One More Time
7 Capítulo 6 - Exhaust valve
Notas iniciais
Capítulo novinho para vocês, espero que gostem
Por mais que possa parecer meio contraditório, já que eu acabei de descobrir que meu marido tem um caso com a secretária, acordei me sentindo bem melhor hoje. Esvaziar uma parte do quarto de Mia tirou um enorme peso das minhas costas e agora eu mal posso esperar até me livrar de todos os móveis e pintar as paredes de branco. Estava começando uma nova etapa da minha vida.
Coloquei uma calça jeans, uma blusa baby look rosa e uma sandália rasteirinha, depois fui até o banheiro para passar um lápis de olho e um brilho labial. É incrível como uma roupa diferente e uma maquiagem podem dar um ânimo para começar o dia.
Cheguei a cozinha e Caroline estava fazendo panquecas. Só o cheiro estava maravilhoso.
- Boa dia, Car – me sente em uma das cadeiras que tinha no local – Espero que você tenha feito bastante panqueca, por que eu estou com fome.
- Lena? — ela sorriu assim que me viu – É claro que eu fiz bastante panquecas, também comprei aquela geleia de morango que eu sei que você ama e, é claro, suco de laranja.
- Oba! — disse enquanto ouvia o meu estômago roncar.
Ela colocou o prato com as panquecas, o pote de geleia e a jarra de suco antes de se sentar em frente a mim.
- Podemos atacar – comentou rindo enquanto pegava uma das panquecas – E Lena, é muito bom ter você de volta.
- Também acho, Car – afirmei com a cabeça.
Eu acabei comendo cinco panquecas, não tinha ideia de que estava com tanta fome, provavelmente foi resultado dos dois meses em que eu não me alimentei direito. Quando terminamos fiz menção de ir lavar a louça, mas minha amiga não deixou.
- E então, você vai com o doutor gostosão levar as coisas da Mia na instituição de caridade? — ela perguntou de repente.
- Doutor gostosão? — não pude deixar de revirar os olhos ao ouví-la falando assim – Acho que o Stefan não vai ficar muito feliz de te ouvir isso.
- Ele não precisa saber – sorriu maliciosa – Mas você tem que admitir que ele é sim gostosão.
Ela tem mesmo razão, o Elijah é muito bonito e ainda tem todo aquele charme britânico. Não duvido nada que tenham várias médica e enfermeiras caidinhas por ele lá no hospital.
- E ele parece gostar muito de você – completou.
- Ele só está tentando me ajudar, Car, não veja coisa demais nisso – dei de ombros – Além disso, ele parece ainda ser apaixonado pela esposa.
- Que está morta – lembrou – Acredito que a melhor maneira de ambos superarem suas perdas é fazerem isso juntos. De preferencia em uma cama e nus.
- Car! — a reprimi, podia sentir a minhas bochechas ficarem vermelhas – Elijah é só um amigo, a quem eu sou muito grata por estar me ajudando, não tem mais nada além disso.
- Se você diz – deu de ombros – Vamos ver se o discurso vai ser o mesmo daqui há alguns meses.
Tenho certeza de que não vou mudar de opinião. Afinal eu amo o Damon e grande parte de toda essa mudança e para tê-lo de volta.
Não demorou muito para a campainha tocar e fui atender na mesma hora. Elijah estava vestido com uma calça jeans e uma camisa polo preta, era estranho vê-lo sem suas roupas brancas de médico.
- Oi, Elena – ele sorriu para mim – Está pronta para irmos?
- Oi, Elijah! Claro, vamos sim – nesse momento Caroline estava parada bem ao meu lado – Car, nós estamos indo. Não devo demorar muito.
- Tudo bem – afirmou – E juízo vocês dois.
Fiz uma cara brava para a minha amiga e ela fingiu que não estava prestando atenção. Segui Elijah até o carro, ele abriu a porta do passageiro para mim e deu a volta para sentar no banco do motorista.
- A instituição de caridade não fica muito longe daqui – avisou enquanto saia com o carro – Tenho certeza de que você vai gostar do local.
- Também tenho certeza disso – afirmei.
Ele me levou até uma espécie de orfanato. Dava para ver que o lugar era bem espaçoso e dava para ver várias crianças brincando no parquinho que estava separado da rua por uma grade. Fomo até a sala da diretoria, aonde uma mulher estava sentada olhando alguns papeis.
- Olá, senhor Mikaelson – levantou-se e foi cumprimentar Elijah – O que trás o senhor aqui hoje?
- Olá para você também, Abby – acenou a cabeça para ela – Na verdade eu vim aqui acompanhando a Elena, ela veio trazer alguns brinquedos, roupinhas e roupas de camas para as crianças.
- Oh sim, Elena, muito obrigada – pareceu bem mais animada – Eu sou Abby Wilson, direto da instituição. Aonde estão as doações, posso ajudá-los a trazer aqui para dentro.
- Estão lá fora no carro – avisei – Podemos ir lá pegar agora. Vamos até lá pegar as caixas, Elijah?
- Claro, vamos lá – concordou.
Abby nos acompanhou até o lado de fora. Logo tinhamos levado todas as caixas para uma pequena sala aonde ficavam todas as doações.
- Essas coisas vão ser muito úteis para o nosso berçário – ela comentou – Tudo parece estar tão novinho.
- Na verdade, nada aqui chegou a se usado – expliquei dando de ombros. Pela primeira dizer isso em voz alta não me causou um aperto no coração ou uma vontade muito grande de chorar.
- Acho que podemos ir embora, não é, Elena? — Elijah se virou para mim, provavelmente pensando que eu poderia desmoronar a qualquer momento.
- Claro, vamos! — concordei – Sabe, eu queria ajudar aqui de alguma forma.
- A instituição aqui é bem grande, como pode ver e sempre estamos precisando de voluntários – explicou – Quanto mais ajuda melhor, é só aparecer aqui.
- Pode ter certeza de que eu irei aparecer – garanti.
- E estaremos aqui esperando – afirmou com a cabeça – E mais uma vez muito obrigada por tudo, senhora Mikaelson.
Mais uma vez eu senti as minhas bochechas esquentarem de vergonha, não acredito que ela estava achando que eu era casada com o Elijah.
- Ela não é a minha esposa – ele apressou-se em dizer – Somos apenas amigos, viemos juntos por que eu falei da instituição aonde podia trazer as roupas para serem doadas.
- Oh, eu sinto muito pelo engano – colocou as duas mãos sob a boca visivelmente chocada com o engano.
- Está tudo bem! — avisei.
Caminhamos de volta em direção ao carro. Mas uma vez ele foi um perfeito cavalheiro e abriu a porta para mim.
- Estou muito orgulhos de você – falou – Doou todas as roupas e não demonstrou nenhum arrependimento por isso.
- Você estava totalmente certo, não poderia ficar presa as coisas materiais como se aquilo tudo no quarto fosse a minha filha, a melhor coisa foi me livrar de tudo – dei um fraco sorriso – Só não entendi por que ela achou que eu fosse sua esposa.
- Provavelmente por que eu sempre chegava aqui usando aliança e você também usa – deu de ombros.
Dei uma olhada na mão esquerda, estava sem aliança, mas tinha a marca exata do anel no dedo.
- Mas você não está usando aliança – comentei.
- Você não é a única que deu um novo passo para seguir em frente – explicou – Depois da nossa conversa de ontem percebi que também precisava me desprender da única coisa que ainda me ligava a Katherine.
Não disse mais nada sobre isso, pelo jeito não era a única pessoa que estava aprendendo algo com essa amizade.
- Espero que não esteja com pressa de ir para casa – avisou – Quero te levar para conhecer um lugar.
- Vou adorar conhecer aonde quer que você esteja pensando em me levar – respondi na mesma hora. Gostava de estar com ela, parecia uma outra Elena.
Entramos em um clube exclusivo que ficava na saída de Los Angeles. Parecia um daqueles lugares que só pessoas ricas e com muito status na sociedade podiam frequentar.
Elijah parou o carro em frente a uma quadra de tênis. Abriu o porta malas e retirou duas bolsas de ginástica e duas raquetes.
- A maioria do psicólogos que conheço diz que a melhor maneira de você superar o luto é encontrando uma válvula de escape – explicou – Essa daqui é a minha.
- Tênis, isso é sério? — revirei os olhos divertida.
- Sim, tênis – afirmou – Algum problema? Você acha que eu não tenho cara de jogador de tênis?
- Não é isso – apressei-me em explicar – Mas sempre ouvi dizer que os médicos gostam de jogar golf.
- Golf? — fez uma careta – Tênis é muito mais legal, sem contar que queima calorias. E então, vamos jogar?
- Agora? — dei uma olhada na quadra, não tinha ninguém, teriamos o lugar somente para nós.
- Sim – disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Por que o espanto? Você nunca jogou tênis.
- Não é isso, eu já joguei algumas vezes com o Damon quando morávamos em Toronto – afirmei – Mas não vi com roupas apropriadas para jogar tênis.
- Não seja por isso – me entregou uma das bolsas de ginástica – Guardei algumas roupas da Katherine e vocês tem o mesmo tipo de corpo, tenho certeza de que vai caber em você.
Então eu fui até o vestiário feminino. A roupa realmente coube perfeitamente em mim e também calçávamos o mesmo número de sapato, me senti um pouco desconfortável saber que aquilo tudo tinha sido da esposa morta de Elijah, mas depois tentei não pensar mais nisso.
- Ficou mesmo ótimo em você – sorriu me entregando uma das raquetes – Podemos começar? — balancei a cabeça afirmativamente – Mas já vou avisando que não pretendo pegar leve.
- Posso dizer o mesmo para você – afirmei.
No inicio ele fez vários pontos seguidos, mas quando eu comecei não parei mais. Depois de algum tempo Elijah admitiu derrota totalmente exausto.
- E eu achando que você não gostava de tênis encostou na grade ao meu lado – Nunca pensou em ser profissional?
- Na verdade eu joguei tênis na equipe do colégio durante todo o Ensino Médio – decidi contar a verdade – Quase ganhei uma bolsa de estudos na faculdade, mas não tinham equipe de tênis aqui na UCLA e eu queria ficar perto do Damon.
- Entendo – enxugou o suor da testa – Pelo menos você já encontrou a sua válvula de escape.
- Não sei se eu quero que o tênis seja a minha válvula de escape – comentei – Eu gosto, mas hoje em dia eu só jogo por diversão, não que quero que isso se torne meio que uma obrigação.
- Então deve ter alguma outra coisa que te interesse – colocou a mão no queixo pensativo – Fale a coisa que você mais gostava de fazer quando era criança.
- Escrever – respondi sem nem ao menos pensar duas vezes – Minha mãe sempre me insentivou a escrever e me deu meu primeiro diário quando eu tinha 10 anos, acabei parando quando vim para a faculdade, mas sempre quis voltar a escrever.
- Perfeito, é exatamente isso que você vai fazer – avisou – Compre um caderno qualquer e coloque todos os seus desabafos no papel, tenho certeza de que vai te fazer muito bem.
- Parece mesmo perfeito – concordei – Sinceramente, não tinha pensado em fazer isso.
- Não precisa me agradecer – colocou a mão sob a minha – Só quero te ver melhor e superando tudo isso.
Fomos trocar de roupa novamente e logo estávamos saindo do clube. Quando ele parou o carro em frente a minha casa eu estava exausta, mas muito feliz, fazia muito tempo que não passava um dia tão divertido.
- Muito obrigada, Elijah, por tudo – disse enquanto retirava o cinto de segurança – Adorei passar o dia com você.
- Posso dizer o mesmo – assentiu com a cabeça – Quem sabe não podemos fazer outros passeios como estes.
- Vou adorar – confirmei – É só combinarmos.
- Então eu te ligo depois e marcarmos alguma coisa – deu um beijo na minha bochecha – Até depois, Elena.
Sai do carro e fiquei parada na calçada o observando sair e desaparecer na curva do final da rua.
Damon
E lá estava ela saindo do carro do doutor Mikaelson mais uma vez. Eles já estavam juntos ontem retirando as coisas do quarto da Mia e hoje de novo, há quanto tempo será que estavam se vendo?
Não aguardava ver minha esposa com outro, mas eu não posso nem ao menos reclamar. Afinal, fui em quem dormiu com a minha secretária e dava toda a Elena para saguir em frente também.
Peguei o meu celular e fiquei olhando para a foto dela que estava no papel de parede. Eu tinha tirado uma tarde em que fomos almoçar em um restaurante bem aconchegante aqui em Los Angeles, ela tinha me pedido para deletar, mas eu não fiz isso, adorava aquela foto.
- Lena! — murmurei – O que eu tenho que fazer para te reconquistar.
Notas finais
E ela também está passando bastante tempo com o Elijah, será que a Car tem razão e tem algo a mais nisso ou ele só está mesmo querendo ajudar a Lena?
E o Damon está ficando com ciúmes... o que será que ele vai fazer para reconquistar a Lena?
Comentem e digam quem estão achando
E de quem será que vai ser a primeira recomendação?
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