One More Chance For Love
6 O intruso
Notas iniciais
Ali, à três metros de distância, se encontrava um homem alto, aparentemente de físico desnutrido, rosto abatido, cabelos negros e olhos mortais, apontando um revólver para Carol, com a expressão cruel.
Aquele era Steven, o homem que pertencia à antiga gangue do Governador. Era ele quem mantinha Hershel e Michonne amarrados no carro, antes do combate.
Ele havia espionando Daryl e Beth à distância, quando os dois vieram da floresta para o ônibus na estrada.
Logo após o caipira das flechas sair, o plano era pegar a garota e se aproveitar dela, mas quando o estuprador estava prestes a entrar no ônibus após esperar alguns minutos estratégicos, Daryl retornou, se demorando pouco mais de dois minutos dentro do ônibus, e saindo noite a fora com a loira bonita.
Parecia que eles haviam encontrado outra dupla que também morava na maldita prisão. Ele calculou cada movimento, esperando a hora certa para atirar.
Carol estava ajoelhada ao lado de Daryl, chorando, vendo que a bala atingira seu ombro direito, ela tentava estancar o sangue desesperadamente.
Ela gritou por ajuda:
— Tyreese! Beth! Socorro! — Foi o que Carol conseguiu emitir, em meio à confusão.
O atirador olhava para a mulher com diversão, vendo a cena de desespero.
Beth veio correndo de encontro a eles, tremendo de medo, e ficou horrorizada ao ver o corpo de Daryl inconsciente no chão, já formando uma pequena poça de sangue.
Tyreese havia acordado assustado logo depois do estrondo do tiro disparado.
Ficou escondido atrás de uma BMW, e identificou rapidamente o autor da façanha. Estava esperando a mínima distração, para reagir e imobilizá-lo.
Carol estava gritando por ajuda não muito longe dali.
O atirador estava hipnotizado ao assistir o "espetáculo".
Subitamente, Tyreese se levantou, e correu em disparada na direção do homem, com a arma em mãos, pronta para o uso.
Felizmente, o homem magro reagiu com um segundo de atraso que beneficiou Tyreese.
A arma de Steven voou longe, e Ty manteve a arma apontada direto para seu coração, com a expressão ameaçadora.
O silêncio na rodovia lotada de carros, vítimas do engavetamento no início no caos do apocalipse, estava tão silenciosa que era possível ouvir uma agulha atingir o chão.
Tyreese apontava a arma para o homem, que largara a própria no chão, e mantinha as mãos para cima.
Carol e Beth estavam ajoelhadas no chão, cuidando do ferimento de Daryl.
— Carol, preciso que você o mantenha sob mira da arma para que eu possa amarrá-lo! — Tyreese diz, com a voz urgente.
Carol se levantou relutante, e deixou Daryl aos cuidados de Beth.
Pegou a arma da mão de Tyreese e apontou para o outro homem.
Seus dedos queriam puxar o gatilho imediatamente, e ferir o homem que causou dor ao seu amor.
— Beth, você trouxe alguma corda com você? — Tyreese perguntou.
Beth assentiu e apontou para a cesta com os utensílios que ela encontrara nos carros, não desviando a atenção de seu trabalho.
Tyreese pegou a corda e amarrou Steven, depois liberou Carol para voltar ao trabalho e tratar de Daryl.
Carol e Beth conseguiram fazer um torniquete com uma ferramenta e um pedaço de pano, assim, contendo o sangramento, e depois colocaram-no em um dos sacos de dormir, para que se recuperasse melhor.
Aos poucos, Daryl foi acordando, com os olhos piscando rapidamente, incomodados com a luz do sol.
— Carol? Carol? — ele diz, com a voz muito fraca.
Carol sê pôs de frente a ele imediatamente, acariciando seu rosto, com ternura.
— Meu amor, eu não quero ir embora sem te dizer... sem te dizer que... — Daryl tenta dizer, mas seus esforços são em vão. Ele desmaia novamente.
Carol sentiu uma onda de tristeza e nervosismo.
O que ele queria dizer com "ir embora"?
Não. Ele iria ficar bem. Iria se recuperar.
Ela cuidaria disso.
#
Carol montaria vigília ao lado de Daryl o tempo que ele precisasse. Mandou os outros irem dormir, prometendo que ficaria de olho no intruso, e também em qualquer outra ameaça.
Steven estava fortemente amarrado com uma corda de fibra grossa.
Carol o olhava com desprezo e ódio, desejando poder ir até lá e dar uma bela surra pelo tiro dado em Daryl.
Ela estava preocupada com a possível aparição de uma infecção no ferimento dele.
Ele precisava ficar bem. Ela precisava dele para ser feliz mais uma vez.
A cada dia ela se apaixonava mais e mais.
Daryl ali deitado, com seus músculos peitorais aparentes, sob a brilhante luz do sol, com o rosto contraído, cheio de tensão, a dor lida escada traço, partia o coração dela.
Carol desejava trocar de lugar com ele, para que ele estivesse bem agora.
Algumas horas depois, Tyreese acorda, finalmente descansado, pronto para enfrentar a situação com o refém, Steven.
Carol não saíra de perto de Daryl um só minuto, sempre vigilante.
Tyreese se aproxima da mulher.
— Carol, como vão as coisas? — ele diz.
Carol levanta os olhos cansados na direção do homem.
— Ele se mostrou consciente durante alguns minutos, mas voltou a desmaiar. Depois disso mais nada. — disse ela com tristeza.
Tyreese se pôs ao lado de Carol, e coloca a mão em seu ombro.
— Eu quero saber se está tudo bem com você — ele insiste, não dando a mínima ao homem enfermo à sua frente.
Carol o encara e dá de ombros, derrotada.
— Tudo ficará bem, querida — Tyreese a tranquiliza.
Carol sorri timidamente.
Ao contrário do que ambos pensavam, Daryl estava consciente na escuta de tudo.
— Posso... posso te perguntar um coisa? — diz Tyreese timidamente.
— Claro que pode, Ty — ela suspira.
— Você... você... vocêgostadelenãoé? — O homenzarrão morde a língua, na pressa e no medo, fazendo com que as palavras saiam atropeladas.
Carol fica confusa.
— O quê? Desculpe, não entendi... — a mulher diz baixinho.
Tyreese toma fôlego e diz:
— Você gosta do Daryl, não é? Eu notei que você ficou mais distante de mim logo após a chegada dele. — Tyreese finalmente confessa.
Carol pensou por um minuto, não sabia o que responder.
Será que ela devia contar sobre o beijo?
— Eu... er... — ela começa, e em seguida fecha os olhos, formulando a reposta — Quando estávamos na prisão, eu era perdidamente apaixonada por ele, mas venho pensando de um tempo pra cá, se realmente ele vale a pena. Mas respondendo a sua pergunta... sim, eu gosto dele ainda... gosto muito e não queria machucar você... mas não posso simplesmente apagá-lo da minha vida da noite pro dia. Você entende? — ela termina lentamente.
Foi o discurso mais longo que Carol dera desde a noite em que fugiram da prisão.
Tyreese pensou por um tempo, colocando os pensamentos em ordem.
Ele teria que mudar isso. Ele faria Carol esquecer de Daryl.
Com muito esforço, mas faria.
Ele pensara em tirar Daryl do caminho, mas seria sujo demais. Tyreese tentaria fazer Carol ficar contra o caipira. Era a maneira mais eficaz de fazer com que os dois brigassem.
— Bom, eu não preciso nem dizer que ele não te merece. Você vale ouro. Você é perfeita Carol. Ele não saberia dar o devido valor a você. Ele não tem consideração e te trata como lixo as vezes. Eu posso oferecer muito mais do que ele. — Ty responde, finalmente.
Carol ficou sem fala.
Daryl aparentemente inconsciente para eles, quis arrancar os olhos de Tyreese.
Ele não sabia de nada!
Daryl a amava! Tyreese estava tentando colocá-lá contra ele, mas Daryl não permitiria.
Carol era dele, só dele.
Daryl sentiu o ciúme queimar dentro dele como brasa no peito, e se sentiu possessivo quanto a ela.
A voz de Carol interrompeu a batalha de pensamentos internos e ocultos, de Daryl.
— Eu não quero que você desista, mas aviso logo que não será fácil Ty. Eu não sei o que fazer, estou muito confusa. O que mais me preocupa agora é a nossa segurança e o bem estar dele. Se você gostar mesmo de mim, vai ter que me dar tempo. — ela diz, com uma ponta de irritação por dentro.
Tyreese pensou por um longo tempo sobre o que Carol tinha confessado.
Mesmo assim ele tentaria conquistá-lá. Passaria por cima de Daryl se fosse preciso. Ty a teria só pra ele, nada mudaria isso. Ele jogaria ela contra o caipira, até ela apenas o enxergar, sem ninguém para atrapalhar.
— Eu entendo, Carol. Eu estou disposto a esperar o tempo que for. Eu posso ser algo melhor pra você. Minha joia rara, Carol Peletier — ele diz, amorosamente, sorrindo.
Carol corou , sem graça, e lhe deu um sorriso tímido, contra sua vontade.
Daryl se sentia triste e inseguro por dentro. Queria acabar com aquela conversa, antes que o maldito Tyreese continuasse manipulado sua amada.
Ele decidiu que era a hora exata para acordar.
O caçador sabia exatamente onde Carol estava, ele sentia suas delicadas mãos acariciando seu peito.
Ele mudou o corpo de posição lentamente, despertando a atenção dela.
Carol prendeu a respiração, esperançosa, mal piscando os olhos, esperando ver o brilho do olhar de Daryl.
E foi então que finalmente os olhos de ambos se encontraram, ele estando totalmente consciente da bela visão que tinha à sua frente, seu único e primeiro amor, Carol Peletier.
De imediato, ambos sorriram felizes.
O sorriso dele era lindo.
Só Carol para conseguir um sorriso daquele, vindo de Daryl Dixon.
Ela montara guarda ao seu lado sem descanso, e em seus olhos haviam olheiras roxas.
Mas ao ver Daryl consciente novamente, valia cada instante que permanecera ali.
Carol passou as mãos em seus lábios, sorrindo bobamente.
Ele ergueu a mão e acariciou sua bochecha, também sorrindo.
Parecia que de repente o mundo tinha ficado mais bonito, mais tranquilo, girando em torno daquele momento de carinho. Os olhos de Daryl brilhavam. Ele apreciava cada cuidado que Carol tinha com ele. Aquela era uma mulher de verdade, uma mulher maravilhosa, que estaria com ele sempre, nos momentos bons e ruins.
Com ela ao seu lado, seriam os dois contra o mundo. Ele se sentia feliz, feliz como nunca estivera.
Tyreese os olhava com amargura, bufando de raiva.
Ele queria estar no lugar de Daryl agora, mesmo que debilitado.
— Vocês não acham que devemos discutir sobre o que fazer com atirador agora? — Tyreese interrompe.
Nem Daryl nem Carol mostraram o menor sinal que tinham prestado atenção nas palavras ditas por Tyreese. Estavam presos nos próprios pensamentos, nos próprios sentimentos.
Tyreese pigarreou alto.
— Ei, gente. Vocês não acham que agora é o momento adequado para tomarmos partido do que fazer com o nosso problema, logo ali à frente? — ele diz, um pouco mais alto agora.
Isso com certeza quebrou o momento.
Daryl e Carol baixaram os olhos, envergonhados, e riram.
Depois viraram para Ty com a mesma expressão que gritava:
Como você ousa interromper novamente?
Tyreese percebeu o olhar de Carol, e xingou a si mesmo por dentro.
Droga.
Não era a intenção ela se voltar contra ele.
— Sim sim, claro. Eu acho que deveríamos perguntar ao Daryl, primeiro. — ela diz, se voltando ao caçador. — Daryl?
Quando Tyreese e Carol se voltam para olhar Daryl, se chocam com uma visão perturbadora:
Daryl Dixon, estava tendo convulsões.
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