One More Chance For Love
12 Ameaças.
Notas iniciais
Daryl seguia rumo à floresta, com seus sentidos apurados de caçador aguçados.
A caça naquele dia estava fácil; rapidamente vê um belo cervo.
Prendendo a respiração, o caipira aponta a crossbow para a presa à distância, e com um único tiro, o abate.
Em seguida o coloca em uma mochila que achara no caminho.
Hoje era definitivamente o melhor dia de sua vida.
Entretando, como uma maldição, Daryl ouve o som de passos arrastados à vinte metros de onde se encontrava.
Ele se vira em direção ao som, e identifica pelo menos uma dúzia de errantes.
Porém, por sorte, os mortos ainda não haviam detectado a presença de Daryl.
E aproveitando a deixa, o caipira se põe a correr para longe da horda.
...
Ele avista um chalé ao longe; corre para lá com a arma em mãos, e a mochila com a caça nas costas.
O ambiente dentro da pequena casa era silencioso.
Daryl arremessa uma pequena pedra em direção à cozinha para qualquer ameaça que estivesse ali se mostrasse de uma vez.
Nada.
Ele estava sozinho.
Silenciosamente, o mesmo vai até a janela ver onde se encontrava a horda de zumbis.
Eles estavam muito próximos agora. Vindo em direção ao seu esconderijo.
Que merda!
Ele corre até a cozinha na procura de uma porta dos fundos, ou uma janela; porém não havia nenhuma porta, apenas uma janela muito estreita.
Daryl não tinha escolha. Ele teria que passar por ali.
Ele visualiza uma grande poltrona, e a coloca contra a porta da frente.
Era tudo que podia fazer. Muitos walker's se aglomeravam na porta da frente, nesse instante.
Rapidamente, Daryl recolhe a mochila, joga a crossbow para fora e tenta se esgueirar pela janela estreita, com muita dificuldade.
Seu ombro não havia se curado do tiro, completamente.
Entretanto, com muita sorte e uma careta de dor, ele consegue sair inteiro, pois no momento, os zumbis estavam distraídos na porta da frente.
Daryl corre o mais rápido que pode.
Chega ao meio da floresta novamente, mas não segue em linha reta de volta para casa, pois tem mais um plano em mente.
#
Carol estava na cozinha preparando a mesa, acendendo velas para iluminação do jantar que ainda não chegara.
Lauren estava sentada em uma cadeira próxima, observando-a.
Os outros se encontravam na sala, conversando.
...
— Sabe Carol... — Começa Lauren, com uma voz macabra, olhando para as velas com um brilho possessivo nos olhos. — Eu não acredito que o Daryl, com uma aparência tão forte, tão bela, esteja interessado em você, comigo por perto.
Carol paralisa.
O quê aquela mulher estava pensando, afinal de contas?
— Eu acho que você deveria cuidar da sua própria vida. Daryl me ama. E isso não tem nada a ver com beleza. Você é muito fútil. — Rebate Carol, se recuperando do choque das palavras, sendo completamente afiada.
Lauren emite uma gargalhada alta.
— Ah. Não mesmo. Quando coloquei os olhos naquele caipira, coloquei na cabeça que o teria pra mim. E só para mim, apenas. — Ela olha para Carol com desprezo.
Agora é a vez de Carol rir.
— Boa sorte então. Você não irá conseguir, jamais. Nunca desistirei dele. Batalhei muito para chegar onde estou com ele. E não vai ser você, quem vai nos separar.
Lauren é tomada pela fúria, e levantando-se da cadeira com violência, profere:
— Ouça. Eu sou perfeitamente capaz de matar um por um, cada habitante dessa casa. Você vai se afastar do Daryl. Caso contrário, não deixarei ninguém daqui escapar, com exceção dele. Não me importo com ninguém aqui. Ou você deixa o caminho livre para eu conquistá-lo, ou cada pessoa daqui morre, inclusive você. — Ela diz, incapaz de se controlar. Não havia mais beleza na loura, ela se mostrava cruel e desprezível agora.
Carol tenta não demonstrar seu terror.
— Eu não dou a mínima para as suas ameaças, Lauren. Conforme-se. Nada, nem ninguém, jamais, vai conseguir me separar dele. — Diz ela, jogando o avental sob a mesa, com raiva, saindo da cozinha com a última palavra da discussão, pairando no ar.
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Daryl caminha mais ou menos por duas horas, se encontrando em uma clareira que dava para uma linda cachoeira, com queda d'água de trinta metros, com peixes nadando em uma água cristalina e limpa. Ele já viera uma ou duas vezes com seu irmão, Merle. Quase não parecia real depois de tudo que haviam passado.
Ele traria Carol para cá, para terem um momento só dos dois, longe de todos.
Nenhum zumbi à vista.
Seria perfeito.
O homem sorri e se senta na terra úmida, aproveitando para se abastecer de água, e seguir adiante.
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Carol estava muito preocupada com a demora de Daryl. Já estava muito escuro lá fora.
Luke, Nick, Robert e Tyreese estavam inquietos, por conta da fome e da preocupação.
Lauren não entrara no campo de visão de Carol desde a discussão.
Carol não pensara duas vezes. Não tinha medo, e não se afastaria de Daryl.
Após mais ou menos meia hora, ouvem-se passos lá fora.
Daryl caminha pesadamente até a sala, larga a mochila e a crossbow no chão, suspirando, muito cansado.
— Ah, graças a Deus! — Diz Carol, se levantando imediatamente, surpreendendo o caçador com um beijo longo em seus lábios. A sensação de agora era igual a de quando ela o reencontrara na estrada, à tantas semanas atrás.
Daryl a abraçou forte, respirando em seu pescoço.
— Eu não disse que ia voltar para você? — Ele sorri para ela. — Não vou te deixar nunca!
Carol distribui beijos por todo seu rosto; nas bochechas, no queixo, na testa, e por fim, mais uma vez, nos lábios. A saudade e a preocupação se dissipando.
Daryl não a parou; cada beijo o deixava arrepiado e extasiado.
Os outros desviaram o olhar, sorrindo, com exceção de Tyreese, que observava a cena com uma expressão mal humorada.
Luke se pusera a examinar o que Daryl trouxera.
— Minha nossa! Você caçou isso? Teremos carne o suficiente para pelo menos três dias! — Exclama Luke, contente.
Nick e Robert abrem um meio sorriso.
Lauren de repente surge no corredor, e caminha devagar até o meio da sala, sentando-se no chão.
— Poxa! Até que fim, Daryl! Eu estava tão preocupada com você! —Diz ela, sorrindo para ele.
Daryl apenas a ignora.
...
Enquanto todos vão para a cozinha, Daryl puxa Carol para mais perto de si. Ele está prestes a falar, quando olha além de Carol, logo mais na extremidade do corredor.
— Lauren. — Diz ele, com a voz doce, olhando intensamente para algo que Carol não conseguia ver.
Atrás de Carol, Lauren o olhava maravilhada.
— Sim? — Respondeu ela, com a voz suave, esperando o caçador de repente se declarar.
— Será que você podia dar o fora daqui? Não cansa de ser um incômodo, porra? — Rosna Daryl, para ela, mudando a expressão para algo mais rude.
Lauren para de sorrir, a expressão com um misto de choque e raiva.
Ela se levanta, e sai furiosa, com uma expressão assustadora.
Carol então abraça seu companheiro, apertando seus braços ao redor dele, lembrando das ameaças da mulher.
— Pensei que teria de ser mais direto, ela não deixa a gente sozinho um minuto! — Suspira Daryl.
— Pois é. — Ela responde, baixinho.
— Hoje, além de caçar, eu andei preparando uma surpresa para nós... — Ele declara, segurando o pequeno rosto dela com as mãos.
— Uma surpresa? — Responde Carol, com os olhos se iluminando; tal fato que despertou a paixão de Daryl.
Seus olhos eram tão maravilhosos! Essa mulher me tira do chão.
— Sim. Amanhã você verá. — Diz ele, beijando sua testa, antes de continuar. — Anda, vamos comer.
Daryl passa o braço pelos ombros de Carol — abraçando-a possessivamente —, e a conduz até a cozinha.
...
Todos tinham uma energia positiva agora.
Lauren olhava para mesa, como se ali ocorresse a coisa mais fascinante do mundo. Evitou olhar Daryl nos olhos. Estava muito vermelha.
— Sabem, quando Luke era pequeno, eu lembro que ele tentou por um dia ser vegetariano. Não durou nem algumas horas. Quando vimos, ele já devorava um cheeseburguer com aquelas mãozinhas danadinhas. — Robert conta para todos na mesa, que o olhavam sorrindo.
Era uma das poucas vezes que o mesmo se mostrava alegre.
Todos riram, inclusive Luke, que estava junto ao fogão, cuidando do banquete. Ele balançava a cabeça, diante do segredo revelado pelo pai.
Todavia, em seus olhos morava uma tristeza que jamais desapareceria.
Sua esposa, Suzanne, morrera à algumas semanas, por uma maldita horda de mortos-vivos. O homem nunca se recuperaria daquela visão.
Mas ele ainda tinha Nick e Robert; o filho e o pai, para ajudar-lhe a seguir com a vida.
— Tudo bem, tudo bem. Vamos parar com isso e esquecer esse assunto. Acho que está pronto. — Luke diz, sério, apontando para a mesa.
Daryl senta perto de Nick no canto da mesa retangular.
Puxa então uma outra cadeira, e a põe bem próxima da sua.
Carol se senta na mesma, satisfeita.
...
Após todos estarem se sentindo pesados por terem aproveitado como nunca, a comida, se retiram para seus respectivos repousos.
— Pessoal, amanhã bem cedo sairei com a Carol, então se acordarem e não estivermos mais aqui, já sabem. — Anuncia Daryl, para ninguém em especial. — Não temos hora para voltar.
Todos dão de ombros, menos Lauren.
— Te encontro no quarto, Pookie. — Carol sussurra para Daryl, com um sorriso cúmplice.
— Você não vem? — Ele pergunta, surpreso.
— Quando eu terminar. —Ela diz, simplesmente.
...
Carol queria arrumar tudo; era sua rotina na velha prisão, e ela queria se sentir normal novamente.
Lauren não se mexera, voltara a encarar a mesa.
Quando teve breve certeza que não havia ninguém escutando, Lauren ataca.
— Se você for amanhã com ele — Sussurra ela, apontando para o quarto dos fundos — Pode ficar sabendo que eu não vou poupar esforços para fazer dessa casa, um inferno.
Carol a encara sem muita paciência.
— Eu não dou a mínima para as suas ameaças, Lauren. Por que simplesmente você não desiste? — Rebate Carol.
Lauren lança a ela um olhar maníaco, juntamente com um sorriso diabólico.
— Eu quero o Daryl, e vou fazer de tudo pra tê-lo só para mim. Nem que eu tenha que tirar todo mundo do caminho.— A loura termina a discussão, indo para a sala, se preparando para dormir.
...
Carol refletia enquanto organizava as coisas na cozinha.
Será mesmo que ela fala sério?
Carol não poderia desistir; ainda mais para abrir caminho à uma perversa como Lauren. O amor de Daryl e Carol era mágico, intenso, e com muita história para contar. Definitivamente, ela precisava se mostrar confiante diante disso tudo, e prezar pela companhia do caçador.
...
Com a decisão de não dar ouvidos à Lauren, Carol vai de encontro a Daryl, que já havia se deitado no beliche.
Ela entra no quarto e sobe devagar, sem fazer barulho, até a cama.
Se aninha nos braços do caipira, acariciando-o, enquanto o mesmo sorri, de olhos fechados.
Ali, segura junto de Daryl, ela não sentia medo nenhum de qualquer perigo que Lauren pudesse oferecer.
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