One More Chance For Love
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Notas iniciais
"Carol acordou sentindo os braços de Daryl a sua volta.
Mas como? Há quanto tempo estávamos dormindo tão próximos um do outro?
Carol estava confusa. Mas era uma confusão que lhe fazia bem, e lhe provocava sensações engraçadas.
Era mais do que ela jamais esperaria. Ela estava ligeiramente surpresa e extasiada.
Que homem!
Encontrá-lo foi uma bênção. Carol teria mais uma chance para saber de verdade o que Daryl realmente queria dela.
Ela o observou. Ele tinha um sorriso nos lábios, a expressão tranquila.
Carol não queria arruinar qualquer que seja o sonho que o deixava tão feliz, acordando-o.
Se levantou com cuidado e o deixou dormindo.
Mia à frente, Tyreese estava sentado no capô de uma picape laranja, com uma expressão mal humorada.
— Bom dia Ty! — Diz Carol, sorridente, lhe dando um beijo na bochecha.
— Bom dia meu raio de sol. — Diz ele com simpatia.
Carol riu, ele nunca a chamara assim.
— Cadê a Beth? — Perguntou ela, preocupada.
— Está procurando mantimentos, nos carros das redondezas — diz ele, num tom levemente despreocupado.
— Mas você a deixou ir sozinha ? — Diz Carol, alarmada.
— Ué, se o seu namorado não tivesse abandonado a vigília como um imbecil, eu poderia estar ajudando a garota! — Diz Tyreese, com um olhar cheio de desprezo direcionado à ela.
Carol finalmente se irritou.
— Bom, ele não estava em melhores condições que a gente quando nos encontrou. Daryl precisava descansar de qualquer modo, e aliás, ele não é o meu namorado! — Carol completa, aborrecida.
Tyreese considerou aquilo.
— Me desculpe Carol, eu não devia ter descontado minha raiva em você, sinto muito, mas é que aquele caipira filho de uma p... — ele parou ao olhar de alerta que Carol lançou a ele — Mas é que o Daryl me deixou vigiando sozinho!
Carol o estuda por alguns segundos, relaxa a expressão e por fim diz:
— Tudo bem, tudo bem. Então ele é o malvado da história — diz Carol à Tyreese fazendo biquinho, se segurando para não rir.
Ele a olhou com raiva, mas ao ver a expressão dela tão leve, tão cheia de energia, foi se desmanchando todo por dentro.
Sorriu para ela, e puxou assunto:
— Falando nisso, a bela adormecida acordou? — Perguntou Ty.
— Não, deixei-o dormindo um pouco mais. Se você quiser ir abastecer as energias, eu assumo por aqui. — Carol completa, se sentindo no dever de dizer aquilo ao homem visivelmente exausto.
Tyreese estava tão consumido pelo sono e cansaço que se deu por vencido.
Desceu do capô do carro, e inesperadamente deu um selinho em Carol.
Era pra ser só um beijo na bochecha, mas agora ele tinha alguém jogando com ele, precisava por suas ações em prática para conquistar aquela doce mulher.
Carol o olhou, assustada.
— O que foi isso? — Perguntou ela.
— Foi só o começo, docinho — Respondeu ele por cima do ombro, indo ao encontro de seu saco de dormir.
Carol passou os dedos nos lábios, aturdida.
Ela estava confusa. Tyreese tinha sentimentos por ela.
Mas e Daryl? Será que ela deveria esquecê-lo e seguir rumo à Ty?
Pelo menos ela tinha opções.
Mas Carol não sabia o que fazer.
Um turbilhão de pensamentos dominavam sua cabeça, enquanto ela debatia sobre o que faria a seguir.
Carol Peletier se virou e deu de cara com Daryl, já de pé, olhando para ela com tristeza. O corpo apoiado sob um Sedā cinza, imóvel, como se estivesse ali, há muito tempo.
Carol congelou por dentro ao vê-lo ali. Mas disfarçou com um sorridente:
— Bom dia, Daryl!
Ele apenas olhou para ela, sem dizer nada.
Vendo que não conseguiu nem mesmo um aceno de Daryl, Carol continuou:
— Que foi, Pookie? — perguntou ela, preocupada, mas tentando quebrar o clima tenso com alguma brincadeira do passado.
Porém, Daryl não sorriu, não mostrou reação, apenas disse entre os dentes:
— O que foi aquilo Carol? — murmurou Daryl, com a voz rouca e os olhos ardendo.
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Carol sentiu um aperto enorme do estômago, queria fugir dali.
— O quê? — Sua voz vacila.
— Tyreese te dando um beijo, eu vi. — Daryl admite, nervoso.
Carol abriu a boca para dizer algo, mas fechou rapidamente.
Ela não sabia o que dizer.
Ela ponderou sobre o assunto um momento.
Por que isso importava para ele? Será que...?
Não.
Carol não devia alimentar esperanças.
Por fim, ela adotou o modo defensivo.
— Daryl... eu... fui pega de surpresa. — ela diz, hesitante antes de continuar. — Mas por que isso importa à você?
Porque que te amo, porra...
Era isso que Daryl queria por para fora. Mas não conseguiu, estava ferido pela cena que viu.
E também era covarde demais pra admitir.
— Isso não me imprtoa... quero dizer... er ... isso não me importa... — ele diz, atropelando as palavras. Suspirou e continuou — Nada disso me importa.
A mentira era tão grande que ele tropeçou nas próprias palavras e quase mordeu a língua diante daquilo.
Carol sentiu como se tivesse levado uma bofetada.
Para que esse teatrinho, afinal de contas?
— Então acho melhor você cuidar da sua própria vida. — Rebateu ela.
Ambos trocaram olhares cheios de raiva, mas cheios também, da mágoa diante dos últimos minutos que levaram àquela briga.
A alguns metros dali, Tyreese tinha um sorriso no rosto, pelo progresso que acabara de conseguir.
No exato momento em que Daryl e Carol terminaram a discussão, Beth retorna e sorri para os dois.
Ela trás nas mãos uma cesta com salgadinhos e bolachas que achara por aí.
Põe a cesta no chão, e dá um abraço em Carol, depois caminha até Daryl, e lhe dá um beijo na bochecha. Ela mal dá um passo para longe dele, e ele a puxa de volta.
— Como assim? Eu também não ganho um abraço? — Daryl diz, com um sorriso provocante para Beth.
Beth olha confusa de Daryl para Carol, dá de ombros, sorri e abre os braços em direção à Daryl.
Daryl aperta o abraço, enquanto olha para Carol com desafio.
Carol apenas olha para aquilo com indiferença, sentindo um ciúme enorme e abrasador em seu coração.
Queria abrir o coração para caçador, mas sabia que não valeria a pena.
Logo após Beth se soltar de Daryl, Beth recolheu os suprimentos e saiu caminhando com elegância até onde Tyreese estava dormindo.
Carol e Daryl ficam se encarando pelo que parecia uma eternidade.
Daryl, com um desejo feroz de correr até Carol e pedir-lhe desculpas pelo comportamento imaturo, envolvendo-a em seus braços, sussurrando em seu ouvido que a amava e que ela era dele... cumprindo a promessa que fizera a si mesmo, de tentar conquistá-la se a visse outra vez...
E Carol... Carol queria ir até Daryl e esmurrá-lo, dizer o quanto ele havia errado com ela tanta vezes... Fazer questão de lembrá-lo todas as vezes em que ele a rejeitou, de quando ele reencontrara Merle e que partira sem se despedir dela, sem a mínima consideração...
Tudo bem, ele era o irmão de Daryl...
Mas mesmo assim, Carol queria ter se despedido da maneira adequada e...
Todavia, o que isso adiantava agora?
Daryl voltara e estava ali com ela... Tão perto fisicamente, mas tão longe na questão sentimental...
Com tantos pensamentos embaralhando o cérebro dos dois, acabaram nem percebendo que tinham ido de encontro um com o corpo do outro.
Daryl e Carol tinham caminhado involuntariamente para mais perto... sem ter consciência... apenas os olhares unidos com intensidade, e a paixão no olhar...
Agora estavam a trinta centímetros de distância.
Daryl próximo o suficiente para sentir a respiração dela...
Esse era o momento.
Ele esticou a mão em direção à nuca de Carol, inclinou a cabeça, e os lábios dos dois finalmente selaram o primeiro beijo...
Aquele momento era mágico, era perfeito, era o mais esperado para Daryl...
Carol era adorável, delicada como uma pétala de rosa, com movimentos suaves e delicados.
Ela passou os braços ao redor de Daryl, puxando-o mais para perto.
O quanto ela esperou por aquilo!
Podia até sentir o sorriso nos lábios dele, e o abraçou com mais força.
Daryl estava vivendo uma ocasião maravilhosa, com a mulher que amava.
Ele queria que o tempo congelasse ali, para desfrutar dele o quanto pudesse.
Eles finalizaram o beijo com alguns selinhos e olhares apaixonados.
Enquanto que, as duas pessoas que sobreviviam com eles, não tinham a mínima noção do que se passava.
— Você é linda. — Sussurra Daryl na orelha de Carol, respirando fundo o perfume dela.
Como ela conseguia ter aquele cheiro bom no meio do apocalipse zumbi, ele não sabia, mas achava maravilhoso.
Ela era sua, para sempre.
— Daryl, você gosta de mim? — Carol subitamente perguntou, incapaz de se controlar — Por favor me diga a verdade. Você me ama?
Daryl fora pego de surpresa, lutou desesperadamente para organizar os pensamentos e colocá-los pra fora.
Ouve uma pausa muito grande.
Ela o olhava se agarrando à esperança de ouvir uma declaração sincera.
— Eu... er... eu meio que... — ele gagueja.
Um estrondo de um tiro interrompeu Daryl.
Ele congela, com os olhos vidrados em Carol, e um sorriso estranho nos lábios.
Em seguida, desaba no chão.
Carol se assusta, e adota uma expressão apavorada.
— Não! Não Daryl, não! Fica comigo! Daryl! — Ela berra em pânico."
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