conversa, já eu confesso que não prestei atenção em uma palavra. Quem ele pensa que é para chegar e já ir se enturmando desse jeito?

Eu não sei o que deu em mim, mas a única coisa que eu queria era puxar a Kate pelo braço e sair correndo com ela.

– Gente, acho que já tá na nossa hora. Temos aula amanhã. — Lanie fala, já se levantando. Quero dar um beijo nela depois disso.

Não preciso olhar para Kate pra saber que ela está zangada comigo. Já conheço todos os sinais. Mas não me arrependo nenhum pouco de ter agido de forma protetora.

Oh, Deus, estou tão perdido. Eu me perdi nela.

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POV Kate

Eu não estava zangada pela atitude do Rick, eu estava furiosa. Nós não nos falamos desde que saímos do bar na noite passada e eu não faço a menor ideia do motivo de ele ter agido daquele jeito.

Pego meu celular na bolsa e releio a mensagem que ele me mandou há algumas horas.

Hey, quero me despedir de você. Para de zanga. Eu não fiz por mal.

Jogo o celular dentro da bolsa de novo e ando em direção ao nosso apartamento. Sim, eu estava furiosa, mas mesmo assim sabia que ia sentir uma saudade doida dele. De alguma forma, nossa conexão é algo infinitamente maior do que a minha capacidade de colocar em palavras.

Eu mal tinha saído do campus da universidade quando ouvi Ryan me chamando de longe.

– Kate, o Rodgers te esperou até poucos minutos atrás, mas como você não apareceu, ele foi para o aeroporto. — Todo o meu corpo gelou. Ele não podia viajar sem que eu me despedisse dele.

– Me leva no aeroporto?

Os minutos que levamos para chegar até lá pareciam inacabáveis. Quando eu finalmente vi o portão de embarque, não esperei nem mesmo Ryan estacionar o carro e já saí correndo. Eu precisava vê-lo.

Procurei seu rosto no meio da multidão até achá-lo já na fila para embarque com uma carinha triste.

– Rick! — Gritei, chamando sua atenção. Seu rosto se iluminou automaticamente em um sorriso que faz seus olhos ficarem pequeninhos. Eu sou totalmente encantada por esse sorriso. Ele passou por baixo das fitas que delimitam a fila e veio ao meu encontro.

Chegou perto de mim e me abraçou forte. Já falei o quão bom é seu abraço?

– Você veio. — Ele parecia não acreditar.

– Eu não podia deixar de te desejar boa viagem. Ah, e vê se volta logo. Eu não sei quanto tempo sobrevivo sem panquecas.

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POV Rick

– É isso aí, Rodgers, só faltam mais duas cidades. Olha, essa vida cansa. — Esposito se joga na cama do hotel e pega o controle da TV provavelmente para assistir um jogo. Foi uma boa ideia trazê-lo comigo. Apenas sento do seu lado, nenhum um pouco interessado na programação. Meu nível de animação é zero. A saudade que sinto dela me consome aos poucos. Sinto uma falta tremenda dos seus risinhos inapropriados no meio de um filme de terror e daquelas ajeitadas de cabelo que balançavam meu mundo inteiro

Antes eu não percebia que o meu dia começa quando ela aparece. Pode ser às cinco da manhã quando ela tá com cara de sono, cabelo desarrumado e ajeitando os livros para ir pra aula, ou às onze da noite, quando eu chego cansado da aula de latim e ela já tem preparado o meu chá. Não importa. Um dia sem a Kate do meu lado demora uma eternidade pra passar.

Olho no relógio da cabeceira e pego o celular para ligar pra ela.

– Hey, o que você está fazendo?

– Vitamina de morango com sorvete. — Ela fala e de alguma forma sei que ela está sorrindo. — Você me viciou!

– Eu sou o mestre da cozinha.

– Haha, não me faça rir. Lembra daquela gororoba de pipoca com sorvete? — Ela me relembra e nós dois caímos na gargalhada.

– Está usando a caneca azul?

– Não. A caneca vermelha. Está um calor infernal lá fora.

– Minha garota!

– Preciso ir, a Lanie tá aqui comigo.

– Ok. Mais tarde te ligo de novo.

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POV Lanie

– Ai meu Deus, que tipo de pessoa escolhe a caneca pelo clima? — Pergunto gargalhando depois de ouvir Kate me explicar a teoria que ela e Rick desenvolveram. Só mesmo esses dois para determinar uma cor de caneca diferente para cada clima.

Percebo o sorriso dela desaparecer assim que nós paramos de falar nele e como estamos sozinhas, vou fazer ela me confessar o que realmente está acontecendo entre eles.

Se eu já tinha suspeitas de que por trás de toda essa coisa de amizade eles tinham alguma coisa, depois da ceninha de ciúmes do Rick no bar, eu tive certeza.

– Então, que carinha é essa? — Pergunto me sentando do lado dela. Você não vai escapar dessa vez, Katherine Beckett.

– Lanie, estou com tanta saudade dele que sinto como se estivesse faltando uma parte muito importante do meu dia. Parece que está tudo constante demais, clichê demais. Sinto falta dos pontos, vírgulas e pausas que só ele é capaz de fazer.

Olhei para ela com os olhos arregalados. Pensei que teria que fazer todo um drama emocional para que ela me confessasse alguma coisa. Nunca se quer passou pela minha cabeça a possibilidade dela se abrir assim, de cara.

– Não aguento mais guardar isso só pra mim. — Kate sussurra. — Ele é o garoto do bar. O Rick foi o meu caso de uma noite só.

Notas finais
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